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terça-feira, 23 de junho de 2020

Soft Cell: duo está preparando novo álbum com previsão de lançamento para 2021

O Soft Cell está de volta (mais uma vez) para, enfim, lançar material inédito. O anúncio foi feito por Dave Ball, tecladista do duo, em entrevista ao Associated Press.

Ball afirmou que ele e o vocalista Marc Almond estão trabalhando remotamente em novas composições para o Soft Cell. Este novo material deve ser lançado em 2021 e será o primeiro trabalho de inéditas do duo desde Cruelty Without Beast, de 2002.

Entre diversas idas e vindas, o Soft Cell havia se reunido pela última vez em 2018 para um único show na Arena O2 em Londres com o intuito de rememorar os quarenta anos do duo. Recentemente, Dave Ball lançou sua autobiografia Electronic Boy: My Life In And Out Of Soft Cell.

O Soft Cell foi fundado em 1977 na cidade inglesa de Leeds e se tornou uma das principais representantes do Synthpop oitentista muito embora o duo tenha passado por um fim precoce em 1984. Neste período foram lançados três full-lengths e um EP. Uma breve reunião aconteceu entre 2001 e 2003, na qual foi composto e lançado um quarto full-length.

domingo, 12 de abril de 2020

Molchat Doma: o que explica o sucesso da mais nova sensação do Pós-Punk?




Texto: Bruno Rocha

Provavelmente você já deve ter dançado ao som de Tansevat, do Molchat Doma. Vou mais além: você já deve conhecer várias músicas do trio Pós-Punk da Bielorrússia. Se você não atende a nenhuma das duas afirmações anteriores, você está perdendo tempo.

O Pós-Punk do lado de lá da Europa tem uma sonoridade peculiar e facilmente reconhecível graças a simplicidade dos arranjos e o clima nublado que elas criam que mais parecem versões musicais das imponentes arquiteturas e construções soviéticas. Desde os pioneiros do Kino até nomes atuais como Human Tetris, Ploho, Supernova 1006 e Buerak, o Pós-Punk russo se mantém forte, coeso e relevante na atualidade.

Mas o Molchat Doma é um caso bastante peculiar e específico. Primeiro que eles não são da Rússia. São de Belarus, nome oficial do país que conhecemos como Bielorrússia. Belarus fica localizado a Oeste da Rússia e ao Norte da Ucrânia e fazia parte até o começo dos anos 90 da União Soviética. O segundo ponto advém de sua sonoridade. Resguardando as tradições do Pós-Punk de seu país vizinho, o Molchat Doma consegue elaborar uma identidade musical para si próprio mesclando elementos de Coldwave e Synthpop. Terceiro, e não menos importante, o grupo trabalha muito bem a parte visual, que inclui logos, capas de álbuns e figurinos dos integrantes. Não vai dizer que não reconhece aquela roupa social preta fechada até o pescoço e aquele bigode do vocalista Egor Shkutko?

Roman Komogortsev, Egor Shkutko e Pavel Kozlov.
Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente até 2010. Naquele ano, dois estudantes de uma escola técnica em Minsk, capital de Belarus, se conheceram e um descobriu que o outro tocava instrumentos musicais. Estes eram Egor Shkutko e Roman Komogortsev. Todavia, não era só o fato de ambos serem músicos que os aproximou. Egor e Roman eram fãs de Depeche Mode e também partilhavam um carinho por Red Hot Chili Peppers. Os gostos musicais parecidos fizeram com que os dois começassem a tocar juntos na soturna, cinzenta, imponente e soviética Minsk.

Ambos tocavam juntos vários estilos diferentes, que iam de vertentes eletrônicas até Funk e passando até mesmo por Trip Hop. Em 2014 eles se encontravam juntos na banda Net Kadrov, onde Roman era guitarrista e tecladista e Egor era baixista. Foi durante a existência do Ned Kadrov que algumas composições hoje tocadas pelo Molchat Doma surgiram, como Ya Ne Komunist, Tishina I Priatki e Tecnologia. O vocalista do Net Kadrov resolveu deixar o grupo após divergências musicais com Egor e Roman, o que abriu caminho para que os dois seguissem com a banda de acordo com seus próprios objetivos e ideais.

A primeira iniciativa foi mudar o nome da banda. De Net Kadrov, o grupo passou a se chamar Molchat Doma, que significa “casas silenciosas”. Ao invés de procurarem por um novo cantor, Egor resolveu largar o contrabaixo para assumir o posto de vocalista. A busca por um baixista foi difícil, já que vários músicos foram recrutados, mas todos eles abandonavam o projeto em pouco tempo. Quando a dupla de amigos já estava desanimada ao ponto de encerrar de vez o projeto, eis que Pavel Kozlov entra em contato se mostrando altamente interessado na vaga. A salvação chegou e o Molchat Doma enfim toma o formato que conhecemos hoje em 2017.

Em meio a tantos estilos musicais que a dupla Egor/Roman já haviam testado, o Pós-Punk vingou como sonoridade definitiva do Molchat Doma. Já foi citado neste texto que ambos eram fãs de Depeche Mode, mas Roman, principal arranjador do grupo, também cultivava um forte apreço pelo Kino, um dos principais nomes do Rock russo de todos os tempos e que praticava um Pós-Punk frio e introspectivo.

O trio produziu e lançou de forma independente seu álbum de estreia, S’Krish Nashik Domov (Dos Telhados de Nossas Casas) ainda em 2017, com nove faixas que traziam um som empoeirado, abafado, com sintetizadores que remetiam a época de ouro do Synthpop e do New Wave, guitarras com melodias frias cobertas de reverb, baixo hipnotizante e vocais soturnos que pareciam ter sido gravados do fundo de um porão de algum prédio setentista de Minsk. Um som realmente dançante e sombrio ao mesmo tempo, sovieticamente arquitetado. O álbum chamou a atenção de Davide, o responsável pela gravadora alemã Detriti Records. Davide entrou em contato com o Molchat Doma através do Soundcloud, oferecendo a oportunidade de lançar S’Krish Nashik Domov em formato de fita cassete. A oferta foi aceita pela banda e o lançamento rapidamente se esgotou.



Mais uma oferta foi feita pelo italiano radicado na Alemanha, Davide. Lançar o segundo álbum do Molchat Doma em vinil. Desta vez o trio bielorrusso ficou apreensivo, pois eles nem sequer sabiam se teriam condições de registrar um segundo álbum. Apesar da incerteza, o grupo se manteve confiante e resolveu aceitar a oferta da gravadora alemã, o que possibilitou a gravação de Etazhi (Pisos), lançado em 2018.

Apesar de serem músicos talentosos e criativos e de terem uma imagem bastante chamativa, tudo isto não bastou ainda para que o Molchat Doma se lançasse aos píncaros da glória. Um pouco de sorte também se fez essencial para que os garotos de Belarus se tornassem a nova sensação do Pós-Punk. Os vídeos com as canções do grupo começaram a se tornar bastante divulgados e assistidos no YouTube. Foi através deste forte engajamento na internet que o Molchat Doma chamou a atenção dos americanos do Drab Majesty, que alimentou a vontade de tocar na Europa junto aos bielorrussos. O Drab Majesty tratou de entrar em contato com seu agente de shows na Europa para falar sobre o Molchat Doma e sobre a possibilidade de a agência também apoiá-los. O agente foi até Berlim testemunhar pessoalmente uma apresentação do Molchat Doma, desta feita no festival Pop-Kultur de 2019. Ao chegar lá, o que o agente presenciou foi um trio formado por um vocalista bigodudo e altamente empolgado com danças estranhas, um guitarrista que verdadeiramente se inebriava viajando em seus próprios solos e um baixista que mais se parecia um músico escandinavo de Heavy Metal, mas que dançava animadamente ao ritmo sincopado de seu baixo. Este trio tocava suas ótimas composições de forma coesa e segura, conquistando assim todo aquele público que, junto ao agente, testemunhavam aquele concerto. Depois foi só questão de tempo para que o agente e os garotos de Belarus assinassem uma parceria que permitiu ao trio rodar toda a Europa e até mesmo os Estados Unidos desde então.

Lembra da apreensão pela qual a banda passou antes de gravar seu segundo álbum, Etazhi? Pois bem. Etazhi já foi vorazmente devorado das lojas físicas cinco vezes. Atualmente o trabalho já está em sua sexta prensagem, a qual provavelmente terá o mesmo destino das cinco anteriores. Etazhi traz ainda a mesma essência fria e dançante do debut, porém com uma melhor produção e qualidade de som graças ao aporte da gravadora Detriti.


Não nos esqueçamos que o Molchat Doma é de Belarus, país governado com mãos-de-ferro por Alexander Lukashenko (sim, o mesmo que disse que o Coronavirus pode ser tratado com vodka e saunas) em mandatos consecutivos desde 1994 e que faz questão de resguardar tradições soviéticas até hoje. Se essas tradições se restringissem a pesada arquitetura, tudo bem. Contudo, tais costumes vão desde práticas econômicas até repressão e censura. Para alguma banda local poder tocar ao vivo no país, é necessário requisitar uma prévia autorização ao regime local, que verificará o histórico, as letras e até a imagem do grupo. Caso a autorização seja negada, representantes do regime bielorrusso vão até o local onde a apresentação aconteceria para verificar se realmente o show não ocorreu. O Molchat Doma já experimentou essa censura algumas vezes, muito embora eles afirmem que pouco se preocupam com política e que suas letras quase não abordam o assunto. Todavia, o Molchat Doma é presença frequente na emissora local de TV Belsat, que se intitula independente e com a missão de enaltecer a cultura bielorrussa, bem como em rádios.

O reconhecimento que falta em Belarus vem sendo ricamente recompensado fora de lá, em toda a Europa e em todo o mundo. O Molchat Doma é atualmente uma das principais representantes do estilo e muito deste sucesso se deve a sua personalidade, sua empolgante, fria e única sonoridade, trabalho duro, imagem reconhecível e, não faz mal reconhecer, uma pitada de sorte. Ora com guitarras e com baixo na direção do Coldwave, ora nos sintetizadores que os conduzem ao Synthpop/New Wave, o Molchat Doma se sai bastante competente em cada direção que resolve adotar, sempre guiados pela bateria eletrônica de timbres nostálgicos e simples. Não obstante a salada de influências, o grupo cria uma música consistente, homogênea e empolgante. Mais que isso, o Molchat Doma é responsável por uma atmosfera mágica e inebriante que, mesmo tendo uma coloração cinzenta e triste tal qual os prédios de Minsk, empolga e faz alegrar qualquer fã e ouvinte.

Ligue seu som e não permita que sua casa fique silenciosa ante ao poder frio do Molchat Doma.


domingo, 22 de março de 2020

Depeche Mode: os 30 anos de "Violator", o marco da ousadia e da maturidade do grupo




Texto: Bruno Rocha

Nas trilhas sonoras que acompanham nossa existência neste mundo maldito e cada vez mais decadente, alguns álbuns se destacam por conquistar um espaço especial em nossos corações, seja por um momento marcante em nossas vidas, por sua qualidade musical ou pelos sentimentos que ele desperta em nossa imaginação. Seja em qual dessas categorias ele se encaixe, muito provavelmente Violator, do Depeche Mode, está presente nesta sua discoteca especial. Não há como se manter passivo ante as composições deste trabalho, que representou o ápice criativo e de ousadia do Depeche Mode naquela época e que completou nesta semana que se finda três décadas de lançamento.

Lançado exatamente no ano em que se findou a era oitentista e começou a década de 90, Violator une elementos do Synthpop característico do quarteto a modas que viriam a fazer sucesso ao longo dos anos 90, provando que o Depeche Mode não somente alcançara um nível de maturidade musical absurdo, como também eles se tornariam influência-mor no futuro para diversos artistas de sucesso e se tornariam trilha sonora definitiva para uma legião de fãs mundo afora. Nunca um álbum de Eletrônico com pitadas de Rock foi tão bem criado e esmerado. O Rock não ousou invadir o espaço do Eletrônico. Alternativamente, os dois gêneros simplesmente juntaram o que tinham de melhor e criaram esta quimera musical. Ao mesmo tempo em que as batidas e melodias eletrônicas se distinguem das guitarras mais nervosas de Martin Gore (nervosismo esse notável em Personal Jesus e em Policy Of Truth), Violator se mostra homogêneo, e no final pouca gente se importa com qual estilo musical este álbum mais se encaixa. O que interessa e entrar e fazer parte de sua atmosfera única, sensacional e inebriante.

O título em si pode querer dar a entender que o álbum é violento, impiedoso e inclemente, como aquele que viola de maneira iníqua aquilo que não deve ser violado. Todavia, o significado do título não passa de uma piada, como garante o criador da obra, Martin Gore, em entrevistas dadas em 1990. Pelo contrário; ouvir Violator é confortante, é animador. Seu interlocutor, o ouvinte, é levado a lugares - noturnos, diga-se de passagem – onde os problemas do mundo são trancados do lado de fora. Dentro, emerge um universo paralelo onde o fã é convidado a dançar e sentir seus prazeres mais íntimos de forma despudorada. Na verdade, esse universo não é paralelo à realidade. Os criadores deste universo, o Depeche Mode, funcionam como a interseção deste lugar imaginário e o mundo real.

Sim, interprete “prazeres mais íntimos” da forma mais livre (libertina?) que você quiser. Este é o convite feito pela música que abre o trabalho, World In My Eyes. Seu ritmo dançante e a interpretação irrepreensível de Dave Gahan faz surgir uma atmosfera atraente, onde a personagem seduz seu par, convidando-a a sentir os mais primitivos prazeres carnais, não como sugere erroneamente o título do álbum, mas comparando suas sensações a uma viagem pelas mais diferentes paisagens e climas da Terra. Sweetest Perfection, cantada por Martin Gore, é sombria, mas aconchegante, como se o sexo de World In My Eyes fosse seguido por um momento de sossego, mansidão e prazer eternos.

Um momento de rebeldia é invocado em Personal Jesus. Mostrando que limitações estilísticas não existiam mais para a banda, Martin Gore pegou sua guitarra, distorceu levemente seu timbre e criou um riff Country/Rock, que se fez acompanhar por um andamento groovado e empolgante, para liderar uma música da banda que até outrora era genuinamente Synthpop. Sim, as guitarras já eram usadas pelo músico em Music For The Masses (1987), mas não com tanta pujança quanto a apresentada em Personal Jesus. Assim como pela primeira vez uma bateria acústica foi adotada pela banda quando Alan Wilder tocou-a na já citada Sweetest Perfection. É ou não é atuar como Jesus, lançando mão de seus instintos pessoais? As coisas voltariam a ficar mais sombrias, mas não menos inspiradas, em Halo, que traz novamente um convite de uma pessoa ao seu par, todavia de um modo mais polido. Repare como a voz de Dave Gahan está agora imponente, pouco lembrando as performances inocentes do menino Gahan na época de Just Can’t Get Enough...

Um momento de introspecção enfim surge para acalmar os ânimos ferozes das músicas e, neste momento, dos ouvintes, em Waiting For The Night. Como a brisa do anoitecer de algum lugar alto e longe das metrópoles, esta música afaga nossa mente transportando-a em uma nuvem de etereidade. Isso tudo para que depois se possa aproveitar em toda a sua personalidade, o silêncio.

Hora de acordar, mas mantenha-se em silêncio e o aproveite, pois a próxima música é a imortal Enjoy The Silence. Um hit dançante, grudento e com a eternizada guitarra cheia de chorus de Martin Gore a ecoar por todo o seu comprimento. Concentre-se – lembre-se do silêncio – e repare em cada elemento que compõe a música; cada efeito, cada string, o timbre da bateria programada... tente até mesmo ouvir os dedos de Martin Gore deslizando pelas cordas da guitarra. Você consegue mais: tente ouvir as trilhas tocadas pelo nosso querido e fofo tecladista Andrew Fletcher. Repare como todos os elementos, do mais presente ao mais discreto, passando pela intepretação certeira de Dave Gahan e o ritmo sincopado criado por Alan Wilder, se harmonizam com tamanha perfeição que o produto final, a música, toma conta de você de forma nunca experimentada antes. Experimente o silêncio!


Não é nada fácil ser a música responsável por suceder Enjoy The Silence, mas Policy Of Truth quase chega a rivalizar com sua antecessora por conta de suas melodias grudentas e a levada seca e dançante. Policy Of Truth é uma música por si só poderosa e que possui predicados suficiente para torná-la o grande hit da história do Depeche Mode. Uma dualidade marca o fim de Violator: Uma balada muito bonita, mas com uma simplicidade “krafterkiana”, a música Blue Dress, antecede a pesada Clean, onde Dave Gahan clama que está mais limpo do que nunca. Parece até uma piada tendo em vista a situação pela qual o cantor passou poucos anos depois, quando chegou a ser declarado morto por overdose. Estas duas últimas faixas nos fazem lembrar que o Depeche Mode é uma banda de músicas sombrias e pesadas, mas que sabe trabalhar esses elementos em doses sensatas, abrindo espaço para algo mais iluminado e tocante, quando estes adjetivos se fazem necessários. Desta forma, a mente do ouvinte não se afoga ferozmente no absinto negro, nem se deixa transformar em um anjo que depende da luz para sobreviver.

Tecnicamente, Violator, o sétimo da discografia do Depeche Mode, representa o ponto onde a transformação começada em Music For The Masses enfim se concretizou. Influências de Rock alternativo se mostraram cada vez mais presentes e as construções eletrônicas se tornaram mais variadas, muito disso graças à novos métodos de produção adotados principalmente por Alan Wilder (o nerd musical do quarteto) e pela parceria com Mark “Flood” Ellis, produtor que trabalhara anteriormente com U2, New Order, Nine Inch Nails e Erasure, dentre outros nomes. Anteriormente, a banda preparava suas programações eletrônicas e já as deixava prontas antes mesmo de entrar em estúdio. Com o novo método adotado a partir de Violator, a pré-produção passou a trabalhar somente o essencial, de modo a trabalhar com maior liberdade e criatividade em estúdio o esqueleto elaborado antes. Foi assim que Enjoy The Silence, o maior hit da história do Depeche Mode, foi moldado. Originalmente, Martin Gore o compôs como uma balada quase que romântica. Alan Wilder, em seu trabalho como arranjador do grupo, transformou a música em uma peça dançante e empolgante, da forma como a conhecemos hoje.

Resultado: sucesso no mundo inteiro, sacramentando de vez o Depeche Mode como uma banda de arenas e estádios, milhões de álbuns vendidos e muitas, muitas, certificações. A ousadia musical seria ainda mais trabalhada no álbum seguinte, Songs Of Faith And Devotion (1993), onde o grupo colocaria o pé de vez no Rock Alternativo. Entretanto, esta ousadia apareceria de uma forma predominantemente mais densa e pesada. 

Há quem prefira o Depeche Mode oitentista, puramente Synthpop. Tem os que gostam bastante da fase alternativa vivida nos anos 90 e os álbuns atuais agradam por trazer elementos até mesmo de Blues (apesar das reclamações de quem ainda sente falta de Alan Wider na banda). Mas ninguém pode contestar o valor e a importância de Violator na discografia da banda. Este álbum é a esquina onde os mundos já criados pela musicalidade do Depeche Mode se encontram. Alternativo na medida certa, eletrônico para não esquecer as raízes nem perder a essência. Em resumo: perfeito para a boa música e, principalmente, para levantar os sentimentos mais escondidos, ferozes e ousados do ser humano. Ouça este álbum e viole sua timidez.



sábado, 21 de março de 2020

Cubüs: duo carioca de Synthpop lança novo single, “Os Gritos Não Se Calam”


Os quase 17 anos de atividade do duo carioca Cubüs renderam a eles o posto de um dos principais representantes do Synthpop daquele estado. Para marcar este primeiro período de 2020 em sua história, o Cubüs lançou em várias plataformas digitais o single Os Gritos Não Se Calam. A música ganhou um clipe, o qual você pode conferir no player ao final desta nota.

O single representa um retorno do Cubüs às atividades, tendo em vista a pequena pausa que foi tomada após a sua turnê comemorativa de 15 anos. Os Gritos Não Se Calam foi gravado entre dezembro do ano passado e janeiro último e estará presente na coletânea Memorias De Um Continente III, organizado pelo selo Infravox Records, do Peru.

Segundo Diego de Oliveira, vocalista do duo – que conta também com Karlos Junior nos sintetizadores -, a música é uma espécie de desabafo contra a postura niilista dos governantes do país.

“’Os Gritos Não Se Calam’ foi uma forma de expurgar tudo de ruim que se passava em minha mente desde o resultado das eleições em 2018 no Brasil. O mundo vem cada vez mais sendo tomado de assalto por ideais violentos, governantes que não compreendem as demandas da população e suas transformações... Ficamos surpresos com os desejos dessa ‘seita’ tenebrosa em acabar com tudo que, para nós, é racional e justo.

Mas também é uma mensagem de esperança: Nem todos se alinham à essa corrente negativa e estamos dispostos a resistir. Músicas talvez não possam mudar o mundo, mas talvez consigam, aos poucos, mudar as pessoas que vivem nele. Arte é resistência (e também diversão).”

Musicalmente, Os Gritos Não Se Calam traz o conhecido Synthpop analógico e distorcido do Cubüs, em uma construção de arranjos que remete ao oitentismo e que também carrega em sua essência um pouco da atmosfera fria do Darkwave. O single conta com uma segunda faixa, Sexo, Drogas, Aborto & Satanismo, que nada mais é do que uma experimentação noise frenética e alucinante, que mais parece a mente atrasada da pessoa que disse a frase que carrega o título da música uns meses atrás.

Os Gritos Não Se Calam foi lançado via Paranoia Musique e está disponível nas plataformas digitais desde o dia 06 de março. No momento, o Cübus se prepara para suas primeiras apresentações de 2020 e também já está engajado no processo de gravação do esperado segundo álbum.

Confira abaixo o clipe de Os Gritos Não Se Calam:

quarta-feira, 11 de março de 2020

Deepland Festival IV: confira detalhes do festival que acontecerá em São Paulo no dia 26 de setembro



Está marcado para o dia 26 de setembro, um sábado, a esperada quarta edição do Deepland Festival, um dos principais eventos e encontros de música gótica do país, realizado pela Deepland Records. A edição deste ano reunirá cinco grupos internacionais e nacionais que trarão consigo uma enorme variedade de estilos de dentro do universo gótico/alternativo.

Uma das principais atrações do Deepland Festival IV serão os alemães do Aeon Sable. Um dos nomes mais reconhecidos do Gothic Rock atualmente, o grupo liderado pelo vocalista Nino Sable e pelo guitarrista Din-Tah Aeon já tem em seu currículo passagens pelo Wave Gothik Treffen e Castle Party e uma discografia de seis álbuns de estúdio. O som do Aeon Sable é característico por trazer diversas influências que vão do esoterismo até o Black Metal.

Do México virá a banda de Pós-Punk Capitals. O duo formado por Jonathan Salazar e por Ivan Herrera traz um som empolgante e animado que mostra influências de She Wants Revenge, Human Tetris e She Past Away. Recentemente em 2019 o Capitals lançou o seu primeiro full-lenght, Año Once.

Outra atração internacional são os nossos vizinhos colombianos do Los Malkavian. Mais um representante do Pós-Punk, o som do grupo traz uma sonoridade mais distorcida e frenética, como ensinaram alguns dos pioneiros do estilo como Bauhaus e Killing Joke, e também elementos de Shoegaze. A banda formada por Alex Pela (vocais, bateria), Carolina Castaño (vocais, guitarras), Jean Pierre Guarin (contrabaixo) e Mario López (guitarras) foi fundada em 2013 na cidade de Medelin e tem em sua discografia o álbum Letargo, de 2018.

De Recife estará presente a banda Ego Eris. Uma dos nomes mais reconhecidos do Pós-Punk/Darkwave nacional, o grupo pernambucano estreou em 2018 com o álbum Memento Mori, que foi sucesso de pedidos para o mercado especializado estrangeiro segundo a gravadora Deepland Records, e já conta inclusive com experiência internacional graças a participações no festival Tumbas Eternas, no Peru, e no próprio Deepland Festival, no qual eles repetirão a dose. O Ego Eris é formado por Marc Nero (guitarras, programação), Breno Romero (vocais, programação) e Astroblack (contrabaixo, sintetizadores, programação).

Fechando o line-up do Deepland Festival IV estão os paraibanos do Electro Bromance. O duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e por Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais) vem de João Pessoa praticando um Synthpop com elementos de Future e Darkwave bastante empolgante e que funciona perfeitamente ao vivo. O Electro Bromance foi formado em 2015, mas já conta em seu currículo parcerias com nomes reconhecidos nomes internacionais como os italianos do Ash Code, os canadenses do Decoded Feedback e os mexicanos do Infected Sound System. O mais recente lançamento do duo paraibano foi o álbum We Are Like A Time Bomb (2017, Deepland Records), que promete ser sucedido ainda em 2020 por um segundo full-lenght, do qual já foi disponibilizado o single Breaking Chains.

Além destas cinco bandas, estarão animando o público que comparecer ao Deepland Festival IV os DJ’s Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff. O Deepland Festival IV acontecerá no Fofinho Rock Club, na avenida Celso Garcia, próximo ao metrô Belém. Os ingressos do primeiro lote ainda estão sendo vendidos e custam 170 reais.


SERVIÇO
DEEPLAND FESTIVAL IV

Bandas: Aeon Sable (Ale), Capitals (Mex), Los Malkavian (Col), Ego Eris (Bra), Electro Bromance (Bra)
DJ’s: Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: 22:00
Local: Fofinho Rock Club. Avenida Celso Garcia, 2728 (próximo ao metrô Belém), São Paulo/SP
Ingressos: R$170,00 (primeiro lote), R$200,00 (segundo lote), R$240,00 (terceiro lote)
Venda on-line: Kingdom Rock Store, Wave Records
Venda física: Fake No More, Reversa e Fofinho Rock Club (venda física apenas para pagamentos em dinheiro)
Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/569229240522339/
Realização: Deepland Records









sábado, 1 de fevereiro de 2020

Electro Bromance: grupo lança novo single “Breaking Chains” com remixagens de Ash Code e de Code: Red Core


Anunciado em dezembro de 2019, o novo single Breaking Chains, dos paraibanos do Electro Bromance, gerou ansiedade entre os fãs do grupo e do estilo não só por ser uma nova composição do duo (que já vinha sendo apresentado ao vivo, diga-se de passagem,), mas também por trazer como bônus remixagens dos italianos do Ash Code e do projeto paulista Code: Red Core.

Finalmente, as ansiedades foram saciadas. O duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais) lançou hoje no Bandcamp seu novo single e o que se escuta nele é um Electro Bromance bastante sombrio. Com influências do próprio Ash Code, ou mesmo de Plastique Noir, como se os cearenses tentassem soar “eletrificados”, Breaking Chains nos leva a caminhar em meio a becos úmidos de alguma metrópole durante a madrugada. Isso graças a sua base estonteante que mais aprece uma onda e os arranjos melódicos muito bem compostos e encaixados na composição, tudo criado em cima da sombria escala de Ré Sustenido Menor. Todavia, a identidade do Electro Bromance se mantém intacta com seu Synth/Darkwave elétrico e os vocais característicos de Wilame AC.


Além da versão original, o single traz as remixagens feitas pelo Code: Red Core e pelo Ash Code. O projeto paulista de Rodrigo Albuquerque (que também foi o responsável pela bela arte de capa do single) tratou de dar a música um toque mais Industrial e Trance, enquanto os renomados italianos estamparam sua marca em Breaking Chains com timbres retrôs na programação, novos arranjos de sintetizadores e graves pulsantes, embebidos em flanger.

Confira no player abaixo o single Breaking Chains:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Electro Bromance: nova música “Breaking Chains” ganhará versões remixadas por Ash Code e por Code: Red Core




O duo paraibano de Synth/FuturePop Electro Bromance está nos preparativos finais para lançar o seu segundo álbum de estúdio, o sucessor do debut We Are Like A Time Bomb (2017).

Uma das músicas que farão parte do novo álbum será Breaking Chains, que vem sendo apresentada ao vivo desde 2018. Recentemente, o duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais) anunciou que Breaking Chains irá ganhar duas remixagens: uma do grupo italiano de Darkwave Ash Code e outra pelo projeto paulista Code: Red Core.

O Ash Code vem se firmando ao longo da última década como um dos principais representantes do Darkwave da atualidade. Segundo Wilame AC, o contato com os italianos se deu através do Facebook dos integrantes e que o retorno foi rápido, retorno esse onde o Ash Code se disse disposto a fazer um remix para Breaking Chains. Wilame completa dizendo que o Ash Code chama a sua atenção e a de Hansen pela sua sonoridade e pela sua atmosfera, o que acaba por se tornar uma grande influência para o Electro Bromance.

Já o contato com o Code: Red Core para também fazer um remix para Breaking Chains foi mais direto ainda, tendo em vista que os integrantes são colegas de Rodrigo Albuquerque, o mentor do projeto paulista de Aggrotech/Industrial que existe desde 2011.

O Electro Bromance foi fundado em 2015 como um trio, pois na época o grupo contava com os serviços do baixista Williard Fragoso. De contrato assinado com a Deepland Records, o Electro Bromance gravou nos últimos meses de 2016 o debut We Are Like A Time Bomb, já como duo e que foi lançado em fevereiro de 2017. Em setembro do mesmo ano foi disponibilizado o single Supermodel, que, além de sua versão original, veio com remixagens dos grupos Decorded Feedback (Canadá), Infected Sound System (México), K-Factor e Synthetik Form (Brasil).

Confira no player abaixo um registro de Breaking Chains, quando ela foi tocada ao vivo pela primeira vez em 2018.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Resenha: The Frozen Autumn - The Fellow Traveller (2017)




THE FELLOW TRAVELLER – THE FROZEN AUTUMN (Echozone, 2017)

Tracklist:

01. Tomorrow’s Life
02. White On White
03. We’ll Fly Away (long version)
04. Told You At Once
05. Your Touch
06. A Gentle Flame
07. Grey Metal Wings
08. Sirens And Stargazers
09. The Twin Planet
10. I Love You But I’ve Chosen Synthesizers
11. Loving The Alien (David Bowie cover)

Line-up:
Diego Merletto – vocais, sintetizadores
Froxeanne – vocais, sintetizadores


Texto: Bruno Rocha


Prepare-se! Uma frente fria está vindo da região de Turim, na Itália. Mas ela não é uma frente fria qualquer, que traz chuvas ou mesmo leves geadas. Essa frente fria é uma verdadeira onda congelante, sob a qual nem mesmo o próprio ar escapa incólume, passando por um processo de sublimação, acabando por solidificar-se. Fora estes efeitos, a onda congelante de Turim obscurece luzes, tornado o ambiente escuro; os poucos e corajosos fachos de luzes que ousam resistir são como as auroras boreais que rasgam os céus nórdicos, criando assim um espaço, ao mesmo tempo escuro e frio, agradável e etéreo.

O grupo italiano The Frozen Autumn possui considerável respeito dentro do cenário Gothic/Darkwave mundo afora graças ao seu estilo bastante pessoal que mescla elementos de música atmosférica e de Synthpop, num estilo que seus próprios integrantes batizaram de “Frozenwave”.  Fundado em 1993 por Diego Merletto, o The Frozen Autumn mostrou em seus primeiros trabalhos um som ainda com um pé no Gothic Rock (na época a banda contava com os serviços de Claudio Brosio nas guitarras) e com fortes influências de Clan Of Xymox, porém já havia ali elementos de sonoridade característica que se tornaria consagrada anos depois. Os dois primeiros álbuns do The Frozen Autumn, Pale Awakening (1995) e Fragments Of Memories (1997), se tornariam clássicos do Darkwave, trazendo consigo faixas atmosféricas e sorumbáticas recheadas com teclados que criam climas ora melancólicos, ora confortantes. Os elementos Synthpop já existiam, mas eram poucos e retraídos. A parceria de Merletto com Arianna Vespasiano teve início com uma participação especial da cantora na faixa-título de Fragments Of Memories, naquilo que foi um motivador para um projeto paralelo dos dois músicos chamado Static Movement. O único álbum lançado por esse projeto, Visionary Landscapes (1999), foi de suma importância para uma leve mudança no direcionamento musical do próprio The Frozen Autumn, que deixou de lado qualquer contribuição de guitarras e tornou seu som 100% eletrônico, fabricado a base de sintetizadores e com maior proeminência das influências Synthpop.

Arianna, que atende pelo pseudônimo Froxeanne, foi efetivada no The Frozen Autumn e a agora dupla grava o importante Emotional Screening Device (2002) e a perfeição chamada Is Anybody There? (2005). As guitarras voltam a se fazer presentes no bom álbum Chirality (2010) e no DVD Seen From Under Ice (2011), que foi gravada em quarteto com a adição de mais um tecladista e de um guitarrista, o que permitiu que algumas músicas de todos os álbuns ganhassem novos arranjos. Após alguns anos sem novos lançamentos, o The Frozen Autumn volta novamente como a dupla Merletto/Froxeanne no lançamento do EP Lie In Wait (2014), que serviu como uma prévia para o sexto álbum de estúdio do grupo, The Fellow Traveller, lançado em 2017 pela gravadora Echozone e que é o objeto de análise deste artigo.

The Fellow Traveller é um álbum empolgante e viciante do começo ao fim. Diferentemente de todos os álbuns anteriores, este álbum é completamente moldado em cima do Synthpop. Não há nenhuma música atmosférica ao estilo de Onyria (Pale Awakening, 1995), ou mesmo faixas introspectivas e de ritmo lento aos moldes de Evening Falls (Is Anybody There?, 2004). Claro que há momentos em que a dupla põe o pé no freio, mas na maior parte do tempo o ritmo é frenético e dançante. Outra diferença de The Fellow Traveller é na mixagem do som, que é bem mais limpo e cristalino que nos álbuns anteriores. Felizmente, a falta de uma mixagem mais abafada e empoeirada não tirou o clima nostálgico das composições, que por si só conseguem manter a chama (ou o gelo) típica dos anos 80 viva e forte. Como se isso tudo não bastasse, The Fellow Traveller é o álbum mais democrático da história da dupla. Diego Merletto e Froxeanne se alternam cantando em cada faixa, seis para ele e cinco para ela, quebrando assim uma tradição que fazia Merletto cantar a maioria das faixas em todos os outros álbuns.

As quatro primeiras faixas matam bem a sede dos fãs do grupo sedentos por música dançante. Os trabalhos já começam lá em cima com Tomorrow’s Life, onde Diego Merletto canta com sua inconfundível voz grave cheia de reverbs e ecos. As próximas duas músicas foram reaproveitadas do EP Lie In Wait e melhoradas. A coisa dá uma acalmada em White On White, que é a única música do álbum que se destaca por ser bem mais introspectiva, apesar da proeminência da bateria eletrônica. É a vez de Froxeanne cantar e ela entrega o que se espera dela: uma voz belíssima e angelical, com abençoados graves, que hipnotiza o ouvinte e o transporta para flutuar em nuvens de granizo. Gaivotas e ondas anunciam o começo de We’ll Fly Away e seu ritmo dançante e libertador. Com seu refrão belíssimo, Merletto fala sobre voar para sempre em busca da felicidade, assim como as gaivotas voam eternamente por sobre os mares. E parece que a chegada deste longo voo é na faixa 4, Told You At Once. Um apocalipse sonoro protagonizado por Froxeanne, uma perfeição para as pistas góticas de dança por seu ritmo acelerado, melodias destacadas e bases pesadas.



Após quatro músicas frenéticas, é hora de aproveitar mais uma viagem guiada por Diego Merletto em Your Touch, mais uma que foi reaproveitada do último EP. Escura como um pôr-do-sol contemplada no inverno das montanhas de Turim, Your Touch traz de volta as antigas forças Darkwave de álbuns anteriores, incluindo até mesmo uma guitarra, desta vez aliadas as poderosas camas de sintetizadores e de bateria eletrônica. Por falar neste último elemento, nunca as viradas e recursos de bateria foram tão usadas num álbum do The Frozen Autumn. A próxima faixa, A Gentle Flame, não possui a mesma imponência de arranjos como as demais, até porque ela carrega um tom sisudo “kraftwerkiano”. Todavia ela não passa despercebida, pois não existe nada que passe desapercebido se Froxeanne impôs nela seu divinal dom de interpretação. A tradição de músicas longas e viajadas é mantida com a excelente e variada Grey Metal Wings, que é como se fosse uma irmã FuturePop de Is Everything Real?, do Emotional Screening Device, e de Static Cold, de Is Anybody There?.

Aqui, cabe mais um comentário acerca das novidades trazidas em The Fellow Traveller. Os efeitos nos vocais de Merletto e de Froxeanne se multiplicaram. Os tradicionais e obrigatórios reverbs continuam presentes, lógico. Mas os delays estão mais destacados e facilmente perceptíveis, principalmente nos vocais de Froxeanne. Também, as harmonias vocais nunca foram tão trabalhadas, especialmente nos vocais de Diego Merletto. É como se você pudesse ouvir vários Diegos formando um coral em muitos momentos do álbum. A verdade é que essa variedade de efeitos não faria sentido algum se as próprias vozes dos dois cantores não fossem belas e diferenciadas.

Findada mais uma viagem a bordo de Grey Metal Wings, a simplicidade oitentista retorna em Sirens and Stargazers, que se vai se tornando mais e mais empolgante a medida que avança em seu tempo, atingindo o ápice em um momento onde Froxeanne canta somente com o apoio de um sintetizador grave e nervoso. Em contraponto a simplicidade de Sirens and Stargazers, vem em seguida aquela que talvez seja a mais complexa e progressiva composição da história do grupo italiano, The Twin Planet. Esta faixa traz um elaborado trabalho de arranjos de sintetizadores que são guiados por uma bateria quebrada e cheia de contratempos no caixa. As escalas árabes dos strings, os graves destacados e os vocais cavernosos de Diego Merletto nos conduzem por uma viagem ao cosmos em busca dos planetas gêmeos. O auge da viagem no profundo cosmos é um trecho onde Merletto assobia uma melodia sinistra por cima de imponentes strings, o que faz arrepiar o ouvinte de frio intergaláctico. Sim, a onda congelante do The Frozen Autumn chegou aos confins do Universo!

De volta à Terra, Froxeanne dá uma forte declaração na próxima faixa: eu te amo, mas eu prefiro sintetizadores! Enaltecendo a adoração aos instrumentos eletrônicos de teclas, a faixa que carrega o maravilhoso título de I Love You But I’ve Chosen Synthesizers é um dos grandes destaques de The Fellow Traveller e traz de volta o clima de pista de dança. O álbum se encerra com um cover de Loving The Alien, do eterno David Bowie, muito bem interpretada por Diego Merletto, claro, com seus vocais graves.



The Fellow Traveller pode ser o início de uma nova fase na discografia do The Frozen Autumn. Falo “pode ser”, pois é só o primeiro álbum desta nova sonoridade depois de sete anos sem lançar um novo full-length. O melhor de tudo é que a essência do som do The Frozen Autumn, o Darkwave, permanece lá em seu devido lugar. Mas agora ele está recauchutado e muito bem cuidado com todas as facilidades e opções que os sintetizadores podem oferecer. Há quem talvez tenha sentido falta de pelo menos uma faixa fortemente atmosférica, aos moldes antigos, mas a alternância de músicas fortes e dançantes com outras composições mais calmas sacia a qualquer um que goste das duas facetas da dupla italiana. Também considero um fato extremamente positivo a alternância de vocais entre Merletto e Froxeanne. Apesar de ele ser o fundador do grupo e principal compositor, ela o completa com seus vários recursos que a tornam uma cantora tão talentosa e que não deixa nada a dever às grandes divas Pop de todas as eras. Por sua vez, Merletto não teve em momento algum medo de ousar nas composições de The Fellow Traveller, que são as mais ricas e bem trabalhadas de toda a história do grupo. The Twin Planet que o diga!

Pois bem. A onda congelante veio, fez seus estragos e foi embora. Estragos sob o ponto de vista meteorológico, pois a música do The Frozen Autumn faz justamente o contrário de estragar. Ela eleva a mente do ouvinte e o faz experimentar múltiplas sensações num curto período de tempo. As vozes etéreas de Diego Merletto e de Froxeanne são essenciais para este mundo, bem como a musicalidade do The Frozen Autumn. Se você nunca testemunhou a Tempestade Congelante de Turim, faça-o agora. Congele sua mente nesta onda e mantenha-a fossilizada nela para sempre.

Ah, um estrago de verdade foi feito: no coração da pessoa cuja amada o trocou por sintetizadores.



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Dark Hertz Transmission: banda cearense divulga novo single “Carmilla”




A banda cearense Dark Hertz Transmission divulgou hoje em seus canais oficiais seu primeiro single, Carmilla. Confira a nova música dos cearenses no player abaixo:


Carmilla é a primeira música autoral disponibilizada pelo Dark Hertz Transmission. O grupo formado atualmente por Léo de Oliveira (vocais), Erik Castro (sintetizadores) e Caio Mota (contrabaixo) foi fundado em 2017 como um grupo-tributo ao Depeche Mode. Com o passar do tempo o grupo foi agregando outras homenagens ao seu set-list ao vivo, mas sempre deixando claro que o direcionamento que a banda tomaria seria o autoral. O som do Dark Hertz Transmission reúne elementos que vão do Pós-Punk ao Synthpop, do sombrio ao dançante.

A estreia ao vivo de Carmilla, bem como de outras novas composições do Dark Hertz Transmission se dará no Gotham, o maior evento de cultura gótica de Fortaleza, que acontecerá no dia 19 de outubro. Na ocasião, o Dark Hertz Transmission dividirá o palco do Havana 1884 com o Plastique Noir, o Projeto Maldigo. e os paraibanos do Electro Bromance.