domingo, 27 de outubro de 2019

Signo 13: banda lançará novo single “Abismo Céu” no próximo dia 04 de novembro



Está agendado para o próximo dia 04 de novembro o lançamento do novo single da banda brasiliense de Pós-Punk Signo 13, Abismo Céu.

Este single será a terceira música disponibilizada do álbum de estreia do grupo, Serpentário. As duas primeiras foram Sonhos Acordados (setembro) e Casa dos Espelhos – ou, Lágrimas na Chuva (outubro). A ideia da banda formada por Felipe Rodrigues (vocais, guitarras, contrabaixo, teclados, queixada) e Rubens Cardoso (bateria, percussão) é lançar um single a cada mês, desde setembro de 2019 até outubro de 2020, quando o álbum será finalmente revelado em toda a sua plenitude. Abismo Céu será lançado tanto nos canais oficiais do Signo 13 quanto em duas coletâneas: Antes De Falar Mais Uma Palavra Sobre Justiça, Por Favor Coma Merda, organizada pelo zine pernambucano Velho Rabugento, e Chinelos e Coturnos Vol. 2, pelo selo Motim Underground, de Cuiabá.

O Signo 13 pratica um Pós-Punk que mescla em sua sonoridade elementos de Dub, Punk, Gothic Rock e Surf Music. Confira no player abaixo um teaser de Abismo Céu, bem como os dois primeiros singles já divulgados, Sonhos Acordados e Casa dos Espelhos – ou, Lágrimas na Chuva.





sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Resenha: The Frozen Autumn - The Fellow Traveller (2017)




THE FELLOW TRAVELLER – THE FROZEN AUTUMN (Echozone, 2017)

Tracklist:

01. Tomorrow’s Life
02. White On White
03. We’ll Fly Away (long version)
04. Told You At Once
05. Your Touch
06. A Gentle Flame
07. Grey Metal Wings
08. Sirens And Stargazers
09. The Twin Planet
10. I Love You But I’ve Chosen Synthesizers
11. Loving The Alien (David Bowie cover)

Line-up:
Diego Merletto – vocais, sintetizadores
Froxeanne – vocais, sintetizadores


Texto: Bruno Rocha


Prepare-se! Uma frente fria está vindo da região de Turim, na Itália. Mas ela não é uma frente fria qualquer, que traz chuvas ou mesmo leves geadas. Essa frente fria é uma verdadeira onda congelante, sob a qual nem mesmo o próprio ar escapa incólume, passando por um processo de sublimação, acabando por solidificar-se. Fora estes efeitos, a onda congelante de Turim obscurece luzes, tornado o ambiente escuro; os poucos e corajosos fachos de luzes que ousam resistir são como as auroras boreais que rasgam os céus nórdicos, criando assim um espaço, ao mesmo tempo escuro e frio, agradável e etéreo.

O grupo italiano The Frozen Autumn possui considerável respeito dentro do cenário Gothic/Darkwave mundo afora graças ao seu estilo bastante pessoal que mescla elementos de música atmosférica e de Synthpop, num estilo que seus próprios integrantes batizaram de “Frozenwave”.  Fundado em 1993 por Diego Merletto, o The Frozen Autumn mostrou em seus primeiros trabalhos um som ainda com um pé no Gothic Rock (na época a banda contava com os serviços de Claudio Brosio nas guitarras) e com fortes influências de Clan Of Xymox, porém já havia ali elementos de sonoridade característica que se tornaria consagrada anos depois. Os dois primeiros álbuns do The Frozen Autumn, Pale Awakening (1995) e Fragments Of Memories (1997), se tornariam clássicos do Darkwave, trazendo consigo faixas atmosféricas e sorumbáticas recheadas com teclados que criam climas ora melancólicos, ora confortantes. Os elementos Synthpop já existiam, mas eram poucos e retraídos. A parceria de Merletto com Arianna Vespasiano teve início com uma participação especial da cantora na faixa-título de Fragments Of Memories, naquilo que foi um motivador para um projeto paralelo dos dois músicos chamado Static Movement. O único álbum lançado por esse projeto, Visionary Landscapes (1999), foi de suma importância para uma leve mudança no direcionamento musical do próprio The Frozen Autumn, que deixou de lado qualquer contribuição de guitarras e tornou seu som 100% eletrônico, fabricado a base de sintetizadores e com maior proeminência das influências Synthpop.

Arianna, que atende pelo pseudônimo Froxeanne, foi efetivada no The Frozen Autumn e a agora dupla grava o importante Emotional Screening Device (2002) e a perfeição chamada Is Anybody There? (2005). As guitarras voltam a se fazer presentes no bom álbum Chirality (2010) e no DVD Seen From Under Ice (2011), que foi gravada em quarteto com a adição de mais um tecladista e de um guitarrista, o que permitiu que algumas músicas de todos os álbuns ganhassem novos arranjos. Após alguns anos sem novos lançamentos, o The Frozen Autumn volta novamente como a dupla Merletto/Froxeanne no lançamento do EP Lie In Wait (2014), que serviu como uma prévia para o sexto álbum de estúdio do grupo, The Fellow Traveller, lançado em 2017 pela gravadora Echozone e que é o objeto de análise deste artigo.

The Fellow Traveller é um álbum empolgante e viciante do começo ao fim. Diferentemente de todos os álbuns anteriores, este álbum é completamente moldado em cima do Synthpop. Não há nenhuma música atmosférica ao estilo de Onyria (Pale Awakening, 1995), ou mesmo faixas introspectivas e de ritmo lento aos moldes de Evening Falls (Is Anybody There?, 2004). Claro que há momentos em que a dupla põe o pé no freio, mas na maior parte do tempo o ritmo é frenético e dançante. Outra diferença de The Fellow Traveller é na mixagem do som, que é bem mais limpo e cristalino que nos álbuns anteriores. Felizmente, a falta de uma mixagem mais abafada e empoeirada não tirou o clima nostálgico das composições, que por si só conseguem manter a chama (ou o gelo) típica dos anos 80 viva e forte. Como se isso tudo não bastasse, The Fellow Traveller é o álbum mais democrático da história da dupla. Diego Merletto e Froxeanne se alternam cantando em cada faixa, seis para ele e cinco para ela, quebrando assim uma tradição que fazia Merletto cantar a maioria das faixas em todos os outros álbuns.

As quatro primeiras faixas matam bem a sede dos fãs do grupo sedentos por música dançante. Os trabalhos já começam lá em cima com Tomorrow’s Life, onde Diego Merletto canta com sua inconfundível voz grave cheia de reverbs e ecos. As próximas duas músicas foram reaproveitadas do EP Lie In Wait e melhoradas. A coisa dá uma acalmada em White On White, que é a única música do álbum que se destaca por ser bem mais introspectiva, apesar da proeminência da bateria eletrônica. É a vez de Froxeanne cantar e ela entrega o que se espera dela: uma voz belíssima e angelical, com abençoados graves, que hipnotiza o ouvinte e o transporta para flutuar em nuvens de granizo. Gaivotas e ondas anunciam o começo de We’ll Fly Away e seu ritmo dançante e libertador. Com seu refrão belíssimo, Merletto fala sobre voar para sempre em busca da felicidade, assim como as gaivotas voam eternamente por sobre os mares. E parece que a chegada deste longo voo é na faixa 4, Told You At Once. Um apocalipse sonoro protagonizado por Froxeanne, uma perfeição para as pistas góticas de dança por seu ritmo acelerado, melodias destacadas e bases pesadas.



Após quatro músicas frenéticas, é hora de aproveitar mais uma viagem guiada por Diego Merletto em Your Touch, mais uma que foi reaproveitada do último EP. Escura como um pôr-do-sol contemplada no inverno das montanhas de Turim, Your Touch traz de volta as antigas forças Darkwave de álbuns anteriores, incluindo até mesmo uma guitarra, desta vez aliadas as poderosas camas de sintetizadores e de bateria eletrônica. Por falar neste último elemento, nunca as viradas e recursos de bateria foram tão usadas num álbum do The Frozen Autumn. A próxima faixa, A Gentle Flame, não possui a mesma imponência de arranjos como as demais, até porque ela carrega um tom sisudo “kraftwerkiano”. Todavia ela não passa despercebida, pois não existe nada que passe desapercebido se Froxeanne impôs nela seu divinal dom de interpretação. A tradição de músicas longas e viajadas é mantida com a excelente e variada Grey Metal Wings, que é como se fosse uma irmã FuturePop de Is Everything Real?, do Emotional Screening Device, e de Static Cold, de Is Anybody There?.

Aqui, cabe mais um comentário acerca das novidades trazidas em The Fellow Traveller. Os efeitos nos vocais de Merletto e de Froxeanne se multiplicaram. Os tradicionais e obrigatórios reverbs continuam presentes, lógico. Mas os delays estão mais destacados e facilmente perceptíveis, principalmente nos vocais de Froxeanne. Também, as harmonias vocais nunca foram tão trabalhadas, especialmente nos vocais de Diego Merletto. É como se você pudesse ouvir vários Diegos formando um coral em muitos momentos do álbum. A verdade é que essa variedade de efeitos não faria sentido algum se as próprias vozes dos dois cantores não fossem belas e diferenciadas.

Findada mais uma viagem a bordo de Grey Metal Wings, a simplicidade oitentista retorna em Sirens and Stargazers, que se vai se tornando mais e mais empolgante a medida que avança em seu tempo, atingindo o ápice em um momento onde Froxeanne canta somente com o apoio de um sintetizador grave e nervoso. Em contraponto a simplicidade de Sirens and Stargazers, vem em seguida aquela que talvez seja a mais complexa e progressiva composição da história do grupo italiano, The Twin Planet. Esta faixa traz um elaborado trabalho de arranjos de sintetizadores que são guiados por uma bateria quebrada e cheia de contratempos no caixa. As escalas árabes dos strings, os graves destacados e os vocais cavernosos de Diego Merletto nos conduzem por uma viagem ao cosmos em busca dos planetas gêmeos. O auge da viagem no profundo cosmos é um trecho onde Merletto assobia uma melodia sinistra por cima de imponentes strings, o que faz arrepiar o ouvinte de frio intergaláctico. Sim, a onda congelante do The Frozen Autumn chegou aos confins do Universo!

De volta à Terra, Froxeanne dá uma forte declaração na próxima faixa: eu te amo, mas eu prefiro sintetizadores! Enaltecendo a adoração aos instrumentos eletrônicos de teclas, a faixa que carrega o maravilhoso título de I Love You But I’ve Chosen Synthesizers é um dos grandes destaques de The Fellow Traveller e traz de volta o clima de pista de dança. O álbum se encerra com um cover de Loving The Alien, do eterno David Bowie, muito bem interpretada por Diego Merletto, claro, com seus vocais graves.



The Fellow Traveller pode ser o início de uma nova fase na discografia do The Frozen Autumn. Falo “pode ser”, pois é só o primeiro álbum desta nova sonoridade depois de sete anos sem lançar um novo full-length. O melhor de tudo é que a essência do som do The Frozen Autumn, o Darkwave, permanece lá em seu devido lugar. Mas agora ele está recauchutado e muito bem cuidado com todas as facilidades e opções que os sintetizadores podem oferecer. Há quem talvez tenha sentido falta de pelo menos uma faixa fortemente atmosférica, aos moldes antigos, mas a alternância de músicas fortes e dançantes com outras composições mais calmas sacia a qualquer um que goste das duas facetas da dupla italiana. Também considero um fato extremamente positivo a alternância de vocais entre Merletto e Froxeanne. Apesar de ele ser o fundador do grupo e principal compositor, ela o completa com seus vários recursos que a tornam uma cantora tão talentosa e que não deixa nada a dever às grandes divas Pop de todas as eras. Por sua vez, Merletto não teve em momento algum medo de ousar nas composições de The Fellow Traveller, que são as mais ricas e bem trabalhadas de toda a história do grupo. The Twin Planet que o diga!

Pois bem. A onda congelante veio, fez seus estragos e foi embora. Estragos sob o ponto de vista meteorológico, pois a música do The Frozen Autumn faz justamente o contrário de estragar. Ela eleva a mente do ouvinte e o faz experimentar múltiplas sensações num curto período de tempo. As vozes etéreas de Diego Merletto e de Froxeanne são essenciais para este mundo, bem como a musicalidade do The Frozen Autumn. Se você nunca testemunhou a Tempestade Congelante de Turim, faça-o agora. Congele sua mente nesta onda e mantenha-a fossilizada nela para sempre.

Ah, um estrago de verdade foi feito: no coração da pessoa cuja amada o trocou por sintetizadores.



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Dark Hertz Transmission: banda cearense divulga novo single “Carmilla”




A banda cearense Dark Hertz Transmission divulgou hoje em seus canais oficiais seu primeiro single, Carmilla. Confira a nova música dos cearenses no player abaixo:


Carmilla é a primeira música autoral disponibilizada pelo Dark Hertz Transmission. O grupo formado atualmente por Léo de Oliveira (vocais), Erik Castro (sintetizadores) e Caio Mota (contrabaixo) foi fundado em 2017 como um grupo-tributo ao Depeche Mode. Com o passar do tempo o grupo foi agregando outras homenagens ao seu set-list ao vivo, mas sempre deixando claro que o direcionamento que a banda tomaria seria o autoral. O som do Dark Hertz Transmission reúne elementos que vão do Pós-Punk ao Synthpop, do sombrio ao dançante.

A estreia ao vivo de Carmilla, bem como de outras novas composições do Dark Hertz Transmission se dará no Gotham, o maior evento de cultura gótica de Fortaleza, que acontecerá no dia 19 de outubro. Na ocasião, o Dark Hertz Transmission dividirá o palco do Havana 1884 com o Plastique Noir, o Projeto Maldigo. e os paraibanos do Electro Bromance.



quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Das Projekt e Plastique Noir lançarão o split “As Above, So Below” em novembro




Duas das principais bandas de Gothic Rock do país se uniram em um projeto que promete agradar a todos os fãs das bandas e do estilo no país e fora dele. Será lançado no próximo dia 21 de novembro o álbum As Above, So Below, no qual as bandas Das Projekt e Plastique Noir participam uma tocando as músicas da outra. O lançamento será feito através do selo Deepland Records.

Os cearenses do Plastique Noir homenagearam o Das Projekt gravando as músicas Arabian Beauties, The Broken Altar, Christine, Dream Never Ends, Warrior e Ann In The Dark Room. Já os veteranos paulistas retribuíram a homenagem ao cearenses com o registro de Fugitive Dawn, Shadowrun, Rose Of Flesh And Blood, Houdini, Those Who Walk By The Night e Empty Streets. Jean Rié (ex-Scarlet Leaves) foi o responsável pal mixagem das faixas gravadas pelo Plastique Noir, enquanto Gê Lucas, guitarrista do Das Projekt, ficou responsável pela mixagem das músicas gravadas por sua banda e também da masterização do split por completo.

As Above, So Below já está disponível para pré-venda através do site www.kingdomrockstore.com. Para pedidos internacionais, o mesmo deve ser feito pelo e-mail da Deepland Records (info.deepland.records@gmail.com). Caso você esteja interessado em adquirir uma cópia de As Above, So Below, é melhor ser rápido, pois o split será lançado em uma única edição limitada a 300 cópias.

Confira no player abaixo um teaser com trechos de cada música do álbum. Recentemente ambas as bandas tocaram juntas no Deepland Festival em São Paulo.


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Gotham: maior evento gótico de Fortaleza acontecerá no próximo dia 19 de outubro




Está marcado para o dia 19 de outubro, um sábado, a edição 2019 do Gotham, a maior feira de cultura gótica de Fortaleza, sob realização da Underdark Produções. Este ano, abordando o tema “Anjos e Demônios”, o Gotham contará com atrações locais e de outros estados para o que promete ser uma virada cultural sombria e que saciará os presentes com muita arte e trevas.

Reunindo diversos matizes de arte sombria, o Gotham deste ano terá como atrações musicais o Plastique Noir, uma das mais importantes bandas de Gothic Rock do país, o Projeto Maldigo., que traz em sua musicalidade um Gothic Rock com elementos de música do Oriente Médio, o Dark Hertz Transmission e seu show repleto de synthpop autoral e de clássicos oitentistas do estilo, e os paraibanos do Electro Bromance que trarão seu Synthpop sombrio e futurista. DJ’s também ficarão responsáveis pela parte musical do Gotham. Quem estará apresentando seus sets nesta edição serão os veteranos DJ’s paraibanos Xymox e Bat, juntamente aos anfitriões Enceladus e Batastrophe.

O Gotham também contará com a apresentação de performances artísticas através da Companhia de Dança Artemísia, da dançarina Angel Kali e da dupla Banida & Monstra. Somado a isso tudo, ainda haverá a Galeria Sombria com exposição de artes plásticas e de fotografias, sorteios de brindes, feira mística com bazar e livros e distribuição do fanzine Arkham. E se prepare para ir com sua melhor fantasia, pois haverá premiações para as melhores fantasias de anjo e de demônio!

O Gotham – Anjos e Demônios acontecerá no Havana 1884, no boêmio e universitário bairro do Benfica, a partir de 19:00. As entradas custam R$15,00 (1º lote), R$20,00 (2º lote) e R$25,00 para quem o adquirir no 3º lote ou na portaria do evento. Os ingressos estão à venda na Planet CD’s (Galeria Pedro Jorge, Centro) e com os integrantes da Underdark Produções.

SERVIÇO: GOTHAM – ANJOS E DEMÔNIOS
Data: 19 de outubro (sábado)
Horário: 19:00
Local: Havana 1884. Av. Carapinima, 1884, Benfica, Fortaleza/CE.
Entrada: R$15,00 (1º lote), R$20,00 (2º lote), R$25,00 (3º lote e portaria do evento)
Pontos de venda: Planet CD’s (Galeria Pedro Jorge, Rua Senador Pompeu, Centro) ou com os membros da Underdark Produções

sábado, 31 de agosto de 2019

Festim das Górgonas: evento enaltecerá participação feminina na cena gótica de Fortaleza




Será realizado em Fortaleza no dia 13 de novembro, uma sexta-feira, o Festim das Górgonas, evento que reunirá quatro DJ’s femininas da capital cearense, cada uma trazendo sets que enaltecem e relembram os grandes ícones femininos do Pós-Punk, do Rock Gótico, do Darkwave e do Deathrock e do New Wave, dentre outros estilos.

Segue abaixo os nomes das DJ’s que movimentarão o evento, bem como as artistas e bandas que cada uma homenageará em seus sets:

DJ Lugosi Noir
45 Grave
Penis Flytrap
Super Heroines


DJ JuJu
Siouxsie and the Banshees
Xmal Deutschland
Nina Hagen

DJ Creep
Malaria!
Selofan

DJ Madame Satã
Diva Destruction
Scary Bitches

Além das apresentações das DJ’s, o evento abrirá espaço para exposições e bancas de lojinhas alternativas, bem como haverá sorteio de brindes. O Festim das Górgonas será realizado a partir de 19:00 na Casa Pagu, de responsabilidade do Coletivo Girls To The Front, que fica localizado na Avenida da Universidade, 2322, no bairro Benfica. A entrada custará R$10,00. O Festim das Górgonas é uma realização da Underdark Produções.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Resenha: Bretus - Aion Tetra (2019)


Aion Tetra - Bretus (Ordo MCM, 2019)

Tracklist:
01. The Third Mystic Eye
02. Priests Of Chaos
03. The Other Side
04. Aion Tetra
05. Deep Space Voodoo
06. Mark Of Evil
07. Cosmic Crow
08. Fields Of Mars
09. City Of Frost

Line-up:
Zagarus - vocais
Gghenes - guitarras
Janos - contrabaixo
Striges - bateria


Texto: Bruno Rocha

Catanzaro é uma cidade que fica ao sul da Itália. Capital da Calábria, Catanzaro é conhecida como “A Cidade dos Dois Mares”, pois seu litoral à sudeste é banhado pelo Mar Jônico e de seus pontos mais altos pode-se ver o Mar Tirreno, que banha o noroeste da província que carrega também o nome de Catanzaro. Todavia, mesmo em meio a paisagens belíssimas, tingidas pelo azul dos mares e iluminadas pela luz solar que não impede que a temperatura suba tanto, o todo-poderoso Doom Metal consegue sobreviver em seus calabouços e catacumbas de forma pungente. Pois há quase duas décadas o Bretus existe lá como uma das mais fortes representações da música obscura e pesada da Itália.

Fundado no ano 2000 pelo guitarrista Ghenes, o Bretus atualmente é formado, além dele, por Zagarus (vocais, Suum, Land Of Hate), Janos (contrabaixo) e Striges (bateria), todos reunidos com o objetivo de levar em suas letras os contos de horror perpetrados por H.P. Lovecraft e por cineastas do gênero, tendo com trilha sonora o mais puro e clássico Doom Metal, ensinado pelos pioneiros do gênero e harmonizado com elementos de Stoner e de Psicodélico. Tudo isso, lógico, fabricado com o DNA italiano do estilo, o que torna o som das bandas vindas de lá único e reconhecível. No caso específico do Bretus, ouvir seu Doom é como se estivéssemos em uma caverna onde ocorrem cultos aos ocultos, enegrecidos por uma nauseabunda atmosfera onde o vocalista Zagarus invoca os mitos cósmicos Yog-Sothoth e seu guardião, Cthulhu.

Em pouco tempo o Bretus se tornou um dos mais importantes grupos de Doom Metal da Itália graças a boa recepção de seu EP de estreia, autointitulado, e de seu primeiro full-length, In Onirica (2012, Arx Productions), que os levaram a participar de importantes festivais do estilo na Europa, como o Malta Doom Fest e o Doom Over Viena. Os lançamentos de The Shadow Over Innsmouth (2015, BloodRock Records) e de ...From The Twilight Zone (2017, Endless Winter) reforçaram e sacramentaram a posição do Bretus no âmbito do Gênero Maldito em solo italiano. Agora em 2019 está previsto o lançamento do quarto álbum de estúdio do grupo, Aion Tetra, para o dia 27 de setembro pela gravadora Ordo MCM. Todavia, o blog The Atmosphere... recebeu com antecedência este material para análise antes de seu lançamento oficial.

Um baixo ameaçador seguido de um riff poderoso e cadenciado dá início aos trabalhos com The Third Mystic Eye, uma música bastante empolgante e que prende a atenção do ouvinte com suas variações de andamento e de tom para um pesado Ré Sustenido Menor. Uma introdução tocada em órgão pavimenta o caminho para os riffs de Priests Of Chaos, dona de uma cativante melodia com odor setentista em seu refrão. A faixa de nº 3, The Other Side, reúne em si todas as características do Bretus. Com início acelerado, a música passeia por diferentes andamentos (especialmente em compassos ¾) e passagens com timbres limpos embebidos em chorus. A faixa-tútlo ocupa a posição de número 4 e é tão-somente um interlúdio acústico de muita beleza e bom-gosto. Seu tom introspectivo prepara terreno para um dos grandes destaques do disco, a sombria, pesada e viajante faixa de nº 5, Deep Space Voodoo.

Todo o poder de fogo do Doom Metal clássico “sabbathico” volta em Mark Of Evil, outro grande destaque do álbum. Um corvo agourento anuncia Cosmic Crow e sua pegada setentista que aqui se mostra muito forte. Ganhou inclusive um clipe muito bem produzido e condizente com a proposta de horror do grupo. Mais um interlúdio surge em Fields Of Mars. Desta vez vocalizada, a composição se mostra sombria, mas limpa e etérea, criando um contraste com o restante do álbum assim como Cantazaro consegue vislumbrar a vista de dois mares diferentes. O álbum se encerra com a épica City Of Frost, que traz um apurado senso de melodia mais pujante que as músicas anteriores, inclusive lançando mão de guitarras dobradas em sua seção instrumental.

A produção de Aion Tetra deixou a sonoridade do álbum crua e orgânica, mas ao mesmo tempo sem muita sujeira, deixando assim todos os instrumentos nítidos e as músicas com fácil compreensão por parte do ouvinte. A produção também reforçou a característica dramática dos vocais de Zagarus, deixando-os em lugar de destaque sem ofuscar a primorosa parte instrumental. Ao longo de todo play, o guitarrista Ghenes consegue misturar em suas composições todas as suas influências musicais com o fim de criar um som único para o Bretus, usando para isso sua baita criatividade para criar riffs e passagens. A cozinha formada por Janos e Striges é bastante segura e forte, conduzindo com força os andamentos cadenciados e as muitas mudanças de andamento sem deixar a peteca cair. Tudo isso vem ilustrado com uma belíssima arte de capa, que consegue transmitir de forma plástica toda a proposta sonora e lírica do Bretus no álbum.

Para aqueles que apreciam o bom e velho Doom Metal clássico, vale muito a pena conferir o que os doomers de Cantazaro já apresentaram ao mundo e também esperar pelo lançamento oficial de Aion Tetra, em setembro. Não, não tenha medo das criaturas cósmicas enxergadas por Lovecraft. Se o Bretus for de fato o porta-voz daquele panteão, será muito auspicioso ouvir as palavras oriundas do espaço profundo.