Diário das Noites - O Quarto de Helena (independente, 2019)
Tracklist:
01. Escura Primavera
02. Eram Eles
03. Contos de Solidão
04. Um Caminho Antigo
05. Mariana
06. Luzes
Line-up:
Fabiano Souza - vocais, violão
Anderson Morphis - teclados
Andressa Costa - programações
01. Escura Primavera
02. Eram Eles
03. Contos de Solidão
04. Um Caminho Antigo
05. Mariana
06. Luzes
Line-up:
Fabiano Souza - vocais, violão
Anderson Morphis - teclados
Andressa Costa - programações
Texto: Bruno Rocha
Resolvo mais uma vez adentrar n’O Quarto De Helena. Um quarto obscuro e sombrio, úmido e frio. Intimidador por sua opulência tão simplória. Aconchegante por sua atmosfera de dor. Não, não há nada lá. Nem cama, nem criado-mudo. Muito menos abajur. O que encontro n’O Quarto De Helena é tudo aquilo que minha mente cria em sua oficina, inspirada pela atmosfera e pelas provocações do lugar, criando assim reflexos de meus sentimentos e saudades em forma de música. Isso, reflexos. Espelhos. Existem espelhos n’O Quarto De Helena. Você tem coragem de encará-los?
O projeto musical do trio Fabiano Souza (vocais, violão, Última Dança), Anderson Morphis (teclados, Mortiferik, Harmony Hate, etc.) e Andressa Costa (programações) lançou recentemente seu segundo EP, intitulado Diário das Noites, que traz em si mais seis composições que exploram o lado mais soturno do ser humano e que provocam as mais retraídas sensações da mente do ouvinte, como saudade, tristeza e dor. O estilo musical do grupo permanece inalterado em relação à estreia autointitulada, de 2017, promovendo em suas composições um tipo lento e sofrido de Darkwave, com alguma influência Folk, influência essa reforçada pelo violão de Fabiano Souza. Então, aqueles que já conheciam O Quarto de Helena, podem esperar por aquela mesma atmosfera nublada de outrora em Diário das Noites. Esta que serve como alicerces e paredes do Quarto.
A abertura com Escura Primavera é tão negra e sofrida que pega o ouvinte despreparado e o derruba para o canto do Quarto, massacrado pela pressão de sua mente. Tocada na sombria escala de Fá Sustenido Menor, a combinação dos teclados de Morphis (em piano, chorus e strings) e da minimalista bateria programada de Andressa é adornada pelo violão bem encaixado, formado um conjunto que serve de base para que a belíssima e calma voz de Fabiano cante suas dores e saudades de forma pesarosa. Amanhece e chove lá fora do Quarto; é a música Eram Eles, cinza, nublada e atraente, lembrando em sua estrutura de arranjos os grupos de Ethereal Wave como Autumn’s Grey Solace, graças aos timbres atmosféricos escolhidos por Morphis. Ainda na segunda música chego à conclusão que palavras são insuficientes para expressar o quão forte e doloroso é o som do Quarto de Helena. Mas as palavras são as únicas ferramentas que disponho para tão hercúleo trabalho. Sigamos em frente tentando desvendar os segredos do Quarto.
Um pouco menos lenta, lembrando um pouco o Última Dança, é a faixa Contos de Solidão, que ilumina um pouco o Quarto. Esta composição é conduzida por uma guitarra de timbre embebido em flanger e tremolo que mais parece a mente a melancólica mente do ouvinte. Um Caminho Antigo traz algo inédito n’O Quarto de Helena, algo que se aproxima de um riff em seu começo com uma harmonia de violão e teclado. Mais contida, esta última faixa prepara terreno para Mariana, uma composição bela e etérea, que parece conduzir o ouvinte por sonhos de paz em meio a um entardecer escarlate. O EP se encerra com a atmosférica Luzes, minimalista em sua condução percussiva. Praticamente o único elemento harmônico nesta música é o violão e a voz de Fabiano. Falando em morte, Luzes se revela na verdade como aquela que leva em definitivo aquele que ousou entrar no Quarto de Helena, achando que Mariana era apenas um sonho. Prova disso são os choros carpideiros que emergem ao final da faixa.
Aos poucos a música se esvai, deixando somente uma sensação de vazio e tormenta na mente daquele que entrou no Quarto. Um momento de reflexão se abate no recinto ao novamente encarar os espelhos lá posicionados, revelando que na verdade tudo na vida é vaidade, é passageiro. Consegui sair do Quarto e voltar à realidade, mas não da mesma forma que entrei. Sentindo o clima das músicas e meditando nas letras das mesmas, tornou-se claro que a vida é efêmera e passageira. As lembranças marcam como ferro na pele e ardem sem que nos preparemos antes.
O Quarto de Helena é uma entidade musical necessária para o cenário Darkwave pela sua originalidade e ousadia, conseguindo fazer com o minimamente necessário uma música grandiosa e poderosa, capaz de congelar seus pensamentos e evocar os sentimentos ocultos. Diário das Noites é mais um documento que atesta tudo que foi relatado neste diagnóstico musical. Coragem, entre no Quarto, querido leitor! Faz bem, é inebriante. Helena te convida, seja lá aquilo que for a Helena de seus pensamentos.
Resolvo mais uma vez adentrar n’O Quarto De Helena. Um quarto obscuro e sombrio, úmido e frio. Intimidador por sua opulência tão simplória. Aconchegante por sua atmosfera de dor. Não, não há nada lá. Nem cama, nem criado-mudo. Muito menos abajur. O que encontro n’O Quarto De Helena é tudo aquilo que minha mente cria em sua oficina, inspirada pela atmosfera e pelas provocações do lugar, criando assim reflexos de meus sentimentos e saudades em forma de música. Isso, reflexos. Espelhos. Existem espelhos n’O Quarto De Helena. Você tem coragem de encará-los?
O projeto musical do trio Fabiano Souza (vocais, violão, Última Dança), Anderson Morphis (teclados, Mortiferik, Harmony Hate, etc.) e Andressa Costa (programações) lançou recentemente seu segundo EP, intitulado Diário das Noites, que traz em si mais seis composições que exploram o lado mais soturno do ser humano e que provocam as mais retraídas sensações da mente do ouvinte, como saudade, tristeza e dor. O estilo musical do grupo permanece inalterado em relação à estreia autointitulada, de 2017, promovendo em suas composições um tipo lento e sofrido de Darkwave, com alguma influência Folk, influência essa reforçada pelo violão de Fabiano Souza. Então, aqueles que já conheciam O Quarto de Helena, podem esperar por aquela mesma atmosfera nublada de outrora em Diário das Noites. Esta que serve como alicerces e paredes do Quarto.
A abertura com Escura Primavera é tão negra e sofrida que pega o ouvinte despreparado e o derruba para o canto do Quarto, massacrado pela pressão de sua mente. Tocada na sombria escala de Fá Sustenido Menor, a combinação dos teclados de Morphis (em piano, chorus e strings) e da minimalista bateria programada de Andressa é adornada pelo violão bem encaixado, formado um conjunto que serve de base para que a belíssima e calma voz de Fabiano cante suas dores e saudades de forma pesarosa. Amanhece e chove lá fora do Quarto; é a música Eram Eles, cinza, nublada e atraente, lembrando em sua estrutura de arranjos os grupos de Ethereal Wave como Autumn’s Grey Solace, graças aos timbres atmosféricos escolhidos por Morphis. Ainda na segunda música chego à conclusão que palavras são insuficientes para expressar o quão forte e doloroso é o som do Quarto de Helena. Mas as palavras são as únicas ferramentas que disponho para tão hercúleo trabalho. Sigamos em frente tentando desvendar os segredos do Quarto.
Um pouco menos lenta, lembrando um pouco o Última Dança, é a faixa Contos de Solidão, que ilumina um pouco o Quarto. Esta composição é conduzida por uma guitarra de timbre embebido em flanger e tremolo que mais parece a mente a melancólica mente do ouvinte. Um Caminho Antigo traz algo inédito n’O Quarto de Helena, algo que se aproxima de um riff em seu começo com uma harmonia de violão e teclado. Mais contida, esta última faixa prepara terreno para Mariana, uma composição bela e etérea, que parece conduzir o ouvinte por sonhos de paz em meio a um entardecer escarlate. O EP se encerra com a atmosférica Luzes, minimalista em sua condução percussiva. Praticamente o único elemento harmônico nesta música é o violão e a voz de Fabiano. Falando em morte, Luzes se revela na verdade como aquela que leva em definitivo aquele que ousou entrar no Quarto de Helena, achando que Mariana era apenas um sonho. Prova disso são os choros carpideiros que emergem ao final da faixa.
Aos poucos a música se esvai, deixando somente uma sensação de vazio e tormenta na mente daquele que entrou no Quarto. Um momento de reflexão se abate no recinto ao novamente encarar os espelhos lá posicionados, revelando que na verdade tudo na vida é vaidade, é passageiro. Consegui sair do Quarto e voltar à realidade, mas não da mesma forma que entrei. Sentindo o clima das músicas e meditando nas letras das mesmas, tornou-se claro que a vida é efêmera e passageira. As lembranças marcam como ferro na pele e ardem sem que nos preparemos antes.
O Quarto de Helena é uma entidade musical necessária para o cenário Darkwave pela sua originalidade e ousadia, conseguindo fazer com o minimamente necessário uma música grandiosa e poderosa, capaz de congelar seus pensamentos e evocar os sentimentos ocultos. Diário das Noites é mais um documento que atesta tudo que foi relatado neste diagnóstico musical. Coragem, entre no Quarto, querido leitor! Faz bem, é inebriante. Helena te convida, seja lá aquilo que for a Helena de seus pensamentos.


Impossível não se emocionar perante tantas palavras graciosas, descrevendo nossas criaturas imortais.
ResponderExcluirNossos agradecimentos ecoarão eternamente pelos corredores sombrios, partindo de um Quarto nunca antes descrito como tu mesmo alcançou por te-lo encontrado. Helena estará na escuridão sempre a tua espera!