Está marcada para a próxima quarta-feira (01/07), amanhã, a próxima entrevista ao vivo do blog The Atmosphere! O convidado da vez
será o músico carioca Anderson Morphis, importante figura do underground
do Rio de Janeiro.
Morphis atualmente está a frente de vários projetos musicais,
tais como O Quarto de Helena (folk/darkwave), Bosque Lunar
(Medieval), Mortiferik (Death/Doom Metal) e Harmony Hate (Death
Metal). Em O Quarto de Helena, ele divide as responsabilidades do projeto com sua
esposa Andressa Costa e com Fabiano Sousa, conhecido pelo seu
trabalho a frente do Última Dança. Além de seus projetos musicais,
Morphis é o apresentador, juntamente também com Andressa, do programa Sons
do Apocalipse, que vai ao ar através da webrádio Soturna Sintonia.
Esses e outros assuntos serão destaques da conversa, que será conduzida pelo apresentador
de sempre, Bruno Rocha, o Escriba deste humilde blog.
A entrevista com Anderson Morphis acontecerá a partir das
19:00 em live no instagram do blog The Atmosphere. Não perca! Adentrem a
Atmosfera!
Entrevista com Anderson Morphis (O Quarto de Helena, Mortiferik)
Data: 01 de julho (quarta-feira) Horário: 19:00 Onde?: Instagram do blog The Atmosphere ( @blogtheatmosphere )
O Soft Cell está de volta (mais uma vez) para, enfim,
lançar material inédito. O anúncio foi feito por Dave Ball, tecladista
do duo, em entrevista ao Associated Press.
Ball afirmou que ele e o vocalista Marc Almond estão
trabalhando remotamente em novas composições para o Soft Cell. Este novo
material deve ser lançado em 2021 e será o primeiro trabalho de inéditas do duo
desde Cruelty Without Beast, de 2002.
Entre diversas idas e vindas, o Soft Cell havia se reunido pela
última vez em 2018 para um único show na Arena O2 em Londres com o intuito de
rememorar os quarenta anos do duo. Recentemente, Dave Ball lançou sua autobiografia
Electronic Boy: My Life In And Out Of Soft Cell.
O Soft Cell foi fundado em 1977 na cidade inglesa de Leeds e
se tornou uma das principais representantes do Synthpop oitentista muito embora
o duo tenha passado por um fim precoce em 1984. Neste período foram lançados três
full-lengths e um EP. Uma breve reunião aconteceu entre 2001 e 2003, na qual
foi composto e lançado um quarto full-length.
O blog The Atmosphere... continua a sua série de entrevistas
pelo Instagram na próxima quarta-feira, 17/06. Os convidados da vez serão Wilame
AC e Hansen Pessoa, integrantes do duo paraibano de Electro/Future/Synthpop
Electro Bromance.
A entrevista será feita com um integrante de cada vez, tendo
em vista que o Instagram não permite que mais de duas pessoas participem de uma
live simultaneamente. Além de assuntos relacionados ao Electro Bromance, a
conversa também abordará aspectos individuais das carreiras dos dois
integrantes, que já passaram por diversos projetos musicais que vão da música
eletrônica até o Death/Doom Metal. Outros assuntos poderão surgir durante a conversa,
que será guiada por Bruno Rocha de maneira espontânea e sincera e na
qual os espectadores poderão participar com perguntas além da própria
audiência.
A entrevista com o Electro Bromance começará às 19:00 no Instagram
do blog The Atmosphere... ( @blogtheatmosphere ). Não percam! Sintam-se convidados
a adentrar na Atmosfera!
Entrevista com Electro Bromance
Data: 17 de junho (quarta-feira) Horário: 19:00 Onde? Instagram do blog The Atmosphere... ( @blogtheatmosphere )
Dois dos mais influentes bateristas do Pós-Punk e do Rock
Alternativo em geral anunciaram recentemente que estão trabalhando em um
projeto em conjunto. Lol Tolhurst e Peter Edward “Budgie” Clarke,
respectivamente ex-bateristas do The Cure e do Siouxsie And The
Banshees, divulgaram que estão trabalhando em um novo projeto em conjunto
chamado LXB. O anúncio foi feito em entrevista que ambos concederam ao programa Volume West, da rádio norte-americana Sirius XM, no último dia 22 de
maio.
Tolhurst e Budgie estavam como convidados do referido
programa, acontecido no Dia Mundial Gótico, para contar detalhes dos primeiros
anos de suas duas bandas e também sobre o Batcave. Sobre o projeto LXB, os
bateristas afirmaram que ele surgiu na verdade como um trio, o qual era
complementado pelo também baterista Kevin Haskins (Bauhaus, Tones On
Tail, Love And Rockets). Enquanto eles estavam compondo as primeiras ideias do
LXB, Haskins precisou deixar o projeto tendo em vista o retorno aos palcos com
o Bauhaus. Mesmo assim, Tolhurst e Budgie admitem que Haskins pode sim fazer parte
das gravações da estreia do LXB.
Sobre esta estreia, os bateristas preveem que ela será
lançada próximo ao fim deste ano, já que eles querem ter certeza que poderão
excursionar promovendo o álbum em 2021, quando espera-se uma amenização dos
efeitos da pandemia de COVID-19.
Os músicos também afirmaram que, por se tratar de um projeto
capitaneado por dois bateristas, as composições do LXB tendem a ter um foco no
ritmo e que, em vários momentos, as músicas podem lembrar uma mistura dos
primeiros trabalhos do The Cure com The Creatures, duo experimental de
Budgie com Siouxsie Sioux.
Lol Tolhurst foi um dos membros-fundadores do The Cure em
1976 e por lá tocou até 1989. Depois, focou seus esforços nas bandas Presence
e Levinhurst antes que ele se reunisse com o The Cure para alguns shows
em 2011 tocando os três primeiros álbuns da banda na íntegra. Já Budgie foi
baterista do Siouxsie And The Banshees de 1979 até 1996. Sua parceria com a
cantora Siouxsie Sioux se estendeu para além da banda, ensejando a criação do
The Creatures, projeto dos dois focado em experimentações com vocais e
percussão. Ambos foram casados de 1991 até 2007. Budgie também já prestou
serviços para diversos músicos como Hector Zazou, Jessie Evans, John Cale
(The Velvet Underground) e John Grant (The Czars) e também para as bandas Indigo
Girls, Juno Reactor e Efterklang.
A partir desta semana, nascerá a encarnação audiovisual deste
distinto blog, o THE ATMOSPHERE. Começaremos uma série de entrevistas ao vivo
pelas redes sociais do blog, sempre com a apresentação de Bruno Rocha,
este que sempre vos fala através dos textos deste canal.
Certo, lives já existem aos montes, ainda mais durante estes
tempos de pandemia, nos quais as lives tem se tornado um dos principais meios
de entretenimento. As entrevistas do blog The Atmosphere reunirão artistas e
pessoas envolvidas com a música obscura nacional, englobando o Pós-Punk, o
Gothic Rock, o Darkwave, o Doom Metal e todas as suas vertentes. As conversas
terão sempre um teor espontâneo e natural, características costumeiras para
quem já conhece a figura de minha pessoa, e acontecerão quase sempre através do
Instagram do blog, @blogtheatmosphere . Digo “quase sempre”, pois se algumas
entrevistas no futuro acontecerem com mais de um convidado por vez, a transmissão
será migrada para o YouTube e para o Facebook.
Teremos a honra de receber como primeira entrevistada do
blog The Atmosphere Juliana Weyne, cantora, atriz, dançarina e produtora
que atua em Fortaleza como vocalista, dentre outros projetos, do grupo de
Gothic Rock Maldigo. e como uma das responsáveis pela Underdark
Produções, que atua na fomentação da cultura Dark em Fortaleza. A
entrevista abordará vários aspectos da carreira de Juliana numa conversa
espontânea e sincera na qual os espectadores poderão participar com perguntas
além da própria audiência.
A entrevista com Juliana Weyne acontecerá na próxima
quarta-feira, 03/06, a partir de 19:00, no INSTAGRAM do blog (
@blogtheatmosphere ). Contamos com a audiência, a participação e o apoio de
todos vocês para este novo projeto. Sintam-se convidados a adentrar na Atmosfera!
Entrevista com Juliana Weyne (Maldigo.)
Data: 03 de junho (quarta-feira) Horário: 19:00 Onde?: Instagram do blog The Atmosphere ( @blogtheatmosphere )
O Lebanon Hanover divulgou hoje mais uma nova música,
Shatter Matter. A mesma faz parte do novo single do duo, The Last
Thing, que foi lançado oficialmente no último dia 30 de maio.
A nova música completa o tom de melancolia prenunciado pela
faixa-título do single, mas desta vez com um ritmo bem mais lento e soturno que
toma conta do ambiente, tudo isso complementado pela intepretação sofrida de
William Maybelline. Chega a lembrar, em alguns momentos, o trabalho-solo do
mesmo, QUAL.
O single The Last Thing é um prenúncio do sétimo álbum completo do Lebanon Hanover, o qual sucederá Let Then Be Alien (2018) e que
se espera que seja lançado ainda em 2020 através da gravadora Fabrika Records. A versão física de The Last Thing, limitada a 1000 cópias, já foi toda comprada no período de pré-venda. Entretanto, se você ainda se interessa em adquiri-la com alguma esperança, algumas poucas cópias ainda podem ser solicitadas pelo Bandcamp da Fabrika Records.
Confira no player abaixo a nova música do Lebanon Hanover, Shatter
Matter. Lebanon Hanover é Larissa Iceglass (vocais, guitarras, programação)
e William Maybelline (vocais, contrabaixo, programação).
O duo paulista Days Are Nights está de volta após um
período de hiato. Neste tempo em que a banda esteve em off, Dennis Sinned
esteve envolvido com outros projetos tais como 1983, População Zero e Mateamargo.
Agora, Dennis, junto com Brunno dos Santos, acorda novamente o Days Are
Nights já com um novo lançamento, a coletânea Autarquia Sem Glamour
(2005-2020).
Esta coletânea foi lançada no último dia 15 de maio através
do selo Paranoia Musique em parceria com a Dissonância Magnética
e marca o aniversário de 15 anos do duo. As 18 faixas que compõem a coletânea
foram retiradas de cada um dos cinco álbuns já lançados pelo Days Are Nights,
desde o debut Sounds Of The End (2006), até o lançamento de inéditas
mais recente, O Encontro Entre Nicolas Flamel E A Garota Que Violava Corpos
(2015).
O Days Are Nights conquistou uma sólida reputação no cenário
underground paulista e nacional graças ao seu som característico que mescla
elementos do Pós-Punk e do Coldwave. O duo já participou de diversos eventos
Brasil afora, incluindo o importante Woodgothic Festival, e teve sua música sendo
reconhecida inclusive no exterior, tendo em vista o lançamento europeu do álbum
Eu Te Vejo Dormir Enquanto O Tempo Nos Mata (2008) e a crítica feita
pelo renomado jornalista Mick Mercer, referência da música gótica mundial.
Dennis e Brunno prometem voltar não só com lançamentos, mas
também aos palcos, assim que os reflexos da pandemia de Covid-19 tornem
possíveis o retorno das pessoas ao convívio social. Enquanto isso não,
acontece, a banda em parceira com o selo Paranoia Musique disponibiliza a coletânea
Autarquia Sem Glamour (2005-2020), bem como todo o restante do catálogo
do duo, nas plataformas digitais. Ouça pela sua plataforma preferida.
Confira no player abaixo um vídeo-teaser de Autarquia Sem
Glamour (2005-2020) e, mais abaixo, a capa da coletânea, criada por Diego de Oliveira.
O Paradise Lost lançou recentemente o seu
décimo-sexto álbum de estúdio, Obsidian, pela gravadora Nuclear Blast e
com distribuição brasileira pela Shinigami Records. Obsidian representa
um marco na discografia da banda formada por Nick Holmes (vocais), Gregor
Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras), Stephen Edmondson
(contrabaixo) e Waltteri Wäyrynen (bateria) por ser um dos registros
mais pesados e melancólicos do grupo nos últimos tempos. Coincidentemente, este
álbum foi lançado num dos períodos mais negros e tristes da história recente da
humanidade com a pandemia de Covid-19. Em entrevista exclusiva ao blog THE ATMOSPHERE..., o guitarrista e principal compositor Gregor Mackintosh deu detalhes
sobre o novo álbum do Paradise Lost, falou o que vem fazendo durante o
isolamento social e explicou seu leque de influências oriundas do Gothic Rock,
estilo que apareceu com proeminência em Obsidian, tudo isso dentre outros
assuntos.
Olá, Gregor! Em primeiro lugar, gostaria de te agradecer por
sua disponibilidade para responder estas perguntas e espero que você esteja bem
e com saúde. Como tem sido sua rotina e seu trabalho durante a pandemia? Este período
negro e de incertezas pelo qual o mundo passa tem influenciado você
musicalmente de alguma forma?
Gregor Mackintosh: Eu estou bem, obrigado. A maior
parte do meu tempo durante a pandemia tem consistido em promover o novo álbum
do Paradise Lost. Além disso eu tenho lido muitos livros, assistido muitos
filmes e ouvindo muita música. Criativamente eu comecei a trabalhar em novas composições
para meu projeto paralelo, o Strigoi. Somente o tempo nos dirá se esse material
virá inspirado por elementos da atual situação.
Falemos então sobre o novo álbum. Obsidian apresenta, de
uma maneira mais evidente comparado com os outros álbuns lançados na última
década, elementos de Rock Gótico oitentista. Em vários momentos podemos perceber
arranjos que nos remetem a The Sisters Of Mercy, The Cure e Dead Can Dance, não
apenas na música Ghosts, onde essas influências estão mais óbvias. Esse
direcionamento foi planejado antes que os trabalhos para a concepção de
Obsidian começassem?
Gregor: Influências não foram discutidas antes que começássemos
a compor para o álbum. Nós apenas concordamos que deveria ser mais variado em
relação ao lançamento mais recente (Medusa, 2017). Nós trabalhamos em uma música de cada vez e
isto acabou nos levando a diferentes caminhos. O que me inspira em qualquer dia
é o pontapé inicial para começar uma música, mas à medida em que trabalhamos
nela, ela pode seguir por um caminho ou pode seguir por outro. Nós temos várias
versões diferentes para cada música em qualquer momento e escolhemos depois por
qual caminho seguir. Isso fez com que o processo de composição acabasse por ser
divertido, apesar de que isso soe de qualquer forma, menos divertido.
A performance de Waltteri Wäyrynen na bateria me chamou
bastante a atenção. Talvez este tenha sido o mais técnico trabalho de bateria
da história da banda, com várias conduções nos tons, viradas criativas e “ghost-notes”
no caixa. Como compositor principal, você o orienta como você quer que a
bateria soe em cada música ou ele tem completa liberdade para criar?
Gregor: Eu costumo ter a bateria bem próxima do que
eu quero que ela seja, de modo que ele entende isso ao mesmo tempo que tem alguma
liberdade artística. O melhor sobre Waltteri é que sua tocada na bateria pode
cobrir vários estilos diferentes. Isto torna as coisas muito fáceis pra mim
quando eu tento explicar o que eu estou buscando em uma música. Sutileza e
dinâmica estavam bem em evidência na minha mente quando conversamos sobre isso
antes das gravações.
Este é o terceiro álbum do Paradise Lost gravado em parceria
com o produtor Jaime Gomez Arellano no Orgone Studio, o qual ele é dono. No
passado vocês também trabalharam com Jens Bogren, Rhys Fulber e e Simon Efemey,
dentre outros. Como tem sido trabalhar com Jaime e o quão importante é para o Paradise
Lost, uma banda que preza por uma sonoridade bastante característica e repleta
de influências, ter um produtor de fora da banda para direcionar as gravações além
dos aspectos técnicos?
Gregor: Tivemos uma grande experiência de aprendizado
com cada produtor com quem nós trabalhamos. Rhys realmente nos trouxe foco e crença
em nós mesmos. Jens nos ensinou sobre trabalhar com precisão. Nos anos mais recentes nós não
precisamos realmente de um produtor para nos guiar. Nós apenas precisávamos de
alguém para captar o som da banda com o melhor equipamento e com um grande
entendimento do que nós estávamos tentando alcançar. E Gomez tem sido o cara
para este trabalho. Ele é realmente talentoso em ajudar o artista a expressar o
que eles precisam e não somente em focar na técnica.
Aaron Aedy, Stephen Edmondson, Nick Holmes, Gregor Mackintosh e Waltteri Wäyrynen
De Dooms pesados até Gothic Rock’s animados, o Paradise
Lost explorou em Obsidian vários elementos musicais que construíram a discografia
da banda durante as últimas três décadas sem abrir mão da melancolia, do peso,
da miséria e de certa imponência em cada uma das músicas. Como vocês lidam com
criar uma música tão homogênea e com uma forte personalidade mesmo com a grande
variedade de influências com as quais vocês trabalham?
Gregor: Eu acho que isto vem de anos aprimorando
nosso trabalho. Nós compomos e tocamos de um modo que não é mais de uma maneira
consciente. Eu amo aprender, experimentar e me inspirar pelas mais diferentes
coisas, mas quando tudo isso entra no caldeirão do Paradise Lost, o resultado é
único de uma certa maneira.
No primeiro press-release divulgando Obsidian, a banda
declarou que este álbum seria o mais eclético em muito tempo. Dado o
direcionamento mais pesado que o Paradise Lost tomou nas últimas duas décadas,
mais notadamente na última, eu não esperava que arranjos mais acessíveis, como
os vistos em Host, por exemplo, estariam de volta com vocês. Com o Vallenfyre e
agora com o Strigoi, você tem extrapolado sua vontade de tocar um Death Metal
cru e sujo, que é outra forte influência de suas composições. Você planeja ou
pelo menos tem vontade de tocar algo mais direcionado ao Gothic Rock ou ao
Darkwave novamente em algum projeto paralelo no futuro, seja de um modo mais
orgânico lembrando The Cure ou mesmo com um direcionamento eletrônico como
visto em Host?
Gregor: Eu estive pensando em fazer isso durante
vários anos mas eu nunca senti que havia chegado a hora certa. Eu tenho várias partes
de música nesse estilo que eu fui criando ao longo dos últimos 20 anos, mas eu
nunca estive convicto que essas ideias eram boas o suficiente. Talvez algum dia
eu encontre inspiração para completar um álbum nesse estilo.
Eu imagino que existem diferentes períodos em sua vida
onde você tem mais vontade de ouvir Death e Doom Metal e outros onde sua vontade
de ouvir Gothic Rock é mais forte. Como guitarrista e compositor, quais músicos
da cena Post Punk/Gótica oitentista você mais gosta de ouvir e como eles te
influenciam na hora de compor e de tocar?
Gregor: Tem vários. Siouxsie and the Banshees, The
Sisters of Mercy, Southern Death Cult (The Cult), Christian Death, a fase inicial
do The Cure, Bauhaus, Depeche Mode, Dead Can Dance... Todas estas bandas tem
diferentes elementos que eu admiro e que me inspiram de várias maneiras. Lisa
Gerrard e Brendan Perry (Dead Can Dance) são os mestres da fluidez e da dinâmica,
indo do mais silencioso sussurro até o crescendo mais bombástico. Gore (Martin,
Depeche Mode) compõe os sucessos mais pegajosos. Robert Smith (The Cure) e
Siouxsie me ajudaram a compreender as sutilezas para criar paisagens sonoras.
Sisters me mostrou que simplicidade pode as vezes ser melhor. Mas todas estas
bandas pintam imagens com suas músicas e é isto que eu almejo fazer.
Para finalizar esta entrevista, mate-me uma curiosidade a
qual você é uma das únicas pessoas no mundo que podem fazer isso. Exceto pelo
baterista, o Paradise Lost mantém a mesma formação desde o começo há 32 anos
com você, Nick, Aaron e Stephen. Qual é o segredo para manter uma formação tão
longeva e conectada apesar de tantos acontecimentos e de mudanças de
sonoridade?
Gregor: Nós compartilhamos do mesmo estilo de vida ao
longo de nossos crescimentos. Viemos de uma classe trabalhadora, do Norte da
Inglaterra, com estas perspectivas humildes e com um senso de humor autodepreciativo.
Nenhum tipo de ego pode sobreviver neste tipo de ambiente e o ego é o que
costuma acabar com várias bandas.
O blog agradece a Karina Somacal e a equipe Shinigami Records pelo valioso apoio.
OBSIDIAN - PARADISE LOST (Nuclear Blast, Shinigami Records, 2020)
Tracklist:
01. Darker Thoughts
02. Fall From Grace
03. Ghosts
04. The Devil Embraced
05. Forsaken
06. Serenity
07. Ending Days
08. Hope Dies Young
09. Ravenghast
10. Hear The Night (faixa-bônus)
11. Defiler (faixa-bônus)
Line-up:
Nick Holmes - vocais
Gregor Mackintosh - guitarra-solo
Aaron Aedy - guitarra-base
Stephen Edmondson - contrabaixo
Waltteri Wäyrynen - bateria
Texto: Bruno Rocha
O camaleão é aquele réptil escamado bastante peculiar que
possui entre as suas características a habilidade de mudar sua cor a depender
do ambiente em que está, como forma de adaptação e de camuflagem. Costumo
chamar de “camaleão” aquela banda que transita por várias sonoridades ao longo
de sua discografia, de preferência sempre apresentando exímia competência em
cada uma delas. Tá, eu sei, “camaleão” não o termo mais original para designar esse
tipo de banda. Mesmo assim, considero-o bastante valioso tendo em vista que ele
serve de referência para ninguém menos que David Bowie.
Não preciso ficar explicando para quem conhece o Paradise
Lost que a banda inglesa já percorreu sonoridades com pouca coisa em comum
entre si. Só falta para eles praticar um som alegre ou farofa, algo que tenho certeza
que nunca ocorrerá dado o histórico e as influências de seus integrantes.
Dentro do espectro da música obscura, os extremos da musicalidade do Paradise
Lost vão do Death/Doom podre e nauseabundo de seu debut Lost Paradise (1990)
até o Darkwave eletrônico, dançante e “depechemodiano” de Host (1999),
sendo que nos outros álbuns o grupo transitou como uma partícula em linha reta
onde ora eles estavam mais próximos de um extremo, ora de outro. Atualmente, a
banda liderada por Nick Holmes (vocais) e Gregor Mackintosh
(guitarras) está mais próxima do Death/Doom novamente, muito embora não naquele
nível lamacento de Lost Paradise. Muito pelo contrário. A banda soube
filtrar os elementos positivos de cada uma de suas experiências musicais,
misturá-los e criar uma solução homogênea onde o peso do Death/Doom caminha harmoniosamente
com a essência melódica, a atmosfera densa e os elementos góticos, solução essa
única e particular que facilmente acusa o som do Paradise Lost.
Parece que a banda atingiu ao ápice desta experiência com
seu mais recente lançamento, Obsidian, disponibilizado oficialmente no
último dia 15 de maio via Nuclear Blast e distribuído no Brasil pela Shinigami
Records.
Obsidian faz questão de exprimir em suas músicas cada
elemento que fez a história da banda ser o que é com uma fluência absurdamente
e miseravelmente natural. Em relação aos álbuns mais recentes, o Paradise Lost
resolveu saltar de forma mais pungente as influências góticas oitentistas dos
integrantes, notadamente de seu guitarrista-solo e principal compositor, Gregor
Mackintosh. Quando a banda divulgou o comunicado oficial do lançamento de Obsidian,
eles prometeram que estariam disponibilizando o álbum mais eclético e variado em
muito tempo. Não, eles não voltaram a tocar música eletrônica de Host. Além
disso, Doom’s pesados se aliaram com peças góticas para forjar Obsidian.
Nick Holmes balanceou quase que de forma igualitária seus vocais guturais com suas
linhas limpas, estas ora cantadas numa altura barítona, ora cantadas em graves
profundos. Gregor Mackintosh resolveu explorar mais os recursos de sua pedaleira
lançando mão de muitas combinações de timbres limpos que colorem a atmosfera
soturna das músicas. As guitarras de Aaron Aedy estão pesadíssimas e suas
bases cumprem com o papel de sempre que é criar uma muralha fortíssima de som,
rebocada com o baixo distorcido e gordurento de Stephen Edmondson. Waltteri
Wäyrynen, o baterista da vez... Bem, sobre ele falarei no decorrer deste ensaio
crítico.
Darker Thoughts, com sua intro acústica e seu clímax
pesado, lembrando a faixa-título de Faith Divide Us, Death Unites Us e Victim
Of The Past, constrói uma atmosfera negra, triste e mortal para derrubar os
sentimentos do ouvinte já na primeira faixa. Os guturais de Holmes no refrão
parecem condenar aqueles que o escutam a padecer eternamente naquele mundo
cruel e doloroso imaginado pela música, enquanto os momentos leves com
guitarras limpas se assemelham a um céu escuro e nevoento onde o condenado reflete
cheio de remorso acerca de sua miserável vida pregressa. O lado Death/Doom pede
passagem em Fall From Grace, vide os tons utilizados e as bases cortantes
de Aaron Aedy nas seções lentas. O ritmo se intensifica e se torna mais
empolgante sob os comandos insistentes de Nick Holmes nos quais ele afirma que
todos nós estamos sozinhos. De repente, você se vê batendo palmas seguindo o
ritmo do bumbo de Waltteri Wäyrynen. Mas não, você não foi transportado para o
Madame Satã nem para o Wave Gotik Treffen; é que a música Ghosts é um Rock
Gótico em sua essência, daqueles ensinados pelo The Sisters Of Mercy, mas
pesado e temperado com uns acordes estranguladores em sua metade. Nick Holmes
canta grave e as guitarras de Gregor Mackintosh ganharam contornos oitentistas.
Até mesmo o baixo de Stephen Edmondson foi embebido num flanger. Mas eu queria
ver esse baixo com chorus assim como o Cocteau Twins fazia.
Acabou a festa e é hora de relembrar que você é um ser humano
imundo e triste. The Devil Embraced traz para si a responsabilidade de
te lembrar isso com seu ritmo arrastado, teclados soturnos, fraseado de
guitarra triste e Nick Holmes a sussurrar. As bases cortantes de Aaron Aedy
servem de cama para Mackintosh mais uma vez experimentar com timbres limpos
melodias que mais parecem nuvens plúmbeas. As influências góticas, desta vez
mais imponentes e catedráticas ao estilo Dead Can Dance, emergem novamente na
pesada e introspectiva Forsaken. Quem dá um show aqui é o baterista finlandês
com nome de piloto de Fórmula 1, que não poupa seu kit com viradas ubíquas e ghost
notes no caixa, pena que isso se torna um sério problema mais na frente. Serenity
começa pesada e imponente antes de seu ritmo um pouco mais acelerado tomar
conta do espaço conduzindo um solo “nwobhmiano” de Gregor Mackintosh. O groove
das palhetadas para baixo acompanhadas do bumbo da bateria empolgam e elevam a
alma a um estágio mais forte. Ending Days traz calma novamente ao álbum
com timbres e arranjos etéreos, vocais limpos e mais um solo de bateria de
Waltteri. Destaque-se após a metade a ótima melodia de guitarras tendo no baixo
de Edmondson a única segurança sonora.
As duas últimas faixas revigoram novamente aquele saudosismo
dos anos 90 sem deixar de lado as características atuais da banda. Hope Dies
Young é mais uma peça gótica soturna e estonteante, com destaque para a
ponte cantada antes do refrão. No lugar de um solo propriamente dito, Gregor resolve
enublar o ambiente com uma melodia na região mais aguda da guitarra com um
timbre que lembra coisas já feitas pelo The Cure. O álbum se encerra com a miserável
e terrível Ravenghast. O deslizar das palhetas no braço das guitarras
prenuncia que um Doom Metal pesadíssimo chega para acabar com qualquer resquício
de sanidade e felicidade da mente do ouvinte. Para tal intento, a mesma não
abre mão de variar e de acelerar seu ritmo no final. Mas a base do refrão
lembra bastante o riff principal de End Of The Beggining, do Black
Sabbath.
Recobrando a consciência aos poucos após o término de Obsidian,
constato que sim, o Paradise Lost atingiu um pico de excelência dentro de sua
proposta musical após a última década e, provavelmente, em muito tempo. Não que
Mackintosh e cia. já não tenham atingidos picos de excelência antes, mas das
outras vezes em que tal objetivo foi alcançado, a banda estava em outras “vibes”
musicais. Também, Obsidian não é a perfeição em forma de álbum assim
como Draconian Times (1995), o melhor e mais belo álbum de Heavy Metal
de todos os tempos. Faltou uma música mais rápida aos moldes de Pity The
Sadness ou, indo mais além, de Terminal. Além disso, um detalhe me
pareceu bastante chato ao longo da audição do álbum: a bateria de Waltteri
Wäyrynen. Não se pode negar que o finlandês é um músico bastante técnico e
capacitado. Todavia, Waltteri praticou em boa parte de Obsidian aquilo que
eu poderia chamar de “masturbação técnica”, quando o músico profere uma técnica
absurda muito além do necessário. Querendo ou não, o Paradise Lost é uma banda
de Doom Metal em sua essência. É necessário introspecção e calma para se absorver
bem a atmosfera fria e melancólica típica do estilo (principalmente quando esse
Doom é tocado pelos reis do estilo), algo que é facilmente quebrado por uma
bateria técnica além do necessário. Já estava dando no saco conduções em tons e
viradas com milhões de notas em quase todas as faixas. Deu saudades do Lee
Morris e do Jeff Singer (que o My Dying Bride está aproveitando bem) nesse sentido. Não entendo porque Hear The Night,
um Doom Metal maravilhoso onde Waltteri toca com consciência, não entrou na
versão regular do álbum. Defiler sim, destoa bastante e sua posição como
faixa-bônus foi muito bem entregue.
A banda mais uma vez arrendou os serviços de Jaime Gomez
Arellano para a cuidar da produção e de toda a parte técnica da gravação,
que foi conduzida no Orgone Studios. A produção cristalina reforçou a imponência
das composições e a mixagem foi feliz em permitir que todos os instrumentos se
destacassem, até mesmo o poderoso baixo de Stephen Edmondson, que vinha sendo
maltratado há uns tempos atrás. A belíssima capa foi elaborada pelo novato
artista Adrian Baxter e serviu perfeitamente para embalar e apresentar
visualmente as composições de Obsidian. O camaleão mais uma vez foi certeiro
em seu ataque. Seus olhos são capazes de se mover independentemente um do
outro, de modo que um pode olhar para trás enquanto o outro mira a sua frente.
Assim, o Paradise Lost buscou as melhores referências de fases pretéritas do
grupo para aproveitá-las com perícia no presente. Imagine o que os veteranos de
Halifax ainda podem preparar para o futuro.
Ninguém, nem o mais pessimista dos terráqueos, nem mesmo os astrólogos ou aqueles videntes que subsistem na televisão, poderia imaginar ou prever a hecatombe sanitária pela qual o mundo passa em 2020. Um vírus cujo contágio se dá forma selvagem se espalhou por todo o planeta (menos no Turcomenistão, já que o "presidente" de lá afirma de pé junto que lá não existe nenhum caso), forçando assim a parada de todas as instâncias das sociedades como há muito tempo não se via. Se a coisa afetou tão fortemente até as maiores economias e corporações do mundo, imagine então para o lado mais fraco da corda, onde se localiza o Rock underground.
Com a preocupação maior em salvar a vida das pessoas e evitar que o coronavírus adoeça grande parte da população e mate aqueles que forem afetados de forma mais grave, aglomerações estão proibidas e as pessoas estão sendo orientadas a não saírem de casa em uma profilaxia enormemente comunitária chamada "isolamento social". Consequentemente, trazendo para o escopo deste humilde blog, que é o que interessa a vocês caros leitores, shows foram cancelados e as bandas estão tendo que se reinventar para manter o contato com o público. Daí surgiram a ideia das famosas lives.
Não que elas já não existissem, mas tendo em vista a atual conjuntura do mundo, as lives se tornaram praticamente a única maneira de os artistas apresentarem sua arte àqueles que a apreciam.
Dentro do mundo gótico, grupos como Ash Code, Sonsombre, Plastique Noir e Hapax, dentre vários outros cujos nomes a memória me veta neste momento (comentem aqui ou nas redes sociais do blog, por favor. Nunca vos pedi nada), já fizeram as suas lives para entreter o público que se enclausura em suas casas em meio à pandemia. Tocando juntos num mesmo ambiente ou então com cada integrante tocando em seu domicílio, para depois sincronizar tudo para ir ao ar de uma forma organizada, as bandas se viram como podem usando sua criatividade e seus recursos, lançando mão de jogos de luzes, de efeitos de vídeo ou mesmo fazendo algo mais simplista e caseiro. o duo francês Dear Deer fez sua live de dentro de uma cozinha, por exemplo. Os cariocas do Última Dança fizeram num sofá mesmo, com violão e teclado portátil. São diferentes formas de angariar a atenção do ouvinte em meio ao concorrido e sempre lotado palco da internet.
Uma iniciativa do tipo vem chamando a atenção. O Gothicat, loja virtual que vende produtos do universo gótico customizados com imagens de gatos, produziu e pôs no ar o Gothicat Festival, evento on-line cujo objetivo foi apresentar vídeos nunca divulgados antes por bandas do cenário Pós-Punk, Gothic Rock, Darkwave e vertentes, com apresentação de André Savetier, vocalista das bandas Deus Faust e Tenebris Obortis e responsável pelo canal The Wave Of Things. Não só com a intenção de apresentar vídeos, como descrito, o Gothicat Festival também apela para o lado social, já que, durante as transmissões, os espectadores podem fazer doações online para instituições de saúde que prestam serviços de combate ao Covid-19.
A primeira edição, que foi transmitida no último dia 12 de abril, contou com colaborações de importantes nomes como Clan Of Xymox (com um raro vídeo de uma apresentação de 1982), Lebanon Hanover, She Past Away, Minuit Machine, Molchat Doma e várias outras bandas. A aceitação foi tamanha que foi mister uma segunda edição, desta vez com a curadoria sendo feita pelos próprios fãs através de uma enquete. Outras bandas indicadas pelos fãs através desta mesma enquete comporão a terceira edição do Gothicat Festival, que irá ao ar no próximo dia 23 de maio e que contará com a participação dos cearenses do Plastique Noir, além de outros nomes importantes como Nosferatu, Merciful Nuns, Bleib Modern, Iamtheshadow, O Children e et cetera.
A iniciativa vem gerando ecos. Tanto é que um novo projeto do tipo será colocado em prática a partir do próximo dia 22 de maio, sexta-feira, bem no Dia Mundial da Cultura Gótica. Será a primeira edição do Festival Under Latinoamericano, que está sendo organizado pela produtora peruana Tumbas Eternas Producciones. Como o nome do festival delata, o mesmo será composto somente por bandas de países latino-americanos. Nesta primeira edição, um total de 26 bandas do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Costa Rica, Venezuela, Equador e Uruguai estão escaladas. Representando o nosso país estarão Plastique Noir, Ego Eris, Herzegovina e Jenni Sex. Dos outros países, alguns dos nomes confirmados são Los Malkavian, Gorgonas, Delirium Mask e El Ansia.
O Darkitalia, produtora de shows e webzine, também está organizando uma live nos mesmos moldes para o próximo dia 23. Será o World Gothic Day #FEST, que contará com colaborações de Clan Of Xymox, Molchat Doma, Iamtheshadow, Bedless Bones, Hapax, Sonsombre e outras bandas, totalizando um número de 32 grupos participantes. É tanta live que dá até para escolher!
E os DJ's? Sim, eles também estão se adaptando aos tempos pandêmicos. Suas pick-ups com vinis ou com aparelhagens mais modernas estão ainda a serviço de seus pilotos e dos fãs de discoteca. No Brasil, alguns DJ's como Zauber (Madame, Via Underground) e Marcelo Kpta (Das Projekt), dentre outros, vem lançando esporadicamente playlists "da quarentena" através do YouTube e do Soundcloud. O próprio Madame, tendo em vista o fechamento da casa por conta da pandemia, vem fazendo toda noite, a partir de 19:00 até as 5:00 do dia seguinte, lives com a presença ubíqua dos DJ's Gê Rodrigues e Ricardo Escudeiro, além de alguns convidados esporádicos, como modo de levar na medida do possível a essência da casa para as residências dos fãs.
Tais entretenimentos são essenciais em tempos que não podemos sair de casa para aproveitar a cultura nos lugares onde ela transmite o melhor de suas sensações. E, talvez, as lives rejam um paradigma que será seguido daqui em diante mesmo após a pandemia em uma nova forma que os artistas têm de se conectar com seus fãs neste moderno, maquinado e globalizado mundo. Entretanto, o que mais queremos de verdade é poder sair de casa e ver nossas bandas preferidas ao vivo, apoiar nossos artistas in loco e nos animarmos ao som dos DJ's que sempre discotecam aquelas nossas músicas preferidas. As lives, não obstante serem ideias criativas e que nos saciam bem neste período, jamais passarão o mesmo sentimento e sinergia que nos impacta nas apresentações ao vivo, onde podemos não somente ver os artistas se expressando ao vivo, como também temos a oportunidade de estarmos perto das pessoas que nos fazem bem.
Este é um período de sacrifício. O novo coronavírus é inclemente e espalhou sua chaga virulenta por toda a Terra (menos no Turcomenistão). Nossa única forma de combater seu contágio selvagem é nos resguardarmos em casa na medida do possível e seguir as recomendações das autoridades científicas e sanitárias. Enquanto líderes estúpidos e ineptos tentam a todo custo desacreditar a ciência em prol de ver em prática teorias conspiratórias ao mesmo tempo em que milhões de seguidores cegos ruminam e mugem ante qualquer atitude nojenta de seus líderes, devemos ser o lado consciente deste período de trevas e de incertezas. Cuidemo-nos. Assim, o quanto antes for possível, poderemos voltar a nossa vida normal. Nem que seja ao "novo normal" que especialistas vem falando em suas colunas, blogs e entrevistas. Espero otimista que seja um "novo normal" com saúde, esperança e cultura, tão legal quanto o antigo normal.
O fato de que a música obscura chega até os mais longínquos ou
interioranos rincões deste país pode surpreender quem não acompanha a movimentação
desta vertente musical de perto, mas não é novidade para quem a devora com
afinco. De Uruburetama, cidade cearense que dista 114 Km da capital Fortaleza,
vem a banda Pontagulha, que estreou recentemente com o EP Memórias
Mortas trazendo quatro faixas que demostram muito conhecimento de causa em
uma musicalidade que mescla elementos do Darkwave e do Coldwave.
Formado por Lucas Caducco (vocais, guitarras, Casebre
Alternativo) em 2017, a banda é composta também por Guilherme Santos
(contrabaixo) e por Jocélio Freitas (guitarras). Seu nome teve uma
origem curiosa e tocante: Lucas afirma que sonhou com sua avó após o falecimento
da mesma em 2019. No sonho, ela dizia que o nome da banda deveria ser “Pontagulha”
e que, a partir disso, portas seriam abertas para o projeto. Apesar de a
formação ser o trio citado no começo deste parágrafo, o EP foi gravado sozinho
por Lucas com seus próprios equipamentos em Uruburetama, assumindo também o
contrabaixo. O produtor paulista Gabriel Vieira se disponibilizou para
masterizar o trabalho e também para registrar os sintetizadores e as
programações.
O EP se inicia com Dimensão, música que entrega a
tônica que o EP seguirá dali em diante: melodias simples, soturnas e bastante
eficientes no sentido de captar a atenção do ouvinte, levando-o a introspecção.
Um generoso reverb foi adicionado para aumentar a sensação nebulosa que a
música perpassa. Lucas aposta em vocais barítonos na faixa seguinte, a que dá
nome ao EP, cujos arranjos casam bem com as letras que falam de solidão. É
possível imaginar-se caminhando solitariamente no Centro de Uruburetama tarde
da noite, contemplando o céu escuro e nevoento, sentindo frio e onde a única
companhia são as luzes dos postes.
Para este escriba, o maior destaque do EP é a faixa de nº 3,
Ruínas. Começando com um ritmo lento que destaca os bumbos da bateria
programada, esta composição traz consigo novamente uma carga soturna, a qual se
apresenta mais forte ainda do que na faixa de abertura graças às simples, mas
negras, melodias de guitarra. É como se os americanos do French Police se
encontrassem com os fortalezenses do Plastique Noir. O clímax próximo ao seu
final é estonteante e poderia ter sido mais impactante ainda se um fade-out não
esvaísse a música tão logo. O EP se encerra com Noites Urbanas, dona de
uma atmosfera distinta de suas três antecessoras, mais cinzenta e nublada. Entretanto,
inconscientemente ou não, esta música mais parece uma versão desacelerada de Rituel,
do She Past Away.
Algo que precisa ser revisto pela banda é a forte dose de
reverb que é dedicada especialmente aos vocais. Quando Caducco resolve lançar
mão de linhas vocais mais graves, o reverb esconde tanto a performance de canto
que entender as letras se torna uma tarefa complicada para um ouvido mais
incauto, como se pode notar em Dimensão e em Noites Urbanas.
Afora este detalhe, a produção e a mixagem dosaram na medida certa cada
instrumento, deixando tudo bastante nítido aos ouvidos de quem ousa penetrar na
musicalidade fria, mas convidativa, do Pontagulha. Os sintetizadores são
discretos e tão somente têm a missão de reforçar o clima das composições,
deixando as guitarras em posição de destaque para derramar suas melodias.
Musicalmente, o Pontagulha está no caminho certo e deixa uma
boa impressão com Memórias Mortas. Esta impressão se converte em ansiedade quando
paramos para imaginar o que a banda pode nos mostrar no futuro em termos de novas
composições. De qualquer forma, o Pontagulha já se mostra como uma ótima alternativa
para quem busca uma sonoridade Darkwave mais simples e introspectiva, mas que
não deixa de lado os toques sombrios e a atmosfera fria.
Os reis do Darkwave Clan Of Xymox lançaram
recentemente a nova música Lovers, acompanhada de um videoclipe. Junto
ao single lançado anteriormente, She, Lovers será uma das faixas
do novo álbum de estúdio da banda, cujo título será Spider On The Wall.
Sobre o single Lovers, o mesmo foi lançado em um EP
de cinco faixas. Além da versão original da música, fazem parte do EP três
versões remixadas por Hante., Actors e Selofan. A quinta faixa se
trata da regravação de Going Round, música lançada originalmente em 1983
no clássico EP de estreia Subsequent Pleasures. Curiosamente, está é a
terceira vez que Going Round foi lançado, sendo que a segunda fora no
álbum Hidden Faces, de 1997.
Já quanto ao álbum Spider On The Wall, espera-se que o Clan Of Xymox
anuncie maiores informações em breve. O que se sabe é que Ronny Moorings,
líder e principal compositor da banda, já está com o trabalho pronto para ser lançado,
como ele anunciou em recente entrevista ao site alemão Gothic Empire. Spider On The Wall será o décimo-sétimo álbum de estúdio lançado pela banda (contando aqui com os álbuns lançados sob o nome Xymox) e o primeiro desde Days Of Black (2017).
Enquanto o novo álbum não sai, confira no player abaixo a
nova música Lovers. O videoclipe foi dirigido e editado por Zoe Cavanagh com apoio de Ismael Diarra e de Thomas Andrew Quain. Aproveite e ouça também o primeiro single lançado
pelo Clan Of Xymox em 2020, She.
Os britânicos do Paradise Lost estão prestes a lançar
seu novo álbum de estúdio, Obsidian, o qual será o décimo-sexto full-length
de sua discografia. Para divulgar o novo álbum, a banda disponibilizou recentemente
seu segundo single, Ghosts, o qual você poderá ouvir no player mais
abaixo.
Em Ghosts, o Paradise Lost volta a mostrar com força
suas influências de Rock Gótico como não se vê há algum tempo. Sem esquecer o
peso que a banda trouxe de volta desde meados dos anos 2000, o baixo com
flanger de Stephen Edmondson, o fraseado de guitarra melancólico de Gregor
Mackintosh e os vocais graves de Nick Holmes construíram uma peça gótica que nos
remete a The Sisters Of Mercy. Aliás, sempre que têm a oportunidade, os
integrantes do Paradise Lost fazem questão de mencionar que as bandas góticas
oitentistas são algumas das principais influências na sonoridade típica da
banda.
Quando a data de lançamento de Obsidian foi
divulgada, o Paradise Lost divulgou que o novo álbum será o mais eclético lançado
pela banda nos últimos tempos, indo de músicas Doom pesadíssimas até Rock
Gótico. Cabe lembrar que ao longo de sua história que já atravessa três
décadas, os ingleses passearam por várias diferentes sonoridades com muito
louvor, o que embasa fortemente as intenções do grupo de mesclar várias delas
em um só registro.
Obsidian tem data de lançamento prevista para o dia 15
de maio pela gravadora Nuclear Blast. Paradise Lost é Nick Holmes
(vocais), Gregor Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras), Stephen
Edmondson (contrabaixo) e Valtteri Wäyrynen (bateria). Confira nos
players a seguir a nova música Ghosts e também Fall From Grace, o primeiro single
divulgado de Obsidian e que ganhou videoclipe.
Provavelmente você já deve ter dançado ao som de Tansevat,
do Molchat Doma. Vou mais além: você já deve conhecer várias músicas do
trio Pós-Punk da Bielorrússia. Se você não atende a nenhuma das duas afirmações
anteriores, você está perdendo tempo.
O Pós-Punk do lado de lá da Europa tem uma sonoridade
peculiar e facilmente reconhecível graças a simplicidade dos arranjos e o clima
nublado que elas criam que mais parecem versões musicais das imponentes
arquiteturas e construções soviéticas. Desde os pioneiros do Kino até
nomes atuais como Human Tetris, Ploho, Supernova 1006 e Buerak, o
Pós-Punk russo se mantém forte, coeso e relevante na atualidade.
Mas o Molchat Doma é um caso bastante peculiar e específico.
Primeiro que eles não são da Rússia. São de Belarus, nome oficial do país que
conhecemos como Bielorrússia. Belarus fica localizado a Oeste da Rússia e ao
Norte da Ucrânia e fazia parte até o começo dos anos 90 da União Soviética. O
segundo ponto advém de sua sonoridade. Resguardando as tradições do Pós-Punk de
seu país vizinho, o Molchat Doma consegue elaborar uma identidade musical para
si próprio mesclando elementos de Coldwave e Synthpop. Terceiro, e não menos
importante, o grupo trabalha muito bem a parte visual, que inclui logos, capas
de álbuns e figurinos dos integrantes. Não vai dizer que não reconhece aquela roupa
social preta fechada até o pescoço e aquele bigode do vocalista Egor Shkutko?
Roman Komogortsev, Egor Shkutko e Pavel Kozlov.
Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente até 2010. Naquele
ano, dois estudantes de uma escola técnica em Minsk, capital de Belarus, se
conheceram e um descobriu que o outro tocava instrumentos musicais. Estes eram Egor
Shkutko e Roman Komogortsev. Todavia, não era só o fato de ambos
serem músicos que os aproximou. Egor e Roman eram fãs de Depeche Mode e também
partilhavam um carinho por Red Hot Chili Peppers. Os gostos musicais parecidos
fizeram com que os dois começassem a tocar juntos na soturna, cinzenta, imponente
e soviética Minsk.
Ambos tocavam juntos vários estilos diferentes, que iam de
vertentes eletrônicas até Funk e passando até mesmo por Trip Hop. Em 2014 eles
se encontravam juntos na banda Net Kadrov, onde Roman era guitarrista e
tecladista e Egor era baixista. Foi durante a existência do Ned Kadrov que algumas
composições hoje tocadas pelo Molchat Doma surgiram, como Ya Ne Komunist,
Tishina I Priatki e Tecnologia. O vocalista do Net Kadrov
resolveu deixar o grupo após divergências musicais com Egor e Roman, o que
abriu caminho para que os dois seguissem com a banda de acordo com seus próprios
objetivos e ideais.
A primeira iniciativa foi mudar o nome da banda. De Net
Kadrov, o grupo passou a se chamar Molchat Doma, que significa “casas silenciosas”.
Ao invés de procurarem por um novo cantor, Egor resolveu largar o contrabaixo
para assumir o posto de vocalista. A busca por um baixista foi difícil, já que
vários músicos foram recrutados, mas todos eles abandonavam o projeto em pouco
tempo. Quando a dupla de amigos já estava desanimada ao ponto de encerrar de
vez o projeto, eis que Pavel Kozlov entra em contato se mostrando altamente
interessado na vaga. A salvação chegou e o Molchat Doma enfim toma o formato que
conhecemos hoje em 2017.
Em meio a tantos estilos musicais que a dupla Egor/Roman já
haviam testado, o Pós-Punk vingou como sonoridade definitiva do Molchat Doma.
Já foi citado neste texto que ambos eram fãs de Depeche Mode, mas Roman, principal
arranjador do grupo, também cultivava um forte apreço pelo Kino, um dos
principais nomes do Rock russo de todos os tempos e que praticava um Pós-Punk
frio e introspectivo.
O trio produziu e lançou de forma independente seu álbum de
estreia, S’Krish Nashik Domov (Dos Telhados de Nossas Casas) ainda em
2017, com nove faixas que traziam um som empoeirado, abafado, com
sintetizadores que remetiam a época de ouro do Synthpop e do New Wave,
guitarras com melodias frias cobertas de reverb, baixo hipnotizante e vocais
soturnos que pareciam ter sido gravados do fundo de um porão de algum prédio
setentista de Minsk. Um som realmente dançante e sombrio ao mesmo tempo,
sovieticamente arquitetado. O álbum chamou a atenção de Davide, o responsável
pela gravadora alemã Detriti Records. Davide entrou em contato com o
Molchat Doma através do Soundcloud, oferecendo a oportunidade de lançar S’Krish
Nashik Domov em formato de fita cassete. A oferta foi aceita pela banda e o
lançamento rapidamente se esgotou.
Mais uma oferta foi feita pelo italiano radicado na Alemanha,
Davide. Lançar o segundo álbum do Molchat Doma em vinil. Desta vez o trio
bielorrusso ficou apreensivo, pois eles nem sequer sabiam se teriam condições
de registrar um segundo álbum. Apesar da incerteza, o grupo se manteve
confiante e resolveu aceitar a oferta da gravadora alemã, o que possibilitou a
gravação de Etazhi (Pisos), lançado em 2018.
Apesar de serem músicos talentosos e criativos e de terem
uma imagem bastante chamativa, tudo isto não bastou ainda para que o Molchat
Doma se lançasse aos píncaros da glória. Um pouco de sorte também se fez
essencial para que os garotos de Belarus se tornassem a nova sensação do Pós-Punk.
Os vídeos com as canções do grupo começaram a se tornar bastante divulgados e
assistidos no YouTube. Foi através deste forte engajamento na internet que o
Molchat Doma chamou a atenção dos americanos do Drab Majesty, que
alimentou a vontade de tocar na Europa junto aos bielorrussos. O Drab Majesty tratou
de entrar em contato com seu agente de shows na Europa para falar sobre o
Molchat Doma e sobre a possibilidade de a agência também apoiá-los. O agente
foi até Berlim testemunhar pessoalmente uma apresentação do Molchat Doma, desta
feita no festival Pop-Kultur de 2019. Ao chegar lá, o que o agente presenciou
foi um trio formado por um vocalista bigodudo e altamente empolgado com danças
estranhas, um guitarrista que verdadeiramente se inebriava viajando em seus próprios
solos e um baixista que mais se parecia um músico escandinavo de Heavy Metal,
mas que dançava animadamente ao ritmo sincopado de seu baixo. Este trio tocava suas
ótimas composições de forma coesa e segura, conquistando assim todo aquele público
que, junto ao agente, testemunhavam aquele concerto. Depois foi só questão de
tempo para que o agente e os garotos de Belarus assinassem uma parceria que
permitiu ao trio rodar toda a Europa e até mesmo os Estados Unidos desde então.
Lembra da apreensão pela qual a banda passou antes de gravar
seu segundo álbum, Etazhi? Pois bem. Etazhi já foi vorazmente
devorado das lojas físicas cinco vezes. Atualmente o trabalho já está em sua
sexta prensagem, a qual provavelmente terá o mesmo destino das cinco
anteriores. Etazhi traz ainda a mesma essência fria e dançante do debut,
porém com uma melhor produção e qualidade de som graças ao aporte da gravadora
Detriti.
Não nos esqueçamos que o Molchat Doma é de Belarus, país
governado com mãos-de-ferro por Alexander Lukashenko (sim, o mesmo que disse
que o Coronavirus pode ser tratado com vodka e saunas) em mandatos consecutivos
desde 1994 e que faz questão de resguardar tradições soviéticas até hoje. Se
essas tradições se restringissem a pesada arquitetura, tudo bem. Contudo, tais
costumes vão desde práticas econômicas até repressão e censura. Para alguma
banda local poder tocar ao vivo no país, é necessário requisitar uma prévia
autorização ao regime local, que verificará o histórico, as letras e até a
imagem do grupo. Caso a autorização seja negada, representantes do regime
bielorrusso vão até o local onde a apresentação aconteceria para verificar se
realmente o show não ocorreu. O Molchat Doma já experimentou essa censura
algumas vezes, muito embora eles afirmem que pouco se preocupam com política e que
suas letras quase não abordam o assunto. Todavia, o Molchat Doma é presença
frequente na emissora local de TV Belsat, que se intitula independente e
com a missão de enaltecer a cultura bielorrussa, bem como em rádios.
O reconhecimento que falta em Belarus vem sendo ricamente
recompensado fora de lá, em toda a Europa e em todo o mundo. O Molchat Doma é atualmente
uma das principais representantes do estilo e muito deste sucesso se deve a sua
personalidade, sua empolgante, fria e única sonoridade, trabalho duro, imagem
reconhecível e, não faz mal reconhecer, uma pitada de sorte. Ora com guitarras
e com baixo na direção do Coldwave, ora nos sintetizadores que os conduzem ao
Synthpop/New Wave, o Molchat Doma se sai bastante competente em cada direção que
resolve adotar, sempre guiados pela bateria eletrônica de timbres nostálgicos e
simples. Não obstante a salada de influências, o grupo cria uma música
consistente, homogênea e empolgante. Mais que isso, o Molchat Doma é
responsável por uma atmosfera mágica e inebriante que, mesmo tendo uma coloração
cinzenta e triste tal qual os prédios de Minsk, empolga e faz alegrar qualquer fã
e ouvinte.
Ligue seu som e não permita que sua casa fique silenciosa
ante ao poder frio do Molchat Doma.
São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de
Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da
sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única
forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada
vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão
rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se
aproximam.
Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa,
que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou
adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui
no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de
2020 adiadas para o ano que vem.
A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado
sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria
realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente
para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition,
a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês
É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece
todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes
podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em
2021 junto às bandas já asseguradas.
“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus
e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic
2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus
Christi.
Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os
trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos,
Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na
Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival
( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do
público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá
normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais:
a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial,
Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A
NOVA DATA!!!”
Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em
São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez
para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá
o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable,
os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os
brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a
produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:
“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as
bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia)
tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram
unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube
tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que
na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.
A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de
janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com
muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros,
certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma
recessão.
Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é
justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua
participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1
ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os
braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de
todo o Brasil.”
Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.
Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas
atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de
Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus
não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as
vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto
e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.
Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para
festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.
EPIPHANY - THESE DARK TRAILS (EP, independente, 2020)
Tracklist:
01. Elixir
02. By Actions And Concepts
03. Almost
04. Void
05. Denial
Line-up:
Bruno Cassoni - todos os instrumentos
Texto: Bruno Rocha
These Dark Trails é um novo projeto capitaneado pelo
músico Bruno Cassoni, que possui em seu currículo trabalhos com as
bandas Songs of Oblivion, da qual é guitarrista, Feralia, Neon, HELP e Gray
Souvenirs. O músico resolveu desafiar a si mesmo criando este projeto onde ele
é o único integrante, praticando assim o conhecido formato “one-man band”.
A proposta do These Dark Trails é tocar um Black Metal na
linha mais depressiva do estilo, como ensinado pelo Burzum e pelo Strid ainda nos
anos 90, com letras que tratam das visões do autor sobre a vida e sobre os seus
sentimentos. Junto a essas óbvias influências, o Black Metal do These Dark
Trails também deixa transparecer momentos que nos remetem ao Post Black Metal e
mesmo ao Blackgaze, muito embora o estilo preconizado pelo Alcest não emerja
tanto em meio aos arranjos criados e tocados unicamente por Bruno.
O projeto fez sua estreia recentemente com o EP Epiphany,
que é composto por cinco faixas que completam confortáveis 18 minutos de duração,
o que é perfeito para se ouvir e absorver em meio ao frenético cotidiano da
atualidade (considerando-se a normalidade afora a era Covid-19). O These Dark
Trails mostra o seu cartão de visitas com Elixir, onde uma levada
soturna conduzida por uma guitarra limpa e vocais limpos distorcidos são
sucedidos por um momento mais pesado e perturbador. By Actions And Concepts dá
continuidade ao trabalho na mesma pegada, mas incluindo em sua metade uma passagem
com sons estranhos, quase industriais.
Almost é instrumental e serve para descansar o
ouvinte da forte melancolia erguida pelas duas faixas anteriores; para tanto,
teclados com timbres etéreos, acordes na guitarra em chorus e até mesmo um solo
servem para este propósito. Void traz consigo guitarras de timbre
bastante distorcido misturadas a outra com timbre limpo, criando assim uma
atmosfera ao mesmo tempo asfixiante e confortável. Ponto aqui para o ótimo
trabalho de mixagem feito pelo próprio Bruno em seu home-studio, batizado de
Obscure Room. Um riff Doom Metal surge em Denial, faixa que encerra os
trabalhos com uma forte e inclemente carga maligna.
Cabe repetir algo que já foi dito aqui por conta de sua
importância: o trabalho de mixagem feito por Bruno é digno de ser tirado chapéu.
Não é fácil misturar timbres limpos e distorcidos de guitarras em um mesmo
arranjo e deixar ambos bem audíveis, sem que um invada demasiadamente o espaço
do outro. São detalhes como esses, além é claro do talento do músico em criar
músicas dentro do estilo proposto, que podem levar o These Dark Trails a ser um
dos principais representantes do Depressive Black Metal no Brasil daqui há um
tempo. O projeto não traz nada novo dentro do estilo, mas as músicas por ele
criadas são honestas, sinceras e muito bem trabalhadas. Isso já conta bastante
ponto para uma nova banda que queira se destacar. O EP Epiphany foi um
ótimo primeiro passo para se alcançar este objetivo, caso assim Bruno o queira.