O Clan Of Xymox lança mais uma nova música, o terceiro
single do álbum Spider On The Wall. Trata-se de All I Ever Know, música
que ocupará a faixa de nº 4 do novo álbum, que será lançado oficialmente no dia
24 de julho.
All I Ever Know foi lançado oficialmente hoje em
formato de EP digital. Além da música propriamente dita, o EP traz também versões
da mesma remixadas por Ash Code, Hapax, Hørd e Tempers. A faixa experimental Covid-19
e a inédita Dystopia também completam o EP. Dystopia só estará
disponível neste EP e não fará parte do novo álbum Spider On The Wall.
Confira no player abaixo o clipe oficial de All I Ever Know,
dirigido pelo próprio Ronny Moorings. Mais abaixo você também pode ouvir
o EP All I Ever Know na íntegra, com os remixes e a inédita Dystopia.
Está marcada para a próxima quarta-feira (01/07), amanhã, a próxima entrevista ao vivo do blog The Atmosphere! O convidado da vez
será o músico carioca Anderson Morphis, importante figura do underground
do Rio de Janeiro.
Morphis atualmente está a frente de vários projetos musicais,
tais como O Quarto de Helena (folk/darkwave), Bosque Lunar
(Medieval), Mortiferik (Death/Doom Metal) e Harmony Hate (Death
Metal). Em O Quarto de Helena, ele divide as responsabilidades do projeto com sua
esposa Andressa Costa e com Fabiano Sousa, conhecido pelo seu
trabalho a frente do Última Dança. Além de seus projetos musicais,
Morphis é o apresentador, juntamente também com Andressa, do programa Sons
do Apocalipse, que vai ao ar através da webrádio Soturna Sintonia.
Esses e outros assuntos serão destaques da conversa, que será conduzida pelo apresentador
de sempre, Bruno Rocha, o Escriba deste humilde blog.
A entrevista com Anderson Morphis acontecerá a partir das
19:00 em live no instagram do blog The Atmosphere. Não perca! Adentrem a
Atmosfera!
Entrevista com Anderson Morphis (O Quarto de Helena, Mortiferik)
Data: 01 de julho (quarta-feira) Horário: 19:00 Onde?: Instagram do blog The Atmosphere ( @blogtheatmosphere )
O Lebanon Hanover divulgou hoje mais uma nova música,
Shatter Matter. A mesma faz parte do novo single do duo, The Last
Thing, que foi lançado oficialmente no último dia 30 de maio.
A nova música completa o tom de melancolia prenunciado pela
faixa-título do single, mas desta vez com um ritmo bem mais lento e soturno que
toma conta do ambiente, tudo isso complementado pela intepretação sofrida de
William Maybelline. Chega a lembrar, em alguns momentos, o trabalho-solo do
mesmo, QUAL.
O single The Last Thing é um prenúncio do sétimo álbum completo do Lebanon Hanover, o qual sucederá Let Then Be Alien (2018) e que
se espera que seja lançado ainda em 2020 através da gravadora Fabrika Records. A versão física de The Last Thing, limitada a 1000 cópias, já foi toda comprada no período de pré-venda. Entretanto, se você ainda se interessa em adquiri-la com alguma esperança, algumas poucas cópias ainda podem ser solicitadas pelo Bandcamp da Fabrika Records.
Confira no player abaixo a nova música do Lebanon Hanover, Shatter
Matter. Lebanon Hanover é Larissa Iceglass (vocais, guitarras, programação)
e William Maybelline (vocais, contrabaixo, programação).
O fato de que a música obscura chega até os mais longínquos ou
interioranos rincões deste país pode surpreender quem não acompanha a movimentação
desta vertente musical de perto, mas não é novidade para quem a devora com
afinco. De Uruburetama, cidade cearense que dista 114 Km da capital Fortaleza,
vem a banda Pontagulha, que estreou recentemente com o EP Memórias
Mortas trazendo quatro faixas que demostram muito conhecimento de causa em
uma musicalidade que mescla elementos do Darkwave e do Coldwave.
Formado por Lucas Caducco (vocais, guitarras, Casebre
Alternativo) em 2017, a banda é composta também por Guilherme Santos
(contrabaixo) e por Jocélio Freitas (guitarras). Seu nome teve uma
origem curiosa e tocante: Lucas afirma que sonhou com sua avó após o falecimento
da mesma em 2019. No sonho, ela dizia que o nome da banda deveria ser “Pontagulha”
e que, a partir disso, portas seriam abertas para o projeto. Apesar de a
formação ser o trio citado no começo deste parágrafo, o EP foi gravado sozinho
por Lucas com seus próprios equipamentos em Uruburetama, assumindo também o
contrabaixo. O produtor paulista Gabriel Vieira se disponibilizou para
masterizar o trabalho e também para registrar os sintetizadores e as
programações.
O EP se inicia com Dimensão, música que entrega a
tônica que o EP seguirá dali em diante: melodias simples, soturnas e bastante
eficientes no sentido de captar a atenção do ouvinte, levando-o a introspecção.
Um generoso reverb foi adicionado para aumentar a sensação nebulosa que a
música perpassa. Lucas aposta em vocais barítonos na faixa seguinte, a que dá
nome ao EP, cujos arranjos casam bem com as letras que falam de solidão. É
possível imaginar-se caminhando solitariamente no Centro de Uruburetama tarde
da noite, contemplando o céu escuro e nevoento, sentindo frio e onde a única
companhia são as luzes dos postes.
Para este escriba, o maior destaque do EP é a faixa de nº 3,
Ruínas. Começando com um ritmo lento que destaca os bumbos da bateria
programada, esta composição traz consigo novamente uma carga soturna, a qual se
apresenta mais forte ainda do que na faixa de abertura graças às simples, mas
negras, melodias de guitarra. É como se os americanos do French Police se
encontrassem com os fortalezenses do Plastique Noir. O clímax próximo ao seu
final é estonteante e poderia ter sido mais impactante ainda se um fade-out não
esvaísse a música tão logo. O EP se encerra com Noites Urbanas, dona de
uma atmosfera distinta de suas três antecessoras, mais cinzenta e nublada. Entretanto,
inconscientemente ou não, esta música mais parece uma versão desacelerada de Rituel,
do She Past Away.
Algo que precisa ser revisto pela banda é a forte dose de
reverb que é dedicada especialmente aos vocais. Quando Caducco resolve lançar
mão de linhas vocais mais graves, o reverb esconde tanto a performance de canto
que entender as letras se torna uma tarefa complicada para um ouvido mais
incauto, como se pode notar em Dimensão e em Noites Urbanas.
Afora este detalhe, a produção e a mixagem dosaram na medida certa cada
instrumento, deixando tudo bastante nítido aos ouvidos de quem ousa penetrar na
musicalidade fria, mas convidativa, do Pontagulha. Os sintetizadores são
discretos e tão somente têm a missão de reforçar o clima das composições,
deixando as guitarras em posição de destaque para derramar suas melodias.
Musicalmente, o Pontagulha está no caminho certo e deixa uma
boa impressão com Memórias Mortas. Esta impressão se converte em ansiedade quando
paramos para imaginar o que a banda pode nos mostrar no futuro em termos de novas
composições. De qualquer forma, o Pontagulha já se mostra como uma ótima alternativa
para quem busca uma sonoridade Darkwave mais simples e introspectiva, mas que
não deixa de lado os toques sombrios e a atmosfera fria.
Os reis do Darkwave Clan Of Xymox lançaram
recentemente a nova música Lovers, acompanhada de um videoclipe. Junto
ao single lançado anteriormente, She, Lovers será uma das faixas
do novo álbum de estúdio da banda, cujo título será Spider On The Wall.
Sobre o single Lovers, o mesmo foi lançado em um EP
de cinco faixas. Além da versão original da música, fazem parte do EP três
versões remixadas por Hante., Actors e Selofan. A quinta faixa se
trata da regravação de Going Round, música lançada originalmente em 1983
no clássico EP de estreia Subsequent Pleasures. Curiosamente, está é a
terceira vez que Going Round foi lançado, sendo que a segunda fora no
álbum Hidden Faces, de 1997.
Já quanto ao álbum Spider On The Wall, espera-se que o Clan Of Xymox
anuncie maiores informações em breve. O que se sabe é que Ronny Moorings,
líder e principal compositor da banda, já está com o trabalho pronto para ser lançado,
como ele anunciou em recente entrevista ao site alemão Gothic Empire. Spider On The Wall será o décimo-sétimo álbum de estúdio lançado pela banda (contando aqui com os álbuns lançados sob o nome Xymox) e o primeiro desde Days Of Black (2017).
Enquanto o novo álbum não sai, confira no player abaixo a
nova música Lovers. O videoclipe foi dirigido e editado por Zoe Cavanagh com apoio de Ismael Diarra e de Thomas Andrew Quain. Aproveite e ouça também o primeiro single lançado
pelo Clan Of Xymox em 2020, She.
Line-up (álbum):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Valdênio Solfieri - guitarras, vocais de apoio
Thiago Macedo - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine
Line-up (atual):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Alexandre Castelo Branco - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine
Texto: Bruno Rocha
Rumores reportados de Campina Grande deram conta de uma
reunião numerosa e agitada em um ponto afastado do Parque Louzeiro, região de
mata da cidade. Não, não era dia de jogo entre Treze e Campinense (dois times
que sempre me trazem boas lembranças, pois meu Ferroviário derrotou ambos nas
fases finais da Série D de 2018). Muito menos, essa reunião não era de pessoas
comuns. Era uma congregação de seres sobrenaturais que se regozijavam naquele local
que, naquele momento, só pertencia a eles. Haviam lobisomens, vampiros, seres
que mais se assemelhavam a anjos caídos e valquírias. Entre todos eles, um ser em
especial se destacava. A lendária mulher dos cabelos de serpente, aquela a qual
fora violada por Poseidon e amaldiçoada por Atena milhares de anos atrás.
Cada ser tinha sua própria história antes de chegarem a esta
reunião. Contos de amor, de sedução e, acima de tudo, de desgraças sofridas, eram
pontos em comum entre cada uma de suas vidas conturbadas. Animava aquela distinta tertúlia um grupo de quatro músicos locais, especialistas em seres sobrenaturais que fizeram
por onde conquistar a confiança daquelas entidades. Esses músicos e poetas
atendiam pelo nome Noturna Régia. Seu álbum mais recente, Sobre Anjos
& Outros Contos, traz músicas cujas letras contam as histórias daquelas malditas criaturas.
Este é o primeiro álbum de estúdio do grupo paraibano de
Rock Gótico formado atualmente por Daniel D.vill (vocais), Rodolfo
Tietre (guitarras, vocais de apoio), Alexandre Castelo Branco
(contrabaixo) e a Miss Phantom II, que nada mais é do que a drum machine
usada pelo grupo, uma parente distante do Dr. Avalanche, a drum machine do The Sisters
Of Mercy. À época da gravação, a banda ainda contava com Daniel e Rodolfo da
formação atual, mais Valdênio Solfieri nas guitarras e Thiago Macedo
no contrabaixo. O Noturna Régia foi fundado em 2011 e é atualmente uma das forças
proeminentes do cenário gótico de Campina Grande, cidade que possui uma das
cenas mais movimentadas do país dentro da cultura Dark. SobreAnjos &
Outros Contos representou o ápice da história da banda em termos de
lançamentos, tendo em vista que o grupo havia lançado antes a demo Noturna
Régia (2012) e o EP Artemísia (2016). O full-length foi produzido, mixado e
masterizado por Cristiano Costa, reconhecido produtor e músico da cidade
de Campina Grande e do estado da Paraíba.
O ritual descrito brevemente nos primeiros parágrafos deste
texto tem início em Licantropo, uma música que traz uma batida
percussiva em sua bateria e guitarras não menos sincopadas, lado esse reforçado
pelo timbre pesado e pelas palhetadas abafadas. Daniel canta com uma letra bastante
inspirada e com um vernáculo riquíssimo (uma tônica em todo o álbum) sobre os
dilemas e as ações dos lobisomens. Isabel, a personagem da próxima
música, é uma vampira insaciável que não se intimida até mesmo diante de crucifixos
e de estacas. Depois da metade da música, a banda cria um espaço que instiga o
ouvinte para cantar junto o grudento refrão. Os timbres das guitarras nesta música
e o andamento lembraram a este escriba o álbum Affects, da banda cearense
Plastique Noir. É quase possível ouvir em sua mente a voz de Airton S. cantando
o refrão junto a Daniel D.vill.
Por falar em refrão grudento, se prepare, pois os “cabelos
de serpente” da Medusa, aquela que petrifica aqueles que ousam
encará-la, ficarão impregnados na sua cabeça. A música que carrega no título o
nome da górgona mais famosa é um dos grandes destaques do álbum graças ao seu
clima sombrio (reforçado pela escala de Fá Sustenido Menor, uma das mais soturnas
para os ouvidos deste que vos escreve), que remete este redator a uma cabana
isolada sob um temporal à noite, a letra e as melodias vocais. Anjos Caídos traz
uma atmosfera mais calma, mas não menos soturna. Destaque aqui para os solos de
guitarra em cada música, sempre bem encaixadas e criadas.
Um dos grandes destaques do álbum surge agora com Artemísia,
uma peça de quase oito minutos de puro êxtase sentimental, uma das melhores
composições góticas dos últimos anos. Seus arranjos reverberados e os strings convidam
o ouvinte a adentrar numa atmosfera etérea e inebriante, como uma neblina densa
em alguma clareira no outono. Aqui mais uma vez Daniel usa o recurso de subir
uma oitava em seu tom de voz próximo ao fim da música, recurso esse que enseja
um clímax à canção, como um ser que atinge o nirvana. Daniel é dono de graves
bem cantados e de barítonos marcantes. O sonho se encerra quando começa a
ameaçadora e pesada Carne Trêmula, com destaque para o trecho quando o
tom da música sobe acompanhado por um teclado em chorus, como que escurecendo a
paisagem já desolada da música, e a bateria se torna mais frenética.
A princípio senti pena da música Sonhos & Pesadelos,
pois ela, com sua pegada sentimental (como uma Artemísia acelerada) foi
ensanduichada por duas das músicas mais pesadas do álbum, a já citada Carne
Trêmula e Klaustrofobia, esta um verdadeiro Metal Industrial daqueles
ensinados pela Neue Deutsche Hërte alemã, e que conta inclusive com berros
guturais. Entretanto, muito embora a letra de Klaustrofobia faça menção
a sufocamento e agonia, Sonhos & Pesadelos tem seu valor, tal qual
uma flor que brota solitária e imponente entre massivos rochedos. O álbum se
encerra com a belíssima Valquíria, que com seu andamento lento e calmo,
conduz o ouvinte por uma viagem eterna por mares pacíficos rumo à eternidade, ou
para onde os seus mais recônditos pensamentos queiram que você vá.
A produção de Cristiano Costa deixou todos os instrumentos bem
equalizados e nítidos aos ouvidos, sabendo domar com perícia os mais diversos
timbres e efeitos usados nas guitarras, impedindo que elas duelassem com os vocais.
Após as gravações do álbum, o guitarrista Valdênio Solfieri e o baixista Thiago
Macedo deixaram o Noturna Régia. Porém, suas contribuições às músicas e a
história da banda não foram renegadas pelos integrantes permanentes. É tanto
que magnífica arte de capa do álbum traz dois ômegas entrelaçados, representando
os agora ex-integrantes.
Esta foi a trilha sonora que embalou a tertúlia sobrenatural
nas matas de Campina Grande em uma noite indeterminada. A Medusa dos Cabelos de
Serpente voltou aos seus domínios subterrâneos, os anjos caídos continuaram a vagar
sem rumo pela noite fria, escoltados pelos seres licantropos movidos pela sedutora
lua cheia. A vampira Isabel persistiu em sua busca incessante por vítimas para
saciar o insaciável enquanto as valquírias retornaram a nórdica Valhalla. Já os
músicos do Noturna Régia, estes continuam a animar as festas de sua cidade e de
seu estado. Que estes continuem transbordando seu exímio talento músico/poético
em prol da música gótica, como uma serpente que deixa escapar o excesso de
veneno por suas presas, e que continuem a nos embalar com as histórias de seus
amigos mitológicos.
Os paraibanos do Mãos Fúnebres estão preparando o
lançamento do seu terceiro trabalho, ainda sem título divulgado. Este novo
lançamento sucederá a demo de estreia Segredos Nervosos (2018) e o EP Dias
de Horror (2019).
Atualmente formada por Fabiano Quaresma (vocais, violão),
Low Rhan (guitarras) e Walber Wander (contrabaixo, programações),
o Mãos Fúnebres havia lançado há alguns dias a primeira prévia de seu novo
trabalho, o single Vermelho Coral. Agora, o trio lança o segundo single,
Lamentos, executando o Pós-Punk seco e sombrio que, descolorido com a cor cinza do Darkwave, são as
características principais do grupo de Campina Grande. Linhas de guitarras
simples, mas marcantes, caminham com paciência conduzidas por um ritmo seco de
contrabaixo e programação de cheiro retrô. Tudo isso embelezado por vocais que
fogem do trivial, tendo em vista a aposta em linhas barítonas.
Confira no player abaixo o single Lamentos. Aproveite
e ouça também, se já não o tiver feito, o primeiro single, Vermelho Coral.
O Lebanon Hanover está de volta. Desde seu último
lançamento, Let There Be Alien (2018), o duo formado por Willian Maybelline
(vocais, baixo, programação, QUAL) e Larissa Whiteglass (vocais,
guitarras, programação) sacramentou-se como um dos principais representantes do
Pós-Punk/Darkwave da última década. Agora, o Lebanon Hanover apresenta a primeira
novidade de 2020, o single The Last Thing.
Hoje foi liberado nos canais oficiais do Lebanon Hanover o
clipe oficial do single, o qual você pode conferir no player ao final desta matéria.
O que se ouve em The Last Thing é o duo em sua mais pura essência
musical com ritmo animado, mas com melodias e arranjos soturnos. Todavia, a
nova parceria com Doruk Ozturkcan (She Past Away), que mixou e
masterizou o single, elevou mais ainda a qualidade sonora do Lebanon Hanover,
deixando mais evidente e sobressaltada a atmosfera única criada pela banda.
Ponto também para Larissa, que entrega nessa música uma performance vocal
inspirada, uma das melhores de sua carreira.
O clipe mostra os dois tocando em meio a uma metrópole seca
e cinza durante o dia, perto de um container de lixo, com Larissa a se empolgar
com sua guitarra Telecaster e William Maybelline fazendo o que sabe de melhor,
dançar. Nada mais diferente do que se nos acostumamos a assistir das produções
de Larissa, que também atua como editora cinematográfica do duo.
Esta nova música é uma amostra do que o Lebanon Hanover
ainda está preparando para o segundo semestre de 2020, período para o qual foi
prometido o lançamento do sétimo álbum de estúdio. O single The Last Thing,
que também conta com outra nova música, Shatter Matter, será lançado
oficialmente no dia 30 de maio, mas já pode ser pedido através do site da gravadora
Fabrika Records, em edição limitada de 1000 cópias. A arte da capa, que você também confere mais abaixo, foi elaborada pela artista Polar Noire.
Está marcado para o dia 26 de setembro, um sábado, a
esperada quarta edição do Deepland Festival, um dos principais eventos e encontros de música gótica do país, realizado pela Deepland Records. A edição deste ano
reunirá cinco grupos internacionais e nacionais que trarão consigo uma enorme
variedade de estilos de dentro do universo gótico/alternativo.
Uma das principais atrações do Deepland Festival IV serão os
alemães do Aeon Sable. Um dos nomes mais reconhecidos do Gothic Rock
atualmente, o grupo liderado pelo vocalista Nino Sable e pelo guitarrista
Din-Tah Aeon já tem em seu currículo passagens pelo Wave Gothik Treffen e Castle
Party e uma discografia de seis álbuns de estúdio. O som do Aeon Sable é
característico por trazer diversas influências que vão do esoterismo até o
Black Metal.
Do México virá a banda de Pós-Punk Capitals. O duo formado
por Jonathan Salazar e por Ivan Herrera traz um som empolgante e animado que
mostra influências de She Wants Revenge, Human Tetris e She Past Away. Recentemente
em 2019 o Capitals lançou o seu primeiro full-lenght, Año Once.
Outra atração internacional são os nossos vizinhos
colombianos do Los Malkavian. Mais um representante do Pós-Punk, o som do grupo
traz uma sonoridade mais distorcida e frenética, como ensinaram alguns dos
pioneiros do estilo como Bauhaus e Killing Joke, e também elementos de Shoegaze.
A banda formada por Alex Pela (vocais, bateria), Carolina Castaño (vocais,
guitarras), Jean Pierre Guarin (contrabaixo) e Mario López (guitarras) foi
fundada em 2013 na cidade de Medelin e tem em sua discografia o álbum Letargo,
de 2018.
De Recife estará presente a banda Ego Eris. Uma dos nomes
mais reconhecidos do Pós-Punk/Darkwave nacional, o grupo pernambucano estreou
em 2018 com o álbum Memento Mori, que foi sucesso de pedidos para o mercado
especializado estrangeiro segundo a gravadora Deepland Records, e já conta inclusive
com experiência internacional graças a participações no festival Tumbas
Eternas, no Peru, e no próprio Deepland Festival, no qual eles repetirão a
dose. O Ego Eris é formado por Marc Nero (guitarras, programação), Breno Romero
(vocais, programação) e Astroblack (contrabaixo, sintetizadores, programação).
Fechando o line-up do Deepland Festival IV estão os
paraibanos do Electro Bromance. O duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores,
programação) e por Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais)
vem de João Pessoa praticando um Synthpop com elementos de Future e Darkwave
bastante empolgante e que funciona perfeitamente ao vivo. O Electro Bromance
foi formado em 2015, mas já conta em seu currículo parcerias com nomes reconhecidos
nomes internacionais como os italianos do Ash Code, os canadenses do Decoded
Feedback e os mexicanos do Infected Sound System. O mais recente lançamento do
duo paraibano foi o álbum We Are Like A Time Bomb (2017, Deepland Records), que promete ser
sucedido ainda em 2020 por um segundo full-lenght, do qual já foi
disponibilizado o single Breaking Chains.
Além destas cinco bandas, estarão animando o público que
comparecer ao Deepland Festival IV os DJ’s Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e
Ricardo Wolff. O Deepland Festival IV acontecerá no Fofinho Rock Club, na avenida
Celso Garcia, próximo ao metrô Belém. Os ingressos do primeiro lote ainda estão
sendo vendidos e custam 170 reais.
SERVIÇO
DEEPLAND FESTIVAL IV
Bandas: Aeon Sable (Ale), Capitals (Mex), Los Malkavian
(Col), Ego Eris (Bra), Electro Bromance (Bra)
DJ’s: Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: 22:00
Local: Fofinho Rock Club. Avenida Celso Garcia, 2728 (próximo ao metrô Belém),
São Paulo/SP
Ingressos: R$170,00 (primeiro lote), R$200,00 (segundo lote), R$240,00
(terceiro lote)
Venda on-line: Kingdom Rock Store, Wave Records
Venda física: Fake No More, Reversa e Fofinho Rock Club (venda física apenas para
pagamentos em dinheiro)
Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/569229240522339/
Realização: Deepland Records
Um curta-metragem foi criado para ser o novo clipe dos turcos
do She Past Away. A música escolhida para o vídeo foi Durdu Dünya,
faixa que abre o álbum Disko Anksiyete, lançado ano passado.
O clipe, ou curta-metragem, foi batizado de Prometheus
3044 e foi dirigido pela produtora K089. O mesmo tem uma abordagem de
ficção científica e traz figuras mutantes que interagem em quadros empoeirados que
remetem a um ambiente pós-apocalíptico.
Disko Anksiyete é o terceiro álbum do She Past Away e
foi aclamado por toda a crítica especializada mundo afora, que classificou o
álbum como um dos melhores lançamentos do estilo em 2019. Confira no player
abaixo o novo clipe de Durdu Dünya.
She Past Away é Volkan Caner (vocais, guitarras) e Doruk
Öztürkcan (teclados, programação).
Anunciado em dezembro de 2019, o novo single Breaking Chains,
dos paraibanos do Electro Bromance, gerou ansiedade entre os fãs do grupo e do
estilo não só por ser uma nova composição do duo (que já vinha sendo
apresentado ao vivo, diga-se de passagem,), mas também por trazer como bônus remixagens
dos italianos do Ash Code e do projeto paulista Code: Red Core.
Finalmente, as ansiedades foram saciadas. O duo formado por
Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores,
programação, vocais) lançou hoje no Bandcamp seu novo single e o que se escuta
nele é um Electro Bromance bastante sombrio. Com influências do próprio Ash
Code, ou mesmo de Plastique Noir, como se os cearenses tentassem soar “eletrificados”,
Breaking Chains nos leva a caminhar em meio a becos úmidos de alguma metrópole
durante a madrugada. Isso graças a sua base estonteante que mais aprece uma
onda e os arranjos melódicos muito bem compostos e encaixados na composição, tudo criado em cima da sombria escala de Ré Sustenido Menor. Todavia,
a identidade do Electro Bromance se mantém intacta com seu Synth/Darkwave
elétrico e os vocais característicos de Wilame AC.
Além da versão original, o single traz as remixagens feitas pelo
Code: Red Core e pelo Ash Code. O projeto paulista de Rodrigo Albuquerque (que
também foi o responsável pela bela arte de capa do single) tratou de dar a
música um toque mais Industrial e Trance, enquanto os renomados italianos
estamparam sua marca em Breaking Chains com timbres retrôs na programação, novos
arranjos de sintetizadores e graves pulsantes, embebidos em flanger.
Confira no player abaixo o single Breaking Chains:
O duo paraibano de Synth/FuturePop Electro Bromance está nos
preparativos finais para lançar o seu segundo álbum de estúdio, o sucessor do
debut We Are Like A Time Bomb (2017).
Uma das músicas que farão parte do novo álbum será Breaking
Chains, que vem sendo apresentada ao vivo desde 2018. Recentemente, o duo
formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e Hansen Pessoa
(guitarras, sintetizadores, programação, vocais) anunciou que Breaking Chains irá
ganhar duas remixagens: uma do grupo italiano de Darkwave Ash Code e outra pelo
projeto paulista Code: Red Core.
O Ash Code vem se firmando ao longo da última década como um
dos principais representantes do Darkwave da atualidade. Segundo Wilame AC, o
contato com os italianos se deu através do Facebook dos integrantes e que o
retorno foi rápido, retorno esse onde o Ash Code se disse disposto a fazer um
remix para Breaking Chains. Wilame completa dizendo que o Ash Code chama a sua
atenção e a de Hansen pela sua sonoridade e pela sua atmosfera, o que acaba por
se tornar uma grande influência para o Electro Bromance.
Já o contato com o Code: Red Core para também fazer um remix
para Breaking Chains foi mais direto ainda, tendo em vista que os integrantes
são colegas de Rodrigo Albuquerque, o mentor do projeto paulista de
Aggrotech/Industrial que existe desde 2011.
O Electro Bromance foi fundado em 2015 como um trio, pois
na época o grupo contava com os serviços do baixista Williard Fragoso. De contrato
assinado com a Deepland Records, o Electro Bromance gravou nos últimos meses de 2016 o debut We Are Like A Time Bomb, já como duo e que foi lançado em fevereiro
de 2017. Em setembro do mesmo ano foi disponibilizado o single Supermodel, que, além de sua versão
original, veio com remixagens dos grupos Decorded Feedback (Canadá), Infected
Sound System (México), K-Factor e Synthetik Form (Brasil).
Confira no player abaixo um registro de Breaking Chains, quando ela foi tocada ao vivo pela primeira vez em 2018.
Após 10 anos desde o lançamento de seu álbum de estreia Atmosphere
Around Us, o duo Wintry está prestes a lançar seu segundo
álbum de estúdio, Timeline, através da gravadora Wave Records. A primeira
amostra deste novo trabalho já pode ser apreciada: é a faixa Ich Glaub Dir
Nicht, que foi lançada em formato de videoclipe, o qual você pode conferir mais
abaixo.
Timeline virá com 10 faixas inéditas e 4 faixas bônus, todas
elas sendo versões remixadas de algumas das faixas regulares. Dentre as remixagens, duas foram feitas por Pieter Nooten, ex-integrante do Clan Of Xymox, e duas pelo produtor Marcelo Gallo, que também assina a produção de Timeline.
O duo formado pelo veterano Alex Twin (Individual Industry, 3 Cold Man, Wave Records) e pela vocalista alemã Anne Goldacker (ex-Obsyre) também lançou
em 2017 o EP 7’’ Ausweg, produzido pelo renomado produtor britânico John Fryer
(Cocteau Twins, This Mortal Coil, Dead Can Dance, XMal Deutschland, etc.).
Formado em meados dos anos 90 por Alex Twin como um projeto paralelo ao Individual
Industry, o projeto recebeu a alemã Anne Goldacker como vocalista durante os
anos 2000.
Timeline será lançado em oficialmente em CD e em formato
digital no dia 18 de novembro e em vinil no dia 15 de fevereiro de 2020. A
pré-venda já está iniciada e pode ser feita através do site e do Bandcamp da
gravadora Wave Records. Mas seja rápido: o CD está limitado a 300 cópias e o
vinil, a 200 cópias, sendo 100 em cor de mármore e 100 em cor preta.
Confira no player abaixo o videoclipe oficial de Ich Glaub
Dir Nicht:
THE FELLOW TRAVELLER – THE FROZEN AUTUMN (Echozone, 2017)
Tracklist:
01. Tomorrow’s Life 02. White On White 03. We’ll Fly Away (long version) 04. Told You At Once 05. Your Touch 06. A Gentle Flame 07. Grey Metal Wings 08. Sirens And Stargazers 09. The Twin Planet 10. I Love You But I’ve Chosen Synthesizers 11. Loving The Alien (David Bowie cover)
Line-up:
Diego Merletto – vocais, sintetizadores
Froxeanne – vocais, sintetizadores
Texto: Bruno Rocha
Prepare-se! Uma frente fria está vindo da região de Turim,
na Itália. Mas ela não é uma frente fria qualquer, que traz chuvas ou mesmo
leves geadas. Essa frente fria é uma verdadeira onda congelante, sob a qual nem
mesmo o próprio ar escapa incólume, passando por um processo de sublimação, acabando
por solidificar-se. Fora estes efeitos, a onda congelante de Turim obscurece
luzes, tornado o ambiente escuro; os poucos e corajosos fachos de luzes que ousam
resistir são como as auroras boreais que rasgam os céus nórdicos, criando assim
um espaço, ao mesmo tempo escuro e frio, agradável e etéreo.
O grupo italiano The Frozen Autumn possui considerável
respeito dentro do cenário Gothic/Darkwave mundo afora graças ao seu estilo
bastante pessoal que mescla elementos de música atmosférica e de Synthpop, num
estilo que seus próprios integrantes batizaram de “Frozenwave”.Fundado em 1993 por Diego Merletto, o The
Frozen Autumn mostrou em seus primeiros trabalhos um som ainda com um pé no
Gothic Rock (na época a banda contava com os serviços de Claudio Brosio nas
guitarras) e com fortes influências de Clan Of Xymox, porém já havia ali
elementos de sonoridade característica que se tornaria consagrada anos depois.
Os dois primeiros álbuns do The Frozen Autumn, Pale Awakening (1995) e
Fragments Of Memories (1997), se tornariam clássicos do Darkwave, trazendo
consigo faixas atmosféricas e sorumbáticas recheadas com teclados que criam
climas ora melancólicos, ora confortantes. Os elementos Synthpop já existiam,
mas eram poucos e retraídos. A parceria de Merletto com Arianna Vespasiano teve
início com uma participação especial da cantora na faixa-título de Fragments Of
Memories, naquilo que foi um motivador para um projeto paralelo dos dois
músicos chamado Static Movement. O único álbum lançado por esse projeto,
Visionary Landscapes (1999), foi de suma importância para uma leve mudança no
direcionamento musical do próprio The Frozen Autumn, que deixou de lado
qualquer contribuição de guitarras e tornou seu som 100% eletrônico, fabricado
a base de sintetizadores e com maior proeminência das influências Synthpop.
Arianna, que atende pelo pseudônimo Froxeanne, foi efetivada
no The Frozen Autumn e a agora dupla grava o importante Emotional Screening
Device (2002) e a perfeição chamada Is Anybody There? (2005). As guitarras
voltam a se fazer presentes no bom álbum Chirality (2010) e no DVD Seen From
Under Ice (2011), que foi gravada em quarteto com a adição de mais um
tecladista e de um guitarrista, o que permitiu que algumas músicas de todos os álbuns
ganhassem novos arranjos. Após alguns anos sem novos lançamentos, o The Frozen
Autumn volta novamente como a dupla Merletto/Froxeanne no lançamento do EP Lie
In Wait (2014), que serviu como uma prévia para o sexto álbum de estúdio do
grupo, The Fellow Traveller, lançado em 2017 pela gravadora Echozone e que é o
objeto de análise deste artigo.
The Fellow Traveller é um álbum empolgante e viciante do
começo ao fim. Diferentemente de todos os álbuns anteriores, este álbum é completamente
moldado em cima do Synthpop. Não há nenhuma música atmosférica ao estilo de
Onyria (Pale Awakening, 1995), ou mesmo faixas introspectivas e de ritmo lento
aos moldes de Evening Falls (Is Anybody There?, 2004). Claro que há momentos em
que a dupla põe o pé no freio, mas na maior parte do tempo o ritmo é frenético
e dançante. Outra diferença de The Fellow Traveller é na mixagem do som, que é
bem mais limpo e cristalino que nos álbuns anteriores. Felizmente, a falta de
uma mixagem mais abafada e empoeirada não tirou o clima nostálgico das
composições, que por si só conseguem manter a chama (ou o gelo) típica dos anos
80 viva e forte. Como se isso tudo não bastasse, The Fellow Traveller é o álbum
mais democrático da história da dupla. Diego Merletto e Froxeanne se alternam
cantando em cada faixa, seis para ele e cinco para ela, quebrando assim uma
tradição que fazia Merletto cantar a maioria das faixas em todos os outros
álbuns.
As quatro primeiras faixas matam bem a sede dos fãs do grupo
sedentos por música dançante. Os trabalhos já começam lá em cima com Tomorrow’s Life, onde Diego Merletto canta com sua inconfundível voz grave cheia de
reverbs e ecos. As próximas duas músicas foram reaproveitadas do EP Lie In Wait e melhoradas. A coisa dá uma acalmada em White On White, que é a única música
do álbum que se destaca por ser bem mais introspectiva, apesar da proeminência
da bateria eletrônica. É a vez de Froxeanne cantar e ela entrega o que se
espera dela: uma voz belíssima e angelical, com abençoados graves, que
hipnotiza o ouvinte e o transporta para flutuar em nuvens de granizo. Gaivotas
e ondas anunciam o começo de We’ll Fly Away e seu ritmo dançante e libertador. Com
seu refrão belíssimo, Merletto fala sobre voar para sempre em busca da
felicidade, assim como as gaivotas voam eternamente por sobre os mares. E parece
que a chegada deste longo voo é na faixa 4, Told You At Once. Um apocalipse
sonoro protagonizado por Froxeanne, uma perfeição para as pistas góticas de
dança por seu ritmo acelerado, melodias destacadas e bases pesadas.
Após quatro músicas frenéticas, é hora de aproveitar mais
uma viagem guiada por Diego Merletto em Your Touch, mais uma que foi reaproveitada do último EP. Escura como um pôr-do-sol contemplada
no inverno das montanhas de Turim, Your Touch traz de volta as antigas forças
Darkwave de álbuns anteriores, incluindo até mesmo uma guitarra, desta vez
aliadas as poderosas camas de sintetizadores e de bateria eletrônica. Por falar
neste último elemento, nunca as viradas e recursos de bateria foram tão usadas
num álbum do The Frozen Autumn. A próxima faixa, A Gentle Flame, não possui a
mesma imponência de arranjos como as demais, até porque ela carrega um tom sisudo
“kraftwerkiano”. Todavia ela não passa despercebida, pois não existe nada que passe desapercebido se Froxeanne impôs nela seu divinal dom de interpretação. A tradição de músicas longas e
viajadas é mantida com a excelente e variada Grey Metal Wings, que é como se
fosse uma irmã FuturePop de Is Everything Real?, do Emotional Screening Device,
e de Static Cold, de Is Anybody There?.
Aqui, cabe mais um comentário acerca das novidades trazidas
em The Fellow Traveller. Os efeitos nos vocais de Merletto e de Froxeanne se
multiplicaram. Os tradicionais e obrigatórios reverbs continuam presentes,
lógico. Mas os delays estão mais destacados e facilmente perceptíveis,
principalmente nos vocais de Froxeanne. Também, as harmonias vocais nunca foram
tão trabalhadas, especialmente nos vocais de Diego Merletto. É como se você
pudesse ouvir vários Diegos formando um coral em muitos momentos do álbum. A verdade
é que essa variedade de efeitos não faria sentido algum se as próprias vozes
dos dois cantores não fossem belas e diferenciadas.
Findada mais uma viagem a bordo de Grey Metal Wings, a
simplicidade oitentista retorna em Sirens and Stargazers, que se vai se
tornando mais e mais empolgante a medida que avança em seu tempo, atingindo o
ápice em um momento onde Froxeanne canta somente com o apoio de um sintetizador
grave e nervoso. Em contraponto a simplicidade de Sirens and Stargazers, vem em
seguida aquela que talvez seja a mais complexa e progressiva composição da
história do grupo italiano, The Twin Planet. Esta faixa traz um elaborado
trabalho de arranjos de sintetizadores que são guiados por uma bateria quebrada
e cheia de contratempos no caixa. As escalas árabes dos strings, os graves
destacados e os vocais cavernosos de Diego Merletto nos conduzem por uma viagem
ao cosmos em busca dos planetas gêmeos. O auge da viagem no profundo cosmos é
um trecho onde Merletto assobia uma melodia sinistra por cima de imponentes strings,
o que faz arrepiar o ouvinte de frio intergaláctico. Sim, a onda congelante do
The Frozen Autumn chegou aos confins do Universo!
De volta à Terra, Froxeanne dá uma forte declaração na
próxima faixa: eu te amo, mas eu prefiro sintetizadores! Enaltecendo a adoração
aos instrumentos eletrônicos de teclas, a faixa que carrega o maravilhoso
título de I Love You But I’ve Chosen Synthesizers é um dos grandes destaques de
The Fellow Traveller e traz de volta o clima de pista de dança. O álbum se
encerra com um cover de Loving The Alien, do eterno David Bowie, muito bem
interpretada por Diego Merletto, claro, com seus vocais graves.
The Fellow Traveller pode ser o início de uma nova fase na
discografia do The Frozen Autumn. Falo “pode ser”, pois é só o primeiro álbum
desta nova sonoridade depois de sete anos sem lançar um novo full-length. O melhor
de tudo é que a essência do som do The Frozen Autumn, o Darkwave, permanece lá
em seu devido lugar. Mas agora ele está recauchutado e muito bem cuidado com
todas as facilidades e opções que os sintetizadores podem oferecer. Há quem talvez
tenha sentido falta de pelo menos uma faixa fortemente atmosférica, aos moldes
antigos, mas a alternância de músicas fortes e dançantes com outras composições
mais calmas sacia a qualquer um que goste das duas facetas da dupla italiana. Também
considero um fato extremamente positivo a alternância de vocais entre Merletto e
Froxeanne. Apesar de ele ser o fundador do grupo e principal compositor, ela o
completa com seus vários recursos que a tornam uma cantora tão talentosa e que
não deixa nada a dever às grandes divas Pop de todas as eras. Por sua vez, Merletto
não teve em momento algum medo de ousar nas composições de The Fellow Traveller,
que são as mais ricas e bem trabalhadas de toda a história do grupo. The Twin Planet
que o diga!
Pois bem. A onda congelante veio, fez seus estragos e foi embora.
Estragos sob o ponto de vista meteorológico, pois a música do The Frozen Autumn
faz justamente o contrário de estragar. Ela eleva a mente do ouvinte e o faz experimentar
múltiplas sensações num curto período de tempo. As vozes etéreas de Diego Merletto
e de Froxeanne são essenciais para este mundo, bem como a musicalidade do The
Frozen Autumn. Se você nunca testemunhou a Tempestade Congelante de Turim,
faça-o agora. Congele sua mente nesta onda e mantenha-a fossilizada nela para sempre.
Ah, um estrago de verdade foi feito: no coração da pessoa cuja amada
o trocou por sintetizadores.
Será realizado em Fortaleza no dia 13 de novembro, uma
sexta-feira, o Festim das Górgonas, evento que reunirá quatro DJ’s femininas da
capital cearense, cada uma trazendo sets que enaltecem e relembram os grandes
ícones femininos do Pós-Punk, do Rock Gótico, do Darkwave e do Deathrock e do
New Wave, dentre outros estilos.
Segue abaixo os nomes das DJ’s que movimentarão o evento,
bem como as artistas e bandas que cada uma homenageará em seus sets:
DJ Lugosi Noir
45 Grave
Penis Flytrap
Super Heroines
DJ JuJu
Siouxsie and
the Banshees
Xmal Deutschland
Nina Hagen
DJ Creep
Malaria!
Selofan
DJ Madame
Satã
Diva
Destruction
Scary Bitches
Além das apresentações das DJ’s, o evento abrirá espaço para
exposições e bancas de lojinhas alternativas, bem como haverá sorteio de
brindes. O Festim das Górgonas será realizado a partir de 19:00 na Casa Pagu,
de responsabilidade do Coletivo Girls To The Front, que fica localizado na
Avenida da Universidade, 2322, no bairro Benfica. A entrada custará R$10,00. O
Festim das Górgonas é uma realização da Underdark Produções.
Foi lançado recentemente o novo álbum de estúdio dos
italianos do Hapax, Monade, através da gravadora Swiss Dark Nights. O novo
álbum, o terceiro da discografia da banda, surge após três anos de espera desde
o lançamento de Cave.
Para divulgar o novo lançamento, a banda acaba de lançar o
videoclipe da música Parallel Words, faixa de nº 3 do novo álbum, o qual você
confere no player logo mais abaixo. O Hapax pratica um Pós-Punk com elementos de Darkwave
e já possui em sua discografia três álbuns de estúdio que começaram com Stream Of Consciouness, de 2014.
Hapax é Michele Mozzillo (vocais, baixo, teclados) e Diego
Cardone (guitarras, teclados, programação). Para o novo álbum, foram recrutados os serviços do baterista Fabio Malfi.
Como um par de asas abertas que apontam para sentidos opostos é o som e a ousadia musical do duo Wingtips, de Chicago. Ora praticam um Dreampop etéreo e confortante, ora se esgueiram para um Darkwave escuro e intimidador, sempre usando como bases as batidas industriais e as texturas Synthpop. Abusando desta segunda direção, o Wingtips lançou recentemente seu mais novo single, Deaf Pursuit, que ganhou um fabuloso videoclipe dirigido por Luke O'Neill, e é assim que a dupla promete soar em seu próximo lançamento, Exposure Therapy, o seu primeiro full-length.
A nova música da dupla formada por Vincent Segretario e por Hannah Avalon funciona como um blend do período de crescimento do Depeche Mode com a fase mais obscura do The Cure, especialmente no álbum Pornography. Quer ver? Confira o clipe de Deaf Pursuit no player abaixo:
A estreia da dupla se dará com o álbum intitulado Exposure Therapy, que tem data de lançamento prevista para o dia 23 de agosto via Artoffact Records. Em apoio ao lançamento do álbum, a dupla já tem marcada uma turnê pelos Estados Unidos que irá de agosto até outubro.
Diário das Noites - O Quarto de Helena (independente, 2019)
Tracklist:
01. Escura Primavera
02. Eram Eles
03. Contos de Solidão
04. Um Caminho Antigo
05. Mariana
06. Luzes
Line-up:
Fabiano Souza - vocais, violão
Anderson Morphis - teclados
Andressa Costa - programações
Texto: Bruno Rocha
Resolvo mais uma vez adentrar n’O Quarto De Helena. Um quarto obscuro e sombrio, úmido e frio. Intimidador por sua opulência tão simplória. Aconchegante por sua atmosfera de dor. Não, não há nada lá. Nem cama, nem criado-mudo. Muito menos abajur. O que encontro n’O Quarto De Helena é tudo aquilo que minha mente cria em sua oficina, inspirada pela atmosfera e pelas provocações do lugar, criando assim reflexos de meus sentimentos e saudades em forma de música. Isso, reflexos. Espelhos. Existem espelhos n’O Quarto De Helena. Você tem coragem de encará-los?
O projeto musical do trio Fabiano Souza (vocais, violão, Última Dança), Anderson Morphis (teclados, Mortiferik, Harmony Hate, etc.) e Andressa Costa (programações) lançou recentemente seu segundo EP, intitulado Diário das Noites, que traz em si mais seis composições que exploram o lado mais soturno do ser humano e que provocam as mais retraídas sensações da mente do ouvinte, como saudade, tristeza e dor. O estilo musical do grupo permanece inalterado em relação à estreia autointitulada, de 2017, promovendo em suas composições um tipo lento e sofrido de Darkwave, com alguma influência Folk, influência essa reforçada pelo violão de Fabiano Souza. Então, aqueles que já conheciam O Quarto de Helena, podem esperar por aquela mesma atmosfera nublada de outrora em Diário das Noites. Esta que serve como alicerces e paredes do Quarto.
A abertura com Escura Primavera é tão negra e sofrida que pega o ouvinte despreparado e o derruba para o canto do Quarto, massacrado pela pressão de sua mente. Tocada na sombria escala de Fá Sustenido Menor, a combinação dos teclados de Morphis (em piano, chorus e strings) e da minimalista bateria programada de Andressa é adornada pelo violão bem encaixado, formado um conjunto que serve de base para que a belíssima e calma voz de Fabiano cante suas dores e saudades de forma pesarosa. Amanhece e chove lá fora do Quarto; é a música Eram Eles, cinza, nublada e atraente, lembrando em sua estrutura de arranjos os grupos de Ethereal Wave como Autumn’s Grey Solace, graças aos timbres atmosféricos escolhidos por Morphis. Ainda na segunda música chego à conclusão que palavras são insuficientes para expressar o quão forte e doloroso é o som do Quarto de Helena. Mas as palavras são as únicas ferramentas que disponho para tão hercúleo trabalho. Sigamos em frente tentando desvendar os segredos do Quarto.
Um pouco menos lenta, lembrando um pouco o Última Dança, é a faixa Contos de Solidão, que ilumina um pouco o Quarto. Esta composição é conduzida por uma guitarra de timbre embebido em flanger e tremolo que mais parece a mente a melancólica mente do ouvinte. Um Caminho Antigo traz algo inédito n’O Quarto de Helena, algo que se aproxima de um riff em seu começo com uma harmonia de violão e teclado. Mais contida, esta última faixa prepara terreno para Mariana, uma composição bela e etérea, que parece conduzir o ouvinte por sonhos de paz em meio a um entardecer escarlate. O EP se encerra com a atmosférica Luzes, minimalista em sua condução percussiva. Praticamente o único elemento harmônico nesta música é o violão e a voz de Fabiano. Falando em morte, Luzes se revela na verdade como aquela que leva em definitivo aquele que ousou entrar no Quarto de Helena, achando que Mariana era apenas um sonho. Prova disso são os choros carpideiros que emergem ao final da faixa.
Aos poucos a música se esvai, deixando somente uma sensação de vazio e tormenta na mente daquele que entrou no Quarto. Um momento de reflexão se abate no recinto ao novamente encarar os espelhos lá posicionados, revelando que na verdade tudo na vida é vaidade, é passageiro. Consegui sair do Quarto e voltar à realidade, mas não da mesma forma que entrei. Sentindo o clima das músicas e meditando nas letras das mesmas, tornou-se claro que a vida é efêmera e passageira. As lembranças marcam como ferro na pele e ardem sem que nos preparemos antes.
O Quarto de Helena é uma entidade musical necessária para o cenário Darkwave pela sua originalidade e ousadia, conseguindo fazer com o minimamente necessário uma música grandiosa e poderosa, capaz de congelar seus pensamentos e evocar os sentimentos ocultos. Diário das Noites é mais um documento que atesta tudo que foi relatado neste diagnóstico musical. Coragem, entre no Quarto, querido leitor! Faz bem, é inebriante. Helena te convida, seja lá aquilo que for a Helena de seus pensamentos.
O She Past Away se tornou um fenômeno dentro do Darkwave ao longo da década atual e não foi à toa. Sua sonoridade facilmente identificável e peculiar traz homogeneidade em sua pegada dançante e climas sombrios. Ao longo dos últimos quatro anos desde o lançamento de seu último álbum, Narin Yalnızlık, o She Past Away aumentou substancialmente a ansiedade de seus fãs por um terceiro álbum, que finalmente veio agora em 2019 com o sugestivo nome de Disko Anksiyete (Ansiedade pelo Disco).
Este novo lançamento é o primeiro álbum com a nova formação da banda, que sofreu uma mudança em 2015 com a saída do baixista İdris Akbulut e a efetivação de Doruk Öztürkcan como integrante oficial, responsável pelos sintetizadores e pela bateria eletrônica. Doruk já acompanhava a banda desde seus primórdios responsável tanto pela produção dos álbuns como pela bateria eletrônica. Segundo o membro-fundador e principal compositor Volkan Caner (vocais, guitarras), em recente entrevista ao site Regen Magazine, a saída de Idris não afetou em nada a sonoridade do She Past Away, uma vez que suas linhas de baixo eram exclusividade das apresentações ao vivo e que o que se ouve nos álbuns são linhas feitas em sintetizadores. Se a saída do baixista afetou ou não a sonoridade da banda turca, o que se percebe em Disko Anksiyete é uma preocupação maior em soar mais dançante, mais Synthpop, do que em relação aos dois álbuns anteriores, principalmente em sua primeira metade. Apesar de o DNA do som da banda não ter se alterado, as guitarras estão mais tímidas e em posição de segundo plano, com os sintetizadores tomando a frente das composições de forma mais robusta. Na segunda metade do disco, as guitarras tentam novamente ficar em pé de igualdade com os sintetizadores, lembrando os dois álbuns anteriores.
A primeira metade de Disko Anksiyete deixa sua proposta bem clara. Após a faixa introdutória, chega Durdu Dünya, uma faixa bastante forte e empolgante, uma maravilha de composição que traz em seu cerne um ritmo dançante e uma seção intimidadora em sua metade. A pista de dança continua a todo vapor na faixa-título, que ganhou um videoclipe que ilustra bem o que vem sendo afirmado até aqui. Izole traz consigo as guitarras em primeiro plano e um tom melancólico, rememorando as composições do debut Belirdi Gece (2012). Em contraponto a melancolia de Izole, a faixa seguinte, La Maldad, traz um clima descontraído e até mesmo alegre em sua estrutura de arranjos, algo nunca visto em se tratando de She Past Away. Outra curiosidade desta faixa é que ela é a primeira composição da banda que não é cantada em turco, mas sim em espanhol. Cabe lembrar que uma das bases do grupo é a cidade de Barcelona, além de sua terra-natal, Bursa, e da capital grega, Atenas.
A partir da faixa 6, Renksiz, uma faixa marcante do começo ao fim, o clima de Disko Anksiyete fica mais sério novamente. Sonbahar é mais lenta e introspectiva, trazendo novamente a guitarra de Volkan Caner em evidência com seus timbres cheios de chorus e tremolos. A faixa seguinte, Girdap, segue a trilha deixada por sua antecessora, desta vez com os sintetizadores tomando de conta da liderança da música. Um dos grandes destaques do álbum aparece na faixa de nº 9, Yükseliyor Deniz. Bem mais negra e melancólica que suas antecessoras, traz em seu instrumental um tom diferente, como de anoitecer, além de ser mais uma cobaia do álbum a testar as guitarras a frente. Pegando carona na faixa anterior, surge Ağıt, que encerra o álbum de forma introspectiva e calma, como uma despedida de alguém que parece que nunca mais vai voltar.
Os elementos de estúdio que fazem parte do som único do She Past Away foram mantidos, como a produção abafada e vintage, rememorando a década áurea do estilo, e as toneladas de ecos e reverbs nos vocais de Volkan Caner. Tanto efeito em sua voz é um elemento essencial para a melancolia e a identidade do som do grupo; por outro lado, seus vocais se tornam quase ininteligíveis, e não é só pelas letras em turco, pois mal se notou a diferença de idiomas em La Maldad, cantada em espanhol. A arte de capa, criada por Ufuk Ergün e por Marilia Fotopoulou, exibe bem a proposta ora dançante, ora introspectiva do álbum.
Com Disko Anksiyete, os turcos provam mais uma vez que conseguem ser ousados, variados e experimentais dentro de seu próprio estilo mesmo sem se desvencilhar de seu norte musical, o Pós-Punk/Darkwave. Ora com as guitarras na frente, ora agora com os sintetizadores, vale muito a pena curtir esse som empolgante e sombrio do She Past Away. E quem se importa que as letras são em turco? As letras de Volkan abordam a ansiedade e questões existenciais, mas se você não entende turco (e nem confia no tradutor do Google), a música e os arranjos conseguem falar por si só. Basta o ouvinte estar aberto a receber o clima e a mensagem que a música quer transmitir e deixar que as percepções e as emoções tomem conta do resto.
Tracklist:
01. My Drifitng Flight
02. 24 Hours Awake
03. Losing Halo
04. Negatives
05. Dystopian Song
06. Secret Admirer
07. Dead Boys
08. Rock n’ Roll Is Over
09. Tom Brazil
10. The Fallin Queens District
11. Point Break
12. Chariots
13. Tyrannosaur
14. Gall Bladder (Rancor)
15. Vesper
16. Omnia
Participação: Karolina Escarlatina- vocais em Tom Brazil
A música é uma arte em constante evolução e está sempre em
processo de metamorfose. Exemplo: não durou cinco anos desde o surgimento do
Punk Rock na metade dos anos 70 para que o estilo se transformasse e agregasse
para si novos elementos sonoros e climáticos. Graças ao Joy Division,
que deu sua interpretação para o Punk Rock com acréscimo de teclados e moldagem
de atmosferas introspectivas e por vezes depressivas, surgia o Pós-Punk, ou
Post Punk, como queiram. Novamente, durante o começo dos anos 80, o estilo
pioneirizado pelo Joy Division entrou em processo de metástase dando origem a
outros estilos como o Rock Gótico, cuja cartilha são os primeiros trabalhos
de The Cure, Bauhaus e Siouxsie And The Banshees.
Em termos de Brasil, temos aqui alguns alunos que estudaram por esta cartilha,
sendo o mais aplicado deles a banda cearense Plastique Noir.
Fundada em 2005, o grupo formado por Airton S. (vocais,
programação), Danyel Noir (guitarras, Facada) e Deivyson Teixeira (contrabaixo)
chegou em 2015 lançando seu terceiro trabalho de estúdio, 24 Hours
Awake, pela gravadora Wave Records. O som do grupo não traz nada de
inovador dentro do estilo, já que, como foi enxertado neste texto, a banda segue
a cartilha do Pós-Punk/Rock Gótico, cujas composições tem a intenção de criar
climas soturnos e negros com o auxílio de efeitos como reverb na guitarra a
solar quase que o tempo todo e o contrabaixo em posição de protagonista junto a
guitarra. Por vezes, o baixo assume a frente da música enquanto a guitarra fica
na base. Por outro lado, o Plastique Noir impõe uma identidade absurda em sua
música; com efeito, mesmo que o ouvinte identifique as influências de Joy
Division e Bauhaus, sabe que tal composição tem a cara do Plastique Noir.
Em 24 Hours Awake, a banda resolveu inovar um
pouco no direcionamento de algumas músicas, fazendo-as mais rápidas, frenéticas
e até mesmo dançantes, diferentemente do álbum anterior, Affects (2011,
Wave Records), que priorizou músicas mais lentas. O Plastique Noir apresenta
versatilidade neste álbum, pois em suas 16 músicas (pode parecer muito, mas o
tempo normal de pouco mais de 50 minutos foi obedecido) o grupo varia
andamentos e climas diversas vezes. Apesar de apresentarem baladas movidas a
violão como Dystopian Songe Chariots, os grandes
destaques são mesmo as músicas rápidas e negras como a faixa-título, Rock
n’ Roll Is Over (que música!), Tyranossaur e Tom
Brasil, está última com a participação de Karolina Escarlatina, vocalista
do duo gótico mineiro Escarlatina Obsessiva. Nestas composições o
timbre do contrabaixo carrega as músicas com seu timbre úmido e terrorista,
que, aliados à guitarra cheia de reverb de Danyel (guitarrista da banda local
de Grindcore Facada), transportam o ouvinte para dentro de uma
caverna mental, isolado, apreensivo e melancólico. Sem contar a interpretação
vocal de Airton S., que se mostra aqui um exímio aluno de Peter Murphy
(Bauhaus).
Outros destaques ficam por conta de Losing Halo (refrão
grudento!), Secret Admirer (com uma forte veia The
Cure), Dead Boys (calma e triste) e Vesper, a
primeira composição do Plastique Noir em português, conduzida por uma levada de
contrabaixo típica de Peter Hook (ex-Joy Division, New Order). Mesmo que este
redator não cite todas as músicas, 24 Hours Awake é um álbum
que deve ser ouvido do começo ao fim; aqui não existe buracos ou trechos
descartáveis. Tudo aqui foi bem composto e planejado com o fim de se atingir o
ápice de uma música que toque os sentimentos mais profundos do ouvinte. Por
incrível que pareça, a banda não sente falta de uma bateria acústica. A programação
de bateria feita pelo próprio Airton S. ajuda a moldar a atmosfera das
composições graças à sua abordagem minimalista.
24 Hours Awake foi gravado no estúdio 746 sob a
produção de Jorge Albuquerque e da própria banda. Tudo é muito nítido aos
ouvidos, mesmo que a sujeira e lama que o estilo necessita estejam bem
assentadas. Na Terra Onde O Sol Reina, mesmo que a banda seja conhecida no
cenário Rock da região e também uma das maiores referências do estilo no país,
tendo inclusive reconhecimento no exterior, o Plastique Noir habita nos porões
do underground, onde sua música negra e melancólica é melhor sentida e
absorvida. Vale a pena se deixar entregar a esta atmosfera. Se for para sentir
todo esse reverb e vislumbrar o negrume sonoro permitido pelo Plastique Noir,
vale a pena ficar acordado 24 horas por dia, ou mais.