Aion Tetra - Bretus (Ordo MCM, 2019)
Tracklist:
01. The Third Mystic Eye
02. Priests Of Chaos
03. The Other Side
04. Aion Tetra
05. Deep Space Voodoo
06. Mark Of Evil
07. Cosmic Crow
08. Fields Of Mars
09. City Of Frost
Line-up:
Zagarus - vocais
Gghenes - guitarras
Janos - contrabaixo
Striges - bateria
Texto: Bruno Rocha
Catanzaro é uma cidade que fica ao sul da Itália. Capital da Calábria, Catanzaro é conhecida como “A Cidade dos Dois Mares”, pois seu litoral à sudeste é banhado pelo Mar Jônico e de seus pontos mais altos pode-se ver o Mar Tirreno, que banha o noroeste da província que carrega também o nome de Catanzaro. Todavia, mesmo em meio a paisagens belíssimas, tingidas pelo azul dos mares e iluminadas pela luz solar que não impede que a temperatura suba tanto, o todo-poderoso Doom Metal consegue sobreviver em seus calabouços e catacumbas de forma pungente. Pois há quase duas décadas o Bretus existe lá como uma das mais fortes representações da música obscura e pesada da Itália.
Tracklist:
01. The Third Mystic Eye
02. Priests Of Chaos
03. The Other Side
04. Aion Tetra
05. Deep Space Voodoo
06. Mark Of Evil
07. Cosmic Crow
08. Fields Of Mars
09. City Of Frost
Line-up:
Zagarus - vocais
Gghenes - guitarras
Janos - contrabaixo
Striges - bateria
Texto: Bruno Rocha
Catanzaro é uma cidade que fica ao sul da Itália. Capital da Calábria, Catanzaro é conhecida como “A Cidade dos Dois Mares”, pois seu litoral à sudeste é banhado pelo Mar Jônico e de seus pontos mais altos pode-se ver o Mar Tirreno, que banha o noroeste da província que carrega também o nome de Catanzaro. Todavia, mesmo em meio a paisagens belíssimas, tingidas pelo azul dos mares e iluminadas pela luz solar que não impede que a temperatura suba tanto, o todo-poderoso Doom Metal consegue sobreviver em seus calabouços e catacumbas de forma pungente. Pois há quase duas décadas o Bretus existe lá como uma das mais fortes representações da música obscura e pesada da Itália.
Fundado no ano 2000 pelo guitarrista Ghenes, o Bretus
atualmente é formado, além dele, por Zagarus (vocais, Suum, Land Of Hate), Janos (contrabaixo) e
Striges (bateria), todos reunidos com o objetivo de levar em suas letras os
contos de horror perpetrados por H.P. Lovecraft e por cineastas do gênero,
tendo com trilha sonora o mais puro e clássico Doom Metal, ensinado pelos
pioneiros do gênero e harmonizado com elementos de Stoner e de Psicodélico.
Tudo isso, lógico, fabricado com o DNA italiano do estilo, o que torna o som
das bandas vindas de lá único e reconhecível. No caso específico do Bretus,
ouvir seu Doom é como se estivéssemos em uma caverna onde ocorrem cultos aos
ocultos, enegrecidos por uma nauseabunda atmosfera onde o vocalista Zagarus
invoca os mitos cósmicos Yog-Sothoth e seu guardião, Cthulhu.
Em pouco tempo o Bretus se tornou um dos mais importantes
grupos de Doom Metal da Itália graças a boa recepção de seu EP de estreia,
autointitulado, e de seu primeiro full-length, In Onirica (2012, Arx
Productions), que os levaram a participar de importantes festivais do estilo na
Europa, como o Malta Doom Fest e o Doom Over Viena. Os lançamentos de The
Shadow Over Innsmouth (2015, BloodRock Records) e de ...From The Twilight Zone
(2017, Endless Winter) reforçaram e sacramentaram a posição do Bretus no âmbito
do Gênero Maldito em solo italiano. Agora em 2019 está previsto o lançamento do
quarto álbum de estúdio do grupo, Aion Tetra, para o dia 27 de setembro pela
gravadora Ordo MCM. Todavia, o blog The Atmosphere... recebeu com antecedência
este material para análise antes de seu lançamento oficial.
Um baixo ameaçador seguido de um riff poderoso e cadenciado
dá início aos trabalhos com The Third Mystic Eye, uma música bastante
empolgante e que prende a atenção do ouvinte com suas variações de andamento e
de tom para um pesado Ré Sustenido Menor. Uma introdução tocada em órgão
pavimenta o caminho para os riffs de Priests Of Chaos, dona de uma cativante
melodia com odor setentista em seu refrão. A faixa de nº 3, The Other Side, reúne
em si todas as características do Bretus. Com início acelerado, a música passeia
por diferentes andamentos (especialmente em compassos ¾) e passagens com timbres
limpos embebidos em chorus. A faixa-tútlo ocupa a posição de número 4 e é tão-somente
um interlúdio acústico de muita beleza e bom-gosto. Seu tom introspectivo
prepara terreno para um dos grandes destaques do disco, a sombria, pesada e
viajante faixa de nº 5, Deep Space Voodoo.
Todo o poder de fogo do Doom Metal clássico “sabbathico” volta
em Mark Of Evil, outro grande destaque do álbum. Um corvo agourento anuncia
Cosmic Crow e sua pegada setentista que aqui se mostra muito forte. Ganhou inclusive um clipe muito bem produzido e condizente com a proposta de horror do grupo. Mais um interlúdio
surge em Fields Of Mars. Desta vez vocalizada, a composição se mostra sombria,
mas limpa e etérea, criando um contraste com o restante do álbum assim como
Cantazaro consegue vislumbrar a vista de dois mares diferentes. O álbum se
encerra com a épica City Of Frost, que traz um apurado senso de melodia mais pujante
que as músicas anteriores, inclusive lançando mão de guitarras dobradas em sua
seção instrumental.
A produção de Aion Tetra deixou a sonoridade do álbum crua e
orgânica, mas ao mesmo tempo sem muita sujeira, deixando assim todos os
instrumentos nítidos e as músicas com fácil compreensão por parte do ouvinte. A
produção também reforçou a característica dramática dos vocais de Zagarus, deixando-os
em lugar de destaque sem ofuscar a primorosa parte instrumental. Ao longo de
todo play, o guitarrista Ghenes consegue misturar em suas composições todas as
suas influências musicais com o fim de criar um som único para o Bretus, usando
para isso sua baita criatividade para criar riffs e passagens. A cozinha
formada por Janos e Striges é bastante segura e forte, conduzindo com força os
andamentos cadenciados e as muitas mudanças de andamento sem deixar a peteca
cair. Tudo isso vem ilustrado com uma belíssima arte de capa, que consegue transmitir de forma plástica toda a proposta sonora e lírica do Bretus no álbum.
Para aqueles que apreciam o bom e velho Doom Metal clássico,
vale muito a pena conferir o que os doomers de Cantazaro já apresentaram ao mundo
e também esperar pelo lançamento oficial de Aion Tetra, em setembro. Não, não
tenha medo das criaturas cósmicas enxergadas por Lovecraft. Se o Bretus for de
fato o porta-voz daquele panteão, será muito auspicioso ouvir as palavras
oriundas do espaço profundo.


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