Dois dos mais influentes bateristas do Pós-Punk e do Rock
Alternativo em geral anunciaram recentemente que estão trabalhando em um
projeto em conjunto. Lol Tolhurst e Peter Edward “Budgie” Clarke,
respectivamente ex-bateristas do The Cure e do Siouxsie And The
Banshees, divulgaram que estão trabalhando em um novo projeto em conjunto
chamado LXB. O anúncio foi feito em entrevista que ambos concederam ao programa Volume West, da rádio norte-americana Sirius XM, no último dia 22 de
maio.
Tolhurst e Budgie estavam como convidados do referido
programa, acontecido no Dia Mundial Gótico, para contar detalhes dos primeiros
anos de suas duas bandas e também sobre o Batcave. Sobre o projeto LXB, os
bateristas afirmaram que ele surgiu na verdade como um trio, o qual era
complementado pelo também baterista Kevin Haskins (Bauhaus, Tones On
Tail, Love And Rockets). Enquanto eles estavam compondo as primeiras ideias do
LXB, Haskins precisou deixar o projeto tendo em vista o retorno aos palcos com
o Bauhaus. Mesmo assim, Tolhurst e Budgie admitem que Haskins pode sim fazer parte
das gravações da estreia do LXB.
Sobre esta estreia, os bateristas preveem que ela será
lançada próximo ao fim deste ano, já que eles querem ter certeza que poderão
excursionar promovendo o álbum em 2021, quando espera-se uma amenização dos
efeitos da pandemia de COVID-19.
Os músicos também afirmaram que, por se tratar de um projeto
capitaneado por dois bateristas, as composições do LXB tendem a ter um foco no
ritmo e que, em vários momentos, as músicas podem lembrar uma mistura dos
primeiros trabalhos do The Cure com The Creatures, duo experimental de
Budgie com Siouxsie Sioux.
Lol Tolhurst foi um dos membros-fundadores do The Cure em
1976 e por lá tocou até 1989. Depois, focou seus esforços nas bandas Presence
e Levinhurst antes que ele se reunisse com o The Cure para alguns shows
em 2011 tocando os três primeiros álbuns da banda na íntegra. Já Budgie foi
baterista do Siouxsie And The Banshees de 1979 até 1996. Sua parceria com a
cantora Siouxsie Sioux se estendeu para além da banda, ensejando a criação do
The Creatures, projeto dos dois focado em experimentações com vocais e
percussão. Ambos foram casados de 1991 até 2007. Budgie também já prestou
serviços para diversos músicos como Hector Zazou, Jessie Evans, John Cale
(The Velvet Underground) e John Grant (The Czars) e também para as bandas Indigo
Girls, Juno Reactor e Efterklang.
São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de
Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da
sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única
forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada
vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão
rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se
aproximam.
Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa,
que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou
adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui
no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de
2020 adiadas para o ano que vem.
A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado
sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria
realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente
para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition,
a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês
É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece
todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes
podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em
2021 junto às bandas já asseguradas.
“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus
e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic
2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus
Christi.
Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os
trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos,
Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na
Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival
( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do
público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá
normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais:
a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial,
Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A
NOVA DATA!!!”
Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em
São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez
para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá
o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable,
os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os
brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a
produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:
“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as
bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia)
tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram
unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube
tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que
na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.
A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de
janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com
muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros,
certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma
recessão.
Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é
justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua
participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1
ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os
braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de
todo o Brasil.”
Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.
Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas
atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de
Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus
não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as
vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto
e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.
Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para
festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.
O The Black Capes surgiu recentemente, em 2016, na milenar
Atenas. O Rock praticado pelo quarteto se encontra no limite do Gothic Rock com
o Metal, como se os arranjos típicos do Fields Of The Nephilim se misturassem
com as facetas mais comerciais do Paradise Lost, unindo melodias sombrias e
grudentas com peso.
Apesar de ser uma banda nova, o grupo já alcançou alguns objetivos
dos quais podem se orgulhar, como ter seu álbum de estreia, All These Monsters
(2017), no top 10 das paradas alternativas da Alemanha, além de já ter dividido
o palco com nomes como o já citado Paradise Lost, por exemplo. A banda, formada
por Alexander S. Wamp (vocais), Thanos Jan (guitarras), Dorian
Gates (contrabaixo) e Christos Grekas (bateria), está agora prestes
a lançar o seu segundo full-length, Lullabies For The Dead, do qual foi
extraída a música And I Wait, que ganhou videoclipe que você pode assistir no
player abaixo.
Lullabies For The Dead foi produzido por Peter
Rutcho e teve sua arte de capa elaborada pelo artista Angry Blue,
que já trabalhou com Guns n’ Roses, Iggy Pop e Faith No More, dentre vários
outros nomes conhecidos. Seu lançamento se dará no próximo dia 10 de abril
através da gravadora Dark Tunes Music Group.
Line-up (álbum):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Valdênio Solfieri - guitarras, vocais de apoio
Thiago Macedo - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine
Line-up (atual):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Alexandre Castelo Branco - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine
Texto: Bruno Rocha
Rumores reportados de Campina Grande deram conta de uma
reunião numerosa e agitada em um ponto afastado do Parque Louzeiro, região de
mata da cidade. Não, não era dia de jogo entre Treze e Campinense (dois times
que sempre me trazem boas lembranças, pois meu Ferroviário derrotou ambos nas
fases finais da Série D de 2018). Muito menos, essa reunião não era de pessoas
comuns. Era uma congregação de seres sobrenaturais que se regozijavam naquele local
que, naquele momento, só pertencia a eles. Haviam lobisomens, vampiros, seres
que mais se assemelhavam a anjos caídos e valquírias. Entre todos eles, um ser em
especial se destacava. A lendária mulher dos cabelos de serpente, aquela a qual
fora violada por Poseidon e amaldiçoada por Atena milhares de anos atrás.
Cada ser tinha sua própria história antes de chegarem a esta
reunião. Contos de amor, de sedução e, acima de tudo, de desgraças sofridas, eram
pontos em comum entre cada uma de suas vidas conturbadas. Animava aquela distinta tertúlia um grupo de quatro músicos locais, especialistas em seres sobrenaturais que fizeram
por onde conquistar a confiança daquelas entidades. Esses músicos e poetas
atendiam pelo nome Noturna Régia. Seu álbum mais recente, Sobre Anjos
& Outros Contos, traz músicas cujas letras contam as histórias daquelas malditas criaturas.
Este é o primeiro álbum de estúdio do grupo paraibano de
Rock Gótico formado atualmente por Daniel D.vill (vocais), Rodolfo
Tietre (guitarras, vocais de apoio), Alexandre Castelo Branco
(contrabaixo) e a Miss Phantom II, que nada mais é do que a drum machine
usada pelo grupo, uma parente distante do Dr. Avalanche, a drum machine do The Sisters
Of Mercy. À época da gravação, a banda ainda contava com Daniel e Rodolfo da
formação atual, mais Valdênio Solfieri nas guitarras e Thiago Macedo
no contrabaixo. O Noturna Régia foi fundado em 2011 e é atualmente uma das forças
proeminentes do cenário gótico de Campina Grande, cidade que possui uma das
cenas mais movimentadas do país dentro da cultura Dark. SobreAnjos &
Outros Contos representou o ápice da história da banda em termos de
lançamentos, tendo em vista que o grupo havia lançado antes a demo Noturna
Régia (2012) e o EP Artemísia (2016). O full-length foi produzido, mixado e
masterizado por Cristiano Costa, reconhecido produtor e músico da cidade
de Campina Grande e do estado da Paraíba.
O ritual descrito brevemente nos primeiros parágrafos deste
texto tem início em Licantropo, uma música que traz uma batida
percussiva em sua bateria e guitarras não menos sincopadas, lado esse reforçado
pelo timbre pesado e pelas palhetadas abafadas. Daniel canta com uma letra bastante
inspirada e com um vernáculo riquíssimo (uma tônica em todo o álbum) sobre os
dilemas e as ações dos lobisomens. Isabel, a personagem da próxima
música, é uma vampira insaciável que não se intimida até mesmo diante de crucifixos
e de estacas. Depois da metade da música, a banda cria um espaço que instiga o
ouvinte para cantar junto o grudento refrão. Os timbres das guitarras nesta música
e o andamento lembraram a este escriba o álbum Affects, da banda cearense
Plastique Noir. É quase possível ouvir em sua mente a voz de Airton S. cantando
o refrão junto a Daniel D.vill.
Por falar em refrão grudento, se prepare, pois os “cabelos
de serpente” da Medusa, aquela que petrifica aqueles que ousam
encará-la, ficarão impregnados na sua cabeça. A música que carrega no título o
nome da górgona mais famosa é um dos grandes destaques do álbum graças ao seu
clima sombrio (reforçado pela escala de Fá Sustenido Menor, uma das mais soturnas
para os ouvidos deste que vos escreve), que remete este redator a uma cabana
isolada sob um temporal à noite, a letra e as melodias vocais. Anjos Caídos traz
uma atmosfera mais calma, mas não menos soturna. Destaque aqui para os solos de
guitarra em cada música, sempre bem encaixadas e criadas.
Um dos grandes destaques do álbum surge agora com Artemísia,
uma peça de quase oito minutos de puro êxtase sentimental, uma das melhores
composições góticas dos últimos anos. Seus arranjos reverberados e os strings convidam
o ouvinte a adentrar numa atmosfera etérea e inebriante, como uma neblina densa
em alguma clareira no outono. Aqui mais uma vez Daniel usa o recurso de subir
uma oitava em seu tom de voz próximo ao fim da música, recurso esse que enseja
um clímax à canção, como um ser que atinge o nirvana. Daniel é dono de graves
bem cantados e de barítonos marcantes. O sonho se encerra quando começa a
ameaçadora e pesada Carne Trêmula, com destaque para o trecho quando o
tom da música sobe acompanhado por um teclado em chorus, como que escurecendo a
paisagem já desolada da música, e a bateria se torna mais frenética.
A princípio senti pena da música Sonhos & Pesadelos,
pois ela, com sua pegada sentimental (como uma Artemísia acelerada) foi
ensanduichada por duas das músicas mais pesadas do álbum, a já citada Carne
Trêmula e Klaustrofobia, esta um verdadeiro Metal Industrial daqueles
ensinados pela Neue Deutsche Hërte alemã, e que conta inclusive com berros
guturais. Entretanto, muito embora a letra de Klaustrofobia faça menção
a sufocamento e agonia, Sonhos & Pesadelos tem seu valor, tal qual
uma flor que brota solitária e imponente entre massivos rochedos. O álbum se
encerra com a belíssima Valquíria, que com seu andamento lento e calmo,
conduz o ouvinte por uma viagem eterna por mares pacíficos rumo à eternidade, ou
para onde os seus mais recônditos pensamentos queiram que você vá.
A produção de Cristiano Costa deixou todos os instrumentos bem
equalizados e nítidos aos ouvidos, sabendo domar com perícia os mais diversos
timbres e efeitos usados nas guitarras, impedindo que elas duelassem com os vocais.
Após as gravações do álbum, o guitarrista Valdênio Solfieri e o baixista Thiago
Macedo deixaram o Noturna Régia. Porém, suas contribuições às músicas e a
história da banda não foram renegadas pelos integrantes permanentes. É tanto
que magnífica arte de capa do álbum traz dois ômegas entrelaçados, representando
os agora ex-integrantes.
Esta foi a trilha sonora que embalou a tertúlia sobrenatural
nas matas de Campina Grande em uma noite indeterminada. A Medusa dos Cabelos de
Serpente voltou aos seus domínios subterrâneos, os anjos caídos continuaram a vagar
sem rumo pela noite fria, escoltados pelos seres licantropos movidos pela sedutora
lua cheia. A vampira Isabel persistiu em sua busca incessante por vítimas para
saciar o insaciável enquanto as valquírias retornaram a nórdica Valhalla. Já os
músicos do Noturna Régia, estes continuam a animar as festas de sua cidade e de
seu estado. Que estes continuem transbordando seu exímio talento músico/poético
em prol da música gótica, como uma serpente que deixa escapar o excesso de
veneno por suas presas, e que continuem a nos embalar com as histórias de seus
amigos mitológicos.
A banda brasiliense Signo 13 continua a sua saga de
lançamentos mensais de singles. Relembrando: o grupo formado por Felipe
Rodrigues (vocais, guitarras, contrabaixo) e Rubens Cardoso
(bateria) está lançando um single por mês, de setembro de 2019 até outubro de
2020, para enfim lançar o álbum completo Serpentário, que será composto
dos 13 singles. O número se refere não só ao nome da banda, mas também à
constelação de Ofiúco, ou Serpentário, que seria o 13º signo no Zodíaco.
O single da vez foi Águas Primitivas. A música que
traz uma pegada mais radiofônica, remetendo a alguns nomes do Rock brasileiro (por
que não dizer, brasiliense) oitentista, contou com a participação especial de Cisso
Cerqueira na gaita. A arte de capa foi elaborada por Armando Salmito
e a letra foi criada por Márcio Calixto (Vesuvia, Stenamina Boat).
Confira no player abaixo o clipe oficial de Águas
Primitivas:
Da última vez em que reportamos os lançamentos do Signo 13, a
banda havia acabado de lançar o segundo single dessa jornada, Abismo Céu.
Portanto, disponibilizamos também nos players abaixo os demais singles lançados
desde Abismo Céu e Águas Primitivas. Confira Liberdade
Clandestina, Reflexo Disforme e Descontrução, Evolução.
Está marcado para o dia 26 de setembro, um sábado, a
esperada quarta edição do Deepland Festival, um dos principais eventos e encontros de música gótica do país, realizado pela Deepland Records. A edição deste ano
reunirá cinco grupos internacionais e nacionais que trarão consigo uma enorme
variedade de estilos de dentro do universo gótico/alternativo.
Uma das principais atrações do Deepland Festival IV serão os
alemães do Aeon Sable. Um dos nomes mais reconhecidos do Gothic Rock
atualmente, o grupo liderado pelo vocalista Nino Sable e pelo guitarrista
Din-Tah Aeon já tem em seu currículo passagens pelo Wave Gothik Treffen e Castle
Party e uma discografia de seis álbuns de estúdio. O som do Aeon Sable é
característico por trazer diversas influências que vão do esoterismo até o
Black Metal.
Do México virá a banda de Pós-Punk Capitals. O duo formado
por Jonathan Salazar e por Ivan Herrera traz um som empolgante e animado que
mostra influências de She Wants Revenge, Human Tetris e She Past Away. Recentemente
em 2019 o Capitals lançou o seu primeiro full-lenght, Año Once.
Outra atração internacional são os nossos vizinhos
colombianos do Los Malkavian. Mais um representante do Pós-Punk, o som do grupo
traz uma sonoridade mais distorcida e frenética, como ensinaram alguns dos
pioneiros do estilo como Bauhaus e Killing Joke, e também elementos de Shoegaze.
A banda formada por Alex Pela (vocais, bateria), Carolina Castaño (vocais,
guitarras), Jean Pierre Guarin (contrabaixo) e Mario López (guitarras) foi
fundada em 2013 na cidade de Medelin e tem em sua discografia o álbum Letargo,
de 2018.
De Recife estará presente a banda Ego Eris. Uma dos nomes
mais reconhecidos do Pós-Punk/Darkwave nacional, o grupo pernambucano estreou
em 2018 com o álbum Memento Mori, que foi sucesso de pedidos para o mercado
especializado estrangeiro segundo a gravadora Deepland Records, e já conta inclusive
com experiência internacional graças a participações no festival Tumbas
Eternas, no Peru, e no próprio Deepland Festival, no qual eles repetirão a
dose. O Ego Eris é formado por Marc Nero (guitarras, programação), Breno Romero
(vocais, programação) e Astroblack (contrabaixo, sintetizadores, programação).
Fechando o line-up do Deepland Festival IV estão os
paraibanos do Electro Bromance. O duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores,
programação) e por Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais)
vem de João Pessoa praticando um Synthpop com elementos de Future e Darkwave
bastante empolgante e que funciona perfeitamente ao vivo. O Electro Bromance
foi formado em 2015, mas já conta em seu currículo parcerias com nomes reconhecidos
nomes internacionais como os italianos do Ash Code, os canadenses do Decoded
Feedback e os mexicanos do Infected Sound System. O mais recente lançamento do
duo paraibano foi o álbum We Are Like A Time Bomb (2017, Deepland Records), que promete ser
sucedido ainda em 2020 por um segundo full-lenght, do qual já foi
disponibilizado o single Breaking Chains.
Além destas cinco bandas, estarão animando o público que
comparecer ao Deepland Festival IV os DJ’s Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e
Ricardo Wolff. O Deepland Festival IV acontecerá no Fofinho Rock Club, na avenida
Celso Garcia, próximo ao metrô Belém. Os ingressos do primeiro lote ainda estão
sendo vendidos e custam 170 reais.
SERVIÇO
DEEPLAND FESTIVAL IV
Bandas: Aeon Sable (Ale), Capitals (Mex), Los Malkavian
(Col), Ego Eris (Bra), Electro Bromance (Bra)
DJ’s: Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: 22:00
Local: Fofinho Rock Club. Avenida Celso Garcia, 2728 (próximo ao metrô Belém),
São Paulo/SP
Ingressos: R$170,00 (primeiro lote), R$200,00 (segundo lote), R$240,00
(terceiro lote)
Venda on-line: Kingdom Rock Store, Wave Records
Venda física: Fake No More, Reversa e Fofinho Rock Club (venda física apenas para
pagamentos em dinheiro)
Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/569229240522339/
Realização: Deepland Records
O Krampus é um ser que, segundo as mitologias pagãs
europeias, perseguia e punia as crianças mal comportadas durante o período que
hoje conhecemos como Natal. Com o sincretismo religioso adotado pelo Cristianismo
europeu, tornou-se uma tradição dizer que o Krampus acompanha São Nicolau (o
Papai Noel) no mês de dezembro. É inspirado nesta figura mitológica que a Underdark
Produções realiza seu último evento gótico de 2019 em Fortaleza, o Festim
dos Krampus.
O Festim acontecerá em uma sexta-feira 13 de Lua Cheia,
ocasião propícia para que o Krampus surja para punir aqueles que foram maldosos
ao longo do ano que se encerra. Mas o Festim dos Krampus, na verdade, promete
muita satisfação a todos que comparecerem à Casa Pagu, local que
abrigará o evento, na próxima sexta-feira 13 as 20:00. As atrações musicais
ficarão por conta do Maldigo. (Gothic Rock), com sua já conhecida atmosfera
médio-oriental, e de duas novas bandas, L0st (Minimal Pós-Punk) e Anum
Preto (Pós-Punk), que farão suas estreias ao vivo. Inclusive, o Anum Preto
lançou recentemente seu primeiro trabalho de estúdio, Inferno Interno, disponível
para audição no YouTube.
Além das atrações de bandas, o Festim dos Krampus terá sua
trilha sonora animada pelos DJ’s Lugosi Noir, Enceladus e Caligari.
Haverá também feira com lojas parceiras, sorteio de brindes, distribuição de
zines e o lançamento da edição de nº 3 da revista Ossuário, a publicação
oficial da Underdark Produções.
A Casa Pagu fica localizada na Avenida da Universidade,
2322, no bairro Benfica. Os ingressos custam 15 reais se comprados
antecipadamente na Planet CD’s e no Covil Rock Bar. O ingresso na entrada do
evento custará 20 reais.
SERVIÇO – FESTIM DOS KRAMPUS
Bandas: Maldigo., L0st, Anum Preto DJ’s: Lugosi Noir, Enceladus, Caligari Data: 13 de dezembro (sexta-feira) Horário: 20:00 Local: Casa Pagu. Avenida da Universidade, 2322, Benfica, Fortaleza. Ingressos: R$15,00 (antecipado), R$20,00 (portaria). Pontos de venda: Planet CD’s e Covil Rock Bar. Link do evento no Facebook:https://www.facebook.com/events/513043139284139/
Duas das principais bandas de Gothic Rock do país se uniram em
um projeto que promete agradar a todos os fãs das bandas e do estilo no país e
fora dele. Será lançado no próximo dia 21 de novembro o álbum As Above, So
Below, no qual as bandas Das Projekt e Plastique Noir participam uma tocando as músicas da outra. O
lançamento será feito através do selo Deepland Records.
Os cearenses do Plastique Noir homenagearam o Das Projekt
gravando as músicas Arabian Beauties, The Broken Altar, Christine, Dream Never Ends,
Warrior e Ann In The Dark Room. Já os veteranos paulistas retribuíram a
homenagem ao cearenses com o registro de Fugitive Dawn, Shadowrun, Rose Of Flesh
And Blood, Houdini, Those Who Walk By The Night e Empty Streets. Jean Rié
(ex-Scarlet Leaves) foi o responsável pal mixagem das faixas gravadas pelo
Plastique Noir, enquanto Gê Lucas, guitarrista do Das Projekt, ficou
responsável pela mixagem das músicas gravadas por sua banda e também da masterização
do split por completo.
As Above, So Below já está disponível para pré-venda através
do site www.kingdomrockstore.com.
Para pedidos internacionais, o mesmo deve ser feito pelo e-mail da Deepland
Records (info.deepland.records@gmail.com). Caso você esteja interessado em adquirir uma cópia de As Above, So Below, é melhor ser rápido, pois o split será lançado em uma única edição limitada a 300 cópias.
Confira no player abaixo um teaser com trechos de cada música do álbum. Recentemente ambas as bandas tocaram juntas no Deepland Festival em São Paulo.
Será realizado em Fortaleza no dia 13 de novembro, uma
sexta-feira, o Festim das Górgonas, evento que reunirá quatro DJ’s femininas da
capital cearense, cada uma trazendo sets que enaltecem e relembram os grandes
ícones femininos do Pós-Punk, do Rock Gótico, do Darkwave e do Deathrock e do
New Wave, dentre outros estilos.
Segue abaixo os nomes das DJ’s que movimentarão o evento,
bem como as artistas e bandas que cada uma homenageará em seus sets:
DJ Lugosi Noir
45 Grave
Penis Flytrap
Super Heroines
DJ JuJu
Siouxsie and
the Banshees
Xmal Deutschland
Nina Hagen
DJ Creep
Malaria!
Selofan
DJ Madame
Satã
Diva
Destruction
Scary Bitches
Além das apresentações das DJ’s, o evento abrirá espaço para
exposições e bancas de lojinhas alternativas, bem como haverá sorteio de
brindes. O Festim das Górgonas será realizado a partir de 19:00 na Casa Pagu,
de responsabilidade do Coletivo Girls To The Front, que fica localizado na
Avenida da Universidade, 2322, no bairro Benfica. A entrada custará R$10,00. O
Festim das Górgonas é uma realização da Underdark Produções.
O Rouxinol da Tristeza cantava de forma diferente de seus
pares. Enquanto os outros rouxinóis cantavam alegremente e assim também
alegravam aqueles que os ouviam, o rouxinol o qual me refiro cantava sobre suas
dores e sua solidão. Sua música era triste, sua voz, fantasmagórica, sua aparência,
hipnótica. Mas o poder que sua voz tinha era mais forte e atraente que as dos
demais. Sua voz era feitiço, encantava a qualquer um que a ouvisse, tal qual
uma sereia mitológica que enganava e atraia para a morte os fracos navegantes
da época. Aqueles que ousaram ouvir o seu canto estão inebriados até hoje,
mesmo após sua triste partida.
Julia Liane Stanbridge nasceu na África do Sul, mais
precisamente na Cidade do Cabo, no primeiro dia do sétimo mês de 1976. Seus
pais eram de origem britânica e sueca. O trabalho de sua mãe exigia que ela
viajasse constantemente, de modo que sua filha Julia nasceu distante de onde
ela depois tomaria base. Somente no começo dos anos 2000 foi que Julia veio se
fixar definitivamente na Suécia, onde ela iria ficar conhecida pelo seu
trabalho musical. Suas primeiras participações em gravações de estúdio aconteceram
em trabalhos eletrônicos, fazendo participações em álbuns lançados por Krister Linder
e Omnimotion no ano de 2006. Sua primeira empreitada solo foi lançada em 2007,
sob o nome artístico pelo qual ela se tornaria mais conhecida, Aleah.
Suas músicas solo funcionavam movidas unicamente por um
violão, como um Folk tocado na beira de um pequeno lago, dentro de uma floresta
nublada e úmida. Sua voz já trazia suas principais características: embebida em
reverb, o Rouxinol cantava suavemente e de forma sombria e tímida, ingredientes
suficientes para encantar o ouvinte incauto. Um dos muitos que ficaram encantados
por sua voz foi o músico Andy Cousin, do All About Eve e que também já foi
integrante do The Mission. Andy e Aleah fundaram o projeto de Rock Gótico That
Which Remains, que esteve na ativa somente em estúdio entre 2007 e 2008. Foi
neste período que Aleah começou a trabalhar em outro projeto, aquele que seria
sua verdadeira metamorfose em forma de música.
Desta vez, seu parceiro musical seria Juha Raivio,
guitarrista da banda de Melodic Death/Doom Metal Swallow The Sun. Eles seriam
parceiros não só musicalmente, mas também platonicamente. A química que existia
entre ambos não contribuiu somente com o amor que era mútuo, mas também na
criação de composições musicais únicas e doloridas. Ambos botaram em prática a
partir de 2009 o projeto Trees Of Eternity. Este projeto era um pouco parecido
com a sonoridade Death/Doom da banda original do guitarrista, mas era mais
atmosférico e etéreo, graças principalmente à contribuição criativa do Rouxinol.
O primeiro fruto deste combo musical só foi revelado ao mundo em 2013, através
da demo Black Ocean, que trazia em si quatro composições. Estas foram
reaproveitadas no primeiro lançamento oficial do grupo, Hour Of The Nightingale
(Hora do Rouxinol), lançado em 2016 via Svart Records.
Na verdade, o álbum começou a ser gravado em 2014 e os
músicos que o gravaram formavam uma seleção do Doom Metal da época. Além do
Rouxinol e de Juha Raivio, o Trees Of Eternity contava com os irmãos Fredrik e
Mattias Norrman na guitarra e no baixo, respectivamente. Na bateria, tínhamos
Kai Hahto, que até recentemente era baterista do Nightwish. O Atmospheric Doom
Metal do grupo não tinha nada de guitarras beirando o Death Metal ou vocais
guturais, como é de costume no chamado Metal Gótico. O enfoque do Trees Of
Eternity era passional. Nada poderia alterar a concentração do ouvinte, ou
tirá-lo do transe hipnótico ao qual o mesmo era submetido ao ouvir a voz doce e
fantasmagórica de Aleah Starbridge (sim, seu nome artístico incorporou um “R”
no sobrenome, passando a ser StaRbridge). A atmosfera criada pelas músicas e pela
voz do Rouxinol era absurdamente densa, sombria, soturna. Mas ao mesmo tempo
bela e aconchegante. Formava-se no álbum um ambiente nublado e frio, que
emanava muita tristeza e, ao mesmo tempo, amor e saudade. Não raro as músicas trazem
lágrimas aos olhos do ouvinte devido a grande carga emocional imprimida pela
voz de Aleah e pelas melodias tristes e inspiradíssimas de Juha Raivio.
Não deu tempo de Aleah Starbridge ver sua obra-prima
revelada ao mundo. Ela partiu deste plano aos 18 dias do quarto mês de 2016,
sete meses antes do lançamento oficial de Hour Of The Nightingale. O álbum foi
lançado postumamente e, portanto, serviu como epitáfio para o túmulo do
Rouxinol, exibindo ao mundo todo o poder de sua voz e de sua interpretação. A
vida imita a arte, afinal. Tristemente, a música do Trees Of Eternity faz muito
mais sentido sabendo que sua mentora-mor já partiu daqui. Ela, que cantava
sobre saudade, tristeza e morte, sem querer prenunciava a sua própria partida.
Um câncer a levou na tenra idade de 39 anos e deixou na Terra sua obra e seu
legado musical e poético. Ficou também a sua voz, em forma de ecos distantes, reverberada
aos quatro ventos pelos tormentos da melancolia, que torna tudo úmido e escuro.
O poder de sua voz é tamanho que não se faz necessária a presença de sua pessoa
aqui na Terra. Sua própria voz continua a enfeitiçar e congelar a cada um que a
ouve.
Aleah Starbridge também colaborou em músicas do Swallow The
Sun, de seu parceiro Juha Raivio, e do Amorphis, banda finlandesa de Metal Progressivo.
Raivio deu início então ao projeto Hallatar, como forma de eternizar e mostrar ao
mundo as criações artísticas que Aleah ainda tinha escondidas. O primeiro álbum
do Hallatar não poderia ter nome mais sugestivo: No Stars Upon The Bridge.
Se o Rouxinol virou estrela ou não, ninguém sabe. Fato é que
os outros rouxinóis da Terra não conseguem emular seu canto soturno e
hipnótico. Eles são comuns. Só conseguem alegrar e cantar alegrias. Mal sabem
eles que a vida é uma mistura fatal de alegrias e tristezas, sendo as segundas
mais abundantes que as primeiras. Vai ver, eles mesmos ficaram tristes com a
partida de Aleah...
“À noite, as cortinas descem / Dentro da escuridão eu vagueio
/ Perdendo tudo que encontrei / Para o meu próprio desânimo / Meu tempo chegou
a um fim.” (Trees Of Eternity - My Requiem)
O She Past Away se tornou um fenômeno dentro do Darkwave ao longo da década atual e não foi à toa. Sua sonoridade facilmente identificável e peculiar traz homogeneidade em sua pegada dançante e climas sombrios. Ao longo dos últimos quatro anos desde o lançamento de seu último álbum, Narin Yalnızlık, o She Past Away aumentou substancialmente a ansiedade de seus fãs por um terceiro álbum, que finalmente veio agora em 2019 com o sugestivo nome de Disko Anksiyete (Ansiedade pelo Disco).
Este novo lançamento é o primeiro álbum com a nova formação da banda, que sofreu uma mudança em 2015 com a saída do baixista İdris Akbulut e a efetivação de Doruk Öztürkcan como integrante oficial, responsável pelos sintetizadores e pela bateria eletrônica. Doruk já acompanhava a banda desde seus primórdios responsável tanto pela produção dos álbuns como pela bateria eletrônica. Segundo o membro-fundador e principal compositor Volkan Caner (vocais, guitarras), em recente entrevista ao site Regen Magazine, a saída de Idris não afetou em nada a sonoridade do She Past Away, uma vez que suas linhas de baixo eram exclusividade das apresentações ao vivo e que o que se ouve nos álbuns são linhas feitas em sintetizadores. Se a saída do baixista afetou ou não a sonoridade da banda turca, o que se percebe em Disko Anksiyete é uma preocupação maior em soar mais dançante, mais Synthpop, do que em relação aos dois álbuns anteriores, principalmente em sua primeira metade. Apesar de o DNA do som da banda não ter se alterado, as guitarras estão mais tímidas e em posição de segundo plano, com os sintetizadores tomando a frente das composições de forma mais robusta. Na segunda metade do disco, as guitarras tentam novamente ficar em pé de igualdade com os sintetizadores, lembrando os dois álbuns anteriores.
A primeira metade de Disko Anksiyete deixa sua proposta bem clara. Após a faixa introdutória, chega Durdu Dünya, uma faixa bastante forte e empolgante, uma maravilha de composição que traz em seu cerne um ritmo dançante e uma seção intimidadora em sua metade. A pista de dança continua a todo vapor na faixa-título, que ganhou um videoclipe que ilustra bem o que vem sendo afirmado até aqui. Izole traz consigo as guitarras em primeiro plano e um tom melancólico, rememorando as composições do debut Belirdi Gece (2012). Em contraponto a melancolia de Izole, a faixa seguinte, La Maldad, traz um clima descontraído e até mesmo alegre em sua estrutura de arranjos, algo nunca visto em se tratando de She Past Away. Outra curiosidade desta faixa é que ela é a primeira composição da banda que não é cantada em turco, mas sim em espanhol. Cabe lembrar que uma das bases do grupo é a cidade de Barcelona, além de sua terra-natal, Bursa, e da capital grega, Atenas.
A partir da faixa 6, Renksiz, uma faixa marcante do começo ao fim, o clima de Disko Anksiyete fica mais sério novamente. Sonbahar é mais lenta e introspectiva, trazendo novamente a guitarra de Volkan Caner em evidência com seus timbres cheios de chorus e tremolos. A faixa seguinte, Girdap, segue a trilha deixada por sua antecessora, desta vez com os sintetizadores tomando de conta da liderança da música. Um dos grandes destaques do álbum aparece na faixa de nº 9, Yükseliyor Deniz. Bem mais negra e melancólica que suas antecessoras, traz em seu instrumental um tom diferente, como de anoitecer, além de ser mais uma cobaia do álbum a testar as guitarras a frente. Pegando carona na faixa anterior, surge Ağıt, que encerra o álbum de forma introspectiva e calma, como uma despedida de alguém que parece que nunca mais vai voltar.
Os elementos de estúdio que fazem parte do som único do She Past Away foram mantidos, como a produção abafada e vintage, rememorando a década áurea do estilo, e as toneladas de ecos e reverbs nos vocais de Volkan Caner. Tanto efeito em sua voz é um elemento essencial para a melancolia e a identidade do som do grupo; por outro lado, seus vocais se tornam quase ininteligíveis, e não é só pelas letras em turco, pois mal se notou a diferença de idiomas em La Maldad, cantada em espanhol. A arte de capa, criada por Ufuk Ergün e por Marilia Fotopoulou, exibe bem a proposta ora dançante, ora introspectiva do álbum.
Com Disko Anksiyete, os turcos provam mais uma vez que conseguem ser ousados, variados e experimentais dentro de seu próprio estilo mesmo sem se desvencilhar de seu norte musical, o Pós-Punk/Darkwave. Ora com as guitarras na frente, ora agora com os sintetizadores, vale muito a pena curtir esse som empolgante e sombrio do She Past Away. E quem se importa que as letras são em turco? As letras de Volkan abordam a ansiedade e questões existenciais, mas se você não entende turco (e nem confia no tradutor do Google), a música e os arranjos conseguem falar por si só. Basta o ouvinte estar aberto a receber o clima e a mensagem que a música quer transmitir e deixar que as percepções e as emoções tomem conta do resto.
Tracklist:
01. My Drifitng Flight
02. 24 Hours Awake
03. Losing Halo
04. Negatives
05. Dystopian Song
06. Secret Admirer
07. Dead Boys
08. Rock n’ Roll Is Over
09. Tom Brazil
10. The Fallin Queens District
11. Point Break
12. Chariots
13. Tyrannosaur
14. Gall Bladder (Rancor)
15. Vesper
16. Omnia
Participação: Karolina Escarlatina- vocais em Tom Brazil
A música é uma arte em constante evolução e está sempre em
processo de metamorfose. Exemplo: não durou cinco anos desde o surgimento do
Punk Rock na metade dos anos 70 para que o estilo se transformasse e agregasse
para si novos elementos sonoros e climáticos. Graças ao Joy Division,
que deu sua interpretação para o Punk Rock com acréscimo de teclados e moldagem
de atmosferas introspectivas e por vezes depressivas, surgia o Pós-Punk, ou
Post Punk, como queiram. Novamente, durante o começo dos anos 80, o estilo
pioneirizado pelo Joy Division entrou em processo de metástase dando origem a
outros estilos como o Rock Gótico, cuja cartilha são os primeiros trabalhos
de The Cure, Bauhaus e Siouxsie And The Banshees.
Em termos de Brasil, temos aqui alguns alunos que estudaram por esta cartilha,
sendo o mais aplicado deles a banda cearense Plastique Noir.
Fundada em 2005, o grupo formado por Airton S. (vocais,
programação), Danyel Noir (guitarras, Facada) e Deivyson Teixeira (contrabaixo)
chegou em 2015 lançando seu terceiro trabalho de estúdio, 24 Hours
Awake, pela gravadora Wave Records. O som do grupo não traz nada de
inovador dentro do estilo, já que, como foi enxertado neste texto, a banda segue
a cartilha do Pós-Punk/Rock Gótico, cujas composições tem a intenção de criar
climas soturnos e negros com o auxílio de efeitos como reverb na guitarra a
solar quase que o tempo todo e o contrabaixo em posição de protagonista junto a
guitarra. Por vezes, o baixo assume a frente da música enquanto a guitarra fica
na base. Por outro lado, o Plastique Noir impõe uma identidade absurda em sua
música; com efeito, mesmo que o ouvinte identifique as influências de Joy
Division e Bauhaus, sabe que tal composição tem a cara do Plastique Noir.
Em 24 Hours Awake, a banda resolveu inovar um
pouco no direcionamento de algumas músicas, fazendo-as mais rápidas, frenéticas
e até mesmo dançantes, diferentemente do álbum anterior, Affects (2011,
Wave Records), que priorizou músicas mais lentas. O Plastique Noir apresenta
versatilidade neste álbum, pois em suas 16 músicas (pode parecer muito, mas o
tempo normal de pouco mais de 50 minutos foi obedecido) o grupo varia
andamentos e climas diversas vezes. Apesar de apresentarem baladas movidas a
violão como Dystopian Songe Chariots, os grandes
destaques são mesmo as músicas rápidas e negras como a faixa-título, Rock
n’ Roll Is Over (que música!), Tyranossaur e Tom
Brasil, está última com a participação de Karolina Escarlatina, vocalista
do duo gótico mineiro Escarlatina Obsessiva. Nestas composições o
timbre do contrabaixo carrega as músicas com seu timbre úmido e terrorista,
que, aliados à guitarra cheia de reverb de Danyel (guitarrista da banda local
de Grindcore Facada), transportam o ouvinte para dentro de uma
caverna mental, isolado, apreensivo e melancólico. Sem contar a interpretação
vocal de Airton S., que se mostra aqui um exímio aluno de Peter Murphy
(Bauhaus).
Outros destaques ficam por conta de Losing Halo (refrão
grudento!), Secret Admirer (com uma forte veia The
Cure), Dead Boys (calma e triste) e Vesper, a
primeira composição do Plastique Noir em português, conduzida por uma levada de
contrabaixo típica de Peter Hook (ex-Joy Division, New Order). Mesmo que este
redator não cite todas as músicas, 24 Hours Awake é um álbum
que deve ser ouvido do começo ao fim; aqui não existe buracos ou trechos
descartáveis. Tudo aqui foi bem composto e planejado com o fim de se atingir o
ápice de uma música que toque os sentimentos mais profundos do ouvinte. Por
incrível que pareça, a banda não sente falta de uma bateria acústica. A programação
de bateria feita pelo próprio Airton S. ajuda a moldar a atmosfera das
composições graças à sua abordagem minimalista.
24 Hours Awake foi gravado no estúdio 746 sob a
produção de Jorge Albuquerque e da própria banda. Tudo é muito nítido aos
ouvidos, mesmo que a sujeira e lama que o estilo necessita estejam bem
assentadas. Na Terra Onde O Sol Reina, mesmo que a banda seja conhecida no
cenário Rock da região e também uma das maiores referências do estilo no país,
tendo inclusive reconhecimento no exterior, o Plastique Noir habita nos porões
do underground, onde sua música negra e melancólica é melhor sentida e
absorvida. Vale a pena se deixar entregar a esta atmosfera. Se for para sentir
todo esse reverb e vislumbrar o negrume sonoro permitido pelo Plastique Noir,
vale a pena ficar acordado 24 horas por dia, ou mais.
A lenda holandesa do Gothic Rock/Darkwave Clan Of
Xymox anunciou ontem a perna sul-americana de sua atual turnê, que ainda
promove o seu lançamento mais recente, o álbum Days Of Black (2017). A
banda liderada pelo membro fundador Ronny Morrings desembarca no dia 27
de setembro em Santiago, capital do Chile, e fica em terras sul-americanas até
o dia 07 de outubro, data do show em Lima, no Peru.
Além destas duas datas, a passagem do Clan Of Xymox pela América
do Sul contemplará São Paulo, que receberá os holandeses no dia 29 de
setembro, em show que acontecerá no The House. Logo abaixo seguem todas
as datas nas quais Ronny Moorings e companhia se apresentarão pela América do
Sul:
27/09 – Santiago/CHI (Blondie)
28/09 – Valparaiso/CHI (local a confirmar)
29/09 – São Paulo/BRA (The House)
01/10 – Buenos Aires/ARG (Casa Rock Palermo)
02/10 – Montevideo/URU (Bluzz Live)
04/10 – Assunção/PAR (local a confirmar)
05/10 – La Paz/BOL (local a confirmar)
07/10 – Lima/PER (CC Festiva)
Após as datas na América do Sul, o Clan Of Xymox volta para a
Europa para uma única apresentação no Reino Unido antes de voltar para o nosso
continente em novembro, desta vez na parte Norte, para uma série de shows nos Estados
Unidos e no Canadá. Este giro pela América do Norte deveria ter acontecido em
março, mas a banda foi prejudicada no momento de retirar os vistos de entrada
nos EUA, prejuízo esse ocasionado pelo impasse do governo norte-americano com o
congresso acerca do orçamento para a construção do famigerado muro na fronteira
com o México, o chamado shutdown.
O Clan Of Xymox foi fundado em 1983 e desde então se tornou
um dos representantes mais respeitados do Rock Gótico, em especial por serem
considerados um dos pioneiros do gênero Darkwave, cuja música e letras sombrias
aparecem aliadas com elementos eletrônicos e/ou industriais. Atualmente a banda
ainda promove seu mais recente lançamento, Days Of Black (2017),
seu décimo-sétimo álbum de estúdio. Maiores informações acerca da única
apresentação do Clan Of Xymox no Brasil em 2019 serão divulgadas em breve.