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sábado, 6 de junho de 2020

LXB: Ex-bateristas do The Cure e do Siouxsie And The Banshees anunciam novo projeto em conjunto que pode contar também com baterista do Bauhaus

LXB Lol Tolhurst Budgie

Dois dos mais influentes bateristas do Pós-Punk e do Rock Alternativo em geral anunciaram recentemente que estão trabalhando em um projeto em conjunto. Lol Tolhurst e Peter Edward “Budgie” Clarke, respectivamente ex-bateristas do The Cure e do Siouxsie And The Banshees, divulgaram que estão trabalhando em um novo projeto em conjunto chamado LXB. O anúncio foi feito em entrevista que ambos concederam ao programa Volume West, da rádio norte-americana Sirius XM, no último dia 22 de maio.

Tolhurst e Budgie estavam como convidados do referido programa, acontecido no Dia Mundial Gótico, para contar detalhes dos primeiros anos de suas duas bandas e também sobre o Batcave. Sobre o projeto LXB, os bateristas afirmaram que ele surgiu na verdade como um trio, o qual era complementado pelo também baterista Kevin Haskins (Bauhaus, Tones On Tail, Love And Rockets). Enquanto eles estavam compondo as primeiras ideias do LXB, Haskins precisou deixar o projeto tendo em vista o retorno aos palcos com o Bauhaus. Mesmo assim, Tolhurst e Budgie admitem que Haskins pode sim fazer parte das gravações da estreia do LXB.

Sobre esta estreia, os bateristas preveem que ela será lançada próximo ao fim deste ano, já que eles querem ter certeza que poderão excursionar promovendo o álbum em 2021, quando espera-se uma amenização dos efeitos da pandemia de COVID-19.

Os músicos também afirmaram que, por se tratar de um projeto capitaneado por dois bateristas, as composições do LXB tendem a ter um foco no ritmo e que, em vários momentos, as músicas podem lembrar uma mistura dos primeiros trabalhos do The Cure com The Creatures, duo experimental de Budgie com Siouxsie Sioux.

Lol Tolhurst foi um dos membros-fundadores do The Cure em 1976 e por lá tocou até 1989. Depois, focou seus esforços nas bandas Presence e Levinhurst antes que ele se reunisse com o The Cure para alguns shows em 2011 tocando os três primeiros álbuns da banda na íntegra. Já Budgie foi baterista do Siouxsie And The Banshees de 1979 até 1996. Sua parceria com a cantora Siouxsie Sioux se estendeu para além da banda, ensejando a criação do The Creatures, projeto dos dois focado em experimentações com vocais e percussão. Ambos foram casados de 1991 até 2007. Budgie também já prestou serviços para diversos músicos como Hector Zazou, Jessie Evans, John Cale (The Velvet Underground) e John Grant (The Czars) e também para as bandas Indigo Girls, Juno Reactor e Efterklang.


sábado, 11 de abril de 2020

Crise de Covid-19 faz importantes eventos góticos brasileiros mudarem de data




São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se aproximam.

Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa, que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de 2020 adiadas para o ano que vem.

A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition, a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em 2021 junto às bandas já asseguradas.

“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic 2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus Christi.

Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos, Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival ( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais: a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial, Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A NOVA DATA!!!”


Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable, os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:

“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia) tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.

A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros, certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma recessão.

Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1 ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de todo o Brasil.”


Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.

Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.

Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.





quinta-feira, 2 de abril de 2020

The Black Capes: banda lança clipe da nova música “And I Wait”


O The Black Capes surgiu recentemente, em 2016, na milenar Atenas. O Rock praticado pelo quarteto se encontra no limite do Gothic Rock com o Metal, como se os arranjos típicos do Fields Of The Nephilim se misturassem com as facetas mais comerciais do Paradise Lost, unindo melodias sombrias e grudentas com peso.

Apesar de ser uma banda nova, o grupo já alcançou alguns objetivos dos quais podem se orgulhar, como ter seu álbum de estreia, All These Monsters (2017), no top 10 das paradas alternativas da Alemanha, além de já ter dividido o palco com nomes como o já citado Paradise Lost, por exemplo. A banda, formada por Alexander S. Wamp (vocais), Thanos Jan (guitarras), Dorian Gates (contrabaixo) e Christos Grekas (bateria), está agora prestes a lançar o seu segundo full-length, Lullabies For The Dead, do qual foi extraída a música And I Wait, que ganhou videoclipe que você pode assistir no player abaixo.



Lullabies For The Dead foi produzido por Peter Rutcho e teve sua arte de capa elaborada pelo artista Angry Blue, que já trabalhou com Guns n’ Roses, Iggy Pop e Faith No More, dentre vários outros nomes conhecidos. Seu lançamento se dará no próximo dia 10 de abril através da gravadora Dark Tunes Music Group.



sábado, 28 de março de 2020

Resenha: Noturna Régia - Sobre Anjos & Outros Contos (2019)



SOBRE ANJOS & OUTROS CONTOS - NOTURNA RÉGIA (independente, 2019)

Tracklist:
01. Licantropo
02. Isabel
03. Medusa
04. Anjos Caídos
05. Artemísia
06. Carne Trêmula
07. Sonhos & Pesadelos
08. Klaustrofobia
09. Valquíria

Line-up (álbum):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Valdênio Solfieri - guitarras, vocais de apoio
Thiago Macedo - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine

Line-up (atual):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Alexandre Castelo Branco - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine


Texto: Bruno Rocha

Rumores reportados de Campina Grande deram conta de uma reunião numerosa e agitada em um ponto afastado do Parque Louzeiro, região de mata da cidade. Não, não era dia de jogo entre Treze e Campinense (dois times que sempre me trazem boas lembranças, pois meu Ferroviário derrotou ambos nas fases finais da Série D de 2018). Muito menos, essa reunião não era de pessoas comuns. Era uma congregação de seres sobrenaturais que se regozijavam naquele local que, naquele momento, só pertencia a eles. Haviam lobisomens, vampiros, seres que mais se assemelhavam a anjos caídos e valquírias. Entre todos eles, um ser em especial se destacava. A lendária mulher dos cabelos de serpente, aquela a qual fora violada por Poseidon e amaldiçoada por Atena milhares de anos atrás.

Cada ser tinha sua própria história antes de chegarem a esta reunião. Contos de amor, de sedução e, acima de tudo, de desgraças sofridas, eram pontos em comum entre cada uma de suas vidas conturbadas. Animava aquela distinta tertúlia um grupo de quatro músicos locais, especialistas em seres sobrenaturais que fizeram por onde conquistar a confiança daquelas entidades. Esses músicos e poetas atendiam pelo nome Noturna Régia. Seu álbum mais recente, Sobre Anjos & Outros Contos, traz músicas cujas letras contam as histórias daquelas malditas criaturas.

Este é o primeiro álbum de estúdio do grupo paraibano de Rock Gótico formado atualmente por Daniel D.vill (vocais), Rodolfo Tietre (guitarras, vocais de apoio), Alexandre Castelo Branco (contrabaixo) e a Miss Phantom II, que nada mais é do que a drum machine usada pelo grupo, uma parente distante do Dr. Avalanche, a drum machine do The Sisters Of Mercy. À época da gravação, a banda ainda contava com Daniel e Rodolfo da formação atual, mais Valdênio Solfieri nas guitarras e Thiago Macedo no contrabaixo. O Noturna Régia foi fundado em 2011 e é atualmente uma das forças proeminentes do cenário gótico de Campina Grande, cidade que possui uma das cenas mais movimentadas do país dentro da cultura Dark. Sobre Anjos & Outros Contos representou o ápice da história da banda em termos de lançamentos, tendo em vista que o grupo havia lançado antes a demo Noturna Régia (2012) e o EP Artemísia (2016).  O full-length foi produzido, mixado e masterizado por Cristiano Costa, reconhecido produtor e músico da cidade de Campina Grande e do estado da Paraíba.

O ritual descrito brevemente nos primeiros parágrafos deste texto tem início em Licantropo, uma música que traz uma batida percussiva em sua bateria e guitarras não menos sincopadas, lado esse reforçado pelo timbre pesado e pelas palhetadas abafadas. Daniel canta com uma letra bastante inspirada e com um vernáculo riquíssimo (uma tônica em todo o álbum) sobre os dilemas e as ações dos lobisomens. Isabel, a personagem da próxima música, é uma vampira insaciável que não se intimida até mesmo diante de crucifixos e de estacas. Depois da metade da música, a banda cria um espaço que instiga o ouvinte para cantar junto o grudento refrão. Os timbres das guitarras nesta música e o andamento lembraram a este escriba o álbum Affects, da banda cearense Plastique Noir. É quase possível ouvir em sua mente a voz de Airton S. cantando o refrão junto a Daniel D.vill.

Por falar em refrão grudento, se prepare, pois os “cabelos de serpente” da Medusa, aquela que petrifica aqueles que ousam encará-la, ficarão impregnados na sua cabeça. A música que carrega no título o nome da górgona mais famosa é um dos grandes destaques do álbum graças ao seu clima sombrio (reforçado pela escala de Fá Sustenido Menor, uma das mais soturnas para os ouvidos deste que vos escreve), que remete este redator a uma cabana isolada sob um temporal à noite, a letra e as melodias vocais. Anjos Caídos traz uma atmosfera mais calma, mas não menos soturna. Destaque aqui para os solos de guitarra em cada música, sempre bem encaixadas e criadas.


Um dos grandes destaques do álbum surge agora com Artemísia, uma peça de quase oito minutos de puro êxtase sentimental, uma das melhores composições góticas dos últimos anos. Seus arranjos reverberados e os strings convidam o ouvinte a adentrar numa atmosfera etérea e inebriante, como uma neblina densa em alguma clareira no outono. Aqui mais uma vez Daniel usa o recurso de subir uma oitava em seu tom de voz próximo ao fim da música, recurso esse que enseja um clímax à canção, como um ser que atinge o nirvana. Daniel é dono de graves bem cantados e de barítonos marcantes. O sonho se encerra quando começa a ameaçadora e pesada Carne Trêmula, com destaque para o trecho quando o tom da música sobe acompanhado por um teclado em chorus, como que escurecendo a paisagem já desolada da música, e a bateria se torna mais frenética.

A princípio senti pena da música Sonhos & Pesadelos, pois ela, com sua pegada sentimental (como uma Artemísia acelerada) foi ensanduichada por duas das músicas mais pesadas do álbum, a já citada Carne Trêmula e Klaustrofobia, esta um verdadeiro Metal Industrial daqueles ensinados pela Neue Deutsche Hërte alemã, e que conta inclusive com berros guturais. Entretanto, muito embora a letra de Klaustrofobia faça menção a sufocamento e agonia, Sonhos & Pesadelos tem seu valor, tal qual uma flor que brota solitária e imponente entre massivos rochedos. O álbum se encerra com a belíssima Valquíria, que com seu andamento lento e calmo, conduz o ouvinte por uma viagem eterna por mares pacíficos rumo à eternidade, ou para onde os seus mais recônditos pensamentos queiram que você vá.

A produção de Cristiano Costa deixou todos os instrumentos bem equalizados e nítidos aos ouvidos, sabendo domar com perícia os mais diversos timbres e efeitos usados nas guitarras, impedindo que elas duelassem com os vocais. Após as gravações do álbum, o guitarrista Valdênio Solfieri e o baixista Thiago Macedo deixaram o Noturna Régia. Porém, suas contribuições às músicas e a história da banda não foram renegadas pelos integrantes permanentes. É tanto que magnífica arte de capa do álbum traz dois ômegas entrelaçados, representando os agora ex-integrantes.

Esta foi a trilha sonora que embalou a tertúlia sobrenatural nas matas de Campina Grande em uma noite indeterminada. A Medusa dos Cabelos de Serpente voltou aos seus domínios subterrâneos, os anjos caídos continuaram a vagar sem rumo pela noite fria, escoltados pelos seres licantropos movidos pela sedutora lua cheia. A vampira Isabel persistiu em sua busca incessante por vítimas para saciar o insaciável enquanto as valquírias retornaram a nórdica Valhalla. Já os músicos do Noturna Régia, estes continuam a animar as festas de sua cidade e de seu estado. Que estes continuem transbordando seu exímio talento músico/poético em prol da música gótica, como uma serpente que deixa escapar o excesso de veneno por suas presas, e que continuem a nos embalar com as histórias de seus amigos mitológicos.

Ou será que eles próprios são os lobisomens?



sábado, 21 de março de 2020

Signo 13: banda brasiliense lança novo single “Águas Primitivas”


A banda brasiliense Signo 13 continua a sua saga de lançamentos mensais de singles. Relembrando: o grupo formado por Felipe Rodrigues (vocais, guitarras, contrabaixo) e Rubens Cardoso (bateria) está lançando um single por mês, de setembro de 2019 até outubro de 2020, para enfim lançar o álbum completo Serpentário, que será composto dos 13 singles. O número se refere não só ao nome da banda, mas também à constelação de Ofiúco, ou Serpentário, que seria o 13º signo no Zodíaco.

O single da vez foi Águas Primitivas. A música que traz uma pegada mais radiofônica, remetendo a alguns nomes do Rock brasileiro (por que não dizer, brasiliense) oitentista, contou com a participação especial de Cisso Cerqueira na gaita. A arte de capa foi elaborada por Armando Salmito e a letra foi criada por Márcio Calixto (Vesuvia, Stenamina Boat).

Confira no player abaixo o clipe oficial de Águas Primitivas:



Da última vez em que reportamos os lançamentos do Signo 13, a banda havia acabado de lançar o segundo single dessa jornada, Abismo Céu. Portanto, disponibilizamos também nos players abaixo os demais singles lançados desde Abismo Céu e Águas Primitivas. Confira Liberdade Clandestina, Reflexo Disforme e Descontrução, Evolução.







quarta-feira, 11 de março de 2020

Deepland Festival IV: confira detalhes do festival que acontecerá em São Paulo no dia 26 de setembro



Está marcado para o dia 26 de setembro, um sábado, a esperada quarta edição do Deepland Festival, um dos principais eventos e encontros de música gótica do país, realizado pela Deepland Records. A edição deste ano reunirá cinco grupos internacionais e nacionais que trarão consigo uma enorme variedade de estilos de dentro do universo gótico/alternativo.

Uma das principais atrações do Deepland Festival IV serão os alemães do Aeon Sable. Um dos nomes mais reconhecidos do Gothic Rock atualmente, o grupo liderado pelo vocalista Nino Sable e pelo guitarrista Din-Tah Aeon já tem em seu currículo passagens pelo Wave Gothik Treffen e Castle Party e uma discografia de seis álbuns de estúdio. O som do Aeon Sable é característico por trazer diversas influências que vão do esoterismo até o Black Metal.

Do México virá a banda de Pós-Punk Capitals. O duo formado por Jonathan Salazar e por Ivan Herrera traz um som empolgante e animado que mostra influências de She Wants Revenge, Human Tetris e She Past Away. Recentemente em 2019 o Capitals lançou o seu primeiro full-lenght, Año Once.

Outra atração internacional são os nossos vizinhos colombianos do Los Malkavian. Mais um representante do Pós-Punk, o som do grupo traz uma sonoridade mais distorcida e frenética, como ensinaram alguns dos pioneiros do estilo como Bauhaus e Killing Joke, e também elementos de Shoegaze. A banda formada por Alex Pela (vocais, bateria), Carolina Castaño (vocais, guitarras), Jean Pierre Guarin (contrabaixo) e Mario López (guitarras) foi fundada em 2013 na cidade de Medelin e tem em sua discografia o álbum Letargo, de 2018.

De Recife estará presente a banda Ego Eris. Uma dos nomes mais reconhecidos do Pós-Punk/Darkwave nacional, o grupo pernambucano estreou em 2018 com o álbum Memento Mori, que foi sucesso de pedidos para o mercado especializado estrangeiro segundo a gravadora Deepland Records, e já conta inclusive com experiência internacional graças a participações no festival Tumbas Eternas, no Peru, e no próprio Deepland Festival, no qual eles repetirão a dose. O Ego Eris é formado por Marc Nero (guitarras, programação), Breno Romero (vocais, programação) e Astroblack (contrabaixo, sintetizadores, programação).

Fechando o line-up do Deepland Festival IV estão os paraibanos do Electro Bromance. O duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e por Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais) vem de João Pessoa praticando um Synthpop com elementos de Future e Darkwave bastante empolgante e que funciona perfeitamente ao vivo. O Electro Bromance foi formado em 2015, mas já conta em seu currículo parcerias com nomes reconhecidos nomes internacionais como os italianos do Ash Code, os canadenses do Decoded Feedback e os mexicanos do Infected Sound System. O mais recente lançamento do duo paraibano foi o álbum We Are Like A Time Bomb (2017, Deepland Records), que promete ser sucedido ainda em 2020 por um segundo full-lenght, do qual já foi disponibilizado o single Breaking Chains.

Além destas cinco bandas, estarão animando o público que comparecer ao Deepland Festival IV os DJ’s Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff. O Deepland Festival IV acontecerá no Fofinho Rock Club, na avenida Celso Garcia, próximo ao metrô Belém. Os ingressos do primeiro lote ainda estão sendo vendidos e custam 170 reais.


SERVIÇO
DEEPLAND FESTIVAL IV

Bandas: Aeon Sable (Ale), Capitals (Mex), Los Malkavian (Col), Ego Eris (Bra), Electro Bromance (Bra)
DJ’s: Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: 22:00
Local: Fofinho Rock Club. Avenida Celso Garcia, 2728 (próximo ao metrô Belém), São Paulo/SP
Ingressos: R$170,00 (primeiro lote), R$200,00 (segundo lote), R$240,00 (terceiro lote)
Venda on-line: Kingdom Rock Store, Wave Records
Venda física: Fake No More, Reversa e Fofinho Rock Club (venda física apenas para pagamentos em dinheiro)
Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/569229240522339/
Realização: Deepland Records









quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Festim dos Krampus: confira detalhes do evento que acontecerá em Fortaleza no dia 13 de dezembro



O Krampus é um ser que, segundo as mitologias pagãs europeias, perseguia e punia as crianças mal comportadas durante o período que hoje conhecemos como Natal. Com o sincretismo religioso adotado pelo Cristianismo europeu, tornou-se uma tradição dizer que o Krampus acompanha São Nicolau (o Papai Noel) no mês de dezembro. É inspirado nesta figura mitológica que a Underdark Produções realiza seu último evento gótico de 2019 em Fortaleza, o Festim dos Krampus.

O Festim acontecerá em uma sexta-feira 13 de Lua Cheia, ocasião propícia para que o Krampus surja para punir aqueles que foram maldosos ao longo do ano que se encerra. Mas o Festim dos Krampus, na verdade, promete muita satisfação a todos que comparecerem à Casa Pagu, local que abrigará o evento, na próxima sexta-feira 13 as 20:00. As atrações musicais ficarão por conta do Maldigo. (Gothic Rock), com sua já conhecida atmosfera médio-oriental, e de duas novas bandas, L0st (Minimal Pós-Punk) e Anum Preto (Pós-Punk), que farão suas estreias ao vivo. Inclusive, o Anum Preto lançou recentemente seu primeiro trabalho de estúdio, Inferno Interno, disponível para audição no YouTube.

Além das atrações de bandas, o Festim dos Krampus terá sua trilha sonora animada pelos DJ’s Lugosi Noir, Enceladus e Caligari. Haverá também feira com lojas parceiras, sorteio de brindes, distribuição de zines e o lançamento da edição de nº 3 da revista Ossuário, a publicação oficial da Underdark Produções.

A Casa Pagu fica localizada na Avenida da Universidade, 2322, no bairro Benfica. Os ingressos custam 15 reais se comprados antecipadamente na Planet CD’s e no Covil Rock Bar. O ingresso na entrada do evento custará 20 reais.

SERVIÇO – FESTIM DOS KRAMPUS

Bandas: Maldigo., L0st, Anum Preto
DJ’s: Lugosi Noir, Enceladus, Caligari
Data: 13 de dezembro (sexta-feira)
Horário: 20:00
Local: Casa Pagu. Avenida da Universidade, 2322, Benfica, Fortaleza.
Ingressos: R$15,00 (antecipado), R$20,00 (portaria).
Pontos de venda: Planet CD’s e Covil Rock Bar.
Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/513043139284139/

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Das Projekt e Plastique Noir lançarão o split “As Above, So Below” em novembro




Duas das principais bandas de Gothic Rock do país se uniram em um projeto que promete agradar a todos os fãs das bandas e do estilo no país e fora dele. Será lançado no próximo dia 21 de novembro o álbum As Above, So Below, no qual as bandas Das Projekt e Plastique Noir participam uma tocando as músicas da outra. O lançamento será feito através do selo Deepland Records.

Os cearenses do Plastique Noir homenagearam o Das Projekt gravando as músicas Arabian Beauties, The Broken Altar, Christine, Dream Never Ends, Warrior e Ann In The Dark Room. Já os veteranos paulistas retribuíram a homenagem ao cearenses com o registro de Fugitive Dawn, Shadowrun, Rose Of Flesh And Blood, Houdini, Those Who Walk By The Night e Empty Streets. Jean Rié (ex-Scarlet Leaves) foi o responsável pal mixagem das faixas gravadas pelo Plastique Noir, enquanto Gê Lucas, guitarrista do Das Projekt, ficou responsável pela mixagem das músicas gravadas por sua banda e também da masterização do split por completo.

As Above, So Below já está disponível para pré-venda através do site www.kingdomrockstore.com. Para pedidos internacionais, o mesmo deve ser feito pelo e-mail da Deepland Records (info.deepland.records@gmail.com). Caso você esteja interessado em adquirir uma cópia de As Above, So Below, é melhor ser rápido, pois o split será lançado em uma única edição limitada a 300 cópias.

Confira no player abaixo um teaser com trechos de cada música do álbum. Recentemente ambas as bandas tocaram juntas no Deepland Festival em São Paulo.


sábado, 31 de agosto de 2019

Festim das Górgonas: evento enaltecerá participação feminina na cena gótica de Fortaleza




Será realizado em Fortaleza no dia 13 de novembro, uma sexta-feira, o Festim das Górgonas, evento que reunirá quatro DJ’s femininas da capital cearense, cada uma trazendo sets que enaltecem e relembram os grandes ícones femininos do Pós-Punk, do Rock Gótico, do Darkwave e do Deathrock e do New Wave, dentre outros estilos.

Segue abaixo os nomes das DJ’s que movimentarão o evento, bem como as artistas e bandas que cada uma homenageará em seus sets:

DJ Lugosi Noir
45 Grave
Penis Flytrap
Super Heroines


DJ JuJu
Siouxsie and the Banshees
Xmal Deutschland
Nina Hagen

DJ Creep
Malaria!
Selofan

DJ Madame Satã
Diva Destruction
Scary Bitches

Além das apresentações das DJ’s, o evento abrirá espaço para exposições e bancas de lojinhas alternativas, bem como haverá sorteio de brindes. O Festim das Górgonas será realizado a partir de 19:00 na Casa Pagu, de responsabilidade do Coletivo Girls To The Front, que fica localizado na Avenida da Universidade, 2322, no bairro Benfica. A entrada custará R$10,00. O Festim das Górgonas é uma realização da Underdark Produções.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Aleah Starbridge: hoje, o Rouxinol da Tristeza completaria 43 anos de idade



Texto: Bruno Rocha

O Rouxinol da Tristeza cantava de forma diferente de seus pares. Enquanto os outros rouxinóis cantavam alegremente e assim também alegravam aqueles que os ouviam, o rouxinol o qual me refiro cantava sobre suas dores e sua solidão. Sua música era triste, sua voz, fantasmagórica, sua aparência, hipnótica. Mas o poder que sua voz tinha era mais forte e atraente que as dos demais. Sua voz era feitiço, encantava a qualquer um que a ouvisse, tal qual uma sereia mitológica que enganava e atraia para a morte os fracos navegantes da época. Aqueles que ousaram ouvir o seu canto estão inebriados até hoje, mesmo após sua triste partida.

Julia Liane Stanbridge nasceu na África do Sul, mais precisamente na Cidade do Cabo, no primeiro dia do sétimo mês de 1976. Seus pais eram de origem britânica e sueca. O trabalho de sua mãe exigia que ela viajasse constantemente, de modo que sua filha Julia nasceu distante de onde ela depois tomaria base. Somente no começo dos anos 2000 foi que Julia veio se fixar definitivamente na Suécia, onde ela iria ficar conhecida pelo seu trabalho musical. Suas primeiras participações em gravações de estúdio aconteceram em trabalhos eletrônicos, fazendo participações em álbuns lançados por Krister Linder e Omnimotion no ano de 2006. Sua primeira empreitada solo foi lançada em 2007, sob o nome artístico pelo qual ela se tornaria mais conhecida, Aleah.

Suas músicas solo funcionavam movidas unicamente por um violão, como um Folk tocado na beira de um pequeno lago, dentro de uma floresta nublada e úmida. Sua voz já trazia suas principais características: embebida em reverb, o Rouxinol cantava suavemente e de forma sombria e tímida, ingredientes suficientes para encantar o ouvinte incauto. Um dos muitos que ficaram encantados por sua voz foi o músico Andy Cousin, do All About Eve e que também já foi integrante do The Mission. Andy e Aleah fundaram o projeto de Rock Gótico That Which Remains, que esteve na ativa somente em estúdio entre 2007 e 2008. Foi neste período que Aleah começou a trabalhar em outro projeto, aquele que seria sua verdadeira metamorfose em forma de música.



Desta vez, seu parceiro musical seria Juha Raivio, guitarrista da banda de Melodic Death/Doom Metal Swallow The Sun. Eles seriam parceiros não só musicalmente, mas também platonicamente. A química que existia entre ambos não contribuiu somente com o amor que era mútuo, mas também na criação de composições musicais únicas e doloridas. Ambos botaram em prática a partir de 2009 o projeto Trees Of Eternity. Este projeto era um pouco parecido com a sonoridade Death/Doom da banda original do guitarrista, mas era mais atmosférico e etéreo, graças principalmente à contribuição criativa do Rouxinol. O primeiro fruto deste combo musical só foi revelado ao mundo em 2013, através da demo Black Ocean, que trazia em si quatro composições. Estas foram reaproveitadas no primeiro lançamento oficial do grupo, Hour Of The Nightingale (Hora do Rouxinol), lançado em 2016 via Svart Records.

Na verdade, o álbum começou a ser gravado em 2014 e os músicos que o gravaram formavam uma seleção do Doom Metal da época. Além do Rouxinol e de Juha Raivio, o Trees Of Eternity contava com os irmãos Fredrik e Mattias Norrman na guitarra e no baixo, respectivamente. Na bateria, tínhamos Kai Hahto, que até recentemente era baterista do Nightwish. O Atmospheric Doom Metal do grupo não tinha nada de guitarras beirando o Death Metal ou vocais guturais, como é de costume no chamado Metal Gótico. O enfoque do Trees Of Eternity era passional. Nada poderia alterar a concentração do ouvinte, ou tirá-lo do transe hipnótico ao qual o mesmo era submetido ao ouvir a voz doce e fantasmagórica de Aleah Starbridge (sim, seu nome artístico incorporou um “R” no sobrenome, passando a ser StaRbridge). A atmosfera criada pelas músicas e pela voz do Rouxinol era absurdamente densa, sombria, soturna. Mas ao mesmo tempo bela e aconchegante. Formava-se no álbum um ambiente nublado e frio, que emanava muita tristeza e, ao mesmo tempo, amor e saudade. Não raro as músicas trazem lágrimas aos olhos do ouvinte devido a grande carga emocional imprimida pela voz de Aleah e pelas melodias tristes e inspiradíssimas de Juha Raivio.




Não deu tempo de Aleah Starbridge ver sua obra-prima revelada ao mundo. Ela partiu deste plano aos 18 dias do quarto mês de 2016, sete meses antes do lançamento oficial de Hour Of The Nightingale. O álbum foi lançado postumamente e, portanto, serviu como epitáfio para o túmulo do Rouxinol, exibindo ao mundo todo o poder de sua voz e de sua interpretação. A vida imita a arte, afinal. Tristemente, a música do Trees Of Eternity faz muito mais sentido sabendo que sua mentora-mor já partiu daqui. Ela, que cantava sobre saudade, tristeza e morte, sem querer prenunciava a sua própria partida. Um câncer a levou na tenra idade de 39 anos e deixou na Terra sua obra e seu legado musical e poético. Ficou também a sua voz, em forma de ecos distantes, reverberada aos quatro ventos pelos tormentos da melancolia, que torna tudo úmido e escuro. O poder de sua voz é tamanho que não se faz necessária a presença de sua pessoa aqui na Terra. Sua própria voz continua a enfeitiçar e congelar a cada um que a ouve.

Aleah Starbridge também colaborou em músicas do Swallow The Sun, de seu parceiro Juha Raivio, e do Amorphis, banda finlandesa de Metal Progressivo. Raivio deu início então ao projeto Hallatar, como forma de eternizar e mostrar ao mundo as criações artísticas que Aleah ainda tinha escondidas. O primeiro álbum do Hallatar não poderia ter nome mais sugestivo: No Stars Upon The Bridge.

Se o Rouxinol virou estrela ou não, ninguém sabe. Fato é que os outros rouxinóis da Terra não conseguem emular seu canto soturno e hipnótico. Eles são comuns. Só conseguem alegrar e cantar alegrias. Mal sabem eles que a vida é uma mistura fatal de alegrias e tristezas, sendo as segundas mais abundantes que as primeiras. Vai ver, eles mesmos ficaram tristes com a partida de Aleah...

“À noite, as cortinas descem / Dentro da escuridão eu vagueio / Perdendo tudo que encontrei / Para o meu próprio desânimo / Meu tempo chegou a um fim.” (Trees Of Eternity - My Requiem)



sexta-feira, 28 de junho de 2019

Resenha: She Past Away - Disko Anksiyete (2019)



Disko Anksiyete – She Past Away (Metropolis Records, Fabrika Records, 2019)

Tracklist:

01. Boşluk (Intro)
02. Durdu Dünya
03. Disko Anksiyete
04. Izole
05. La Maldad
06. Renksiz
07. Sonbahar
08. Girdap
09. Yükseliyor Deniz
10. Ağıt

Line-up:
Volkan Caner – vocais, guitarras
Doruk Öztürkcan – sintetizadores, drum-machine, produção



Texto: Bruno Rocha

O She Past Away se tornou um fenômeno dentro do Darkwave ao longo da década atual e não foi à toa. Sua sonoridade facilmente identificável e peculiar traz homogeneidade em sua pegada dançante e climas sombrios. Ao longo dos últimos quatro anos desde o lançamento de seu último álbum, Narin Yalnızlık, o She Past Away aumentou substancialmente a ansiedade de seus fãs por um terceiro álbum, que finalmente veio agora em 2019 com o sugestivo nome de Disko Anksiyete (Ansiedade pelo Disco).

Este novo lançamento é o primeiro álbum com a nova formação da banda, que sofreu uma mudança em 2015 com a saída do baixista İdris Akbulut e a efetivação de Doruk Öztürkcan como integrante oficial, responsável pelos sintetizadores e pela bateria eletrônica. Doruk já acompanhava a banda desde seus primórdios responsável tanto pela produção dos álbuns como pela bateria eletrônica. Segundo o membro-fundador e principal compositor Volkan Caner (vocais, guitarras), em recente entrevista ao site Regen Magazine, a saída de Idris não afetou em nada a sonoridade do She Past Away, uma vez que suas linhas de baixo eram exclusividade das apresentações ao vivo e que o que se ouve nos álbuns são linhas feitas em sintetizadores. Se a saída do baixista afetou ou não a sonoridade da banda turca, o que se percebe em Disko Anksiyete é uma preocupação maior em soar mais dançante, mais Synthpop, do que em relação aos dois álbuns anteriores, principalmente em sua primeira metade. Apesar de o DNA do som da banda não ter se alterado, as guitarras estão mais tímidas e em posição de segundo plano, com os sintetizadores tomando a frente das composições de forma mais robusta. Na segunda metade do disco, as guitarras tentam novamente ficar em pé de igualdade com os sintetizadores, lembrando os dois álbuns anteriores.

A primeira metade de Disko Anksiyete deixa sua proposta bem clara. Após a faixa introdutória, chega Durdu Dünya, uma faixa bastante forte e empolgante, uma maravilha de composição que traz em seu cerne um ritmo dançante e uma seção intimidadora em sua metade. A pista de dança continua a todo vapor na faixa-título, que ganhou um videoclipe que ilustra bem o que vem sendo afirmado até aqui. Izole traz consigo as guitarras em primeiro plano e um tom melancólico, rememorando as composições do debut Belirdi Gece (2012). Em contraponto a melancolia de Izole, a faixa seguinte, La Maldad, traz um clima descontraído e até mesmo alegre em sua estrutura de arranjos, algo nunca visto em se tratando de She Past Away. Outra curiosidade desta faixa é que ela é a primeira composição da banda que não é cantada em turco, mas sim em espanhol. Cabe lembrar que uma das bases do grupo é a cidade de Barcelona, além de sua terra-natal, Bursa, e da capital grega, Atenas.

A partir da faixa 6, Renksiz, uma faixa marcante do começo ao fim, o clima de Disko Anksiyete fica mais sério novamente. Sonbahar é mais lenta e introspectiva, trazendo novamente a guitarra de Volkan Caner em evidência com seus timbres cheios de chorus e tremolos. A faixa seguinte, Girdap, segue a trilha deixada por sua antecessora, desta vez com os sintetizadores tomando de conta da liderança da música. Um dos grandes destaques do álbum aparece na faixa de nº 9, Yükseliyor Deniz. Bem mais negra e melancólica que suas antecessoras, traz em seu instrumental um tom diferente, como de anoitecer, além de ser mais uma cobaia do álbum a testar as guitarras a frente. Pegando carona na faixa anterior, surge Ağıt, que encerra o álbum de forma introspectiva e calma, como uma despedida de alguém que parece que nunca mais vai voltar.

Os elementos de estúdio que fazem parte do som único do She Past Away foram mantidos, como a produção abafada e vintage, rememorando a década áurea do estilo, e as toneladas de ecos e reverbs nos vocais de Volkan Caner. Tanto efeito em sua voz é um elemento essencial para a melancolia e a identidade do som do grupo; por outro lado, seus vocais se tornam quase ininteligíveis, e não é só pelas letras em turco, pois mal se notou a diferença de idiomas em La Maldad, cantada em espanhol. A arte de capa, criada por Ufuk Ergün e por Marilia Fotopoulou, exibe bem a proposta ora dançante, ora introspectiva do álbum.

Com Disko Anksiyete, os turcos provam mais uma vez que conseguem ser ousados, variados e experimentais dentro de seu próprio estilo mesmo sem se desvencilhar de seu norte musical, o Pós-Punk/Darkwave. Ora com as guitarras na frente, ora agora com os sintetizadores, vale muito a pena curtir esse som empolgante e sombrio do She Past Away. E quem se importa que as letras são em turco? As letras de Volkan abordam a ansiedade e questões existenciais, mas se você não entende turco (e nem confia no tradutor do Google), a música e os arranjos conseguem falar por si só. Basta o ouvinte estar aberto a receber o clima e a mensagem que a música quer transmitir e deixar que as percepções e as emoções tomem conta do resto.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Resenha: Plastique Noir - 24 Hours Awake (2015)




24 Hours Awake – Plastique Noir (Wave Records, 2015)

Tracklist:
01. My Drifitng Flight
02. 24 Hours Awake
03. Losing Halo
04. Negatives
05. Dystopian Song
06. Secret Admirer
07. Dead Boys
08. Rock n’ Roll Is Over
09. Tom Brazil
10. The Fallin Queens District
11. Point Break
12. Chariots
13. Tyrannosaur
14. Gall Bladder (Rancor)
15.
Vesper
16. Omnia

Line-up:
Airton S. – vocais, programação
Danyel Noir – guitarras
Deivyson Teixeira – contrabaixo

Participação:
Karolina Escarlatina- vocais em Tom Brazil


A música é uma arte em constante evolução e está sempre em processo de metamorfose. Exemplo: não durou cinco anos desde o surgimento do Punk Rock na metade dos anos 70 para que o estilo se transformasse e agregasse para si novos elementos sonoros e climáticos. Graças ao Joy Division, que deu sua interpretação para o Punk Rock com acréscimo de teclados e moldagem de atmosferas introspectivas e por vezes depressivas, surgia o Pós-Punk, ou Post Punk, como queiram. Novamente, durante o começo dos anos 80, o estilo pioneirizado pelo Joy Division entrou em processo de metástase dando origem a outros estilos como o Rock Gótico, cuja cartilha são os primeiros trabalhos de The Cure, Bauhaus e Siouxsie And The Banshees. Em termos de Brasil, temos aqui alguns alunos que estudaram por esta cartilha, sendo o mais aplicado deles a banda cearense Plastique Noir.

Fundada em 2005, o grupo formado por Airton S. (vocais, programação), Danyel Noir (guitarras, Facada) e Deivyson Teixeira (contrabaixo) chegou em 2015 lançando seu terceiro trabalho de estúdio, 24 Hours Awake, pela gravadora Wave Records. O som do grupo não traz nada de inovador dentro do estilo, já que, como foi enxertado neste texto, a banda segue a cartilha do Pós-Punk/Rock Gótico, cujas composições tem a intenção de criar climas soturnos e negros com o auxílio de efeitos como reverb na guitarra a solar quase que o tempo todo e o contrabaixo em posição de protagonista junto a guitarra. Por vezes, o baixo assume a frente da música enquanto a guitarra fica na base. Por outro lado, o Plastique Noir impõe uma identidade absurda em sua música; com efeito, mesmo que o ouvinte identifique as influências de Joy Division e Bauhaus, sabe que tal composição tem a cara do Plastique Noir.

Em 24 Hours Awake, a banda resolveu inovar um pouco no direcionamento de algumas músicas, fazendo-as mais rápidas, frenéticas e até mesmo dançantes, diferentemente do álbum anterior, Affects (2011, Wave Records), que priorizou músicas mais lentas. O Plastique Noir apresenta versatilidade neste álbum, pois em suas 16 músicas (pode parecer muito, mas o tempo normal de pouco mais de 50 minutos foi obedecido) o grupo varia andamentos e climas diversas vezes. Apesar de apresentarem baladas movidas a violão como Dystopian Songe Chariots, os grandes destaques são mesmo as músicas rápidas e negras como a faixa-título, Rock n’ Roll Is Over (que música!), Tyranossaur e Tom Brasil, está última com a participação de Karolina Escarlatina, vocalista do duo gótico mineiro Escarlatina Obsessiva. Nestas composições o timbre do contrabaixo carrega as músicas com seu timbre úmido e terrorista, que, aliados à guitarra cheia de reverb de Danyel (guitarrista da banda local de Grindcore Facada), transportam o ouvinte para dentro de uma caverna mental, isolado, apreensivo e melancólico. Sem contar a interpretação vocal de Airton S., que se mostra aqui um exímio aluno de Peter Murphy (Bauhaus).

Outros destaques ficam por conta de Losing Halo (refrão grudento!), Secret Admirer (com uma forte veia The Cure), Dead Boys (calma e triste) e Vesper, a primeira composição do Plastique Noir em português, conduzida por uma levada de contrabaixo típica de Peter Hook (ex-Joy Division, New Order). Mesmo que este redator não cite todas as músicas, 24 Hours Awake é um álbum que deve ser ouvido do começo ao fim; aqui não existe buracos ou trechos descartáveis. Tudo aqui foi bem composto e planejado com o fim de se atingir o ápice de uma música que toque os sentimentos mais profundos do ouvinte. Por incrível que pareça, a banda não sente falta de uma bateria acústica. A programação de bateria feita pelo próprio Airton S. ajuda a moldar a atmosfera das composições graças à sua abordagem minimalista.

24 Hours Awake foi gravado no estúdio 746 sob a produção de Jorge Albuquerque e da própria banda. Tudo é muito nítido aos ouvidos, mesmo que a sujeira e lama que o estilo necessita estejam bem assentadas. Na Terra Onde O Sol Reina, mesmo que a banda seja conhecida no cenário Rock da região e também uma das maiores referências do estilo no país, tendo inclusive reconhecimento no exterior, o Plastique Noir habita nos porões do underground, onde sua música negra e melancólica é melhor sentida e absorvida. Vale a pena se deixar entregar a esta atmosfera. Se for para sentir todo esse reverb e vislumbrar o negrume sonoro permitido pelo Plastique Noir, vale a pena ficar acordado 24 horas por dia, ou mais.




Clan Of Xymox: banda desembarca na América do Sul para uma série de shows em setembro e em outubro




A lenda holandesa do Gothic Rock/Darkwave Clan Of Xymox anunciou ontem a perna sul-americana de sua atual turnê, que ainda promove o seu lançamento mais recente, o álbum Days Of Black (2017). A banda liderada pelo membro fundador Ronny Morrings desembarca no dia 27 de setembro em Santiago, capital do Chile, e fica em terras sul-americanas até o dia 07 de outubro, data do show em Lima, no Peru.

Além destas duas datas, a passagem do Clan Of Xymox pela América do Sul contemplará São Paulo, que receberá os holandeses no dia 29 de setembro, em show que acontecerá no The House. Logo abaixo seguem todas as datas nas quais Ronny Moorings e companhia se apresentarão pela América do Sul:

27/09 – Santiago/CHI (Blondie)
28/09 – Valparaiso/CHI (local a confirmar)
29/09 – São Paulo/BRA (The House)
01/10 – Buenos Aires/ARG (Casa Rock Palermo)
02/10 – Montevideo/URU (Bluzz Live)
04/10 – Assunção/PAR (local a confirmar)
05/10 – La Paz/BOL (local a confirmar)
07/10 – Lima/PER (CC Festiva)

Após as datas na América do Sul, o Clan Of Xymox volta para a Europa para uma única apresentação no Reino Unido antes de voltar para o nosso continente em novembro, desta vez na parte Norte, para uma série de shows nos Estados Unidos e no Canadá. Este giro pela América do Norte deveria ter acontecido em março, mas a banda foi prejudicada no momento de retirar os vistos de entrada nos EUA, prejuízo esse ocasionado pelo impasse do governo norte-americano com o congresso acerca do orçamento para a construção do famigerado muro na fronteira com o México, o chamado shutdown.

O Clan Of Xymox foi fundado em 1983 e desde então se tornou um dos representantes mais respeitados do Rock Gótico, em especial por serem considerados um dos pioneiros do gênero Darkwave, cuja música e letras sombrias aparecem aliadas com elementos eletrônicos e/ou industriais. Atualmente a banda ainda promove seu mais recente lançamento, Days Of Black (2017), seu décimo-sétimo álbum de estúdio. Maiores informações acerca da única apresentação do Clan Of Xymox no Brasil em 2019 serão divulgadas em breve.