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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Resenha: Suum - Cryptomass (2020)


CRYPTOMASS - SUUM (Seeing Red Records, 2020)

Tracklist:
01. Cryptomass
02. The Silence Of Agony
03. Creatures From The Vault
04. Funeral Circle
05. Burial At Night
06. The Failure Of Creation
07. Mass In The Catacomb
08. Claws Of Evil
09. Reaper Looks In Yours Eyes

Line-up:
Mark Wolf - vocais
Painkiller - guitarras
Joe Grave - contrabaixo
Fed Kemper - bateria


Texto: Bruno Rocha


O Doomzão clássico habita nas catacumbas e é lá onde ele expressa de forma pungente sua essência soturna e pesada. Tal qual uma criatura abissal que nunca conheceu a luz, ele necessita se cercar da escuridão para se desenvolver. O Doom clássico não é uma criatura arredia, mas não espere que ele saia de seu habitat para encontrar você – é você quem precisa descer às catacumbas para encontrá-lo; isto é, se assim você desejar. Por isso o Doom Metal não é para qualquer um.

Esta é a sensação que percebemos quando ouvimos a banda Suum, de Catanzaro, na Calábria italiana. O quarteto formado por Mark Wolf (vocais), Painkiller (guitarras), Joe Grave (contrabaixo) e Fed Kemper (bateria) acaba de lançar o seu segundo álbum de estúdio, Cryptomass, via Seeing Red Records. Em relação ao debut, Buried Into The Grave (2018), a maior mudança ficou por conta das estreias de Joe Grave e Fed Kemper na cozinha, pois a proposta musical se mantém a mesma: Doom Metal clássico, pesado, imponente, grandioso e mortal. Riffs criativos se juntam a bases esmagadoras e vocais expressivos onde elementos tanto do Doom épico ensinado pelo Candlemass quanto do Doom arrastado do Reverend Bizarre se misturam ao DNA típico do Metal italiano, produzindo um som com identidade e ao mesmo tempo com essência notória.

A sensação de estar ouvindo a música do Suum de dentro de uma caverna, ou de uma cripta, é altamente perceptível. E esta sensação provem não somente da belíssima e perturbadora arte de capa de autoria do próprio guitarrista Painkiller. Os riffs iniciais da faixa-título, que dá início aos trabalhos, vêm fortemente besuntados em reverb e echo, elementos que também são aproveitados fortemente nos timbres da bateria (em especial no bumbo) e nos vocais de Mark Wolf quando este se apresenta, potencializando sua performance altamente interpretativa como de quem conduz uma missa macabra. Ao final desta faixa, guitarras limpas se metem em meio as bases pesadas criando um final épico e doloroso. A proposta da faixa-título segue intacta em The Silence Of Agony, que já havia sido disponibilizada antes em formato de single. Em sua metade a música descamba para um ritmo mais rápido e as guitarras usam todo o poder de suas afinações baixar para destruir o Universo sob o comando de gritos guturais de Mark Wolf.

Creatures From The Vault vem num ritmo mais animado e groovado. As guitarras e o baixo são tão pesados que passam a impressão de que estão formando uma muralha fortificada e tão gigantesca que nem os judeus conseguiriam derrubar como derrubaram a de Jericó. O ritmo volta a ficar lento em Funeral Circle que, fazendo jus ao seu título, remete o ouvinte a uma colossal marcha fúnebre. A andamento e as linhas vocais de Wolf remetem imediatamente a banda norueguesa Fallen nesta faixa em particular. Após a marcha fúnebre, vem finalmente o enterro com Burial At Night, dona do refrão mais cabuloso de todo o álbum. O riff de The Failure Of Creation deixa claro para quem quiser ouvir que o baixo de Joe Grave está engordurado de distorção, o que reforça mais ainda o peso da seção de cordas do álbum. Hora de se sentar e de contemplar uma certa mansidão com Mass In The Catacomb, tocada toda com dedilhado na guitarra e com um som de chuva ao fundo.

Após o descanso, se prepare para ser massacrado novamente pelas duas últimas faixas. Claws Of Evil possui um riff asfixiante puxado por Painkiller e nos remete ao Candlemass antigo. O baixo de Joe Grave se revela líder novamente na parte mais enigmática do meio antes que um fade-out leve embora toda a maldição perpetrada por esta música. O álbum se encerra de forma magnânima e imponente com Reaper Looks In Your Eyes, dotada de várias mudanças de andamentos e uma seção maravilhosa ao final onde o monstro sai das cavernas para contemplar o pôr-do-sol escarlate e para sentir uma brisa fria no topo de alguma montanha próximo ao Mediterrâneo.

Daniele Perticalori foi o responsável por toda a parte técnica das gravações de Cryptomass e seu trabalho por trás dos botões foi essencial para a música do Suum, pois ele soube dosar as toneladas de efeito como distorções, reverbs e chorus em todos os instrumentos sem que nada soasse incompreensível ou embolado. A sujeira carregada é uma característica do Doom de Catanzaro e o modo que ela foi impregnada nas composições reforçou a repugnância do monstro que habita nas cavernas de lá. Ou seja, aquilo que mais atrai o fã de Doom.

Pouco após a conclusão das gravações do álbum, Mark Wolf deixou o posto de vocalista do Suum, cedendo a ingrata missão de substituí-lo a Misantrophil, que terá a missão de celebrar as missas negras com a mesma eloquência de seu antecessor daqui em diante. Mas Mark não deixou a banda sem um feito expressivo: o Suum manteve o alto nível apresentado no debut Buried Into The Grave e posiciona Cryptomass como sério candidato a figurar entre os melhores álbuns do estilo em 2020. Afinal, cravo ainda em fevereiro que será bastante complicado surgirem dez álbuns tão pesados, asfixiantes, agourentos e “casca-grossa” quanto este lançamento. Ouvir Cryptomass em sua plenitude é como se sentir esmagado por uma procissão macabra e gigantesca, que te carrega para as profundezas da escuridão, onde somente os mais soturnos morcegos habitam e cujo odor repugnante de suas ureias se misturam aos dos incensos jorrados por velas negras. É lá onde habita o Doom clássico. É lá onde habita o Suum. É lá onde ele deve viver para sempre.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

C.L.I.: banda italiana lança seu primeiro single, “Loricum”


Diretamente da encantadora região da Calabria, no sul da Itália, vem a banda C.L.I., abreviação para Cruel Life Inside. O grupo formado em 2017 é composto atualmente por A.P. (vocais), G.S. (contrabaixo) e F.B. (guitarras e programação) e pratica um som que mescla influências de Atmospheric Black Metal, Post Rock e Doom Metal.

Mantendo a tradição respeitada por quase todas as bandas italianas de Heavy Metal, o C.L.I. pratica um som com muita identidade e beleza, com um toque romântico, dentro sua proposta musical. A banda utiliza como inspirações para compor suas músicas as próprias paisagens da região calabresa, como por exemplo a primeira faixa divulgada do EP de estreia, Loricum. A inspiração para esta música vem de uma pequena cidade chamada Lorica, que fica às margens do lago Arvo, cuja paisagem adorna a capa do single. A atmosfera da música leva o ouvinte a contemplar sentado na beira do grande Arvo um pôr-do-sol que deixa o horizonte cor escarlate, rodeado por diversas nuvens cirrucumulus que ganham um tom alaranjado, e a sentir um vento frio, agravado pela umidade que vem das águas do lago. Segundo a banda, Lorica é como uma zona de transição, um caminho entre a felicidade e a tristeza, entre sonhos e realidade, entre a vida e a morte.

Loricum é uma das faixas do EP de estreia do C.L.I., Eclipses Vitae, que tem previsão de lançamento prevista para o primeiro trimestre de 2020. Confira no player abaixo a música Loricum.




sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Resenha: The Frozen Autumn - The Fellow Traveller (2017)




THE FELLOW TRAVELLER – THE FROZEN AUTUMN (Echozone, 2017)

Tracklist:

01. Tomorrow’s Life
02. White On White
03. We’ll Fly Away (long version)
04. Told You At Once
05. Your Touch
06. A Gentle Flame
07. Grey Metal Wings
08. Sirens And Stargazers
09. The Twin Planet
10. I Love You But I’ve Chosen Synthesizers
11. Loving The Alien (David Bowie cover)

Line-up:
Diego Merletto – vocais, sintetizadores
Froxeanne – vocais, sintetizadores


Texto: Bruno Rocha


Prepare-se! Uma frente fria está vindo da região de Turim, na Itália. Mas ela não é uma frente fria qualquer, que traz chuvas ou mesmo leves geadas. Essa frente fria é uma verdadeira onda congelante, sob a qual nem mesmo o próprio ar escapa incólume, passando por um processo de sublimação, acabando por solidificar-se. Fora estes efeitos, a onda congelante de Turim obscurece luzes, tornado o ambiente escuro; os poucos e corajosos fachos de luzes que ousam resistir são como as auroras boreais que rasgam os céus nórdicos, criando assim um espaço, ao mesmo tempo escuro e frio, agradável e etéreo.

O grupo italiano The Frozen Autumn possui considerável respeito dentro do cenário Gothic/Darkwave mundo afora graças ao seu estilo bastante pessoal que mescla elementos de música atmosférica e de Synthpop, num estilo que seus próprios integrantes batizaram de “Frozenwave”.  Fundado em 1993 por Diego Merletto, o The Frozen Autumn mostrou em seus primeiros trabalhos um som ainda com um pé no Gothic Rock (na época a banda contava com os serviços de Claudio Brosio nas guitarras) e com fortes influências de Clan Of Xymox, porém já havia ali elementos de sonoridade característica que se tornaria consagrada anos depois. Os dois primeiros álbuns do The Frozen Autumn, Pale Awakening (1995) e Fragments Of Memories (1997), se tornariam clássicos do Darkwave, trazendo consigo faixas atmosféricas e sorumbáticas recheadas com teclados que criam climas ora melancólicos, ora confortantes. Os elementos Synthpop já existiam, mas eram poucos e retraídos. A parceria de Merletto com Arianna Vespasiano teve início com uma participação especial da cantora na faixa-título de Fragments Of Memories, naquilo que foi um motivador para um projeto paralelo dos dois músicos chamado Static Movement. O único álbum lançado por esse projeto, Visionary Landscapes (1999), foi de suma importância para uma leve mudança no direcionamento musical do próprio The Frozen Autumn, que deixou de lado qualquer contribuição de guitarras e tornou seu som 100% eletrônico, fabricado a base de sintetizadores e com maior proeminência das influências Synthpop.

Arianna, que atende pelo pseudônimo Froxeanne, foi efetivada no The Frozen Autumn e a agora dupla grava o importante Emotional Screening Device (2002) e a perfeição chamada Is Anybody There? (2005). As guitarras voltam a se fazer presentes no bom álbum Chirality (2010) e no DVD Seen From Under Ice (2011), que foi gravada em quarteto com a adição de mais um tecladista e de um guitarrista, o que permitiu que algumas músicas de todos os álbuns ganhassem novos arranjos. Após alguns anos sem novos lançamentos, o The Frozen Autumn volta novamente como a dupla Merletto/Froxeanne no lançamento do EP Lie In Wait (2014), que serviu como uma prévia para o sexto álbum de estúdio do grupo, The Fellow Traveller, lançado em 2017 pela gravadora Echozone e que é o objeto de análise deste artigo.

The Fellow Traveller é um álbum empolgante e viciante do começo ao fim. Diferentemente de todos os álbuns anteriores, este álbum é completamente moldado em cima do Synthpop. Não há nenhuma música atmosférica ao estilo de Onyria (Pale Awakening, 1995), ou mesmo faixas introspectivas e de ritmo lento aos moldes de Evening Falls (Is Anybody There?, 2004). Claro que há momentos em que a dupla põe o pé no freio, mas na maior parte do tempo o ritmo é frenético e dançante. Outra diferença de The Fellow Traveller é na mixagem do som, que é bem mais limpo e cristalino que nos álbuns anteriores. Felizmente, a falta de uma mixagem mais abafada e empoeirada não tirou o clima nostálgico das composições, que por si só conseguem manter a chama (ou o gelo) típica dos anos 80 viva e forte. Como se isso tudo não bastasse, The Fellow Traveller é o álbum mais democrático da história da dupla. Diego Merletto e Froxeanne se alternam cantando em cada faixa, seis para ele e cinco para ela, quebrando assim uma tradição que fazia Merletto cantar a maioria das faixas em todos os outros álbuns.

As quatro primeiras faixas matam bem a sede dos fãs do grupo sedentos por música dançante. Os trabalhos já começam lá em cima com Tomorrow’s Life, onde Diego Merletto canta com sua inconfundível voz grave cheia de reverbs e ecos. As próximas duas músicas foram reaproveitadas do EP Lie In Wait e melhoradas. A coisa dá uma acalmada em White On White, que é a única música do álbum que se destaca por ser bem mais introspectiva, apesar da proeminência da bateria eletrônica. É a vez de Froxeanne cantar e ela entrega o que se espera dela: uma voz belíssima e angelical, com abençoados graves, que hipnotiza o ouvinte e o transporta para flutuar em nuvens de granizo. Gaivotas e ondas anunciam o começo de We’ll Fly Away e seu ritmo dançante e libertador. Com seu refrão belíssimo, Merletto fala sobre voar para sempre em busca da felicidade, assim como as gaivotas voam eternamente por sobre os mares. E parece que a chegada deste longo voo é na faixa 4, Told You At Once. Um apocalipse sonoro protagonizado por Froxeanne, uma perfeição para as pistas góticas de dança por seu ritmo acelerado, melodias destacadas e bases pesadas.



Após quatro músicas frenéticas, é hora de aproveitar mais uma viagem guiada por Diego Merletto em Your Touch, mais uma que foi reaproveitada do último EP. Escura como um pôr-do-sol contemplada no inverno das montanhas de Turim, Your Touch traz de volta as antigas forças Darkwave de álbuns anteriores, incluindo até mesmo uma guitarra, desta vez aliadas as poderosas camas de sintetizadores e de bateria eletrônica. Por falar neste último elemento, nunca as viradas e recursos de bateria foram tão usadas num álbum do The Frozen Autumn. A próxima faixa, A Gentle Flame, não possui a mesma imponência de arranjos como as demais, até porque ela carrega um tom sisudo “kraftwerkiano”. Todavia ela não passa despercebida, pois não existe nada que passe desapercebido se Froxeanne impôs nela seu divinal dom de interpretação. A tradição de músicas longas e viajadas é mantida com a excelente e variada Grey Metal Wings, que é como se fosse uma irmã FuturePop de Is Everything Real?, do Emotional Screening Device, e de Static Cold, de Is Anybody There?.

Aqui, cabe mais um comentário acerca das novidades trazidas em The Fellow Traveller. Os efeitos nos vocais de Merletto e de Froxeanne se multiplicaram. Os tradicionais e obrigatórios reverbs continuam presentes, lógico. Mas os delays estão mais destacados e facilmente perceptíveis, principalmente nos vocais de Froxeanne. Também, as harmonias vocais nunca foram tão trabalhadas, especialmente nos vocais de Diego Merletto. É como se você pudesse ouvir vários Diegos formando um coral em muitos momentos do álbum. A verdade é que essa variedade de efeitos não faria sentido algum se as próprias vozes dos dois cantores não fossem belas e diferenciadas.

Findada mais uma viagem a bordo de Grey Metal Wings, a simplicidade oitentista retorna em Sirens and Stargazers, que se vai se tornando mais e mais empolgante a medida que avança em seu tempo, atingindo o ápice em um momento onde Froxeanne canta somente com o apoio de um sintetizador grave e nervoso. Em contraponto a simplicidade de Sirens and Stargazers, vem em seguida aquela que talvez seja a mais complexa e progressiva composição da história do grupo italiano, The Twin Planet. Esta faixa traz um elaborado trabalho de arranjos de sintetizadores que são guiados por uma bateria quebrada e cheia de contratempos no caixa. As escalas árabes dos strings, os graves destacados e os vocais cavernosos de Diego Merletto nos conduzem por uma viagem ao cosmos em busca dos planetas gêmeos. O auge da viagem no profundo cosmos é um trecho onde Merletto assobia uma melodia sinistra por cima de imponentes strings, o que faz arrepiar o ouvinte de frio intergaláctico. Sim, a onda congelante do The Frozen Autumn chegou aos confins do Universo!

De volta à Terra, Froxeanne dá uma forte declaração na próxima faixa: eu te amo, mas eu prefiro sintetizadores! Enaltecendo a adoração aos instrumentos eletrônicos de teclas, a faixa que carrega o maravilhoso título de I Love You But I’ve Chosen Synthesizers é um dos grandes destaques de The Fellow Traveller e traz de volta o clima de pista de dança. O álbum se encerra com um cover de Loving The Alien, do eterno David Bowie, muito bem interpretada por Diego Merletto, claro, com seus vocais graves.



The Fellow Traveller pode ser o início de uma nova fase na discografia do The Frozen Autumn. Falo “pode ser”, pois é só o primeiro álbum desta nova sonoridade depois de sete anos sem lançar um novo full-length. O melhor de tudo é que a essência do som do The Frozen Autumn, o Darkwave, permanece lá em seu devido lugar. Mas agora ele está recauchutado e muito bem cuidado com todas as facilidades e opções que os sintetizadores podem oferecer. Há quem talvez tenha sentido falta de pelo menos uma faixa fortemente atmosférica, aos moldes antigos, mas a alternância de músicas fortes e dançantes com outras composições mais calmas sacia a qualquer um que goste das duas facetas da dupla italiana. Também considero um fato extremamente positivo a alternância de vocais entre Merletto e Froxeanne. Apesar de ele ser o fundador do grupo e principal compositor, ela o completa com seus vários recursos que a tornam uma cantora tão talentosa e que não deixa nada a dever às grandes divas Pop de todas as eras. Por sua vez, Merletto não teve em momento algum medo de ousar nas composições de The Fellow Traveller, que são as mais ricas e bem trabalhadas de toda a história do grupo. The Twin Planet que o diga!

Pois bem. A onda congelante veio, fez seus estragos e foi embora. Estragos sob o ponto de vista meteorológico, pois a música do The Frozen Autumn faz justamente o contrário de estragar. Ela eleva a mente do ouvinte e o faz experimentar múltiplas sensações num curto período de tempo. As vozes etéreas de Diego Merletto e de Froxeanne são essenciais para este mundo, bem como a musicalidade do The Frozen Autumn. Se você nunca testemunhou a Tempestade Congelante de Turim, faça-o agora. Congele sua mente nesta onda e mantenha-a fossilizada nela para sempre.

Ah, um estrago de verdade foi feito: no coração da pessoa cuja amada o trocou por sintetizadores.



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Resenha: Bretus - Aion Tetra (2019)


Aion Tetra - Bretus (Ordo MCM, 2019)

Tracklist:
01. The Third Mystic Eye
02. Priests Of Chaos
03. The Other Side
04. Aion Tetra
05. Deep Space Voodoo
06. Mark Of Evil
07. Cosmic Crow
08. Fields Of Mars
09. City Of Frost

Line-up:
Zagarus - vocais
Gghenes - guitarras
Janos - contrabaixo
Striges - bateria


Texto: Bruno Rocha

Catanzaro é uma cidade que fica ao sul da Itália. Capital da Calábria, Catanzaro é conhecida como “A Cidade dos Dois Mares”, pois seu litoral à sudeste é banhado pelo Mar Jônico e de seus pontos mais altos pode-se ver o Mar Tirreno, que banha o noroeste da província que carrega também o nome de Catanzaro. Todavia, mesmo em meio a paisagens belíssimas, tingidas pelo azul dos mares e iluminadas pela luz solar que não impede que a temperatura suba tanto, o todo-poderoso Doom Metal consegue sobreviver em seus calabouços e catacumbas de forma pungente. Pois há quase duas décadas o Bretus existe lá como uma das mais fortes representações da música obscura e pesada da Itália.

Fundado no ano 2000 pelo guitarrista Ghenes, o Bretus atualmente é formado, além dele, por Zagarus (vocais, Suum, Land Of Hate), Janos (contrabaixo) e Striges (bateria), todos reunidos com o objetivo de levar em suas letras os contos de horror perpetrados por H.P. Lovecraft e por cineastas do gênero, tendo com trilha sonora o mais puro e clássico Doom Metal, ensinado pelos pioneiros do gênero e harmonizado com elementos de Stoner e de Psicodélico. Tudo isso, lógico, fabricado com o DNA italiano do estilo, o que torna o som das bandas vindas de lá único e reconhecível. No caso específico do Bretus, ouvir seu Doom é como se estivéssemos em uma caverna onde ocorrem cultos aos ocultos, enegrecidos por uma nauseabunda atmosfera onde o vocalista Zagarus invoca os mitos cósmicos Yog-Sothoth e seu guardião, Cthulhu.

Em pouco tempo o Bretus se tornou um dos mais importantes grupos de Doom Metal da Itália graças a boa recepção de seu EP de estreia, autointitulado, e de seu primeiro full-length, In Onirica (2012, Arx Productions), que os levaram a participar de importantes festivais do estilo na Europa, como o Malta Doom Fest e o Doom Over Viena. Os lançamentos de The Shadow Over Innsmouth (2015, BloodRock Records) e de ...From The Twilight Zone (2017, Endless Winter) reforçaram e sacramentaram a posição do Bretus no âmbito do Gênero Maldito em solo italiano. Agora em 2019 está previsto o lançamento do quarto álbum de estúdio do grupo, Aion Tetra, para o dia 27 de setembro pela gravadora Ordo MCM. Todavia, o blog The Atmosphere... recebeu com antecedência este material para análise antes de seu lançamento oficial.

Um baixo ameaçador seguido de um riff poderoso e cadenciado dá início aos trabalhos com The Third Mystic Eye, uma música bastante empolgante e que prende a atenção do ouvinte com suas variações de andamento e de tom para um pesado Ré Sustenido Menor. Uma introdução tocada em órgão pavimenta o caminho para os riffs de Priests Of Chaos, dona de uma cativante melodia com odor setentista em seu refrão. A faixa de nº 3, The Other Side, reúne em si todas as características do Bretus. Com início acelerado, a música passeia por diferentes andamentos (especialmente em compassos ¾) e passagens com timbres limpos embebidos em chorus. A faixa-tútlo ocupa a posição de número 4 e é tão-somente um interlúdio acústico de muita beleza e bom-gosto. Seu tom introspectivo prepara terreno para um dos grandes destaques do disco, a sombria, pesada e viajante faixa de nº 5, Deep Space Voodoo.

Todo o poder de fogo do Doom Metal clássico “sabbathico” volta em Mark Of Evil, outro grande destaque do álbum. Um corvo agourento anuncia Cosmic Crow e sua pegada setentista que aqui se mostra muito forte. Ganhou inclusive um clipe muito bem produzido e condizente com a proposta de horror do grupo. Mais um interlúdio surge em Fields Of Mars. Desta vez vocalizada, a composição se mostra sombria, mas limpa e etérea, criando um contraste com o restante do álbum assim como Cantazaro consegue vislumbrar a vista de dois mares diferentes. O álbum se encerra com a épica City Of Frost, que traz um apurado senso de melodia mais pujante que as músicas anteriores, inclusive lançando mão de guitarras dobradas em sua seção instrumental.

A produção de Aion Tetra deixou a sonoridade do álbum crua e orgânica, mas ao mesmo tempo sem muita sujeira, deixando assim todos os instrumentos nítidos e as músicas com fácil compreensão por parte do ouvinte. A produção também reforçou a característica dramática dos vocais de Zagarus, deixando-os em lugar de destaque sem ofuscar a primorosa parte instrumental. Ao longo de todo play, o guitarrista Ghenes consegue misturar em suas composições todas as suas influências musicais com o fim de criar um som único para o Bretus, usando para isso sua baita criatividade para criar riffs e passagens. A cozinha formada por Janos e Striges é bastante segura e forte, conduzindo com força os andamentos cadenciados e as muitas mudanças de andamento sem deixar a peteca cair. Tudo isso vem ilustrado com uma belíssima arte de capa, que consegue transmitir de forma plástica toda a proposta sonora e lírica do Bretus no álbum.

Para aqueles que apreciam o bom e velho Doom Metal clássico, vale muito a pena conferir o que os doomers de Cantazaro já apresentaram ao mundo e também esperar pelo lançamento oficial de Aion Tetra, em setembro. Não, não tenha medo das criaturas cósmicas enxergadas por Lovecraft. Se o Bretus for de fato o porta-voz daquele panteão, será muito auspicioso ouvir as palavras oriundas do espaço profundo.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Hapax: banda italiana de Pós-Punk lança clipe da nova música “Parallel Words”


Foi lançado recentemente o novo álbum de estúdio dos italianos do Hapax, Monade, através da gravadora Swiss Dark Nights. O novo álbum, o terceiro da discografia da banda, surge após três anos de espera desde o lançamento de Cave.

Para divulgar o novo lançamento, a banda acaba de lançar o videoclipe da música Parallel Words, faixa de nº 3 do novo álbum, o qual você confere no player logo mais abaixo. O Hapax pratica um Pós-Punk com elementos de Darkwave e já possui em sua discografia três álbuns de estúdio que começaram com Stream Of Consciouness, de 2014.

Hapax é Michele Mozzillo (vocais, baixo, teclados) e Diego Cardone (guitarras, teclados, programação). Para o novo álbum, foram recrutados os serviços do baterista Fabio Malfi.