Está agendado para o próximo dia 04 de novembro o lançamento
do novo single da banda brasiliense de Pós-Punk Signo 13, Abismo Céu.
Este single será a terceira música disponibilizada do álbum
de estreia do grupo, Serpentário. As duas primeiras foram Sonhos Acordados (setembro) e Casa dos Espelhos – ou, Lágrimas na Chuva (outubro). A ideia da banda formada por Felipe Rodrigues
(vocais, guitarras, contrabaixo, teclados, queixada) e Rubens Cardoso (bateria,
percussão) é lançar um single a cada mês, desde setembro de 2019 até outubro de
2020, quando o álbum será finalmente revelado em toda a sua plenitude. Abismo
Céu será lançado tanto nos canais oficiais do Signo 13 quanto em duas
coletâneas: Antes De Falar Mais Uma Palavra Sobre Justiça, Por Favor Coma Merda,
organizada pelo zine pernambucano Velho Rabugento, e Chinelos e Coturnos Vol.
2, pelo selo Motim Underground, de Cuiabá.
O Signo 13 pratica um Pós-Punk que mescla em sua
sonoridade elementos de Dub, Punk, Gothic Rock e Surf Music. Confira no player
abaixo um teaser de Abismo Céu, bem como os dois primeiros singles já divulgados, Sonhos Acordados e Casa dos Espelhos – ou, Lágrimas na Chuva.
THE FELLOW TRAVELLER – THE FROZEN AUTUMN (Echozone, 2017)
Tracklist:
01. Tomorrow’s Life 02. White On White 03. We’ll Fly Away (long version) 04. Told You At Once 05. Your Touch 06. A Gentle Flame 07. Grey Metal Wings 08. Sirens And Stargazers 09. The Twin Planet 10. I Love You But I’ve Chosen Synthesizers 11. Loving The Alien (David Bowie cover)
Line-up:
Diego Merletto – vocais, sintetizadores
Froxeanne – vocais, sintetizadores
Texto: Bruno Rocha
Prepare-se! Uma frente fria está vindo da região de Turim,
na Itália. Mas ela não é uma frente fria qualquer, que traz chuvas ou mesmo
leves geadas. Essa frente fria é uma verdadeira onda congelante, sob a qual nem
mesmo o próprio ar escapa incólume, passando por um processo de sublimação, acabando
por solidificar-se. Fora estes efeitos, a onda congelante de Turim obscurece
luzes, tornado o ambiente escuro; os poucos e corajosos fachos de luzes que ousam
resistir são como as auroras boreais que rasgam os céus nórdicos, criando assim
um espaço, ao mesmo tempo escuro e frio, agradável e etéreo.
O grupo italiano The Frozen Autumn possui considerável
respeito dentro do cenário Gothic/Darkwave mundo afora graças ao seu estilo
bastante pessoal que mescla elementos de música atmosférica e de Synthpop, num
estilo que seus próprios integrantes batizaram de “Frozenwave”.Fundado em 1993 por Diego Merletto, o The
Frozen Autumn mostrou em seus primeiros trabalhos um som ainda com um pé no
Gothic Rock (na época a banda contava com os serviços de Claudio Brosio nas
guitarras) e com fortes influências de Clan Of Xymox, porém já havia ali
elementos de sonoridade característica que se tornaria consagrada anos depois.
Os dois primeiros álbuns do The Frozen Autumn, Pale Awakening (1995) e
Fragments Of Memories (1997), se tornariam clássicos do Darkwave, trazendo
consigo faixas atmosféricas e sorumbáticas recheadas com teclados que criam
climas ora melancólicos, ora confortantes. Os elementos Synthpop já existiam,
mas eram poucos e retraídos. A parceria de Merletto com Arianna Vespasiano teve
início com uma participação especial da cantora na faixa-título de Fragments Of
Memories, naquilo que foi um motivador para um projeto paralelo dos dois
músicos chamado Static Movement. O único álbum lançado por esse projeto,
Visionary Landscapes (1999), foi de suma importância para uma leve mudança no
direcionamento musical do próprio The Frozen Autumn, que deixou de lado
qualquer contribuição de guitarras e tornou seu som 100% eletrônico, fabricado
a base de sintetizadores e com maior proeminência das influências Synthpop.
Arianna, que atende pelo pseudônimo Froxeanne, foi efetivada
no The Frozen Autumn e a agora dupla grava o importante Emotional Screening
Device (2002) e a perfeição chamada Is Anybody There? (2005). As guitarras
voltam a se fazer presentes no bom álbum Chirality (2010) e no DVD Seen From
Under Ice (2011), que foi gravada em quarteto com a adição de mais um
tecladista e de um guitarrista, o que permitiu que algumas músicas de todos os álbuns
ganhassem novos arranjos. Após alguns anos sem novos lançamentos, o The Frozen
Autumn volta novamente como a dupla Merletto/Froxeanne no lançamento do EP Lie
In Wait (2014), que serviu como uma prévia para o sexto álbum de estúdio do
grupo, The Fellow Traveller, lançado em 2017 pela gravadora Echozone e que é o
objeto de análise deste artigo.
The Fellow Traveller é um álbum empolgante e viciante do
começo ao fim. Diferentemente de todos os álbuns anteriores, este álbum é completamente
moldado em cima do Synthpop. Não há nenhuma música atmosférica ao estilo de
Onyria (Pale Awakening, 1995), ou mesmo faixas introspectivas e de ritmo lento
aos moldes de Evening Falls (Is Anybody There?, 2004). Claro que há momentos em
que a dupla põe o pé no freio, mas na maior parte do tempo o ritmo é frenético
e dançante. Outra diferença de The Fellow Traveller é na mixagem do som, que é
bem mais limpo e cristalino que nos álbuns anteriores. Felizmente, a falta de
uma mixagem mais abafada e empoeirada não tirou o clima nostálgico das
composições, que por si só conseguem manter a chama (ou o gelo) típica dos anos
80 viva e forte. Como se isso tudo não bastasse, The Fellow Traveller é o álbum
mais democrático da história da dupla. Diego Merletto e Froxeanne se alternam
cantando em cada faixa, seis para ele e cinco para ela, quebrando assim uma
tradição que fazia Merletto cantar a maioria das faixas em todos os outros
álbuns.
As quatro primeiras faixas matam bem a sede dos fãs do grupo
sedentos por música dançante. Os trabalhos já começam lá em cima com Tomorrow’s Life, onde Diego Merletto canta com sua inconfundível voz grave cheia de
reverbs e ecos. As próximas duas músicas foram reaproveitadas do EP Lie In Wait e melhoradas. A coisa dá uma acalmada em White On White, que é a única música
do álbum que se destaca por ser bem mais introspectiva, apesar da proeminência
da bateria eletrônica. É a vez de Froxeanne cantar e ela entrega o que se
espera dela: uma voz belíssima e angelical, com abençoados graves, que
hipnotiza o ouvinte e o transporta para flutuar em nuvens de granizo. Gaivotas
e ondas anunciam o começo de We’ll Fly Away e seu ritmo dançante e libertador. Com
seu refrão belíssimo, Merletto fala sobre voar para sempre em busca da
felicidade, assim como as gaivotas voam eternamente por sobre os mares. E parece
que a chegada deste longo voo é na faixa 4, Told You At Once. Um apocalipse
sonoro protagonizado por Froxeanne, uma perfeição para as pistas góticas de
dança por seu ritmo acelerado, melodias destacadas e bases pesadas.
Após quatro músicas frenéticas, é hora de aproveitar mais
uma viagem guiada por Diego Merletto em Your Touch, mais uma que foi reaproveitada do último EP. Escura como um pôr-do-sol contemplada
no inverno das montanhas de Turim, Your Touch traz de volta as antigas forças
Darkwave de álbuns anteriores, incluindo até mesmo uma guitarra, desta vez
aliadas as poderosas camas de sintetizadores e de bateria eletrônica. Por falar
neste último elemento, nunca as viradas e recursos de bateria foram tão usadas
num álbum do The Frozen Autumn. A próxima faixa, A Gentle Flame, não possui a
mesma imponência de arranjos como as demais, até porque ela carrega um tom sisudo
“kraftwerkiano”. Todavia ela não passa despercebida, pois não existe nada que passe desapercebido se Froxeanne impôs nela seu divinal dom de interpretação. A tradição de músicas longas e
viajadas é mantida com a excelente e variada Grey Metal Wings, que é como se
fosse uma irmã FuturePop de Is Everything Real?, do Emotional Screening Device,
e de Static Cold, de Is Anybody There?.
Aqui, cabe mais um comentário acerca das novidades trazidas
em The Fellow Traveller. Os efeitos nos vocais de Merletto e de Froxeanne se
multiplicaram. Os tradicionais e obrigatórios reverbs continuam presentes,
lógico. Mas os delays estão mais destacados e facilmente perceptíveis,
principalmente nos vocais de Froxeanne. Também, as harmonias vocais nunca foram
tão trabalhadas, especialmente nos vocais de Diego Merletto. É como se você
pudesse ouvir vários Diegos formando um coral em muitos momentos do álbum. A verdade
é que essa variedade de efeitos não faria sentido algum se as próprias vozes
dos dois cantores não fossem belas e diferenciadas.
Findada mais uma viagem a bordo de Grey Metal Wings, a
simplicidade oitentista retorna em Sirens and Stargazers, que se vai se
tornando mais e mais empolgante a medida que avança em seu tempo, atingindo o
ápice em um momento onde Froxeanne canta somente com o apoio de um sintetizador
grave e nervoso. Em contraponto a simplicidade de Sirens and Stargazers, vem em
seguida aquela que talvez seja a mais complexa e progressiva composição da
história do grupo italiano, The Twin Planet. Esta faixa traz um elaborado
trabalho de arranjos de sintetizadores que são guiados por uma bateria quebrada
e cheia de contratempos no caixa. As escalas árabes dos strings, os graves
destacados e os vocais cavernosos de Diego Merletto nos conduzem por uma viagem
ao cosmos em busca dos planetas gêmeos. O auge da viagem no profundo cosmos é
um trecho onde Merletto assobia uma melodia sinistra por cima de imponentes strings,
o que faz arrepiar o ouvinte de frio intergaláctico. Sim, a onda congelante do
The Frozen Autumn chegou aos confins do Universo!
De volta à Terra, Froxeanne dá uma forte declaração na
próxima faixa: eu te amo, mas eu prefiro sintetizadores! Enaltecendo a adoração
aos instrumentos eletrônicos de teclas, a faixa que carrega o maravilhoso
título de I Love You But I’ve Chosen Synthesizers é um dos grandes destaques de
The Fellow Traveller e traz de volta o clima de pista de dança. O álbum se
encerra com um cover de Loving The Alien, do eterno David Bowie, muito bem
interpretada por Diego Merletto, claro, com seus vocais graves.
The Fellow Traveller pode ser o início de uma nova fase na
discografia do The Frozen Autumn. Falo “pode ser”, pois é só o primeiro álbum
desta nova sonoridade depois de sete anos sem lançar um novo full-length. O melhor
de tudo é que a essência do som do The Frozen Autumn, o Darkwave, permanece lá
em seu devido lugar. Mas agora ele está recauchutado e muito bem cuidado com
todas as facilidades e opções que os sintetizadores podem oferecer. Há quem talvez
tenha sentido falta de pelo menos uma faixa fortemente atmosférica, aos moldes
antigos, mas a alternância de músicas fortes e dançantes com outras composições
mais calmas sacia a qualquer um que goste das duas facetas da dupla italiana. Também
considero um fato extremamente positivo a alternância de vocais entre Merletto e
Froxeanne. Apesar de ele ser o fundador do grupo e principal compositor, ela o
completa com seus vários recursos que a tornam uma cantora tão talentosa e que
não deixa nada a dever às grandes divas Pop de todas as eras. Por sua vez, Merletto
não teve em momento algum medo de ousar nas composições de The Fellow Traveller,
que são as mais ricas e bem trabalhadas de toda a história do grupo. The Twin Planet
que o diga!
Pois bem. A onda congelante veio, fez seus estragos e foi embora.
Estragos sob o ponto de vista meteorológico, pois a música do The Frozen Autumn
faz justamente o contrário de estragar. Ela eleva a mente do ouvinte e o faz experimentar
múltiplas sensações num curto período de tempo. As vozes etéreas de Diego Merletto
e de Froxeanne são essenciais para este mundo, bem como a musicalidade do The
Frozen Autumn. Se você nunca testemunhou a Tempestade Congelante de Turim,
faça-o agora. Congele sua mente nesta onda e mantenha-a fossilizada nela para sempre.
Ah, um estrago de verdade foi feito: no coração da pessoa cuja amada
o trocou por sintetizadores.
A banda cearense Dark Hertz Transmission divulgou hoje em
seus canais oficiais seu primeiro single, Carmilla. Confira a nova música dos
cearenses no player abaixo:
Carmilla é a primeira música autoral disponibilizada pelo
Dark Hertz Transmission. O grupo formado atualmente por Léo de Oliveira
(vocais), Erik Castro (sintetizadores) e Caio Mota (contrabaixo) foi fundado em
2017 como um grupo-tributo ao Depeche Mode. Com o passar do tempo o grupo foi
agregando outras homenagens ao seu set-list ao vivo, mas sempre deixando claro
que o direcionamento que a banda tomaria seria o autoral. O som do Dark Hertz
Transmission reúne elementos que vão do Pós-Punk ao Synthpop, do sombrio ao
dançante.
A estreia ao vivo de Carmilla, bem como de outras novas composições do Dark Hertz Transmission
se dará no Gotham, o maior evento de cultura gótica de Fortaleza, que
acontecerá no dia 19 de outubro. Na ocasião, o Dark Hertz Transmission dividirá o palco do
Havana 1884 com o Plastique Noir, o Projeto Maldigo. e os paraibanos do Electro
Bromance.
Duas das principais bandas de Gothic Rock do país se uniram em
um projeto que promete agradar a todos os fãs das bandas e do estilo no país e
fora dele. Será lançado no próximo dia 21 de novembro o álbum As Above, So
Below, no qual as bandas Das Projekt e Plastique Noir participam uma tocando as músicas da outra. O
lançamento será feito através do selo Deepland Records.
Os cearenses do Plastique Noir homenagearam o Das Projekt
gravando as músicas Arabian Beauties, The Broken Altar, Christine, Dream Never Ends,
Warrior e Ann In The Dark Room. Já os veteranos paulistas retribuíram a
homenagem ao cearenses com o registro de Fugitive Dawn, Shadowrun, Rose Of Flesh
And Blood, Houdini, Those Who Walk By The Night e Empty Streets. Jean Rié
(ex-Scarlet Leaves) foi o responsável pal mixagem das faixas gravadas pelo
Plastique Noir, enquanto Gê Lucas, guitarrista do Das Projekt, ficou
responsável pela mixagem das músicas gravadas por sua banda e também da masterização
do split por completo.
As Above, So Below já está disponível para pré-venda através
do site www.kingdomrockstore.com.
Para pedidos internacionais, o mesmo deve ser feito pelo e-mail da Deepland
Records (info.deepland.records@gmail.com). Caso você esteja interessado em adquirir uma cópia de As Above, So Below, é melhor ser rápido, pois o split será lançado em uma única edição limitada a 300 cópias.
Confira no player abaixo um teaser com trechos de cada música do álbum. Recentemente ambas as bandas tocaram juntas no Deepland Festival em São Paulo.
Está marcado para o dia 19 de outubro, um sábado, a edição
2019 do Gotham, a maior feira de cultura gótica de Fortaleza, sob realização da
Underdark Produções. Este ano, abordando o tema “Anjos e Demônios”, o Gotham
contará com atrações locais e de outros estados para o que promete ser uma virada
cultural sombria e que saciará os presentes com muita arte e trevas.
Reunindo diversos matizes de arte sombria, o Gotham deste
ano terá como atrações musicais o Plastique Noir, uma das mais importantes
bandas de Gothic Rock do país, o Projeto Maldigo., que traz em sua musicalidade
um Gothic Rock com elementos de música do Oriente Médio, o Dark Hertz
Transmission e seu show repleto de synthpop autoral e de clássicos oitentistas
do estilo, e os paraibanos do Electro Bromance que trarão seu Synthpop sombrio
e futurista. DJ’s também ficarão responsáveis pela parte musical do Gotham.
Quem estará apresentando seus sets nesta edição serão os veteranos DJ’s
paraibanos Xymox e Bat, juntamente aos anfitriões Enceladus e Batastrophe.
O Gotham também contará com a apresentação de performances artísticas
através da Companhia de Dança Artemísia, da dançarina Angel Kali e da dupla
Banida & Monstra. Somado a isso tudo, ainda haverá a Galeria Sombria com exposição de artes plásticas e de fotografias, sorteios de brindes, feira mística com bazar e livros
e distribuição do fanzine Arkham. E se prepare para ir com sua melhor fantasia,
pois haverá premiações para as melhores fantasias de anjo e de demônio!
O Gotham – Anjos e Demônios acontecerá no Havana 1884, no
boêmio e universitário bairro do Benfica, a partir de 19:00. As entradas custam
R$15,00 (1º lote), R$20,00 (2º lote) e R$25,00 para quem o adquirir no 3º lote
ou na portaria do evento. Os ingressos estão à venda na Planet CD’s (Galeria
Pedro Jorge, Centro) e com os integrantes da Underdark Produções.
SERVIÇO: GOTHAM – ANJOS E DEMÔNIOS
Data: 19 de outubro (sábado)
Horário:19:00
Local:Havana 1884. Av. Carapinima, 1884, Benfica, Fortaleza/CE.
Entrada:R$15,00 (1º lote), R$20,00 (2º lote), R$25,00 (3º lote e portaria do
evento)
Pontos de venda:Planet CD’s (Galeria Pedro Jorge, Rua Senador Pompeu, Centro)
ou com os membros da Underdark Produções
Será realizado em Fortaleza no dia 13 de novembro, uma
sexta-feira, o Festim das Górgonas, evento que reunirá quatro DJ’s femininas da
capital cearense, cada uma trazendo sets que enaltecem e relembram os grandes
ícones femininos do Pós-Punk, do Rock Gótico, do Darkwave e do Deathrock e do
New Wave, dentre outros estilos.
Segue abaixo os nomes das DJ’s que movimentarão o evento,
bem como as artistas e bandas que cada uma homenageará em seus sets:
DJ Lugosi Noir
45 Grave
Penis Flytrap
Super Heroines
DJ JuJu
Siouxsie and
the Banshees
Xmal Deutschland
Nina Hagen
DJ Creep
Malaria!
Selofan
DJ Madame
Satã
Diva
Destruction
Scary Bitches
Além das apresentações das DJ’s, o evento abrirá espaço para
exposições e bancas de lojinhas alternativas, bem como haverá sorteio de
brindes. O Festim das Górgonas será realizado a partir de 19:00 na Casa Pagu,
de responsabilidade do Coletivo Girls To The Front, que fica localizado na
Avenida da Universidade, 2322, no bairro Benfica. A entrada custará R$10,00. O
Festim das Górgonas é uma realização da Underdark Produções.
Aion Tetra - Bretus (Ordo MCM, 2019) Tracklist:
01. The Third Mystic Eye
02. Priests Of Chaos
03. The Other Side
04. Aion Tetra
05. Deep Space Voodoo
06. Mark Of Evil
07. Cosmic Crow
08. Fields Of Mars
09. City Of Frost
Catanzaro é uma cidade que fica ao sul da Itália. Capital da
Calábria, Catanzaro é conhecida como “A Cidade dos Dois Mares”, pois seu litoral
à sudeste é banhado pelo Mar Jônico e de seus pontos mais altos pode-se ver o
Mar Tirreno, que banha o noroeste da província que carrega também o nome de
Catanzaro. Todavia, mesmo em meio a paisagens belíssimas, tingidas pelo azul dos
mares e iluminadas pela luz solar que não impede que a temperatura suba tanto,
o todo-poderoso Doom Metal consegue sobreviver em seus calabouços e catacumbas
de forma pungente. Pois há quase duas décadas o Bretus existe lá como uma das
mais fortes representações da música obscura e pesada da Itália.
Fundado no ano 2000 pelo guitarrista Ghenes, o Bretus
atualmente é formado, além dele, por Zagarus (vocais, Suum, Land Of Hate), Janos (contrabaixo) e
Striges (bateria), todos reunidos com o objetivo de levar em suas letras os
contos de horror perpetrados por H.P. Lovecraft e por cineastas do gênero,
tendo com trilha sonora o mais puro e clássico Doom Metal, ensinado pelos
pioneiros do gênero e harmonizado com elementos de Stoner e de Psicodélico.
Tudo isso, lógico, fabricado com o DNA italiano do estilo, o que torna o som
das bandas vindas de lá único e reconhecível. No caso específico do Bretus,
ouvir seu Doom é como se estivéssemos em uma caverna onde ocorrem cultos aos
ocultos, enegrecidos por uma nauseabunda atmosfera onde o vocalista Zagarus
invoca os mitos cósmicos Yog-Sothoth e seu guardião, Cthulhu.
Em pouco tempo o Bretus se tornou um dos mais importantes
grupos de Doom Metal da Itália graças a boa recepção de seu EP de estreia,
autointitulado, e de seu primeiro full-length, In Onirica (2012, Arx
Productions), que os levaram a participar de importantes festivais do estilo na
Europa, como o Malta Doom Fest e o Doom Over Viena. Os lançamentos de The
Shadow Over Innsmouth (2015, BloodRock Records) e de ...From The Twilight Zone
(2017, Endless Winter) reforçaram e sacramentaram a posição do Bretus no âmbito
do Gênero Maldito em solo italiano. Agora em 2019 está previsto o lançamento do
quarto álbum de estúdio do grupo, Aion Tetra, para o dia 27 de setembro pela
gravadora Ordo MCM. Todavia, o blog The Atmosphere... recebeu com antecedência
este material para análise antes de seu lançamento oficial.
Um baixo ameaçador seguido de um riff poderoso e cadenciado
dá início aos trabalhos com The Third Mystic Eye, uma música bastante
empolgante e que prende a atenção do ouvinte com suas variações de andamento e
de tom para um pesado Ré Sustenido Menor. Uma introdução tocada em órgão
pavimenta o caminho para os riffs de Priests Of Chaos, dona de uma cativante
melodia com odor setentista em seu refrão. A faixa de nº 3, The Other Side, reúne
em si todas as características do Bretus. Com início acelerado, a música passeia
por diferentes andamentos (especialmente em compassos ¾) e passagens com timbres
limpos embebidos em chorus. A faixa-tútlo ocupa a posição de número 4 e é tão-somente
um interlúdio acústico de muita beleza e bom-gosto. Seu tom introspectivo
prepara terreno para um dos grandes destaques do disco, a sombria, pesada e
viajante faixa de nº 5, Deep Space Voodoo.
Todo o poder de fogo do Doom Metal clássico “sabbathico” volta
em Mark Of Evil, outro grande destaque do álbum. Um corvo agourento anuncia
Cosmic Crow e sua pegada setentista que aqui se mostra muito forte. Ganhou inclusive um clipe muito bem produzido e condizente com a proposta de horror do grupo. Mais um interlúdio
surge em Fields Of Mars. Desta vez vocalizada, a composição se mostra sombria,
mas limpa e etérea, criando um contraste com o restante do álbum assim como
Cantazaro consegue vislumbrar a vista de dois mares diferentes. O álbum se
encerra com a épica City Of Frost, que traz um apurado senso de melodia mais pujante
que as músicas anteriores, inclusive lançando mão de guitarras dobradas em sua
seção instrumental.
A produção de Aion Tetra deixou a sonoridade do álbum crua e
orgânica, mas ao mesmo tempo sem muita sujeira, deixando assim todos os
instrumentos nítidos e as músicas com fácil compreensão por parte do ouvinte. A
produção também reforçou a característica dramática dos vocais de Zagarus, deixando-os
em lugar de destaque sem ofuscar a primorosa parte instrumental. Ao longo de
todo play, o guitarrista Ghenes consegue misturar em suas composições todas as
suas influências musicais com o fim de criar um som único para o Bretus, usando
para isso sua baita criatividade para criar riffs e passagens. A cozinha
formada por Janos e Striges é bastante segura e forte, conduzindo com força os
andamentos cadenciados e as muitas mudanças de andamento sem deixar a peteca
cair. Tudo isso vem ilustrado com uma belíssima arte de capa, que consegue transmitir de forma plástica toda a proposta sonora e lírica do Bretus no álbum.
Para aqueles que apreciam o bom e velho Doom Metal clássico,
vale muito a pena conferir o que os doomers de Cantazaro já apresentaram ao mundo
e também esperar pelo lançamento oficial de Aion Tetra, em setembro. Não, não
tenha medo das criaturas cósmicas enxergadas por Lovecraft. Se o Bretus for de
fato o porta-voz daquele panteão, será muito auspicioso ouvir as palavras
oriundas do espaço profundo.