Gathered By... - Serpent Rise (Megahard, 1998, Nuktemeron Productions, relançamento de 2019)
Tracklist:
01. In The Cosmic Sea
02. ...Kharma
03. Mistress Of My Paradise
04. Reflex In The Last Mirror
05. Betrayed God
06. Travelling Free
07. During The Eternity
Tracklist:
01. In The Cosmic Sea
02. ...Kharma
03. Mistress Of My Paradise
04. Reflex In The Last Mirror
05. Betrayed God
06. Travelling Free
07. During The Eternity
Line-up:
Agnaldo - vocais
Luiz - guitarras
Júlio - guitarras, bateria
Eder - teclados
Marcelo - contrabaixo
Agnaldo - vocais
Luiz - guitarras
Júlio - guitarras, bateria
Eder - teclados
Marcelo - contrabaixo
Texto: Bruno Rocha
Um dos pilares do Doom Metal nacional atende pelo nome de
Serpent Rise. Apesar dos poucos trabalhos lançados, a grande maioria deles nos anos
90, a criatividade e o pioneirismo do grupo gaúcho renderam-lhe o posto de um dos
baluartes do Gênero Maldito em nosso país. Dentre suas principais obras
lançadas em seu período fértil, é óbvio que o grande destaque é o full-length
Gathered By..., de 1998. E sim! Ele acabou de ganhar um relançamento remasterizado
através da Nuktemeron Productions. O relançamento ainda traz como bônus as
demos Anastenárides (1994) e Travellin’ Free (1995). Ou seja: temos um pacotão
de trabalhos essenciais do Doom Metal nacional em um único lançamento!
Ora, o que a banda apresentou em Gathered By... há 21 anos
era uma visão de Doom Metal ainda pouco explorada no país com seus toques
atmosféricos, vocais quase sussurrados em meio aos tradicionais guturais,
teclados criando ambientações sombrias e alguns elementos de Rock Gótico que
aparecem de forma pulverizada. Na época, a banda era formada por Agnaldo nos
vocais, Luiz nas guitarras, Marcelo no contrabaixo, Eder nos teclados e Júlio
nas guitarras e na bateria. Os timbres pesados e gordurentos das guitarras e do
contrabaixo (realçados na remasterização) reforçam fortemente a parede sonora criada
e gravada pela banda nas composições da época, tudo isso junto aos teclados
muito bem encaixados, bateria reta e segura e a versatilidade vocal de Agnaldo.
O álbum tem início com In The Cosmic Sea, uma típica
composição Doom de 10 minutos que traz com força todas as características
citadas no parágrafo anterior e que cumpre bem sua missão de começar o álbum de
forma bastante empolgante. A faixa seguinte traz em seu título a continuação do
nome do álbum, ...Kharma. Iniciada por uma melodia de violão, a faixa segue num
ritmo mais lento que sua antecessora e apresenta variações de andamentos,
típicos do movimento Death/Doom que emergiu naquela década, lembrando especialmente
o Anathema. Mistress Of My Paradise é uma faixa bastante sombria e negra, cujo
começo é uma longa introdução que transporta o ouvinte para um escuro e úmido
calabouço antes que as guitarras cortantes do Death/Doom entrem cortando tudo
sem misericórdia.
Uma dose de Rock Gótico é percebida em Reflex In The Last
Mirror, cujo andamento é um pouco mais acelerado e põe o baixo de Marcelo em
evidência, temperado com teclados em piano e com um timbre lúgubre de guitarra
cheio de chorus e tremolo. Todos esses elementos criam uma atmosfera melancólica
e caleidoscópica que crescem rumo ao fim da música em peso e velocidade. O
Doomzão mais mortal volta com força e inclemente em Betrayer God, vide o riff que
faz a terra tremer carregado por um andamento fúnebre de bateria e teclados que
parecem prenunciar o apocalipse. A faixa de nº 6 é a clássica Travelling Free,
que faz jus ao seu nome por ser uma verdadeira viagem Doom de 15 minutos que passam
voando graças as suas mudanças de andamento e de tom, que dão variedade e
colorido (mórbido) a música. O álbum se encerra com During The Eternity, que
mais uma vez reforça as influências Death/Doom da época em uma procissão fúnebre
e etérea.
Pode-se resumir tudo que este redator analisou em dois
pontos:
1º) A banda conseguiu êxito naquilo que se propôs a apresentar
em cada faixa. Foi sucinta e direta naquilo que queria mostrar nas músicas mais
curtas e foi dinâmica e sortida nas composições mais longas. O grande desafio
do compositor de Doom Metal é exatamente compor uma música que prenda o ouvinte
em seu longo comprimento, deixando-o ansioso pelo que virá pela frente no que
tange a variação de arranjos.
2º) Estamos em 1998. O Serpent Rise não estava só influenciado
pelo Death/Doom noventista; o Serpent Rise ERA do Death/Doom noventista. Fazia
parte daquele conjunto de bandas que emergiram nos anos 90. Além disso, eles continuaram
carregando a pureza do estilo enquanto My Dying Bride sofria de dupla
personalidade musical, o Paradise Lost dava uma de Depeche Mode e o Anathema estava
em sua metamorfose para se tornar um Pink Floyd “Coldplayzado”. E o melhor de
tudo: o Serpent Rise fazia seu Death/Doom com muita identidade. Os elementos
atmosféricos e as timbragens gordas dos instrumentos conferiram ao som do grupo
uma energia única, perturbadora e bela, dentro dos limites do Doom.
Note que adotei os verbos com conjugação predominantemente
pretérita. Mas não há prejuízo de interpretação se você os substituir pelas
suas versões no presente. Gathered By... foi relançado e remasterizado. Ou
seja, está mais poderoso ainda! Cuide em ouvi-lo e torne-se testemunha no
futuro de uma das mais importantes realizações do Doom Metal nacional que
aconteceram no passado.


Amo esse disco.
ResponderExcluirIsso é tão belo que anda ao lado da PERFEIÇÃO...
ResponderExcluirEXALA MORTE***
Discão!
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