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sábado, 11 de abril de 2020

Crise de Covid-19 faz importantes eventos góticos brasileiros mudarem de data




São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se aproximam.

Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa, que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de 2020 adiadas para o ano que vem.

A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition, a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em 2021 junto às bandas já asseguradas.

“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic 2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus Christi.

Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos, Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival ( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais: a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial, Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A NOVA DATA!!!”


Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable, os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:

“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia) tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.

A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros, certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma recessão.

Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1 ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de todo o Brasil.”


Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.

Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.

Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.





domingo, 1 de dezembro de 2019

Gotham - Anjos e Demônios: confira como foi a edição 2019 da maior feira gótica de Fortaleza



Gotham - Anjos e Demônios
Havana 1884 - Fortaleza/CE (19/10/2019)
Imagens: Karen Cintra e Daniel Dutra

Texto: Bruno Rocha



Estabilizado como o evento gótico mais importante de Fortaleza, a feira Gotham, organizada anualmente pela Underdark Produções, viveu a sua quarta encarnação no último dia 19 de outubro, pela primeira vez no Havana 1884, um dos mais importantes abrigos da música alternativa da capital cearense dos últimos tempos. Desta feita o Gotham foi alcunhado como “Anjos e Demônios”, de modo a abrir espaço para que os mais variados e contrastantes espectros da arte obscura pudessem se fazer presentes no evento.

A feira Gotham reúne não só apresentações musicais, como também agrega outras formas de expressões como dança, fotografia, artes plásticas, exposição e feira de livros, lojinhas de souvenirs relacionados ao tema da feira e muita, muita gente sedenta por esse tipo de arte. O público que compareceu ao Gotham – Anjos e Demônios superou as expectativas, lotando o Havana 1884 e embelezando mais ainda o brilho do evento.

O Havana 1884 se localiza no bairro Benfica, quase na fronteira com o Centro de Fortaleza. Por ser um bairro universitário (no Benfica se localiza um dos campi da Universidade Federal do Ceará), lá se localizam muitas atrações para os jovens, tanto de documento quanto de alma, como bares, pubs, casas de shows e etc. Com seus ares boêmios, o Benfica é um prato cheio para as mais variadas matizes de arte e de cultura. Logo, as noites de sábado daquele bairro são sempre movimentadas. Não foi diferente na noite do dia 19 de outubro nas portas do Havana 1884. Por volta das 19:00, uma parte do público gótico que lá já estava se reunia no pequeno alpendre que existe do lado de fora da casa, completamente a mercê de uma imensa poça d’água que inundava a avenida bem em frente ao Havana e que se mexia violentamente cada vez que um carro ou um ônibus passava por cima. Este redator que vos escreve foi uma das vítimas do famigerado lago urbano. Pelo menos, pude acompanhar o evento de banho tomado, mas não necessariamente cheiroso.

Enquanto isso, o público que estava no alpendre aguardava a abertura dos portões dando os últimos retoques em seus visuais, tentando se distrair com seus estoques abarrotados de maquiagens, sombras e laquês. Finalmente, os portões se abrem as 19:35 com Leo de Oliveira, um dos organizadores do evento, chegando ao alpendre externo convidando as corujas e os morcegos para adentrarem ao mundo de Gotham – Anjos e Demônios.

Uma vez lá dentro, um dos DJ’s anfitriões escalados para a noite, Batastrophe, estava coordenando a trilha sonora para esquentar aqueles que ao recinto adentravam. Pouco tempo após a abertura da casa, já subiam ao palco os integrantes do Dark Hertz Transmission, que tinha a missão de abrir os trabalhos musicais do Gotham. A banda formada por Leo de Oliveira (vocais, sim, o organizador), Caio Mota (contrabaixo) e Erik Castro (guitarras, teclados, samplers) subiu ao palco e às 20:00 deu início ao seu animado show. O trio apresentou seu curto set recheado de composições inspiradas nas mais variadas matizes do Pós-Punk e do Synthpop, incluindo aí o single Carmilla, que fora divulgado um dia antes do evento. Muito a vontade em cima do palco, Leo de Oliveira intercalava danças bastante animadas em meio a sua performance vocal. Erik Castro se desdobrava com muita perícia em seus sintetizadores enquanto Caio Mota destilava melodias em seu contrabaixo de timbre agudo e cheio de efeitos. Em um dado momento, Leo de Oliveira desceu do palco para dançar junto ao público, deixando Erik com a responsabilidade de cantar Blue Monday, clássico do New Order. E esta não seria a última vez que o grupo de Bernard Sumner seria lembrado naquela noite.

Dark Hertz Transmission. Foto: Daniel Dutra

Leo de Oliveira (Dark Hertz Transmission). Foto: Daniel Dutra.

Caio Mota. Foto: Daniel Dutra.

Terminada a apresentação do Dark Hertz Transmission, Erik e Caio mal tiveram tempo de descer do palco e já voltaram a ocupar suas posições lá, pois eles também são integrantes do Maldigo, a próxima atração daquela noite de Gotham. Além deles dois, o Maldigo é formado pela vocalista Juliana Weyne, presença frequente em eventos de discotecagem como DJ Juju e também em diversas bandas-tributo. A proposta musical do Maldigo é um Pós-Punk/Gothic Rock com influências de música árabe, que reflete o conteúdo histórico adotado pelas letras. A banda também executa alguns covers ao vivo e foi exatamente um deles que deu início ao set do grupo, Dark Entries, do Bauhaus.

Chamava a atenção a indumentária e a maquiagem usada por Juliana em sua apresentação, especialmente uma pintura vermelha em sua testa que era adornada por uma lua crescente em branco. Erik Castro desta vez empunhava uma guitarra, mas ele não saiu de frente de sua estação sintetizadora, alternando-se entre os dois instrumentos quando convinha. Caio Mota continuava em sua mesma abordagem melódica com seu contrabaixo. Após tocarem as autorais Babylon The Great e Of Bones And Hazy Thoughts, a banda emendou um cover de The Hanging Garden, do The Cure. Juliana, com seus vocais expressivos, mostrava versatilidade para cantar tanto as músicas autorais do Maldigo quanto os covers, todos eles registrados originalmente por vozes masculinas. Durante a execução de Treasures In Aramaic Tears, Juliana põe uma tiara que lembrava uma coroa e se postou em cima de um suporte enquanto a dançarina Angel Kali entrava em ação apresentando uma magnânima performance de dança do ventre que durou alguns minutos por cima do instrumental guiado por Erik e por Caio. Ao seu final, Angel Kali se prostrou perante Juliana como ela fosse uma divindade, que estendeu a sua mão afim de receber aquela dança como uma oferenda. Quando o Maldigo deu início a At The Gates Of Babylon, os samplers de Erik Castro resolveram entrar em greve, impedindo assim a execução da mesma. Prontamente o trio não deixou o público só na vontade e mandou mais um cover, desta vez para Romeo’s Delight, do Christian Death, encerrando mais uma belíssima apresentação do grupo. Ambas as bandas mostraram nesta noite porque despontam como dois dos principais nomes do Pós-Punk fortalezense dos últimos tempos.

Maldigo. Foto: Karen Cintra

Juliana Weyne. Foto: Karen Cintra.
Erik Castro. Foto: Daniel Dutra.

Pausa nas apresentações musicais, era hora de averiguar as exposições fotográficas que estavam sendo exibidas no Gotham. Nesta hora o Havana 1884 já estava lotado, como era de se esperar tendo em vista a importância e a magnitude do Gotham para a cena gótica de Fortaleza. De repente, boa parte do público abria um círculo perto do palco para acompanhar a apresentação de dança Tribal Fusion do quarteto Artemísia, que apresentava sua performance iluminada por velas que elas mesmas trouxeram ao ambiente. Enquanto elas se apresentavam em frente ao palco, o grupo paraibano Electro Bromance já se encontrava em cima do mesmo arrumando seu equipamento eletrônico composto por sintetizadores, MacBooks e uma guitarra.

Ao fim da apresentação do grupo Artemísia, rapidamente o Electro Bromance deu início ao seu set. Uma das atrações mais esperadas do evento, o duo formada por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e por Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais) veio a Fortaleza direto do estado da Paraíba para mostrar ao público local seu Synthpop pesado e futurista. Com músicas oriundas de seu mais recente álbum de estúdio We Are Like A Time Bomb (2017) e de outros singles já lançados, incluindo aí Supermodel (2017), o Electro Bromance colocou todo o público presente no Gotham para dançar com uma apresentação empolgante e eletrizante. Destacavam-se em meio ao público dois cybergoths que dançavam um de frente para o outro com feixes luminosos ao ritmo do Futurepop da dupla paraibana. O som a frente do palco estava ótimo e cada instrumento soava bastante nítido aos ouvidos, mas para os fundos da casa o som estava baixo.

Hansen se desdobrava entre os seus sintetizadores e sua guitarra de timbre altamente distorcido, além de ter que assumir os vocais em alguns momentos do concerto. Wilame era um show a parte; ora em sua estação, ora somente com o microfone, ele incendiava mais ainda o público ali presente com uma forte presença de palco que misturava danças e poses. E você lembra que em algum parágrafo acima eu disse que o New Order seria mais uma vez lembrado nesta noite? Pois bem, o Electro Bromance tratou de homenagear a banda britânica apresentando a sua versão para Bizarre Love Triangle. Assim foi a destruidora apresentação da dupla paraibana em terras alencarinas e que deixou muita saudade ao público.

Electro Bromance. Foto: Karen Cintra.


Wilame AC. Foto: Karen Cintra

Hansen Pessoa. Foto: Karen Cintra

Em pouco tempo as estações de Wilame e de Hansen foram desmontadas e rapidamente a outra grande atração do evento subiu ao palco, o Plastique Noir. Apesar de serem mais conhecidos “do que farinha”, como se diz no Ceará, a qualidade musical e o profissionalismo do trio sempre são indicativos de que um show do grupo será mais uma grande apresentação, donde sempre um grande e fiel público se reúne para vê-los. A novidade que o Plastique Noir estava divulgando no momento era o split As Above, So Below, que o grupo lançou junto a banda paulista Das Projekt, onde uma banda toca músicas da outra num total de dez faixas, trabalho lançado pela Wave Records.

O trio formado por Airton S. (vocais, programações), Danyel Noir (guitarras) e Deivyson Teixeira (contrabaixo) chegou arrebentando tudo com 24 Hours Awake, faixa-título do álbum mais recente lançado em 2014, e com Phantom In My Stereo. Em seguida veio uma nova música, a maravilhosa Asleep In The Night Train, que dá indícios de que o novo trabalho que o Plastique Noir está gravando virá com uma carga mais forte ainda de negrume e melancolia. Após uma acalmada com a infalível Emerging Rats e uma acordada geral com Inconstancy, o trio apresentou Christine, do Das Projekt, uma das faixas registradas no split mencionado no parágrafo anterior. Logo após veio I Disappear, que teve a missão de preparar o público para a reta final arrebatadora com a levanta-público Rose Of Flash And Blood (não se ouve os vocais de Airton quando o público esbraveja o refrão), a clássica e maldosa Creep Show (onde o público aproveitou a levada de bateria para levantar um coro maravilhoso contra o atual presidente da república) e o encerramento definitivo com mais uma música nova, Catedrais em Chamas.

Junto a “definitivo”, esse encerramento foi inesperado. Meio que sem mais nem menos, o Plastique Noir começou a desmontar seu equipamento, o que deixou parte do público que esperava por um set mais longo visivelmente com cara de tacho. Mas a culpa disso não foi da banda e nem da produção. Os fiscais da Prefeitura de Fortaleza e a Polícia sempre pegam pesado com relação aos horários de som alto em nossa cidade, o que já ocasionou diversos problemas parecidos em eventos anteriores dos mais variados estilos musicais. Mas o que foi apresentado pelo Plastique Noir nesta noite saciou muito bem, como sempre, o fiel público que chegou para vê-los e para apreciar mais uma edição bem-sucedida do Gotham.

Airton S. e Deivyson Teixeira. Foto: Daniel Dutra.

Danyel Noir. Foto: Daniel Dutra.
Este repórter precisou se retirar ao fim da apresentação do Plastique Noir e não pode conferir a apresentação dos renomados DJ’s paraibanos Xymox e Bat, além do outro anfitrião da noite, DJ Enceladus. Mas, dado tudo o que foi relatado aqui e muito mais, fica uma certeza: o Gotham se solidifica como um dos eventos góticos mais importantes quiçá do Brasil. A cena gótica local se mostra forte e presente, com organizadores e produtores que arregaçam as mangas para que tudo seja executado com a maior precisão e perícia possíveis (parabéns a todos da equipe Underdark Produções). Outro ponto a se destacar é a emergente onda de bandas que surgem em Fortaleza, especialmente nos últimos dois anos. Ficava difícil mencionar outra banda Gótica/Pós-Punk da cidade que não fosse o Plastique Noir. Agora, as apresentações de Dark Hertz Transmission e Maldigo, bem como de outros grupos que já tiveram a oportunidade de mostrarem seus promissores trabalhos ao vivo, provam que existe em Fortaleza um talento natural de seus músicos para a coisa, o que fará com que mais nomes daqui sejam cada vez mais reconhecidos. Para isso, é só manter o nível de profissionalismo e de garra apresentado até agora, pois o talento existe.

Vida longa ao Gotham!

Foto: Daniel Dutra.

Foto: Daniel Dutra.

Foto: Karen Cintra.

Foto: Karen Cintra.

Foto: Karen Cintra.

Foto: Karen Cintra

Foto: Karen Cintra.

Foto: Karen Cintra.

Foto: Karen Cintra
Foto: Karen Cintra

Foto: Karen Cintra.


Foto: Daniel Dutra
Foto: Daniel Dutra
Foto: Daniel Dutra
Foto: Daniel Dutra
DJ Xymox e DJ Bat. Foto: Daniel Dutra
Foto: Daniel Dutra
Foto: Karen Cintra
Foto: Karen Cintra