Texto: Bruno Rocha
Se o Doom Metal possuísse uma versão plástica, esta seria a capa do debut do Black Sabbath, a imagem acima. Perturbadora em sua simplicidade autoral, esta imagem traduz com perfeição em forma de imagem o sentido real e estrangulador do estilo. Por falar neste álbum, o Heavy Metal nasceu através dele sob o signo do Doom. Na forma deste, o debut do Black Sabbath foi composto e lançado oficialmente no dia 13 de fevereiro de 1970, portanto, tendo completado 50 anos nesta semana que se passou.
Se o Doom Metal possuísse uma versão plástica, esta seria a capa do debut do Black Sabbath, a imagem acima. Perturbadora em sua simplicidade autoral, esta imagem traduz com perfeição em forma de imagem o sentido real e estrangulador do estilo. Por falar neste álbum, o Heavy Metal nasceu através dele sob o signo do Doom. Na forma deste, o debut do Black Sabbath foi composto e lançado oficialmente no dia 13 de fevereiro de 1970, portanto, tendo completado 50 anos nesta semana que se passou.
O Black Sabbath praticava em seus primeiros álbuns aquilo
que partir dos anos 80 seria conhecido como Doom Metal: um Heavy Metal
lento, com guitarras de timbres bastante distorcidos, atmosferas soturnas e
vocais desesperados. Portanto, não há exagero em afirmar que o Doom Metal
existe desde os anos 70, sendo, portanto, o primeiro subgênero de Metal a
existir. Se formos considerar os outros gêneros que começaram a se emancipar no
fim dos anos 70 para os anos 80, como Thrash, Death, Black, Progressivo, Power
e outros, o Doom é aquele que ainda carrega a essência raiz com a qual o Metal
foi gerado por Tony Iommi e cia.
O próprio Black Sabbath é constantemente lembrado como pai tanto
do Heavy Metal quanto do Doom Metal, mas eles não eram a única banda a praticar
o estilo na época. Apesar de a crítica massacrar aquele Rock encapetado e feio que
os Sabbath praticavam, a banda rapidamente adquiriu popularidade no underground
e cresceu a ponto de alcançar a fama. Tão logo seus primeiros trabalhos
chegaram aos ouvidos dos fãs de Rock do mundo todo, outras bandas foram
surgindo inspirados por aquele Rock negro e pesado. Também carregando o cheiro
do Rock Psicodélico e ocultista, as bandas que praticavam Doom nos anos 70
mesclavam a brisa psicodélica com as distorções pesadas. Além disso, não seria muito
auspicioso falar de temas como ocultismo fazendo Rock bonitinho, em tons maiores
e timbres limpos, não é?
Antes de prosseguirmos, é preciso deixar claro um detalhe
que, apesar de parecer óbvio, é de suma importância neste artigo. Não é que as
bandas citadas nesta matéria eram genuinamente bandas de Doom Metal. Este entendimento
só veio a existir a partir da década seguinte. Indo mais além, nem sequer o
termo “Heavy Metal” estava estabelecido na época em questão. O ponto aqui é que
algumas bandas já tocavam de forma clara em algumas músicas ou trabalhos aquilo
que a partir dos anos 80 viria a ser batizado como Doom Metal. Outro detalhe
que complementa este primeiro é que o que compreendemos hoje como qualquer
outro gênero de Metal não era praticado no mesmo período. Bandas como Judas Priest,
Motörhead e Accept aceleraram e tornaram mais melódicos (este segundo adjetivo
não se aplica tanto ao Motörhead) o Metal na segunda metade dos anos 70 e
acabaram por influenciar outros gêneros de Metal que foram surgindo a partir do
começo dos anos 80, somente.
O Doom Metal emancipou-se como gênero de Metal na era
oitentista graças a bandas como Saint Vitus, The Obsessed, Trouble - estas
americanas - Pagan Altar e Witchfinder General, estas britânicas oriundas da
NWOBHM. Depois veio o Candlemass, o nome mais bem sucedido do estilo, inaugurando
o segmento Epic Doom. Todavia, como já dito, o estilo já era praticado como tal
nos anos 70. Vejamos a seguir alguns poucos nomes que se enquadram no Doom
Metal setentista. E se prepare: se você não conhece alguns destes nomes, vai se
surpreender com o quanto estas bandas já soavam tão pesadas e cabulosas na
época.
BLACK SABBATH
Ah vá!
Aquilo que conhecemos hoje como Heavy Metal existiria se o
Black Sabbath não fosse uma realidade? Provavelmente sim. Mas, como a
Matemática garante através do Princípio da Boa Ordem, alguém teve que receber
as honras da inauguração e este alguém foi o Sabbath. Ainda, será que se outra
banda tivesse criado o Metal, teria sido com tanto estilo e personalidade como
os britânicos de Birmingham fizeram?
Há quem entenda que o Metal já havia aparecido antes do
debut do Black Sabbath através de trabalhos do Cream, do Blue Cheer ou
até mesmo pelos Beatles. Mas a grande maioria dos entendidos em Rock e
Metal (eu incluso, apesar de este escritor estar longe de ser considerado um “entendido”)
concordam que a pedra angular do Metal foi mesmo o primeiro álbum do grupo,
lançado em 13 de fevereiro de 1970 pela gravadora Vertigo. Fato é que as músicas
do debut traziam uma carga pesada na guitarrada de Tony Iommi, no baixo furioso
de Geezer Butler, na bateria agressiva de Bill Ward e nos vocais
ríspidos de Ozzy Osbourne. A faixa-título em particular é tão negra e
revolucionária que conseguiu colocar o mundo da música de ponta-cabeça graças ao
riff tocado em trítono, a “Nota do Diabo”, a atmosfera horripilante e as letras
que evocam o Tinhoso, algo sem precedentes na história da Música. O Doom Metal
nasceu aí e foi devidamente lapidado nos próximos álbuns do Black Sabbath desde
então, influenciando assim uma legião de músicos e bandas de Doom e Stoner por anos a fio até hoje. E contando.
PENTAGRAM
Apesar de o Pentagram ser constantemente lembrado junto a
outros nomes como pioneiros do Doom oitentista, já emancipado, a verdade é que
a banda do caricato Bobby Liebling viveu a sua primeira encarnação durante
vários intervalos dos anos 70. O grupo não alcançou a devida fama naquela
década por conseguir somente lançar uns poucos singles, consequências de alguns
péssimos relacionamentos envolvendo empresários e os abusos de alucinógenos por
parte de Liebling. O reconhecimento só veio na segunda encarnação do grupo,
durante os anos 80 e já com o peso pesado Victor Griffin nas guitarras,
egresso do Death Row. Mas o fato de ter que dividir essa fama com Saint
Vitus e Trouble, além de outros aspectos, não os fez atingir o estrelato que os
aguardava ainda nos anos 70.
O Pentagram foi fundado em 1971 no estado da
Virginia através de Liebling e do baterista Geof O'Keefe. A banda surgiu
como uma promessa de resposta americana aos ingleses do Black Sabbath,
juntamente com os nova-iorquinos do Sir Lord Baltimore, e qualidade para
tal posto a banda tinha de sobra. O principal trabalho lançado pelo Pentagram naquela
década foi o Bias Recordings Studio, uma demo que trouxe clássicos da
banda como Forever My Queen, When The Screams Come e Review Your
Choices. Várias composições da primeira encarnação do Pentagram foram
regravadas nos álbuns lançados a partir dos anos 80. Em 2002 o grupo lançou First
Daze Here (The Vintage Collection), uma coletânea de 12 raridades e faixas perdidas
dos anos 70 em versão remasterizada. Ainda havia mais material para desenterrar;
o segundo lote de raridades setentistas do Pentagram foi lançado em 2006 sob o
nome First Daze Here Too. Em ambas as coletâneas, percebe-se o quanto o
Pentagram foi influenciado pelo Black Sabbath tanto nas músicas mais animadas
quanto nas faixas mais soturnas, os Dooms, como a própria Forever My Queen
e seu riff cinzento, a charmosa When The Screams Come e a fúnebre Be
Forewarned.
BEDEMON
Pesadíssimo! É assim que podemos definir o som da banda Bedemon,
que, tal como o Pentagram, passou por duas encarnações: uma entre 1973 e 1974,
com um brevíssimo retorno em 1979, e uma segunda encarnação a partir de 2001.
Na fase setentista, a banda também contava com Bobby
Liebling nos vocais e com Geof O’Keefe na bateria, que se faziam acompanhar de Mike
Matthews no baixo e Randy Palmer nas guitarras. Este Randy Palmer também
andou tocando no Pentagram por dois períodos, um na primeira encarnação e outro
na segunda, perto do fim dos anos 80.
Todas as músicas gravadas pelo Bedemon naquele período só viram
a luz do dia em 2005, quando do lançamento da coletânea Child Of Darkness:
From The Original Master Tapes. O que esse trabalho revelou ao mundo era
uma banda de som soturno, sujo, negro e pesado, como nenhuma outra fazia na época.
A baixa qualidade das gravações só reforçou a poeira em cima das músicas. É
tanta poeira que é possível tatear as músicas e constatar as cascas de sujeira.
O grupo voltou a ativa em 2001 através da iniciativa do músico e jornalista Perry
Greyson, que tratou de contactar e de reunir os ex-integrantes Palmer,
Keefe e Matthews. Um álbum de inéditas foi lançado em 2011, Symphony Of
Shadows, que contou com os vocais de Craig Junghandel.
STONE AXE
Essa aqui habita nas catacumbas plúmbeas da história do Rock
e de lá nunca saiu. Quem quiser conhecer o Stone Axe, desça rumo a escuridão
onde a luz nunca ousou penetrar.
O Stone Axe surgiu das cinzas do Josefus e existiu
entre 1971 a 1972 na cidade de Houston, no Texas. Após o fim do Josefus, o
vocalista Pete Bailey, o baixista Ray Turner e o baterista Jerry
Ontiberoz receberam o guitarrista “Wolf” Mike Long para formar o
Stone Axe. O único lançamento oficial do grupo foi o single Slave Of
Fear/Snakebite, de 1971. A primeira faixa em particular apresenta algo que
o Black Sabbath começaria a fazer naquele mesmo ano: afinações baixas nas guitarras.
Isso somado ao ritmo lento e as influências de Psicodélico criou um som pesado,
soturno e melancólico, que ficou escondido nas areias do tempo. O fim precoce
do Stone Axe ensejou o retorno do Josefus em 1972. Até hoje o grupo teima em
existir apesar das várias idas e vindas. Mas o blog The Atmosphere faz questão
de desenterrar, limpar a poeira e apresentar este souvenir para você.
Por hoje é isso. Existem outros exemplos, mas estes que aqui foram lembrados cumprem bem o papel de apresentar a você o Doom setentista. É como este redator costuma falar sempre que as oportunidades permitem: o Doom Metal é o gênero mais antigo, o Primeiro, aquele que carrega a essência raiz do Heavy Metal. Da metade dos anos 80 em diante o Doom Metal se metamorfoseou e se hibridizou com outros gêneros para se transformar em vários formatos distintos como Epic Doom, Death Doom, Metal Gótico, Sludge, Funeral Doom e etc. Isso tudo sem considerar o Stoner Rock/Stoner Metal, que pode ser considerado um irmão do Doom Metal. Que o Gênero Maldito sobreviva nos calabouços renegados do Rock por muito mais tempo. De preferência, mantendo e perpetrando para toda a posteridade o negrume perturbador da imagem que abre esta matéria.
Esta banda vem do Japão! Sim, o Doom Metal também aprontou
das suas durante os anos 70 na Terra do Sol Nascente. O Flower Travellin’ Band
foi a continuação natural do Yuya Uchida & The Flowers após uma
reformulação da formação do grupo e a adoção de um novo direcionamento musical.
Em seu segundo álbum, Satori, lançado em 1971, Uchida e companhia mostraram
um som que lembrava muito o Black Sabbath dado o peso das guitarras, os ritmos
lentos e as melodias sombrias. Ou seja, temos em Satori a receita básica
do Doom Metal. As características pétreas do estilo são melhor percebidas nas faixas
ímpares do álbum, Satori Part I, Satori Part III e Satori Part V,
além da faixa-bônus Map. Ainda, por influência do guitarrista Hideki
Hishima, o grupo usava de forma magnifica arranjos criados com escalas
árabes, algo que se tornaria marca registrada do Solitude Aeturnus nos
anos 90. O Flower Travellin’ Band existe até hoje, mesmo que sem seu membro-fundador
e cérebro criativo da fase áurea do grupo, Yuya Uchida. Outro destaque do álbum
Satori são as interpretações viscerais do vocalista Joe Yamanaka.
Por hoje é isso. Existem outros exemplos, mas estes que aqui foram lembrados cumprem bem o papel de apresentar a você o Doom setentista. É como este redator costuma falar sempre que as oportunidades permitem: o Doom Metal é o gênero mais antigo, o Primeiro, aquele que carrega a essência raiz do Heavy Metal. Da metade dos anos 80 em diante o Doom Metal se metamorfoseou e se hibridizou com outros gêneros para se transformar em vários formatos distintos como Epic Doom, Death Doom, Metal Gótico, Sludge, Funeral Doom e etc. Isso tudo sem considerar o Stoner Rock/Stoner Metal, que pode ser considerado um irmão do Doom Metal. Que o Gênero Maldito sobreviva nos calabouços renegados do Rock por muito mais tempo. De preferência, mantendo e perpetrando para toda a posteridade o negrume perturbador da imagem que abre esta matéria.






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