sábado, 25 de abril de 2020

Clan Of Xymox: banda lança clipe da nova música “Lovers”, o segundo single do novo álbum de estúdio



Os reis do Darkwave Clan Of Xymox lançaram recentemente a nova música Lovers, acompanhada de um videoclipe. Junto ao single lançado anteriormente, She, Lovers será uma das faixas do novo álbum de estúdio da banda, cujo título será Spider On The Wall.

Sobre o single Lovers, o mesmo foi lançado em um EP de cinco faixas. Além da versão original da música, fazem parte do EP três versões remixadas por Hante., Actors e Selofan. A quinta faixa se trata da regravação de Going Round, música lançada originalmente em 1983 no clássico EP de estreia Subsequent Pleasures. Curiosamente, está é a terceira vez que Going Round foi lançado, sendo que a segunda fora no álbum Hidden Faces, de 1997.

Já quanto ao álbum Spider On The Wall, espera-se que o Clan Of Xymox anuncie maiores informações em breve. O que se sabe é que Ronny Moorings, líder e principal compositor da banda, já está com o trabalho pronto para ser lançado, como ele anunciou em recente entrevista ao site alemão Gothic Empire. Spider On The Wall será o décimo-sétimo álbum de estúdio lançado pela banda (contando aqui com os álbuns lançados sob o nome Xymox) e o primeiro desde Days Of Black (2017).

Enquanto o novo álbum não sai, confira no player abaixo a nova música Lovers. O videoclipe foi dirigido e editado por Zoe Cavanagh com apoio de Ismael Diarra e de Thomas Andrew Quain. Aproveite e ouça também o primeiro single lançado pelo Clan Of Xymox em 2020, She.



Paradise Lost: banda lança nova música, “Ghosts”



Os britânicos do Paradise Lost estão prestes a lançar seu novo álbum de estúdio, Obsidian, o qual será o décimo-sexto full-length de sua discografia. Para divulgar o novo álbum, a banda disponibilizou recentemente seu segundo single, Ghosts, o qual você poderá ouvir no player mais abaixo.

Em Ghosts, o Paradise Lost volta a mostrar com força suas influências de Rock Gótico como não se vê há algum tempo. Sem esquecer o peso que a banda trouxe de volta desde meados dos anos 2000, o baixo com flanger de Stephen Edmondson, o fraseado de guitarra melancólico de Gregor Mackintosh e os vocais graves de Nick Holmes construíram uma peça gótica que nos remete a The Sisters Of Mercy. Aliás, sempre que têm a oportunidade, os integrantes do Paradise Lost fazem questão de mencionar que as bandas góticas oitentistas são algumas das principais influências na sonoridade típica da banda.

Quando a data de lançamento de Obsidian foi divulgada, o Paradise Lost divulgou que o novo álbum será o mais eclético lançado pela banda nos últimos tempos, indo de músicas Doom pesadíssimas até Rock Gótico. Cabe lembrar que ao longo de sua história que já atravessa três décadas, os ingleses passearam por várias diferentes sonoridades com muito louvor, o que embasa fortemente as intenções do grupo de mesclar várias delas em um só registro.

Obsidian tem data de lançamento prevista para o dia 15 de maio pela gravadora Nuclear Blast. Paradise Lost é Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras), Stephen Edmondson (contrabaixo) e Valtteri Wäyrynen (bateria). Confira nos players a seguir a nova música Ghosts e também Fall From Grace, o primeiro single divulgado de Obsidian e que ganhou videoclipe.




domingo, 12 de abril de 2020

Molchat Doma: o que explica o sucesso da mais nova sensação do Pós-Punk?




Texto: Bruno Rocha

Provavelmente você já deve ter dançado ao som de Tansevat, do Molchat Doma. Vou mais além: você já deve conhecer várias músicas do trio Pós-Punk da Bielorrússia. Se você não atende a nenhuma das duas afirmações anteriores, você está perdendo tempo.

O Pós-Punk do lado de lá da Europa tem uma sonoridade peculiar e facilmente reconhecível graças a simplicidade dos arranjos e o clima nublado que elas criam que mais parecem versões musicais das imponentes arquiteturas e construções soviéticas. Desde os pioneiros do Kino até nomes atuais como Human Tetris, Ploho, Supernova 1006 e Buerak, o Pós-Punk russo se mantém forte, coeso e relevante na atualidade.

Mas o Molchat Doma é um caso bastante peculiar e específico. Primeiro que eles não são da Rússia. São de Belarus, nome oficial do país que conhecemos como Bielorrússia. Belarus fica localizado a Oeste da Rússia e ao Norte da Ucrânia e fazia parte até o começo dos anos 90 da União Soviética. O segundo ponto advém de sua sonoridade. Resguardando as tradições do Pós-Punk de seu país vizinho, o Molchat Doma consegue elaborar uma identidade musical para si próprio mesclando elementos de Coldwave e Synthpop. Terceiro, e não menos importante, o grupo trabalha muito bem a parte visual, que inclui logos, capas de álbuns e figurinos dos integrantes. Não vai dizer que não reconhece aquela roupa social preta fechada até o pescoço e aquele bigode do vocalista Egor Shkutko?

Roman Komogortsev, Egor Shkutko e Pavel Kozlov.
Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente até 2010. Naquele ano, dois estudantes de uma escola técnica em Minsk, capital de Belarus, se conheceram e um descobriu que o outro tocava instrumentos musicais. Estes eram Egor Shkutko e Roman Komogortsev. Todavia, não era só o fato de ambos serem músicos que os aproximou. Egor e Roman eram fãs de Depeche Mode e também partilhavam um carinho por Red Hot Chili Peppers. Os gostos musicais parecidos fizeram com que os dois começassem a tocar juntos na soturna, cinzenta, imponente e soviética Minsk.

Ambos tocavam juntos vários estilos diferentes, que iam de vertentes eletrônicas até Funk e passando até mesmo por Trip Hop. Em 2014 eles se encontravam juntos na banda Net Kadrov, onde Roman era guitarrista e tecladista e Egor era baixista. Foi durante a existência do Ned Kadrov que algumas composições hoje tocadas pelo Molchat Doma surgiram, como Ya Ne Komunist, Tishina I Priatki e Tecnologia. O vocalista do Net Kadrov resolveu deixar o grupo após divergências musicais com Egor e Roman, o que abriu caminho para que os dois seguissem com a banda de acordo com seus próprios objetivos e ideais.

A primeira iniciativa foi mudar o nome da banda. De Net Kadrov, o grupo passou a se chamar Molchat Doma, que significa “casas silenciosas”. Ao invés de procurarem por um novo cantor, Egor resolveu largar o contrabaixo para assumir o posto de vocalista. A busca por um baixista foi difícil, já que vários músicos foram recrutados, mas todos eles abandonavam o projeto em pouco tempo. Quando a dupla de amigos já estava desanimada ao ponto de encerrar de vez o projeto, eis que Pavel Kozlov entra em contato se mostrando altamente interessado na vaga. A salvação chegou e o Molchat Doma enfim toma o formato que conhecemos hoje em 2017.

Em meio a tantos estilos musicais que a dupla Egor/Roman já haviam testado, o Pós-Punk vingou como sonoridade definitiva do Molchat Doma. Já foi citado neste texto que ambos eram fãs de Depeche Mode, mas Roman, principal arranjador do grupo, também cultivava um forte apreço pelo Kino, um dos principais nomes do Rock russo de todos os tempos e que praticava um Pós-Punk frio e introspectivo.

O trio produziu e lançou de forma independente seu álbum de estreia, S’Krish Nashik Domov (Dos Telhados de Nossas Casas) ainda em 2017, com nove faixas que traziam um som empoeirado, abafado, com sintetizadores que remetiam a época de ouro do Synthpop e do New Wave, guitarras com melodias frias cobertas de reverb, baixo hipnotizante e vocais soturnos que pareciam ter sido gravados do fundo de um porão de algum prédio setentista de Minsk. Um som realmente dançante e sombrio ao mesmo tempo, sovieticamente arquitetado. O álbum chamou a atenção de Davide, o responsável pela gravadora alemã Detriti Records. Davide entrou em contato com o Molchat Doma através do Soundcloud, oferecendo a oportunidade de lançar S’Krish Nashik Domov em formato de fita cassete. A oferta foi aceita pela banda e o lançamento rapidamente se esgotou.



Mais uma oferta foi feita pelo italiano radicado na Alemanha, Davide. Lançar o segundo álbum do Molchat Doma em vinil. Desta vez o trio bielorrusso ficou apreensivo, pois eles nem sequer sabiam se teriam condições de registrar um segundo álbum. Apesar da incerteza, o grupo se manteve confiante e resolveu aceitar a oferta da gravadora alemã, o que possibilitou a gravação de Etazhi (Pisos), lançado em 2018.

Apesar de serem músicos talentosos e criativos e de terem uma imagem bastante chamativa, tudo isto não bastou ainda para que o Molchat Doma se lançasse aos píncaros da glória. Um pouco de sorte também se fez essencial para que os garotos de Belarus se tornassem a nova sensação do Pós-Punk. Os vídeos com as canções do grupo começaram a se tornar bastante divulgados e assistidos no YouTube. Foi através deste forte engajamento na internet que o Molchat Doma chamou a atenção dos americanos do Drab Majesty, que alimentou a vontade de tocar na Europa junto aos bielorrussos. O Drab Majesty tratou de entrar em contato com seu agente de shows na Europa para falar sobre o Molchat Doma e sobre a possibilidade de a agência também apoiá-los. O agente foi até Berlim testemunhar pessoalmente uma apresentação do Molchat Doma, desta feita no festival Pop-Kultur de 2019. Ao chegar lá, o que o agente presenciou foi um trio formado por um vocalista bigodudo e altamente empolgado com danças estranhas, um guitarrista que verdadeiramente se inebriava viajando em seus próprios solos e um baixista que mais se parecia um músico escandinavo de Heavy Metal, mas que dançava animadamente ao ritmo sincopado de seu baixo. Este trio tocava suas ótimas composições de forma coesa e segura, conquistando assim todo aquele público que, junto ao agente, testemunhavam aquele concerto. Depois foi só questão de tempo para que o agente e os garotos de Belarus assinassem uma parceria que permitiu ao trio rodar toda a Europa e até mesmo os Estados Unidos desde então.

Lembra da apreensão pela qual a banda passou antes de gravar seu segundo álbum, Etazhi? Pois bem. Etazhi já foi vorazmente devorado das lojas físicas cinco vezes. Atualmente o trabalho já está em sua sexta prensagem, a qual provavelmente terá o mesmo destino das cinco anteriores. Etazhi traz ainda a mesma essência fria e dançante do debut, porém com uma melhor produção e qualidade de som graças ao aporte da gravadora Detriti.


Não nos esqueçamos que o Molchat Doma é de Belarus, país governado com mãos-de-ferro por Alexander Lukashenko (sim, o mesmo que disse que o Coronavirus pode ser tratado com vodka e saunas) em mandatos consecutivos desde 1994 e que faz questão de resguardar tradições soviéticas até hoje. Se essas tradições se restringissem a pesada arquitetura, tudo bem. Contudo, tais costumes vão desde práticas econômicas até repressão e censura. Para alguma banda local poder tocar ao vivo no país, é necessário requisitar uma prévia autorização ao regime local, que verificará o histórico, as letras e até a imagem do grupo. Caso a autorização seja negada, representantes do regime bielorrusso vão até o local onde a apresentação aconteceria para verificar se realmente o show não ocorreu. O Molchat Doma já experimentou essa censura algumas vezes, muito embora eles afirmem que pouco se preocupam com política e que suas letras quase não abordam o assunto. Todavia, o Molchat Doma é presença frequente na emissora local de TV Belsat, que se intitula independente e com a missão de enaltecer a cultura bielorrussa, bem como em rádios.

O reconhecimento que falta em Belarus vem sendo ricamente recompensado fora de lá, em toda a Europa e em todo o mundo. O Molchat Doma é atualmente uma das principais representantes do estilo e muito deste sucesso se deve a sua personalidade, sua empolgante, fria e única sonoridade, trabalho duro, imagem reconhecível e, não faz mal reconhecer, uma pitada de sorte. Ora com guitarras e com baixo na direção do Coldwave, ora nos sintetizadores que os conduzem ao Synthpop/New Wave, o Molchat Doma se sai bastante competente em cada direção que resolve adotar, sempre guiados pela bateria eletrônica de timbres nostálgicos e simples. Não obstante a salada de influências, o grupo cria uma música consistente, homogênea e empolgante. Mais que isso, o Molchat Doma é responsável por uma atmosfera mágica e inebriante que, mesmo tendo uma coloração cinzenta e triste tal qual os prédios de Minsk, empolga e faz alegrar qualquer fã e ouvinte.

Ligue seu som e não permita que sua casa fique silenciosa ante ao poder frio do Molchat Doma.


sábado, 11 de abril de 2020

Crise de Covid-19 faz importantes eventos góticos brasileiros mudarem de data




São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se aproximam.

Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa, que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de 2020 adiadas para o ano que vem.

A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition, a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em 2021 junto às bandas já asseguradas.

“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic 2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus Christi.

Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos, Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival ( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais: a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial, Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A NOVA DATA!!!”


Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable, os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:

“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia) tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.

A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros, certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma recessão.

Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1 ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de todo o Brasil.”


Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.

Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.

Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.





sábado, 4 de abril de 2020

Resenha: These Dark Trails - Epiphany (EP, 2020)



EPIPHANY - THESE DARK TRAILS (EP, independente, 2020)

Tracklist:
01. Elixir
02. By Actions And Concepts
03. Almost
04. Void
05. Denial

Line-up:
Bruno Cassoni - todos os instrumentos


Texto: Bruno Rocha

These Dark Trails é um novo projeto capitaneado pelo músico Bruno Cassoni, que possui em seu currículo trabalhos com as bandas Songs of Oblivion, da qual é guitarrista, Feralia, Neon, HELP e Gray Souvenirs. O músico resolveu desafiar a si mesmo criando este projeto onde ele é o único integrante, praticando assim o conhecido formato “one-man band”.

A proposta do These Dark Trails é tocar um Black Metal na linha mais depressiva do estilo, como ensinado pelo Burzum e pelo Strid ainda nos anos 90, com letras que tratam das visões do autor sobre a vida e sobre os seus sentimentos. Junto a essas óbvias influências, o Black Metal do These Dark Trails também deixa transparecer momentos que nos remetem ao Post Black Metal e mesmo ao Blackgaze, muito embora o estilo preconizado pelo Alcest não emerja tanto em meio aos arranjos criados e tocados unicamente por Bruno.

O projeto fez sua estreia recentemente com o EP Epiphany, que é composto por cinco faixas que completam confortáveis 18 minutos de duração, o que é perfeito para se ouvir e absorver em meio ao frenético cotidiano da atualidade (considerando-se a normalidade afora a era Covid-19). O These Dark Trails mostra o seu cartão de visitas com Elixir, onde uma levada soturna conduzida por uma guitarra limpa e vocais limpos distorcidos são sucedidos por um momento mais pesado e perturbador. By Actions And Concepts dá continuidade ao trabalho na mesma pegada, mas incluindo em sua metade uma passagem com sons estranhos, quase industriais.

Almost é instrumental e serve para descansar o ouvinte da forte melancolia erguida pelas duas faixas anteriores; para tanto, teclados com timbres etéreos, acordes na guitarra em chorus e até mesmo um solo servem para este propósito. Void traz consigo guitarras de timbre bastante distorcido misturadas a outra com timbre limpo, criando assim uma atmosfera ao mesmo tempo asfixiante e confortável. Ponto aqui para o ótimo trabalho de mixagem feito pelo próprio Bruno em seu home-studio, batizado de Obscure Room. Um riff Doom Metal surge em Denial, faixa que encerra os trabalhos com uma forte e inclemente carga maligna.

Cabe repetir algo que já foi dito aqui por conta de sua importância: o trabalho de mixagem feito por Bruno é digno de ser tirado chapéu. Não é fácil misturar timbres limpos e distorcidos de guitarras em um mesmo arranjo e deixar ambos bem audíveis, sem que um invada demasiadamente o espaço do outro. São detalhes como esses, além é claro do talento do músico em criar músicas dentro do estilo proposto, que podem levar o These Dark Trails a ser um dos principais representantes do Depressive Black Metal no Brasil daqui há um tempo. O projeto não traz nada novo dentro do estilo, mas as músicas por ele criadas são honestas, sinceras e muito bem trabalhadas. Isso já conta bastante ponto para uma nova banda que queira se destacar. O EP Epiphany foi um ótimo primeiro passo para se alcançar este objetivo, caso assim Bruno o queira.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

The Black Capes: banda lança clipe da nova música “And I Wait”


O The Black Capes surgiu recentemente, em 2016, na milenar Atenas. O Rock praticado pelo quarteto se encontra no limite do Gothic Rock com o Metal, como se os arranjos típicos do Fields Of The Nephilim se misturassem com as facetas mais comerciais do Paradise Lost, unindo melodias sombrias e grudentas com peso.

Apesar de ser uma banda nova, o grupo já alcançou alguns objetivos dos quais podem se orgulhar, como ter seu álbum de estreia, All These Monsters (2017), no top 10 das paradas alternativas da Alemanha, além de já ter dividido o palco com nomes como o já citado Paradise Lost, por exemplo. A banda, formada por Alexander S. Wamp (vocais), Thanos Jan (guitarras), Dorian Gates (contrabaixo) e Christos Grekas (bateria), está agora prestes a lançar o seu segundo full-length, Lullabies For The Dead, do qual foi extraída a música And I Wait, que ganhou videoclipe que você pode assistir no player abaixo.



Lullabies For The Dead foi produzido por Peter Rutcho e teve sua arte de capa elaborada pelo artista Angry Blue, que já trabalhou com Guns n’ Roses, Iggy Pop e Faith No More, dentre vários outros nomes conhecidos. Seu lançamento se dará no próximo dia 10 de abril através da gravadora Dark Tunes Music Group.