domingo, 30 de junho de 2019
Wingtips: duo norte-americano de Darkwave lança clipe para nova música “Deaf Pursuit”
Como um par de asas abertas que apontam para sentidos opostos é o som e a ousadia musical do duo Wingtips, de Chicago. Ora praticam um Dreampop etéreo e confortante, ora se esgueiram para um Darkwave escuro e intimidador, sempre usando como bases as batidas industriais e as texturas Synthpop. Abusando desta segunda direção, o Wingtips lançou recentemente seu mais novo single, Deaf Pursuit, que ganhou um fabuloso videoclipe dirigido por Luke O'Neill, e é assim que a dupla promete soar em seu próximo lançamento, Exposure Therapy, o seu primeiro full-length.
A nova música da dupla formada por Vincent Segretario e por Hannah Avalon funciona como um blend do período de crescimento do Depeche Mode com a fase mais obscura do The Cure, especialmente no álbum Pornography. Quer ver? Confira o clipe de Deaf Pursuit no player abaixo:
A estreia da dupla se dará com o álbum intitulado Exposure Therapy, que tem data de lançamento prevista para o dia 23 de agosto via Artoffact Records. Em apoio ao lançamento do álbum, a dupla já tem marcada uma turnê pelos Estados Unidos que irá de agosto até outubro.
sábado, 29 de junho de 2019
Resenha: O Quarto de Helena - Diário das Noites (2019)
Diário das Noites - O Quarto de Helena (independente, 2019)
Tracklist:
01. Escura Primavera
02. Eram Eles
03. Contos de Solidão
04. Um Caminho Antigo
05. Mariana
06. Luzes
Line-up:
Fabiano Souza - vocais, violão
Anderson Morphis - teclados
Andressa Costa - programações
01. Escura Primavera
02. Eram Eles
03. Contos de Solidão
04. Um Caminho Antigo
05. Mariana
06. Luzes
Line-up:
Fabiano Souza - vocais, violão
Anderson Morphis - teclados
Andressa Costa - programações
Texto: Bruno Rocha
Resolvo mais uma vez adentrar n’O Quarto De Helena. Um quarto obscuro e sombrio, úmido e frio. Intimidador por sua opulência tão simplória. Aconchegante por sua atmosfera de dor. Não, não há nada lá. Nem cama, nem criado-mudo. Muito menos abajur. O que encontro n’O Quarto De Helena é tudo aquilo que minha mente cria em sua oficina, inspirada pela atmosfera e pelas provocações do lugar, criando assim reflexos de meus sentimentos e saudades em forma de música. Isso, reflexos. Espelhos. Existem espelhos n’O Quarto De Helena. Você tem coragem de encará-los?
O projeto musical do trio Fabiano Souza (vocais, violão, Última Dança), Anderson Morphis (teclados, Mortiferik, Harmony Hate, etc.) e Andressa Costa (programações) lançou recentemente seu segundo EP, intitulado Diário das Noites, que traz em si mais seis composições que exploram o lado mais soturno do ser humano e que provocam as mais retraídas sensações da mente do ouvinte, como saudade, tristeza e dor. O estilo musical do grupo permanece inalterado em relação à estreia autointitulada, de 2017, promovendo em suas composições um tipo lento e sofrido de Darkwave, com alguma influência Folk, influência essa reforçada pelo violão de Fabiano Souza. Então, aqueles que já conheciam O Quarto de Helena, podem esperar por aquela mesma atmosfera nublada de outrora em Diário das Noites. Esta que serve como alicerces e paredes do Quarto.
A abertura com Escura Primavera é tão negra e sofrida que pega o ouvinte despreparado e o derruba para o canto do Quarto, massacrado pela pressão de sua mente. Tocada na sombria escala de Fá Sustenido Menor, a combinação dos teclados de Morphis (em piano, chorus e strings) e da minimalista bateria programada de Andressa é adornada pelo violão bem encaixado, formado um conjunto que serve de base para que a belíssima e calma voz de Fabiano cante suas dores e saudades de forma pesarosa. Amanhece e chove lá fora do Quarto; é a música Eram Eles, cinza, nublada e atraente, lembrando em sua estrutura de arranjos os grupos de Ethereal Wave como Autumn’s Grey Solace, graças aos timbres atmosféricos escolhidos por Morphis. Ainda na segunda música chego à conclusão que palavras são insuficientes para expressar o quão forte e doloroso é o som do Quarto de Helena. Mas as palavras são as únicas ferramentas que disponho para tão hercúleo trabalho. Sigamos em frente tentando desvendar os segredos do Quarto.
Um pouco menos lenta, lembrando um pouco o Última Dança, é a faixa Contos de Solidão, que ilumina um pouco o Quarto. Esta composição é conduzida por uma guitarra de timbre embebido em flanger e tremolo que mais parece a mente a melancólica mente do ouvinte. Um Caminho Antigo traz algo inédito n’O Quarto de Helena, algo que se aproxima de um riff em seu começo com uma harmonia de violão e teclado. Mais contida, esta última faixa prepara terreno para Mariana, uma composição bela e etérea, que parece conduzir o ouvinte por sonhos de paz em meio a um entardecer escarlate. O EP se encerra com a atmosférica Luzes, minimalista em sua condução percussiva. Praticamente o único elemento harmônico nesta música é o violão e a voz de Fabiano. Falando em morte, Luzes se revela na verdade como aquela que leva em definitivo aquele que ousou entrar no Quarto de Helena, achando que Mariana era apenas um sonho. Prova disso são os choros carpideiros que emergem ao final da faixa.
Aos poucos a música se esvai, deixando somente uma sensação de vazio e tormenta na mente daquele que entrou no Quarto. Um momento de reflexão se abate no recinto ao novamente encarar os espelhos lá posicionados, revelando que na verdade tudo na vida é vaidade, é passageiro. Consegui sair do Quarto e voltar à realidade, mas não da mesma forma que entrei. Sentindo o clima das músicas e meditando nas letras das mesmas, tornou-se claro que a vida é efêmera e passageira. As lembranças marcam como ferro na pele e ardem sem que nos preparemos antes.
O Quarto de Helena é uma entidade musical necessária para o cenário Darkwave pela sua originalidade e ousadia, conseguindo fazer com o minimamente necessário uma música grandiosa e poderosa, capaz de congelar seus pensamentos e evocar os sentimentos ocultos. Diário das Noites é mais um documento que atesta tudo que foi relatado neste diagnóstico musical. Coragem, entre no Quarto, querido leitor! Faz bem, é inebriante. Helena te convida, seja lá aquilo que for a Helena de seus pensamentos.
Resolvo mais uma vez adentrar n’O Quarto De Helena. Um quarto obscuro e sombrio, úmido e frio. Intimidador por sua opulência tão simplória. Aconchegante por sua atmosfera de dor. Não, não há nada lá. Nem cama, nem criado-mudo. Muito menos abajur. O que encontro n’O Quarto De Helena é tudo aquilo que minha mente cria em sua oficina, inspirada pela atmosfera e pelas provocações do lugar, criando assim reflexos de meus sentimentos e saudades em forma de música. Isso, reflexos. Espelhos. Existem espelhos n’O Quarto De Helena. Você tem coragem de encará-los?
O projeto musical do trio Fabiano Souza (vocais, violão, Última Dança), Anderson Morphis (teclados, Mortiferik, Harmony Hate, etc.) e Andressa Costa (programações) lançou recentemente seu segundo EP, intitulado Diário das Noites, que traz em si mais seis composições que exploram o lado mais soturno do ser humano e que provocam as mais retraídas sensações da mente do ouvinte, como saudade, tristeza e dor. O estilo musical do grupo permanece inalterado em relação à estreia autointitulada, de 2017, promovendo em suas composições um tipo lento e sofrido de Darkwave, com alguma influência Folk, influência essa reforçada pelo violão de Fabiano Souza. Então, aqueles que já conheciam O Quarto de Helena, podem esperar por aquela mesma atmosfera nublada de outrora em Diário das Noites. Esta que serve como alicerces e paredes do Quarto.
A abertura com Escura Primavera é tão negra e sofrida que pega o ouvinte despreparado e o derruba para o canto do Quarto, massacrado pela pressão de sua mente. Tocada na sombria escala de Fá Sustenido Menor, a combinação dos teclados de Morphis (em piano, chorus e strings) e da minimalista bateria programada de Andressa é adornada pelo violão bem encaixado, formado um conjunto que serve de base para que a belíssima e calma voz de Fabiano cante suas dores e saudades de forma pesarosa. Amanhece e chove lá fora do Quarto; é a música Eram Eles, cinza, nublada e atraente, lembrando em sua estrutura de arranjos os grupos de Ethereal Wave como Autumn’s Grey Solace, graças aos timbres atmosféricos escolhidos por Morphis. Ainda na segunda música chego à conclusão que palavras são insuficientes para expressar o quão forte e doloroso é o som do Quarto de Helena. Mas as palavras são as únicas ferramentas que disponho para tão hercúleo trabalho. Sigamos em frente tentando desvendar os segredos do Quarto.
Um pouco menos lenta, lembrando um pouco o Última Dança, é a faixa Contos de Solidão, que ilumina um pouco o Quarto. Esta composição é conduzida por uma guitarra de timbre embebido em flanger e tremolo que mais parece a mente a melancólica mente do ouvinte. Um Caminho Antigo traz algo inédito n’O Quarto de Helena, algo que se aproxima de um riff em seu começo com uma harmonia de violão e teclado. Mais contida, esta última faixa prepara terreno para Mariana, uma composição bela e etérea, que parece conduzir o ouvinte por sonhos de paz em meio a um entardecer escarlate. O EP se encerra com a atmosférica Luzes, minimalista em sua condução percussiva. Praticamente o único elemento harmônico nesta música é o violão e a voz de Fabiano. Falando em morte, Luzes se revela na verdade como aquela que leva em definitivo aquele que ousou entrar no Quarto de Helena, achando que Mariana era apenas um sonho. Prova disso são os choros carpideiros que emergem ao final da faixa.
Aos poucos a música se esvai, deixando somente uma sensação de vazio e tormenta na mente daquele que entrou no Quarto. Um momento de reflexão se abate no recinto ao novamente encarar os espelhos lá posicionados, revelando que na verdade tudo na vida é vaidade, é passageiro. Consegui sair do Quarto e voltar à realidade, mas não da mesma forma que entrei. Sentindo o clima das músicas e meditando nas letras das mesmas, tornou-se claro que a vida é efêmera e passageira. As lembranças marcam como ferro na pele e ardem sem que nos preparemos antes.
O Quarto de Helena é uma entidade musical necessária para o cenário Darkwave pela sua originalidade e ousadia, conseguindo fazer com o minimamente necessário uma música grandiosa e poderosa, capaz de congelar seus pensamentos e evocar os sentimentos ocultos. Diário das Noites é mais um documento que atesta tudo que foi relatado neste diagnóstico musical. Coragem, entre no Quarto, querido leitor! Faz bem, é inebriante. Helena te convida, seja lá aquilo que for a Helena de seus pensamentos.
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Joy Division: lançado hoje o segundo vídeo da série que comemora os 40 anos de "Unknown Pleasures"
Foi lançado hoje o segundo vídeo da série de clipes que comemoram o quadragésimo aniversário do lançamento de Unknown Pleasures, o clássico debut do Joy Divison. O vídeo lançado hoje foi para a música Insight, o qual você pode conferir no player abaixo:
A série de vídeos, que pretende lançar um clipe para cada música do álbum, tem ideia conceitual de Warren Jackson, diretor visual da banda e que também já trabalhou com o New Order. Na prática, a ideia é lançar dez pequenos filmes onde a trilha sonora de cada um deles é cada faixa de Unknown Pleasures, como que "versões audiovisuais reimaginadas" do clássico lançado há 40 anos. O primeiro vídeo, para a música I Remember Nothing, foi lançado há duas semanas.
Resenha: She Past Away - Disko Anksiyete (2019)
Disko Anksiyete – She Past Away (Metropolis Records, Fabrika Records, 2019)
Tracklist:
01. Boşluk (Intro)
02. Durdu Dünya
03. Disko Anksiyete
04. Izole
05. La Maldad
06. Renksiz
07. Sonbahar
08. Girdap
09. Yükseliyor Deniz
10. Ağıt
Line-up:
Volkan Caner – vocais, guitarras
Doruk Öztürkcan – sintetizadores, drum-machine, produção

Texto: Bruno Rocha
O She Past Away se tornou um fenômeno dentro do Darkwave ao longo da década atual e não foi à toa. Sua sonoridade facilmente identificável e peculiar traz homogeneidade em sua pegada dançante e climas sombrios. Ao longo dos últimos quatro anos desde o lançamento de seu último álbum, Narin Yalnızlık, o She Past Away aumentou substancialmente a ansiedade de seus fãs por um terceiro álbum, que finalmente veio agora em 2019 com o sugestivo nome de Disko Anksiyete (Ansiedade pelo Disco).
Este novo lançamento é o primeiro álbum com a nova formação da banda, que sofreu uma mudança em 2015 com a saída do baixista İdris Akbulut e a efetivação de Doruk Öztürkcan como integrante oficial, responsável pelos sintetizadores e pela bateria eletrônica. Doruk já acompanhava a banda desde seus primórdios responsável tanto pela produção dos álbuns como pela bateria eletrônica. Segundo o membro-fundador e principal compositor Volkan Caner (vocais, guitarras), em recente entrevista ao site Regen Magazine, a saída de Idris não afetou em nada a sonoridade do She Past Away, uma vez que suas linhas de baixo eram exclusividade das apresentações ao vivo e que o que se ouve nos álbuns são linhas feitas em sintetizadores. Se a saída do baixista afetou ou não a sonoridade da banda turca, o que se percebe em Disko Anksiyete é uma preocupação maior em soar mais dançante, mais Synthpop, do que em relação aos dois álbuns anteriores, principalmente em sua primeira metade. Apesar de o DNA do som da banda não ter se alterado, as guitarras estão mais tímidas e em posição de segundo plano, com os sintetizadores tomando a frente das composições de forma mais robusta. Na segunda metade do disco, as guitarras tentam novamente ficar em pé de igualdade com os sintetizadores, lembrando os dois álbuns anteriores.
A primeira metade de Disko Anksiyete deixa sua proposta bem clara. Após a faixa introdutória, chega Durdu Dünya, uma faixa bastante forte e empolgante, uma maravilha de composição que traz em seu cerne um ritmo dançante e uma seção intimidadora em sua metade. A pista de dança continua a todo vapor na faixa-título, que ganhou um videoclipe que ilustra bem o que vem sendo afirmado até aqui. Izole traz consigo as guitarras em primeiro plano e um tom melancólico, rememorando as composições do debut Belirdi Gece (2012). Em contraponto a melancolia de Izole, a faixa seguinte, La Maldad, traz um clima descontraído e até mesmo alegre em sua estrutura de arranjos, algo nunca visto em se tratando de She Past Away. Outra curiosidade desta faixa é que ela é a primeira composição da banda que não é cantada em turco, mas sim em espanhol. Cabe lembrar que uma das bases do grupo é a cidade de Barcelona, além de sua terra-natal, Bursa, e da capital grega, Atenas.
A partir da faixa 6, Renksiz, uma faixa marcante do começo ao fim, o clima de Disko Anksiyete fica mais sério novamente. Sonbahar é mais lenta e introspectiva, trazendo novamente a guitarra de Volkan Caner em evidência com seus timbres cheios de chorus e tremolos. A faixa seguinte, Girdap, segue a trilha deixada por sua antecessora, desta vez com os sintetizadores tomando de conta da liderança da música. Um dos grandes destaques do álbum aparece na faixa de nº 9, Yükseliyor Deniz. Bem mais negra e melancólica que suas antecessoras, traz em seu instrumental um tom diferente, como de anoitecer, além de ser mais uma cobaia do álbum a testar as guitarras a frente. Pegando carona na faixa anterior, surge Ağıt, que encerra o álbum de forma introspectiva e calma, como uma despedida de alguém que parece que nunca mais vai voltar.
Os elementos de estúdio que fazem parte do som único do She Past Away foram mantidos, como a produção abafada e vintage, rememorando a década áurea do estilo, e as toneladas de ecos e reverbs nos vocais de Volkan Caner. Tanto efeito em sua voz é um elemento essencial para a melancolia e a identidade do som do grupo; por outro lado, seus vocais se tornam quase ininteligíveis, e não é só pelas letras em turco, pois mal se notou a diferença de idiomas em La Maldad, cantada em espanhol. A arte de capa, criada por Ufuk Ergün e por Marilia Fotopoulou, exibe bem a proposta ora dançante, ora introspectiva do álbum.
Com Disko Anksiyete, os turcos provam mais uma vez que conseguem ser ousados, variados e experimentais dentro de seu próprio estilo mesmo sem se desvencilhar de seu norte musical, o Pós-Punk/Darkwave. Ora com as guitarras na frente, ora agora com os sintetizadores, vale muito a pena curtir esse som empolgante e sombrio do She Past Away. E quem se importa que as letras são em turco? As letras de Volkan abordam a ansiedade e questões existenciais, mas se você não entende turco (e nem confia no tradutor do Google), a música e os arranjos conseguem falar por si só. Basta o ouvinte estar aberto a receber o clima e a mensagem que a música quer transmitir e deixar que as percepções e as emoções tomem conta do resto.
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Cine Trevas: evento em Fortaleza reúne curtas-metragens de Terror no dia 06 de julho
Acontecerá em Fortaleza/CE no próximo dia 06 de julho, um sábado, mais uma edição do Cine Trevas, evento que exibe curtas-metragens com foco no gênero Terror, locais e nacionais. As seguintes produções serão exibidas na ocasião:
A Misteriosa Casa da Botija
A Triste Figura
Diagnose Danação
Do Outro Lado
Dr. Religare
Fumaça da Mata
Glory Box
Ne Pas ProjeteR
O Corta Bunda
Roubo Macabro
Além da exibição dos curtas, também haverá mostra de vídeos performáticos e discotecagem gótica com DJ Batastrophe e DJ Enceladus. O Cine Trevas será realizado no Cine's Bar (Rua Senador Pompeu, 2805, Benfica) e terá início às 20:00, com entrada custando 5 reais. Cine Trevas tem realização da Underdark Produções.
"Sem título" (Thiago de Sá)
A alma tá fechada
Tá sem rima, tá cansada
Pro inferno a poesia
Pro quinto dos infernos a noite fria!
Minh'alma desarmada...
[Falta amor nessa arma]
terça-feira, 25 de junho de 2019
Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!
Eu (1912)
Resenha: Plastique Noir - 24 Hours Awake (2015)
24 Hours
Awake – Plastique Noir (Wave Records, 2015)
Tracklist:
01. My Drifitng Flight
02. 24 Hours Awake
03. Losing Halo
04. Negatives
05. Dystopian Song
06. Secret Admirer
07. Dead Boys
08. Rock n’ Roll Is Over
09. Tom Brazil
10. The Fallin Queens District
11. Point Break
12. Chariots
13. Tyrannosaur
14. Gall Bladder (Rancor)
15. Vesper
16. Omnia
01. My Drifitng Flight
02. 24 Hours Awake
03. Losing Halo
04. Negatives
05. Dystopian Song
06. Secret Admirer
07. Dead Boys
08. Rock n’ Roll Is Over
09. Tom Brazil
10. The Fallin Queens District
11. Point Break
12. Chariots
13. Tyrannosaur
14. Gall Bladder (Rancor)
15. Vesper
16. Omnia
Line-up:
Airton S. – vocais, programação
Danyel Noir – guitarras
Deivyson Teixeira – contrabaixo
Airton S. – vocais, programação
Danyel Noir – guitarras
Deivyson Teixeira – contrabaixo
Karolina Escarlatina- vocais em Tom Brazil
A música é uma arte em constante evolução e está sempre em
processo de metamorfose. Exemplo: não durou cinco anos desde o surgimento do
Punk Rock na metade dos anos 70 para que o estilo se transformasse e agregasse
para si novos elementos sonoros e climáticos. Graças ao Joy Division,
que deu sua interpretação para o Punk Rock com acréscimo de teclados e moldagem
de atmosferas introspectivas e por vezes depressivas, surgia o Pós-Punk, ou
Post Punk, como queiram. Novamente, durante o começo dos anos 80, o estilo
pioneirizado pelo Joy Division entrou em processo de metástase dando origem a
outros estilos como o Rock Gótico, cuja cartilha são os primeiros trabalhos
de The Cure, Bauhaus e Siouxsie And The Banshees.
Em termos de Brasil, temos aqui alguns alunos que estudaram por esta cartilha,
sendo o mais aplicado deles a banda cearense Plastique Noir.
Fundada em 2005, o grupo formado por Airton S. (vocais,
programação), Danyel Noir (guitarras, Facada) e Deivyson Teixeira (contrabaixo)
chegou em 2015 lançando seu terceiro trabalho de estúdio, 24 Hours
Awake, pela gravadora Wave Records. O som do grupo não traz nada de
inovador dentro do estilo, já que, como foi enxertado neste texto, a banda segue
a cartilha do Pós-Punk/Rock Gótico, cujas composições tem a intenção de criar
climas soturnos e negros com o auxílio de efeitos como reverb na guitarra a
solar quase que o tempo todo e o contrabaixo em posição de protagonista junto a
guitarra. Por vezes, o baixo assume a frente da música enquanto a guitarra fica
na base. Por outro lado, o Plastique Noir impõe uma identidade absurda em sua
música; com efeito, mesmo que o ouvinte identifique as influências de Joy
Division e Bauhaus, sabe que tal composição tem a cara do Plastique Noir.
Em 24 Hours Awake, a banda resolveu inovar um
pouco no direcionamento de algumas músicas, fazendo-as mais rápidas, frenéticas
e até mesmo dançantes, diferentemente do álbum anterior, Affects (2011,
Wave Records), que priorizou músicas mais lentas. O Plastique Noir apresenta
versatilidade neste álbum, pois em suas 16 músicas (pode parecer muito, mas o
tempo normal de pouco mais de 50 minutos foi obedecido) o grupo varia
andamentos e climas diversas vezes. Apesar de apresentarem baladas movidas a
violão como Dystopian Songe Chariots, os grandes
destaques são mesmo as músicas rápidas e negras como a faixa-título, Rock
n’ Roll Is Over (que música!), Tyranossaur e Tom
Brasil, está última com a participação de Karolina Escarlatina, vocalista
do duo gótico mineiro Escarlatina Obsessiva. Nestas composições o
timbre do contrabaixo carrega as músicas com seu timbre úmido e terrorista,
que, aliados à guitarra cheia de reverb de Danyel (guitarrista da banda local
de Grindcore Facada), transportam o ouvinte para dentro de uma
caverna mental, isolado, apreensivo e melancólico. Sem contar a interpretação
vocal de Airton S., que se mostra aqui um exímio aluno de Peter Murphy
(Bauhaus).
Outros destaques ficam por conta de Losing Halo (refrão
grudento!), Secret Admirer (com uma forte veia The
Cure), Dead Boys (calma e triste) e Vesper, a
primeira composição do Plastique Noir em português, conduzida por uma levada de
contrabaixo típica de Peter Hook (ex-Joy Division, New Order). Mesmo que este
redator não cite todas as músicas, 24 Hours Awake é um álbum
que deve ser ouvido do começo ao fim; aqui não existe buracos ou trechos
descartáveis. Tudo aqui foi bem composto e planejado com o fim de se atingir o
ápice de uma música que toque os sentimentos mais profundos do ouvinte. Por
incrível que pareça, a banda não sente falta de uma bateria acústica. A programação
de bateria feita pelo próprio Airton S. ajuda a moldar a atmosfera das
composições graças à sua abordagem minimalista.
24 Hours Awake foi gravado no estúdio 746 sob a
produção de Jorge Albuquerque e da própria banda. Tudo é muito nítido aos
ouvidos, mesmo que a sujeira e lama que o estilo necessita estejam bem
assentadas. Na Terra Onde O Sol Reina, mesmo que a banda seja conhecida no
cenário Rock da região e também uma das maiores referências do estilo no país,
tendo inclusive reconhecimento no exterior, o Plastique Noir habita nos porões
do underground, onde sua música negra e melancólica é melhor sentida e
absorvida. Vale a pena se deixar entregar a esta atmosfera. Se for para sentir
todo esse reverb e vislumbrar o negrume sonoro permitido pelo Plastique Noir,
vale a pena ficar acordado 24 horas por dia, ou mais.
Alcest: novo álbum da banda será lançado em outubro
Está marcado para o dia 25 de outubro o lançamento do novo
álbum dos franceses do Alcest. O trabalho terá como título Spiritual
Instinct e será lançado pela gravadora alemã Nuclear Blast.
De acordo com uma postagem nas redes sociais oficiais da
banda, a gravação de Spiritual Instinct foi um trabalho muito longo e desafiador,
mas que os deixaram orgulhosos e ansiosos para mostra-lo aos fãs. A arte de
capa, único detalhe revelado até agora, foi criada pela dupla francesa que
atende pelo nome de Førtifem e traz a figura de uma esfinge, que
representa ao mesmo tempo o lado espiritual e o lado selvagem do ser humano.
Spiritual Instinct será o sexto álbum de estúdio da
banda francesa e sucederá Kodama, lançado em 2016 e que trouxe de volta
para o som do Alcest os antigos traços de Black Metal que formavam a espinha
dorsal da sonoridade do grupo em seus primeiros anos. O Alcest, formado atualmente
pelo membro-fundador Stéphane “Neige” Paut e pelo baterista Jean “Winterhalter”
Deflandre, é um dos pioneiros do chamado Blackgaze, estilo musical
que une as atmosferas do Black Metal e do Shoegaze, misturando a agressividade
do primeiro com a etereidade e do segundo, de forma consistente e homogênea.
Clan Of Xymox: banda desembarca na América do Sul para uma série de shows em setembro e em outubro
A lenda holandesa do Gothic Rock/Darkwave Clan Of
Xymox anunciou ontem a perna sul-americana de sua atual turnê, que ainda
promove o seu lançamento mais recente, o álbum Days Of Black (2017). A
banda liderada pelo membro fundador Ronny Morrings desembarca no dia 27
de setembro em Santiago, capital do Chile, e fica em terras sul-americanas até
o dia 07 de outubro, data do show em Lima, no Peru.
Além destas duas datas, a passagem do Clan Of Xymox pela América
do Sul contemplará São Paulo, que receberá os holandeses no dia 29 de
setembro, em show que acontecerá no The House. Logo abaixo seguem todas
as datas nas quais Ronny Moorings e companhia se apresentarão pela América do
Sul:
27/09 – Santiago/CHI (Blondie)
28/09 – Valparaiso/CHI (local a confirmar)
29/09 – São Paulo/BRA (The House)
01/10 – Buenos Aires/ARG (Casa Rock Palermo)
02/10 – Montevideo/URU (Bluzz Live)
04/10 – Assunção/PAR (local a confirmar)
05/10 – La Paz/BOL (local a confirmar)
07/10 – Lima/PER (CC Festiva)
28/09 – Valparaiso/CHI (local a confirmar)
29/09 – São Paulo/BRA (The House)
01/10 – Buenos Aires/ARG (Casa Rock Palermo)
02/10 – Montevideo/URU (Bluzz Live)
04/10 – Assunção/PAR (local a confirmar)
05/10 – La Paz/BOL (local a confirmar)
07/10 – Lima/PER (CC Festiva)
Após as datas na América do Sul, o Clan Of Xymox volta para a
Europa para uma única apresentação no Reino Unido antes de voltar para o nosso
continente em novembro, desta vez na parte Norte, para uma série de shows nos Estados
Unidos e no Canadá. Este giro pela América do Norte deveria ter acontecido em
março, mas a banda foi prejudicada no momento de retirar os vistos de entrada
nos EUA, prejuízo esse ocasionado pelo impasse do governo norte-americano com o
congresso acerca do orçamento para a construção do famigerado muro na fronteira
com o México, o chamado shutdown.
O Clan Of Xymox foi fundado em 1983 e desde então se tornou
um dos representantes mais respeitados do Rock Gótico, em especial por serem
considerados um dos pioneiros do gênero Darkwave, cuja música e letras sombrias
aparecem aliadas com elementos eletrônicos e/ou industriais. Atualmente a banda
ainda promove seu mais recente lançamento, Days Of Black (2017),
seu décimo-sétimo álbum de estúdio. Maiores informações acerca da única
apresentação do Clan Of Xymox no Brasil em 2019 serão divulgadas em breve.
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