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terça-feira, 30 de junho de 2020

Blog The Atmosphere entrevista o músico Anderson Morphis na próxima quarta-feira

Entrevista com Anderson Morphis

Está marcada para a próxima quarta-feira (01/07), amanhã, a próxima entrevista ao vivo do blog The Atmosphere! O convidado da vez será o músico carioca Anderson Morphis, importante figura do underground do Rio de Janeiro.

Morphis atualmente está a frente de vários projetos musicais, tais como O Quarto de Helena (folk/darkwave), Bosque Lunar (Medieval), Mortiferik (Death/Doom Metal) e Harmony Hate (Death Metal). Em O Quarto de Helena, ele divide as responsabilidades do projeto com sua esposa Andressa Costa e com Fabiano Sousa, conhecido pelo seu trabalho a frente do Última Dança. Além de seus projetos musicais, Morphis é o apresentador, juntamente também com Andressa, do programa Sons do Apocalipse, que vai ao ar através da webrádio Soturna Sintonia. Esses e outros assuntos serão destaques da conversa, que será conduzida pelo apresentador de sempre, Bruno Rocha, o Escriba deste humilde blog.

A entrevista com Anderson Morphis acontecerá a partir das 19:00 em live no instagram do blog The Atmosphere. Não perca! Adentrem a Atmosfera!

Entrevista com Anderson Morphis (O Quarto de Helena, Mortiferik)

Data: 01 de julho (quarta-feira)
Horário: 19:00
Onde?: Instagram do blog The Atmosphere ( @blogtheatmosphere )

terça-feira, 23 de junho de 2020

Soft Cell: duo está preparando novo álbum com previsão de lançamento para 2021

O Soft Cell está de volta (mais uma vez) para, enfim, lançar material inédito. O anúncio foi feito por Dave Ball, tecladista do duo, em entrevista ao Associated Press.

Ball afirmou que ele e o vocalista Marc Almond estão trabalhando remotamente em novas composições para o Soft Cell. Este novo material deve ser lançado em 2021 e será o primeiro trabalho de inéditas do duo desde Cruelty Without Beast, de 2002.

Entre diversas idas e vindas, o Soft Cell havia se reunido pela última vez em 2018 para um único show na Arena O2 em Londres com o intuito de rememorar os quarenta anos do duo. Recentemente, Dave Ball lançou sua autobiografia Electronic Boy: My Life In And Out Of Soft Cell.

O Soft Cell foi fundado em 1977 na cidade inglesa de Leeds e se tornou uma das principais representantes do Synthpop oitentista muito embora o duo tenha passado por um fim precoce em 1984. Neste período foram lançados três full-lengths e um EP. Uma breve reunião aconteceu entre 2001 e 2003, na qual foi composto e lançado um quarto full-length.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Blog The Atmosphere entrevista o duo Electro Bromance na próxima quarta-feira

O blog The Atmosphere... continua a sua série de entrevistas pelo Instagram na próxima quarta-feira, 17/06. Os convidados da vez serão Wilame AC e Hansen Pessoa, integrantes do duo paraibano de Electro/Future/Synthpop Electro Bromance.

A entrevista será feita com um integrante de cada vez, tendo em vista que o Instagram não permite que mais de duas pessoas participem de uma live simultaneamente. Além de assuntos relacionados ao Electro Bromance, a conversa também abordará aspectos individuais das carreiras dos dois integrantes, que já passaram por diversos projetos musicais que vão da música eletrônica até o Death/Doom Metal. Outros assuntos poderão surgir durante a conversa, que será guiada por Bruno Rocha de maneira espontânea e sincera e na qual os espectadores poderão participar com perguntas além da própria audiência.

A entrevista com o Electro Bromance começará às 19:00 no Instagram do blog The Atmosphere... ( @blogtheatmosphere ). Não percam! Sintam-se convidados a adentrar na Atmosfera!

Entrevista com Electro Bromance

Data: 17 de junho (quarta-feira)
Horário: 19:00
Onde? Instagram do blog The Atmosphere... ( @blogtheatmosphere )

sábado, 6 de junho de 2020

LXB: Ex-bateristas do The Cure e do Siouxsie And The Banshees anunciam novo projeto em conjunto que pode contar também com baterista do Bauhaus

LXB Lol Tolhurst Budgie

Dois dos mais influentes bateristas do Pós-Punk e do Rock Alternativo em geral anunciaram recentemente que estão trabalhando em um projeto em conjunto. Lol Tolhurst e Peter Edward “Budgie” Clarke, respectivamente ex-bateristas do The Cure e do Siouxsie And The Banshees, divulgaram que estão trabalhando em um novo projeto em conjunto chamado LXB. O anúncio foi feito em entrevista que ambos concederam ao programa Volume West, da rádio norte-americana Sirius XM, no último dia 22 de maio.

Tolhurst e Budgie estavam como convidados do referido programa, acontecido no Dia Mundial Gótico, para contar detalhes dos primeiros anos de suas duas bandas e também sobre o Batcave. Sobre o projeto LXB, os bateristas afirmaram que ele surgiu na verdade como um trio, o qual era complementado pelo também baterista Kevin Haskins (Bauhaus, Tones On Tail, Love And Rockets). Enquanto eles estavam compondo as primeiras ideias do LXB, Haskins precisou deixar o projeto tendo em vista o retorno aos palcos com o Bauhaus. Mesmo assim, Tolhurst e Budgie admitem que Haskins pode sim fazer parte das gravações da estreia do LXB.

Sobre esta estreia, os bateristas preveem que ela será lançada próximo ao fim deste ano, já que eles querem ter certeza que poderão excursionar promovendo o álbum em 2021, quando espera-se uma amenização dos efeitos da pandemia de COVID-19.

Os músicos também afirmaram que, por se tratar de um projeto capitaneado por dois bateristas, as composições do LXB tendem a ter um foco no ritmo e que, em vários momentos, as músicas podem lembrar uma mistura dos primeiros trabalhos do The Cure com The Creatures, duo experimental de Budgie com Siouxsie Sioux.

Lol Tolhurst foi um dos membros-fundadores do The Cure em 1976 e por lá tocou até 1989. Depois, focou seus esforços nas bandas Presence e Levinhurst antes que ele se reunisse com o The Cure para alguns shows em 2011 tocando os três primeiros álbuns da banda na íntegra. Já Budgie foi baterista do Siouxsie And The Banshees de 1979 até 1996. Sua parceria com a cantora Siouxsie Sioux se estendeu para além da banda, ensejando a criação do The Creatures, projeto dos dois focado em experimentações com vocais e percussão. Ambos foram casados de 1991 até 2007. Budgie também já prestou serviços para diversos músicos como Hector Zazou, Jessie Evans, John Cale (The Velvet Underground) e John Grant (The Czars) e também para as bandas Indigo Girls, Juno Reactor e Efterklang.


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Blog The Atmosphere entrevista ao vivo a cantora Juliana Weyne (Maldigo.) na próxima quarta-feira

Blog The Atmosphere entrevista Juliana Weyne

A partir desta semana, nascerá a encarnação audiovisual deste distinto blog, o THE ATMOSPHERE. Começaremos uma série de entrevistas ao vivo pelas redes sociais do blog, sempre com a apresentação de Bruno Rocha, este que sempre vos fala através dos textos deste canal.

Certo, lives já existem aos montes, ainda mais durante estes tempos de pandemia, nos quais as lives tem se tornado um dos principais meios de entretenimento. As entrevistas do blog The Atmosphere reunirão artistas e pessoas envolvidas com a música obscura nacional, englobando o Pós-Punk, o Gothic Rock, o Darkwave, o Doom Metal e todas as suas vertentes. As conversas terão sempre um teor espontâneo e natural, características costumeiras para quem já conhece a figura de minha pessoa, e acontecerão quase sempre através do Instagram do blog, @blogtheatmosphere . Digo “quase sempre”, pois se algumas entrevistas no futuro acontecerem com mais de um convidado por vez, a transmissão será migrada para o YouTube e para o Facebook.

Teremos a honra de receber como primeira entrevistada do blog The Atmosphere Juliana Weyne, cantora, atriz, dançarina e produtora que atua em Fortaleza como vocalista, dentre outros projetos, do grupo de Gothic Rock Maldigo. e como uma das responsáveis pela Underdark Produções, que atua na fomentação da cultura Dark em Fortaleza. A entrevista abordará vários aspectos da carreira de Juliana numa conversa espontânea e sincera na qual os espectadores poderão participar com perguntas além da própria audiência.

A entrevista com Juliana Weyne acontecerá na próxima quarta-feira, 03/06, a partir de 19:00, no INSTAGRAM do blog ( @blogtheatmosphere ). Contamos com a audiência, a participação e o apoio de todos vocês para este novo projeto. Sintam-se convidados a adentrar na Atmosfera!

Entrevista com Juliana Weyne (Maldigo.)

Data: 03 de junho (quarta-feira)
Horário: 19:00
Onde?: Instagram do blog The Atmosphere ( @blogtheatmosphere )


domingo, 31 de maio de 2020

Lebanon Hanover: duo lança oficialmente novo single “The Last Thing” e divulga nova música, “Shatter Matter”

O Lebanon Hanover divulgou hoje mais uma nova música, Shatter Matter. A mesma faz parte do novo single do duo, The Last Thing, que foi lançado oficialmente no último dia 30 de maio.

A nova música completa o tom de melancolia prenunciado pela faixa-título do single, mas desta vez com um ritmo bem mais lento e soturno que toma conta do ambiente, tudo isso complementado pela intepretação sofrida de William Maybelline. Chega a lembrar, em alguns momentos, o trabalho-solo do mesmo, QUAL.

O single The Last Thing é um prenúncio do sétimo álbum completo do Lebanon Hanover, o qual sucederá Let Then Be Alien (2018) e que se espera que seja lançado ainda em 2020 através da gravadora Fabrika Records. A versão física de The Last Thing, limitada a 1000 cópias, já foi toda comprada no período de pré-venda. Entretanto, se você ainda se interessa em adquiri-la com alguma esperança, algumas poucas cópias ainda podem ser solicitadas pelo Bandcamp da Fabrika Records.

Confira no player abaixo a nova música do Lebanon Hanover, Shatter Matter. Lebanon Hanover é Larissa Iceglass (vocais, guitarras, programação) e William Maybelline (vocais, contrabaixo, programação).

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Days Are Nights: banda paulista lança coletânea “Autarquia Sem Glamour (2005-2020)”

O duo paulista Days Are Nights está de volta após um período de hiato. Neste tempo em que a banda esteve em off, Dennis Sinned esteve envolvido com outros projetos tais como 1983, População Zero e Mateamargo. Agora, Dennis, junto com Brunno dos Santos, acorda novamente o Days Are Nights já com um novo lançamento, a coletânea Autarquia Sem Glamour (2005-2020).

Esta coletânea foi lançada no último dia 15 de maio através do selo Paranoia Musique em parceria com a Dissonância Magnética e marca o aniversário de 15 anos do duo. As 18 faixas que compõem a coletânea foram retiradas de cada um dos cinco álbuns já lançados pelo Days Are Nights, desde o debut Sounds Of The End (2006), até o lançamento de inéditas mais recente, O Encontro Entre Nicolas Flamel E A Garota Que Violava Corpos (2015).

O Days Are Nights conquistou uma sólida reputação no cenário underground paulista e nacional graças ao seu som característico que mescla elementos do Pós-Punk e do Coldwave. O duo já participou de diversos eventos Brasil afora, incluindo o importante Woodgothic Festival, e teve sua música sendo reconhecida inclusive no exterior, tendo em vista o lançamento europeu do álbum Eu Te Vejo Dormir Enquanto O Tempo Nos Mata (2008) e a crítica feita pelo renomado jornalista Mick Mercer, referência da música gótica mundial.

Dennis e Brunno prometem voltar não só com lançamentos, mas também aos palcos, assim que os reflexos da pandemia de Covid-19 tornem possíveis o retorno das pessoas ao convívio social. Enquanto isso não, acontece, a banda em parceira com o selo Paranoia Musique disponibiliza a coletânea Autarquia Sem Glamour (2005-2020), bem como todo o restante do catálogo do duo, nas plataformas digitais. Ouça pela sua plataforma preferida.

Confira no player abaixo um vídeo-teaser de Autarquia Sem Glamour (2005-2020) e, mais abaixo, a capa da coletânea, criada por Diego de Oliveira.



terça-feira, 26 de maio de 2020

Entrevista: Gregor Mackintosh (Paradise Lost)



Texto e entrevista: Bruno Rocha

O Paradise Lost lançou recentemente o seu décimo-sexto álbum de estúdio, Obsidian, pela gravadora Nuclear Blast e com distribuição brasileira pela Shinigami Records. Obsidian representa um marco na discografia da banda formada por Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras), Stephen Edmondson (contrabaixo) e Waltteri Wäyrynen (bateria) por ser um dos registros mais pesados e melancólicos do grupo nos últimos tempos. Coincidentemente, este álbum foi lançado num dos períodos mais negros e tristes da história recente da humanidade com a pandemia de Covid-19. Em entrevista exclusiva ao blog THE ATMOSPHERE..., o guitarrista e principal compositor Gregor Mackintosh deu detalhes sobre o novo álbum do Paradise Lost, falou o que vem fazendo durante o isolamento social e explicou seu leque de influências oriundas do Gothic Rock, estilo que apareceu com proeminência em Obsidian, tudo isso dentre outros assuntos.

Olá, Gregor! Em primeiro lugar, gostaria de te agradecer por sua disponibilidade para responder estas perguntas e espero que você esteja bem e com saúde. Como tem sido sua rotina e seu trabalho durante a pandemia? Este período negro e de incertezas pelo qual o mundo passa tem influenciado você musicalmente de alguma forma?

Gregor Mackintosh: Eu estou bem, obrigado. A maior parte do meu tempo durante a pandemia tem consistido em promover o novo álbum do Paradise Lost. Além disso eu tenho lido muitos livros, assistido muitos filmes e ouvindo muita música. Criativamente eu comecei a trabalhar em novas composições para meu projeto paralelo, o Strigoi. Somente o tempo nos dirá se esse material virá inspirado por elementos da atual situação.

Falemos então sobre o novo álbum. Obsidian apresenta, de uma maneira mais evidente comparado com os outros álbuns lançados na última década, elementos de Rock Gótico oitentista. Em vários momentos podemos perceber arranjos que nos remetem a The Sisters Of Mercy, The Cure e Dead Can Dance, não apenas na música Ghosts, onde essas influências estão mais óbvias. Esse direcionamento foi planejado antes que os trabalhos para a concepção de Obsidian começassem?

Gregor: Influências não foram discutidas antes que começássemos a compor para o álbum. Nós apenas concordamos que deveria ser mais variado em relação ao lançamento mais recente (Medusa, 2017). Nós trabalhamos em uma música de cada vez e isto acabou nos levando a diferentes caminhos. O que me inspira em qualquer dia é o pontapé inicial para começar uma música, mas à medida em que trabalhamos nela, ela pode seguir por um caminho ou pode seguir por outro. Nós temos várias versões diferentes para cada música em qualquer momento e escolhemos depois por qual caminho seguir. Isso fez com que o processo de composição acabasse por ser divertido, apesar de que isso soe de qualquer forma, menos divertido.

A performance de Waltteri Wäyrynen na bateria me chamou bastante a atenção. Talvez este tenha sido o mais técnico trabalho de bateria da história da banda, com várias conduções nos tons, viradas criativas e “ghost-notes” no caixa. Como compositor principal, você o orienta como você quer que a bateria soe em cada música ou ele tem completa liberdade para criar?

Gregor: Eu costumo ter a bateria bem próxima do que eu quero que ela seja, de modo que ele entende isso ao mesmo tempo que tem alguma liberdade artística. O melhor sobre Waltteri é que sua tocada na bateria pode cobrir vários estilos diferentes. Isto torna as coisas muito fáceis pra mim quando eu tento explicar o que eu estou buscando em uma música. Sutileza e dinâmica estavam bem em evidência na minha mente quando conversamos sobre isso antes das gravações.

Este é o terceiro álbum do Paradise Lost gravado em parceria com o produtor Jaime Gomez Arellano no Orgone Studio, o qual ele é dono. No passado vocês também trabalharam com Jens Bogren, Rhys Fulber e e Simon Efemey, dentre outros. Como tem sido trabalhar com Jaime e o quão importante é para o Paradise Lost, uma banda que preza por uma sonoridade bastante característica e repleta de influências, ter um produtor de fora da banda para direcionar as gravações além dos aspectos técnicos?

Gregor: Tivemos uma grande experiência de aprendizado com cada produtor com quem nós trabalhamos. Rhys realmente nos trouxe foco e crença em nós mesmos. Jens nos ensinou sobre trabalhar com precisão. Nos anos mais recentes nós não precisamos realmente de um produtor para nos guiar. Nós apenas precisávamos de alguém para captar o som da banda com o melhor equipamento e com um grande entendimento do que nós estávamos tentando alcançar. E Gomez tem sido o cara para este trabalho. Ele é realmente talentoso em ajudar o artista a expressar o que eles precisam e não somente em focar na técnica.

Aaron Aedy, Stephen Edmondson, Nick Holmes, Gregor Mackintosh e Waltteri Wäyrynen

De Dooms pesados até Gothic Rock’s animados, o Paradise Lost explorou em Obsidian vários elementos musicais que construíram a discografia da banda durante as últimas três décadas sem abrir mão da melancolia, do peso, da miséria e de certa imponência em cada uma das músicas. Como vocês lidam com criar uma música tão homogênea e com uma forte personalidade mesmo com a grande variedade de influências com as quais vocês trabalham?

Gregor: Eu acho que isto vem de anos aprimorando nosso trabalho. Nós compomos e tocamos de um modo que não é mais de uma maneira consciente. Eu amo aprender, experimentar e me inspirar pelas mais diferentes coisas, mas quando tudo isso entra no caldeirão do Paradise Lost, o resultado é único de uma certa maneira.

No primeiro press-release divulgando Obsidian, a banda declarou que este álbum seria o mais eclético em muito tempo. Dado o direcionamento mais pesado que o Paradise Lost tomou nas últimas duas décadas, mais notadamente na última, eu não esperava que arranjos mais acessíveis, como os vistos em Host, por exemplo, estariam de volta com vocês. Com o Vallenfyre e agora com o Strigoi, você tem extrapolado sua vontade de tocar um Death Metal cru e sujo, que é outra forte influência de suas composições. Você planeja ou pelo menos tem vontade de tocar algo mais direcionado ao Gothic Rock ou ao Darkwave novamente em algum projeto paralelo no futuro, seja de um modo mais orgânico lembrando The Cure ou mesmo com um direcionamento eletrônico como visto em Host?

Gregor: Eu estive pensando em fazer isso durante vários anos mas eu nunca senti que havia chegado a hora certa. Eu tenho várias partes de música nesse estilo que eu fui criando ao longo dos últimos 20 anos, mas eu nunca estive convicto que essas ideias eram boas o suficiente. Talvez algum dia eu encontre inspiração para completar um álbum nesse estilo.

Eu imagino que existem diferentes períodos em sua vida onde você tem mais vontade de ouvir Death e Doom Metal e outros onde sua vontade de ouvir Gothic Rock é mais forte. Como guitarrista e compositor, quais músicos da cena Post Punk/Gótica oitentista você mais gosta de ouvir e como eles te influenciam na hora de compor e de tocar?

Gregor: Tem vários. Siouxsie and the Banshees, The Sisters of Mercy, Southern Death Cult (The Cult), Christian Death, a fase inicial do The Cure, Bauhaus, Depeche Mode, Dead Can Dance... Todas estas bandas tem diferentes elementos que eu admiro e que me inspiram de várias maneiras. Lisa Gerrard e Brendan Perry (Dead Can Dance) são os mestres da fluidez e da dinâmica, indo do mais silencioso sussurro até o crescendo mais bombástico. Gore (Martin, Depeche Mode) compõe os sucessos mais pegajosos. Robert Smith (The Cure) e Siouxsie me ajudaram a compreender as sutilezas para criar paisagens sonoras. Sisters me mostrou que simplicidade pode as vezes ser melhor. Mas todas estas bandas pintam imagens com suas músicas e é isto que eu almejo fazer.

Para finalizar esta entrevista, mate-me uma curiosidade a qual você é uma das únicas pessoas no mundo que podem fazer isso. Exceto pelo baterista, o Paradise Lost mantém a mesma formação desde o começo há 32 anos com você, Nick, Aaron e Stephen. Qual é o segredo para manter uma formação tão longeva e conectada apesar de tantos acontecimentos e de mudanças de sonoridade?

Gregor: Nós compartilhamos do mesmo estilo de vida ao longo de nossos crescimentos. Viemos de uma classe trabalhadora, do Norte da Inglaterra, com estas perspectivas humildes e com um senso de humor autodepreciativo. Nenhum tipo de ego pode sobreviver neste tipo de ambiente e o ego é o que costuma acabar com várias bandas.

O blog agradece a Karina Somacal e a equipe Shinigami Records pelo valioso apoio.





quinta-feira, 21 de maio de 2020

Resenha: Paradise Lost - Obsidian (2020)



OBSIDIAN - PARADISE LOST (Nuclear Blast, Shinigami Records, 2020)

Tracklist:
01. Darker Thoughts
02. Fall From Grace
03. Ghosts
04. The Devil Embraced
05. Forsaken
06. Serenity
07. Ending Days
08. Hope Dies Young
09. Ravenghast
10. Hear The Night (faixa-bônus)
11. Defiler (faixa-bônus)

Line-up:
Nick Holmes - vocais
Gregor Mackintosh - guitarra-solo
Aaron Aedy - guitarra-base
Stephen Edmondson - contrabaixo
Waltteri Wäyrynen - bateria


Texto: Bruno Rocha

O camaleão é aquele réptil escamado bastante peculiar que possui entre as suas características a habilidade de mudar sua cor a depender do ambiente em que está, como forma de adaptação e de camuflagem. Costumo chamar de “camaleão” aquela banda que transita por várias sonoridades ao longo de sua discografia, de preferência sempre apresentando exímia competência em cada uma delas. Tá, eu sei, “camaleão” não o termo mais original para designar esse tipo de banda. Mesmo assim, considero-o bastante valioso tendo em vista que ele serve de referência para ninguém menos que David Bowie.

Não preciso ficar explicando para quem conhece o Paradise Lost que a banda inglesa já percorreu sonoridades com pouca coisa em comum entre si. Só falta para eles praticar um som alegre ou farofa, algo que tenho certeza que nunca ocorrerá dado o histórico e as influências de seus integrantes. Dentro do espectro da música obscura, os extremos da musicalidade do Paradise Lost vão do Death/Doom podre e nauseabundo de seu debut Lost Paradise (1990) até o Darkwave eletrônico, dançante e “depechemodiano” de Host (1999), sendo que nos outros álbuns o grupo transitou como uma partícula em linha reta onde ora eles estavam mais próximos de um extremo, ora de outro. Atualmente, a banda liderada por Nick Holmes (vocais) e Gregor Mackintosh (guitarras) está mais próxima do Death/Doom novamente, muito embora não naquele nível lamacento de Lost Paradise. Muito pelo contrário. A banda soube filtrar os elementos positivos de cada uma de suas experiências musicais, misturá-los e criar uma solução homogênea onde o peso do Death/Doom caminha harmoniosamente com a essência melódica, a atmosfera densa e os elementos góticos, solução essa única e particular que facilmente acusa o som do Paradise Lost.

Parece que a banda atingiu ao ápice desta experiência com seu mais recente lançamento, Obsidian, disponibilizado oficialmente no último dia 15 de maio via Nuclear Blast e distribuído no Brasil pela Shinigami Records.

Obsidian faz questão de exprimir em suas músicas cada elemento que fez a história da banda ser o que é com uma fluência absurdamente e miseravelmente natural. Em relação aos álbuns mais recentes, o Paradise Lost resolveu saltar de forma mais pungente as influências góticas oitentistas dos integrantes, notadamente de seu guitarrista-solo e principal compositor, Gregor Mackintosh. Quando a banda divulgou o comunicado oficial do lançamento de Obsidian, eles prometeram que estariam disponibilizando o álbum mais eclético e variado em muito tempo. Não, eles não voltaram a tocar música eletrônica de Host. Além disso, Doom’s pesados se aliaram com peças góticas para forjar Obsidian. Nick Holmes balanceou quase que de forma igualitária seus vocais guturais com suas linhas limpas, estas ora cantadas numa altura barítona, ora cantadas em graves profundos. Gregor Mackintosh resolveu explorar mais os recursos de sua pedaleira lançando mão de muitas combinações de timbres limpos que colorem a atmosfera soturna das músicas. As guitarras de Aaron Aedy estão pesadíssimas e suas bases cumprem com o papel de sempre que é criar uma muralha fortíssima de som, rebocada com o baixo distorcido e gordurento de Stephen Edmondson. Waltteri Wäyrynen, o baterista da vez... Bem, sobre ele falarei no decorrer deste ensaio crítico.

Darker Thoughts, com sua intro acústica e seu clímax pesado, lembrando a faixa-título de Faith Divide Us, Death Unites Us e Victim Of The Past, constrói uma atmosfera negra, triste e mortal para derrubar os sentimentos do ouvinte já na primeira faixa. Os guturais de Holmes no refrão parecem condenar aqueles que o escutam a padecer eternamente naquele mundo cruel e doloroso imaginado pela música, enquanto os momentos leves com guitarras limpas se assemelham a um céu escuro e nevoento onde o condenado reflete cheio de remorso acerca de sua miserável vida pregressa. O lado Death/Doom pede passagem em Fall From Grace, vide os tons utilizados e as bases cortantes de Aaron Aedy nas seções lentas. O ritmo se intensifica e se torna mais empolgante sob os comandos insistentes de Nick Holmes nos quais ele afirma que todos nós estamos sozinhos. De repente, você se vê batendo palmas seguindo o ritmo do bumbo de Waltteri Wäyrynen. Mas não, você não foi transportado para o Madame Satã nem para o Wave Gotik Treffen; é que a música Ghosts é um Rock Gótico em sua essência, daqueles ensinados pelo The Sisters Of Mercy, mas pesado e temperado com uns acordes estranguladores em sua metade. Nick Holmes canta grave e as guitarras de Gregor Mackintosh ganharam contornos oitentistas. Até mesmo o baixo de Stephen Edmondson foi embebido num flanger. Mas eu queria ver esse baixo com chorus assim como o Cocteau Twins fazia.



Acabou a festa e é hora de relembrar que você é um ser humano imundo e triste. The Devil Embraced traz para si a responsabilidade de te lembrar isso com seu ritmo arrastado, teclados soturnos, fraseado de guitarra triste e Nick Holmes a sussurrar. As bases cortantes de Aaron Aedy servem de cama para Mackintosh mais uma vez experimentar com timbres limpos melodias que mais parecem nuvens plúmbeas. As influências góticas, desta vez mais imponentes e catedráticas ao estilo Dead Can Dance, emergem novamente na pesada e introspectiva Forsaken. Quem dá um show aqui é o baterista finlandês com nome de piloto de Fórmula 1, que não poupa seu kit com viradas ubíquas e ghost notes no caixa, pena que isso se torna um sério problema mais na frente. Serenity começa pesada e imponente antes de seu ritmo um pouco mais acelerado tomar conta do espaço conduzindo um solo “nwobhmiano” de Gregor Mackintosh. O groove das palhetadas para baixo acompanhadas do bumbo da bateria empolgam e elevam a alma a um estágio mais forte. Ending Days traz calma novamente ao álbum com timbres e arranjos etéreos, vocais limpos e mais um solo de bateria de Waltteri. Destaque-se após a metade a ótima melodia de guitarras tendo no baixo de Edmondson a única segurança sonora.

As duas últimas faixas revigoram novamente aquele saudosismo dos anos 90 sem deixar de lado as características atuais da banda. Hope Dies Young é mais uma peça gótica soturna e estonteante, com destaque para a ponte cantada antes do refrão. No lugar de um solo propriamente dito, Gregor resolve enublar o ambiente com uma melodia na região mais aguda da guitarra com um timbre que lembra coisas já feitas pelo The Cure. O álbum se encerra com a miserável e terrível Ravenghast. O deslizar das palhetas no braço das guitarras prenuncia que um Doom Metal pesadíssimo chega para acabar com qualquer resquício de sanidade e felicidade da mente do ouvinte. Para tal intento, a mesma não abre mão de variar e de acelerar seu ritmo no final. Mas a base do refrão lembra bastante o riff principal de End Of The Beggining, do Black Sabbath.

Recobrando a consciência aos poucos após o término de Obsidian, constato que sim, o Paradise Lost atingiu um pico de excelência dentro de sua proposta musical após a última década e, provavelmente, em muito tempo. Não que Mackintosh e cia. já não tenham atingidos picos de excelência antes, mas das outras vezes em que tal objetivo foi alcançado, a banda estava em outras “vibes” musicais. Também, Obsidian não é a perfeição em forma de álbum assim como Draconian Times (1995), o melhor e mais belo álbum de Heavy Metal de todos os tempos. Faltou uma música mais rápida aos moldes de Pity The Sadness ou, indo mais além, de Terminal. Além disso, um detalhe me pareceu bastante chato ao longo da audição do álbum: a bateria de Waltteri Wäyrynen. Não se pode negar que o finlandês é um músico bastante técnico e capacitado. Todavia, Waltteri praticou em boa parte de Obsidian aquilo que eu poderia chamar de “masturbação técnica”, quando o músico profere uma técnica absurda muito além do necessário. Querendo ou não, o Paradise Lost é uma banda de Doom Metal em sua essência. É necessário introspecção e calma para se absorver bem a atmosfera fria e melancólica típica do estilo (principalmente quando esse Doom é tocado pelos reis do estilo), algo que é facilmente quebrado por uma bateria técnica além do necessário. Já estava dando no saco conduções em tons e viradas com milhões de notas em quase todas as faixas. Deu saudades do Lee Morris e do Jeff Singer (que o My Dying Bride está aproveitando bem) nesse sentido. Não entendo porque Hear The Night, um Doom Metal maravilhoso onde Waltteri toca com consciência, não entrou na versão regular do álbum. Defiler sim, destoa bastante e sua posição como faixa-bônus foi muito bem entregue.

A banda mais uma vez arrendou os serviços de Jaime Gomez Arellano para a cuidar da produção e de toda a parte técnica da gravação, que foi conduzida no Orgone Studios. A produção cristalina reforçou a imponência das composições e a mixagem foi feliz em permitir que todos os instrumentos se destacassem, até mesmo o poderoso baixo de Stephen Edmondson, que vinha sendo maltratado há uns tempos atrás. A belíssima capa foi elaborada pelo novato artista Adrian Baxter e serviu perfeitamente para embalar e apresentar visualmente as composições de Obsidian. O camaleão mais uma vez foi certeiro em seu ataque. Seus olhos são capazes de se mover independentemente um do outro, de modo que um pode olhar para trás enquanto o outro mira a sua frente. Assim, o Paradise Lost buscou as melhores referências de fases pretéritas do grupo para aproveitá-las com perícia no presente. Imagine o que os veteranos de Halifax ainda podem preparar para o futuro.



quarta-feira, 20 de maio de 2020

Sobre lives na internet e o quanto queremos que tudo volte ao normal o quanto antes

FG Trade / Getty Images
Texto: Bruno Rocha

Ninguém, nem o mais pessimista dos terráqueos, nem mesmo os astrólogos ou aqueles videntes que subsistem na televisão, poderia imaginar ou prever a hecatombe sanitária pela qual o mundo passa em 2020. Um vírus cujo contágio se dá forma selvagem se espalhou por todo o planeta (menos no Turcomenistão, já que o "presidente" de lá afirma de pé junto que lá não existe nenhum caso), forçando assim a parada de todas as instâncias das sociedades como há muito tempo não se via. Se a coisa afetou tão fortemente até as maiores economias e corporações do mundo, imagine então para o lado mais fraco da corda, onde se localiza o Rock underground.

Com a preocupação maior em salvar a vida das pessoas e evitar que o coronavírus adoeça grande parte da população e mate aqueles que forem afetados de forma mais grave, aglomerações estão proibidas e as pessoas estão sendo orientadas a não saírem de casa em uma profilaxia enormemente comunitária chamada "isolamento social". Consequentemente, trazendo para o escopo deste humilde blog, que é o que interessa a vocês caros leitores, shows foram cancelados e as bandas estão tendo que se reinventar para manter o contato com o público. Daí surgiram a ideia das famosas lives.

Não que elas já não existissem, mas tendo em vista a atual conjuntura do mundo, as lives se tornaram praticamente a única maneira de os artistas apresentarem sua arte àqueles que a apreciam.

Dentro do mundo gótico, grupos como Ash Code, Sonsombre, Plastique Noir e Hapax, dentre vários outros cujos nomes a memória me veta neste momento (comentem aqui ou nas redes sociais do blog, por favor. Nunca vos pedi nada), já fizeram as suas lives para entreter o público que se enclausura em suas casas em meio à pandemia. Tocando juntos num mesmo ambiente ou então com cada integrante tocando em seu domicílio, para depois sincronizar tudo para ir ao ar de uma forma organizada, as bandas se viram como podem usando sua criatividade e seus recursos, lançando mão de jogos de luzes, de efeitos de vídeo ou mesmo fazendo algo mais simplista e caseiro. o duo francês Dear Deer fez sua live de dentro de uma cozinha, por exemplo. Os cariocas do Última Dança fizeram num sofá mesmo, com violão e teclado portátil. São diferentes formas de angariar a atenção do ouvinte em meio ao concorrido e sempre lotado palco da internet.

Uma iniciativa do tipo vem chamando a atenção. O Gothicat, loja virtual que vende produtos do universo gótico customizados com imagens de gatos, produziu e pôs no ar o Gothicat Festival, evento on-line cujo objetivo foi apresentar vídeos nunca divulgados antes por bandas do cenário Pós-Punk, Gothic Rock, Darkwave e vertentes, com apresentação de André Savetier, vocalista das bandas Deus Faust e Tenebris Obortis e responsável pelo canal The Wave Of Things. Não só com a intenção de apresentar vídeos, como descrito, o Gothicat Festival também apela para o lado social, já que, durante as transmissões, os espectadores podem fazer doações online para instituições de saúde que prestam serviços de combate ao Covid-19.

A primeira edição, que foi transmitida no último dia 12 de abril, contou com colaborações de importantes nomes como Clan Of Xymox (com um raro vídeo de uma apresentação de 1982), Lebanon Hanover, She Past Away, Minuit Machine, Molchat Doma e várias outras bandas. A aceitação foi tamanha que foi mister uma segunda edição, desta vez com  a curadoria sendo feita pelos próprios fãs através de uma enquete. Outras bandas indicadas pelos fãs através desta mesma enquete comporão a terceira edição do Gothicat Festival, que irá ao ar no próximo dia 23 de maio e que contará com a participação dos cearenses do Plastique Noir, além de outros nomes importantes como Nosferatu, Merciful Nuns, Bleib Modern, Iamtheshadow, O Children e et cetera.

A iniciativa vem gerando ecos. Tanto é que um novo projeto do tipo será colocado em prática a partir do próximo dia 22 de maio, sexta-feira, bem no Dia Mundial da Cultura Gótica. Será a primeira edição do Festival Under Latinoamericano, que está sendo organizado pela produtora peruana Tumbas Eternas Producciones. Como o nome do festival delata, o mesmo será composto somente por bandas de países latino-americanos. Nesta primeira edição, um total de 26 bandas do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Costa Rica, Venezuela, Equador e Uruguai estão escaladas. Representando o nosso país estarão Plastique Noir, Ego Eris, Herzegovina e Jenni Sex. Dos outros países, alguns dos nomes confirmados são Los Malkavian, Gorgonas, Delirium Mask e El Ansia.

O Darkitalia, produtora de shows e webzine, também está organizando uma live nos mesmos moldes para o próximo dia 23. Será o World Gothic Day #FEST, que contará com colaborações de Clan Of Xymox, Molchat Doma, Iamtheshadow, Bedless Bones, Hapax, Sonsombre e outras bandas, totalizando um número de 32 grupos participantes. É tanta live que dá até para escolher!




E os DJ's? Sim, eles também estão se adaptando aos tempos pandêmicos. Suas pick-ups com vinis ou com aparelhagens mais modernas estão ainda a serviço de seus pilotos e dos fãs de discoteca. No Brasil, alguns DJ's como Zauber (Madame, Via Underground) e Marcelo Kpta (Das Projekt), dentre outros, vem lançando esporadicamente playlists "da quarentena" através do YouTube e do Soundcloud. O próprio Madame, tendo em vista o fechamento da casa por conta da pandemia, vem fazendo toda noite, a partir de 19:00 até as 5:00 do dia seguinte, lives com a presença ubíqua dos DJ's Gê Rodrigues e Ricardo Escudeiro, além de alguns convidados esporádicos, como modo de levar na medida do possível a essência da casa para as residências dos fãs.

Tais entretenimentos são essenciais em tempos que não podemos sair de casa para aproveitar a cultura nos lugares onde ela transmite o melhor de suas sensações. E, talvez, as lives rejam um paradigma que será seguido daqui em diante mesmo após a pandemia em uma nova forma que os artistas têm de se conectar com seus fãs neste moderno, maquinado e globalizado mundo. Entretanto, o que mais queremos de verdade é poder sair de casa e ver nossas bandas preferidas ao vivo, apoiar nossos artistas in loco e nos animarmos ao som dos DJ's que sempre discotecam aquelas nossas músicas preferidas. As lives, não obstante serem ideias criativas e que nos saciam bem neste período, jamais passarão o mesmo sentimento e sinergia que nos impacta nas apresentações ao vivo, onde podemos não somente ver os artistas se expressando ao vivo, como também temos a oportunidade de estarmos perto das pessoas que nos fazem bem.

Este é um período de sacrifício. O novo coronavírus é inclemente e espalhou sua chaga virulenta por toda a Terra (menos no Turcomenistão). Nossa única forma de combater seu contágio selvagem é nos resguardarmos em casa na medida do possível e seguir as recomendações das autoridades científicas e sanitárias. Enquanto líderes estúpidos e ineptos tentam a todo custo desacreditar a ciência em prol de ver em prática teorias conspiratórias ao mesmo tempo em que milhões de seguidores cegos ruminam e mugem ante qualquer atitude nojenta de seus líderes, devemos ser o lado consciente deste período de trevas e de incertezas. Cuidemo-nos. Assim, o quanto antes for possível, poderemos voltar a nossa vida normal. Nem que seja ao "novo normal" que especialistas vem falando em suas colunas, blogs e entrevistas. Espero otimista que seja um "novo normal" com saúde, esperança e cultura, tão legal quanto o antigo normal.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Resenha: Pontagulha - Memórias Mortas (EP, 2020)



MEMÓRIAS MORTAS - PONTAGULHA (EP, independente, 2020)

Tracklist:
01. Dimensão
02. Memórias Mortas
03. Ruínas
04. Noites Urbanas

Line-up (gravação):
Lucas Caducco - vocais, guitarras, contrabaixo
Gabriel Vieira - sintetizadores, programação

Line-up (atual):
Lucas Caducco - vocais, guitarras
Jocélio Freitas - guitarras
Guilherme Santos - contrabaixo



Texto: Bruno Rocha

O fato de que a música obscura chega até os mais longínquos ou interioranos rincões deste país pode surpreender quem não acompanha a movimentação desta vertente musical de perto, mas não é novidade para quem a devora com afinco. De Uruburetama, cidade cearense que dista 114 Km da capital Fortaleza, vem a banda Pontagulha, que estreou recentemente com o EP Memórias Mortas trazendo quatro faixas que demostram muito conhecimento de causa em uma musicalidade que mescla elementos do Darkwave e do Coldwave.


Formado por Lucas Caducco (vocais, guitarras, Casebre Alternativo) em 2017, a banda é composta também por Guilherme Santos (contrabaixo) e por Jocélio Freitas (guitarras). Seu nome teve uma origem curiosa e tocante: Lucas afirma que sonhou com sua avó após o falecimento da mesma em 2019. No sonho, ela dizia que o nome da banda deveria ser “Pontagulha” e que, a partir disso, portas seriam abertas para o projeto. Apesar de a formação ser o trio citado no começo deste parágrafo, o EP foi gravado sozinho por Lucas com seus próprios equipamentos em Uruburetama, assumindo também o contrabaixo. O produtor paulista Gabriel Vieira se disponibilizou para masterizar o trabalho e também para registrar os sintetizadores e as programações.

O EP se inicia com Dimensão, música que entrega a tônica que o EP seguirá dali em diante: melodias simples, soturnas e bastante eficientes no sentido de captar a atenção do ouvinte, levando-o a introspecção. Um generoso reverb foi adicionado para aumentar a sensação nebulosa que a música perpassa. Lucas aposta em vocais barítonos na faixa seguinte, a que dá nome ao EP, cujos arranjos casam bem com as letras que falam de solidão. É possível imaginar-se caminhando solitariamente no Centro de Uruburetama tarde da noite, contemplando o céu escuro e nevoento, sentindo frio e onde a única companhia são as luzes dos postes.

Para este escriba, o maior destaque do EP é a faixa de nº 3, Ruínas. Começando com um ritmo lento que destaca os bumbos da bateria programada, esta composição traz consigo novamente uma carga soturna, a qual se apresenta mais forte ainda do que na faixa de abertura graças às simples, mas negras, melodias de guitarra. É como se os americanos do French Police se encontrassem com os fortalezenses do Plastique Noir. O clímax próximo ao seu final é estonteante e poderia ter sido mais impactante ainda se um fade-out não esvaísse a música tão logo. O EP se encerra com Noites Urbanas, dona de uma atmosfera distinta de suas três antecessoras, mais cinzenta e nublada. Entretanto, inconscientemente ou não, esta música mais parece uma versão desacelerada de Rituel, do She Past Away.

Algo que precisa ser revisto pela banda é a forte dose de reverb que é dedicada especialmente aos vocais. Quando Caducco resolve lançar mão de linhas vocais mais graves, o reverb esconde tanto a performance de canto que entender as letras se torna uma tarefa complicada para um ouvido mais incauto, como se pode notar em Dimensão e em Noites Urbanas. Afora este detalhe, a produção e a mixagem dosaram na medida certa cada instrumento, deixando tudo bastante nítido aos ouvidos de quem ousa penetrar na musicalidade fria, mas convidativa, do Pontagulha. Os sintetizadores são discretos e tão somente têm a missão de reforçar o clima das composições, deixando as guitarras em posição de destaque para derramar suas melodias.

Musicalmente, o Pontagulha está no caminho certo e deixa uma boa impressão com Memórias Mortas. Esta impressão se converte em ansiedade quando paramos para imaginar o que a banda pode nos mostrar no futuro em termos de novas composições. De qualquer forma, o Pontagulha já se mostra como uma ótima alternativa para quem busca uma sonoridade Darkwave mais simples e introspectiva, mas que não deixa de lado os toques sombrios e a atmosfera fria.


sábado, 25 de abril de 2020

Clan Of Xymox: banda lança clipe da nova música “Lovers”, o segundo single do novo álbum de estúdio



Os reis do Darkwave Clan Of Xymox lançaram recentemente a nova música Lovers, acompanhada de um videoclipe. Junto ao single lançado anteriormente, She, Lovers será uma das faixas do novo álbum de estúdio da banda, cujo título será Spider On The Wall.

Sobre o single Lovers, o mesmo foi lançado em um EP de cinco faixas. Além da versão original da música, fazem parte do EP três versões remixadas por Hante., Actors e Selofan. A quinta faixa se trata da regravação de Going Round, música lançada originalmente em 1983 no clássico EP de estreia Subsequent Pleasures. Curiosamente, está é a terceira vez que Going Round foi lançado, sendo que a segunda fora no álbum Hidden Faces, de 1997.

Já quanto ao álbum Spider On The Wall, espera-se que o Clan Of Xymox anuncie maiores informações em breve. O que se sabe é que Ronny Moorings, líder e principal compositor da banda, já está com o trabalho pronto para ser lançado, como ele anunciou em recente entrevista ao site alemão Gothic Empire. Spider On The Wall será o décimo-sétimo álbum de estúdio lançado pela banda (contando aqui com os álbuns lançados sob o nome Xymox) e o primeiro desde Days Of Black (2017).

Enquanto o novo álbum não sai, confira no player abaixo a nova música Lovers. O videoclipe foi dirigido e editado por Zoe Cavanagh com apoio de Ismael Diarra e de Thomas Andrew Quain. Aproveite e ouça também o primeiro single lançado pelo Clan Of Xymox em 2020, She.



Paradise Lost: banda lança nova música, “Ghosts”



Os britânicos do Paradise Lost estão prestes a lançar seu novo álbum de estúdio, Obsidian, o qual será o décimo-sexto full-length de sua discografia. Para divulgar o novo álbum, a banda disponibilizou recentemente seu segundo single, Ghosts, o qual você poderá ouvir no player mais abaixo.

Em Ghosts, o Paradise Lost volta a mostrar com força suas influências de Rock Gótico como não se vê há algum tempo. Sem esquecer o peso que a banda trouxe de volta desde meados dos anos 2000, o baixo com flanger de Stephen Edmondson, o fraseado de guitarra melancólico de Gregor Mackintosh e os vocais graves de Nick Holmes construíram uma peça gótica que nos remete a The Sisters Of Mercy. Aliás, sempre que têm a oportunidade, os integrantes do Paradise Lost fazem questão de mencionar que as bandas góticas oitentistas são algumas das principais influências na sonoridade típica da banda.

Quando a data de lançamento de Obsidian foi divulgada, o Paradise Lost divulgou que o novo álbum será o mais eclético lançado pela banda nos últimos tempos, indo de músicas Doom pesadíssimas até Rock Gótico. Cabe lembrar que ao longo de sua história que já atravessa três décadas, os ingleses passearam por várias diferentes sonoridades com muito louvor, o que embasa fortemente as intenções do grupo de mesclar várias delas em um só registro.

Obsidian tem data de lançamento prevista para o dia 15 de maio pela gravadora Nuclear Blast. Paradise Lost é Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras), Stephen Edmondson (contrabaixo) e Valtteri Wäyrynen (bateria). Confira nos players a seguir a nova música Ghosts e também Fall From Grace, o primeiro single divulgado de Obsidian e que ganhou videoclipe.




domingo, 12 de abril de 2020

Molchat Doma: o que explica o sucesso da mais nova sensação do Pós-Punk?




Texto: Bruno Rocha

Provavelmente você já deve ter dançado ao som de Tansevat, do Molchat Doma. Vou mais além: você já deve conhecer várias músicas do trio Pós-Punk da Bielorrússia. Se você não atende a nenhuma das duas afirmações anteriores, você está perdendo tempo.

O Pós-Punk do lado de lá da Europa tem uma sonoridade peculiar e facilmente reconhecível graças a simplicidade dos arranjos e o clima nublado que elas criam que mais parecem versões musicais das imponentes arquiteturas e construções soviéticas. Desde os pioneiros do Kino até nomes atuais como Human Tetris, Ploho, Supernova 1006 e Buerak, o Pós-Punk russo se mantém forte, coeso e relevante na atualidade.

Mas o Molchat Doma é um caso bastante peculiar e específico. Primeiro que eles não são da Rússia. São de Belarus, nome oficial do país que conhecemos como Bielorrússia. Belarus fica localizado a Oeste da Rússia e ao Norte da Ucrânia e fazia parte até o começo dos anos 90 da União Soviética. O segundo ponto advém de sua sonoridade. Resguardando as tradições do Pós-Punk de seu país vizinho, o Molchat Doma consegue elaborar uma identidade musical para si próprio mesclando elementos de Coldwave e Synthpop. Terceiro, e não menos importante, o grupo trabalha muito bem a parte visual, que inclui logos, capas de álbuns e figurinos dos integrantes. Não vai dizer que não reconhece aquela roupa social preta fechada até o pescoço e aquele bigode do vocalista Egor Shkutko?

Roman Komogortsev, Egor Shkutko e Pavel Kozlov.
Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente até 2010. Naquele ano, dois estudantes de uma escola técnica em Minsk, capital de Belarus, se conheceram e um descobriu que o outro tocava instrumentos musicais. Estes eram Egor Shkutko e Roman Komogortsev. Todavia, não era só o fato de ambos serem músicos que os aproximou. Egor e Roman eram fãs de Depeche Mode e também partilhavam um carinho por Red Hot Chili Peppers. Os gostos musicais parecidos fizeram com que os dois começassem a tocar juntos na soturna, cinzenta, imponente e soviética Minsk.

Ambos tocavam juntos vários estilos diferentes, que iam de vertentes eletrônicas até Funk e passando até mesmo por Trip Hop. Em 2014 eles se encontravam juntos na banda Net Kadrov, onde Roman era guitarrista e tecladista e Egor era baixista. Foi durante a existência do Ned Kadrov que algumas composições hoje tocadas pelo Molchat Doma surgiram, como Ya Ne Komunist, Tishina I Priatki e Tecnologia. O vocalista do Net Kadrov resolveu deixar o grupo após divergências musicais com Egor e Roman, o que abriu caminho para que os dois seguissem com a banda de acordo com seus próprios objetivos e ideais.

A primeira iniciativa foi mudar o nome da banda. De Net Kadrov, o grupo passou a se chamar Molchat Doma, que significa “casas silenciosas”. Ao invés de procurarem por um novo cantor, Egor resolveu largar o contrabaixo para assumir o posto de vocalista. A busca por um baixista foi difícil, já que vários músicos foram recrutados, mas todos eles abandonavam o projeto em pouco tempo. Quando a dupla de amigos já estava desanimada ao ponto de encerrar de vez o projeto, eis que Pavel Kozlov entra em contato se mostrando altamente interessado na vaga. A salvação chegou e o Molchat Doma enfim toma o formato que conhecemos hoje em 2017.

Em meio a tantos estilos musicais que a dupla Egor/Roman já haviam testado, o Pós-Punk vingou como sonoridade definitiva do Molchat Doma. Já foi citado neste texto que ambos eram fãs de Depeche Mode, mas Roman, principal arranjador do grupo, também cultivava um forte apreço pelo Kino, um dos principais nomes do Rock russo de todos os tempos e que praticava um Pós-Punk frio e introspectivo.

O trio produziu e lançou de forma independente seu álbum de estreia, S’Krish Nashik Domov (Dos Telhados de Nossas Casas) ainda em 2017, com nove faixas que traziam um som empoeirado, abafado, com sintetizadores que remetiam a época de ouro do Synthpop e do New Wave, guitarras com melodias frias cobertas de reverb, baixo hipnotizante e vocais soturnos que pareciam ter sido gravados do fundo de um porão de algum prédio setentista de Minsk. Um som realmente dançante e sombrio ao mesmo tempo, sovieticamente arquitetado. O álbum chamou a atenção de Davide, o responsável pela gravadora alemã Detriti Records. Davide entrou em contato com o Molchat Doma através do Soundcloud, oferecendo a oportunidade de lançar S’Krish Nashik Domov em formato de fita cassete. A oferta foi aceita pela banda e o lançamento rapidamente se esgotou.



Mais uma oferta foi feita pelo italiano radicado na Alemanha, Davide. Lançar o segundo álbum do Molchat Doma em vinil. Desta vez o trio bielorrusso ficou apreensivo, pois eles nem sequer sabiam se teriam condições de registrar um segundo álbum. Apesar da incerteza, o grupo se manteve confiante e resolveu aceitar a oferta da gravadora alemã, o que possibilitou a gravação de Etazhi (Pisos), lançado em 2018.

Apesar de serem músicos talentosos e criativos e de terem uma imagem bastante chamativa, tudo isto não bastou ainda para que o Molchat Doma se lançasse aos píncaros da glória. Um pouco de sorte também se fez essencial para que os garotos de Belarus se tornassem a nova sensação do Pós-Punk. Os vídeos com as canções do grupo começaram a se tornar bastante divulgados e assistidos no YouTube. Foi através deste forte engajamento na internet que o Molchat Doma chamou a atenção dos americanos do Drab Majesty, que alimentou a vontade de tocar na Europa junto aos bielorrussos. O Drab Majesty tratou de entrar em contato com seu agente de shows na Europa para falar sobre o Molchat Doma e sobre a possibilidade de a agência também apoiá-los. O agente foi até Berlim testemunhar pessoalmente uma apresentação do Molchat Doma, desta feita no festival Pop-Kultur de 2019. Ao chegar lá, o que o agente presenciou foi um trio formado por um vocalista bigodudo e altamente empolgado com danças estranhas, um guitarrista que verdadeiramente se inebriava viajando em seus próprios solos e um baixista que mais se parecia um músico escandinavo de Heavy Metal, mas que dançava animadamente ao ritmo sincopado de seu baixo. Este trio tocava suas ótimas composições de forma coesa e segura, conquistando assim todo aquele público que, junto ao agente, testemunhavam aquele concerto. Depois foi só questão de tempo para que o agente e os garotos de Belarus assinassem uma parceria que permitiu ao trio rodar toda a Europa e até mesmo os Estados Unidos desde então.

Lembra da apreensão pela qual a banda passou antes de gravar seu segundo álbum, Etazhi? Pois bem. Etazhi já foi vorazmente devorado das lojas físicas cinco vezes. Atualmente o trabalho já está em sua sexta prensagem, a qual provavelmente terá o mesmo destino das cinco anteriores. Etazhi traz ainda a mesma essência fria e dançante do debut, porém com uma melhor produção e qualidade de som graças ao aporte da gravadora Detriti.


Não nos esqueçamos que o Molchat Doma é de Belarus, país governado com mãos-de-ferro por Alexander Lukashenko (sim, o mesmo que disse que o Coronavirus pode ser tratado com vodka e saunas) em mandatos consecutivos desde 1994 e que faz questão de resguardar tradições soviéticas até hoje. Se essas tradições se restringissem a pesada arquitetura, tudo bem. Contudo, tais costumes vão desde práticas econômicas até repressão e censura. Para alguma banda local poder tocar ao vivo no país, é necessário requisitar uma prévia autorização ao regime local, que verificará o histórico, as letras e até a imagem do grupo. Caso a autorização seja negada, representantes do regime bielorrusso vão até o local onde a apresentação aconteceria para verificar se realmente o show não ocorreu. O Molchat Doma já experimentou essa censura algumas vezes, muito embora eles afirmem que pouco se preocupam com política e que suas letras quase não abordam o assunto. Todavia, o Molchat Doma é presença frequente na emissora local de TV Belsat, que se intitula independente e com a missão de enaltecer a cultura bielorrussa, bem como em rádios.

O reconhecimento que falta em Belarus vem sendo ricamente recompensado fora de lá, em toda a Europa e em todo o mundo. O Molchat Doma é atualmente uma das principais representantes do estilo e muito deste sucesso se deve a sua personalidade, sua empolgante, fria e única sonoridade, trabalho duro, imagem reconhecível e, não faz mal reconhecer, uma pitada de sorte. Ora com guitarras e com baixo na direção do Coldwave, ora nos sintetizadores que os conduzem ao Synthpop/New Wave, o Molchat Doma se sai bastante competente em cada direção que resolve adotar, sempre guiados pela bateria eletrônica de timbres nostálgicos e simples. Não obstante a salada de influências, o grupo cria uma música consistente, homogênea e empolgante. Mais que isso, o Molchat Doma é responsável por uma atmosfera mágica e inebriante que, mesmo tendo uma coloração cinzenta e triste tal qual os prédios de Minsk, empolga e faz alegrar qualquer fã e ouvinte.

Ligue seu som e não permita que sua casa fique silenciosa ante ao poder frio do Molchat Doma.


sábado, 11 de abril de 2020

Crise de Covid-19 faz importantes eventos góticos brasileiros mudarem de data




São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se aproximam.

Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa, que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de 2020 adiadas para o ano que vem.

A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition, a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em 2021 junto às bandas já asseguradas.

“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic 2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus Christi.

Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos, Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival ( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais: a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial, Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A NOVA DATA!!!”


Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable, os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:

“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia) tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.

A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros, certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma recessão.

Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1 ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de todo o Brasil.”


Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.

Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.

Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.





sábado, 4 de abril de 2020

Resenha: These Dark Trails - Epiphany (EP, 2020)



EPIPHANY - THESE DARK TRAILS (EP, independente, 2020)

Tracklist:
01. Elixir
02. By Actions And Concepts
03. Almost
04. Void
05. Denial

Line-up:
Bruno Cassoni - todos os instrumentos


Texto: Bruno Rocha

These Dark Trails é um novo projeto capitaneado pelo músico Bruno Cassoni, que possui em seu currículo trabalhos com as bandas Songs of Oblivion, da qual é guitarrista, Feralia, Neon, HELP e Gray Souvenirs. O músico resolveu desafiar a si mesmo criando este projeto onde ele é o único integrante, praticando assim o conhecido formato “one-man band”.

A proposta do These Dark Trails é tocar um Black Metal na linha mais depressiva do estilo, como ensinado pelo Burzum e pelo Strid ainda nos anos 90, com letras que tratam das visões do autor sobre a vida e sobre os seus sentimentos. Junto a essas óbvias influências, o Black Metal do These Dark Trails também deixa transparecer momentos que nos remetem ao Post Black Metal e mesmo ao Blackgaze, muito embora o estilo preconizado pelo Alcest não emerja tanto em meio aos arranjos criados e tocados unicamente por Bruno.

O projeto fez sua estreia recentemente com o EP Epiphany, que é composto por cinco faixas que completam confortáveis 18 minutos de duração, o que é perfeito para se ouvir e absorver em meio ao frenético cotidiano da atualidade (considerando-se a normalidade afora a era Covid-19). O These Dark Trails mostra o seu cartão de visitas com Elixir, onde uma levada soturna conduzida por uma guitarra limpa e vocais limpos distorcidos são sucedidos por um momento mais pesado e perturbador. By Actions And Concepts dá continuidade ao trabalho na mesma pegada, mas incluindo em sua metade uma passagem com sons estranhos, quase industriais.

Almost é instrumental e serve para descansar o ouvinte da forte melancolia erguida pelas duas faixas anteriores; para tanto, teclados com timbres etéreos, acordes na guitarra em chorus e até mesmo um solo servem para este propósito. Void traz consigo guitarras de timbre bastante distorcido misturadas a outra com timbre limpo, criando assim uma atmosfera ao mesmo tempo asfixiante e confortável. Ponto aqui para o ótimo trabalho de mixagem feito pelo próprio Bruno em seu home-studio, batizado de Obscure Room. Um riff Doom Metal surge em Denial, faixa que encerra os trabalhos com uma forte e inclemente carga maligna.

Cabe repetir algo que já foi dito aqui por conta de sua importância: o trabalho de mixagem feito por Bruno é digno de ser tirado chapéu. Não é fácil misturar timbres limpos e distorcidos de guitarras em um mesmo arranjo e deixar ambos bem audíveis, sem que um invada demasiadamente o espaço do outro. São detalhes como esses, além é claro do talento do músico em criar músicas dentro do estilo proposto, que podem levar o These Dark Trails a ser um dos principais representantes do Depressive Black Metal no Brasil daqui há um tempo. O projeto não traz nada novo dentro do estilo, mas as músicas por ele criadas são honestas, sinceras e muito bem trabalhadas. Isso já conta bastante ponto para uma nova banda que queira se destacar. O EP Epiphany foi um ótimo primeiro passo para se alcançar este objetivo, caso assim Bruno o queira.