quarta-feira, 25 de março de 2020

Mãos Fúnebres: banda de Pós-Punk lança novo single “Lamentos”


Os paraibanos do Mãos Fúnebres estão preparando o lançamento do seu terceiro trabalho, ainda sem título divulgado. Este novo lançamento sucederá a demo de estreia Segredos Nervosos (2018) e o EP Dias de Horror (2019).

Atualmente formada por Fabiano Quaresma (vocais, violão), Low Rhan (guitarras) e Walber Wander (contrabaixo, programações), o Mãos Fúnebres havia lançado há alguns dias a primeira prévia de seu novo trabalho, o single Vermelho Coral. Agora, o trio lança o segundo single, Lamentos, executando o Pós-Punk seco e sombrio que, descolorido com a cor cinza do Darkwave, são as características principais do grupo de Campina Grande. Linhas de guitarras simples, mas marcantes, caminham com paciência conduzidas por um ritmo seco de contrabaixo e programação de cheiro retrô. Tudo isso embelezado por vocais que fogem do trivial, tendo em vista a aposta em linhas barítonas.

Confira no player abaixo o single Lamentos. Aproveite e ouça também, se já não o tiver feito, o primeiro single, Vermelho Coral.


segunda-feira, 23 de março de 2020

Lebanon Hanover: duo divulga clipe oficial de seu novo single, “The Last Thing”


O Lebanon Hanover está de volta. Desde seu último lançamento, Let There Be Alien (2018), o duo formado por Willian Maybelline (vocais, baixo, programação, QUAL) e Larissa Whiteglass (vocais, guitarras, programação) sacramentou-se como um dos principais representantes do Pós-Punk/Darkwave da última década. Agora, o Lebanon Hanover apresenta a primeira novidade de 2020, o single The Last Thing.

Hoje foi liberado nos canais oficiais do Lebanon Hanover o clipe oficial do single, o qual você pode conferir no player ao final desta matéria. O que se ouve em The Last Thing é o duo em sua mais pura essência musical com ritmo animado, mas com melodias e arranjos soturnos. Todavia, a nova parceria com Doruk Ozturkcan (She Past Away), que mixou e masterizou o single, elevou mais ainda a qualidade sonora do Lebanon Hanover, deixando mais evidente e sobressaltada a atmosfera única criada pela banda. Ponto também para Larissa, que entrega nessa música uma performance vocal inspirada, uma das melhores de sua carreira.

O clipe mostra os dois tocando em meio a uma metrópole seca e cinza durante o dia, perto de um container de lixo, com Larissa a se empolgar com sua guitarra Telecaster e William Maybelline fazendo o que sabe de melhor, dançar. Nada mais diferente do que se nos acostumamos a assistir das produções de Larissa, que também atua como editora cinematográfica do duo.

Esta nova música é uma amostra do que o Lebanon Hanover ainda está preparando para o segundo semestre de 2020, período para o qual foi prometido o lançamento do sétimo álbum de estúdio. O single The Last Thing, que também conta com outra nova música, Shatter Matter, será lançado oficialmente no dia 30 de maio, mas já pode ser pedido através do site da gravadora Fabrika Records, em edição limitada de 1000 cópias. A arte da capa, que você também confere mais abaixo, foi elaborada pela artista Polar Noire.




domingo, 22 de março de 2020

Depeche Mode: os 30 anos de "Violator", o marco da ousadia e da maturidade do grupo




Texto: Bruno Rocha

Nas trilhas sonoras que acompanham nossa existência neste mundo maldito e cada vez mais decadente, alguns álbuns se destacam por conquistar um espaço especial em nossos corações, seja por um momento marcante em nossas vidas, por sua qualidade musical ou pelos sentimentos que ele desperta em nossa imaginação. Seja em qual dessas categorias ele se encaixe, muito provavelmente Violator, do Depeche Mode, está presente nesta sua discoteca especial. Não há como se manter passivo ante as composições deste trabalho, que representou o ápice criativo e de ousadia do Depeche Mode naquela época e que completou nesta semana que se finda três décadas de lançamento.

Lançado exatamente no ano em que se findou a era oitentista e começou a década de 90, Violator une elementos do Synthpop característico do quarteto a modas que viriam a fazer sucesso ao longo dos anos 90, provando que o Depeche Mode não somente alcançara um nível de maturidade musical absurdo, como também eles se tornariam influência-mor no futuro para diversos artistas de sucesso e se tornariam trilha sonora definitiva para uma legião de fãs mundo afora. Nunca um álbum de Eletrônico com pitadas de Rock foi tão bem criado e esmerado. O Rock não ousou invadir o espaço do Eletrônico. Alternativamente, os dois gêneros simplesmente juntaram o que tinham de melhor e criaram esta quimera musical. Ao mesmo tempo em que as batidas e melodias eletrônicas se distinguem das guitarras mais nervosas de Martin Gore (nervosismo esse notável em Personal Jesus e em Policy Of Truth), Violator se mostra homogêneo, e no final pouca gente se importa com qual estilo musical este álbum mais se encaixa. O que interessa e entrar e fazer parte de sua atmosfera única, sensacional e inebriante.

O título em si pode querer dar a entender que o álbum é violento, impiedoso e inclemente, como aquele que viola de maneira iníqua aquilo que não deve ser violado. Todavia, o significado do título não passa de uma piada, como garante o criador da obra, Martin Gore, em entrevistas dadas em 1990. Pelo contrário; ouvir Violator é confortante, é animador. Seu interlocutor, o ouvinte, é levado a lugares - noturnos, diga-se de passagem – onde os problemas do mundo são trancados do lado de fora. Dentro, emerge um universo paralelo onde o fã é convidado a dançar e sentir seus prazeres mais íntimos de forma despudorada. Na verdade, esse universo não é paralelo à realidade. Os criadores deste universo, o Depeche Mode, funcionam como a interseção deste lugar imaginário e o mundo real.

Sim, interprete “prazeres mais íntimos” da forma mais livre (libertina?) que você quiser. Este é o convite feito pela música que abre o trabalho, World In My Eyes. Seu ritmo dançante e a interpretação irrepreensível de Dave Gahan faz surgir uma atmosfera atraente, onde a personagem seduz seu par, convidando-a a sentir os mais primitivos prazeres carnais, não como sugere erroneamente o título do álbum, mas comparando suas sensações a uma viagem pelas mais diferentes paisagens e climas da Terra. Sweetest Perfection, cantada por Martin Gore, é sombria, mas aconchegante, como se o sexo de World In My Eyes fosse seguido por um momento de sossego, mansidão e prazer eternos.

Um momento de rebeldia é invocado em Personal Jesus. Mostrando que limitações estilísticas não existiam mais para a banda, Martin Gore pegou sua guitarra, distorceu levemente seu timbre e criou um riff Country/Rock, que se fez acompanhar por um andamento groovado e empolgante, para liderar uma música da banda que até outrora era genuinamente Synthpop. Sim, as guitarras já eram usadas pelo músico em Music For The Masses (1987), mas não com tanta pujança quanto a apresentada em Personal Jesus. Assim como pela primeira vez uma bateria acústica foi adotada pela banda quando Alan Wilder tocou-a na já citada Sweetest Perfection. É ou não é atuar como Jesus, lançando mão de seus instintos pessoais? As coisas voltariam a ficar mais sombrias, mas não menos inspiradas, em Halo, que traz novamente um convite de uma pessoa ao seu par, todavia de um modo mais polido. Repare como a voz de Dave Gahan está agora imponente, pouco lembrando as performances inocentes do menino Gahan na época de Just Can’t Get Enough...

Um momento de introspecção enfim surge para acalmar os ânimos ferozes das músicas e, neste momento, dos ouvintes, em Waiting For The Night. Como a brisa do anoitecer de algum lugar alto e longe das metrópoles, esta música afaga nossa mente transportando-a em uma nuvem de etereidade. Isso tudo para que depois se possa aproveitar em toda a sua personalidade, o silêncio.

Hora de acordar, mas mantenha-se em silêncio e o aproveite, pois a próxima música é a imortal Enjoy The Silence. Um hit dançante, grudento e com a eternizada guitarra cheia de chorus de Martin Gore a ecoar por todo o seu comprimento. Concentre-se – lembre-se do silêncio – e repare em cada elemento que compõe a música; cada efeito, cada string, o timbre da bateria programada... tente até mesmo ouvir os dedos de Martin Gore deslizando pelas cordas da guitarra. Você consegue mais: tente ouvir as trilhas tocadas pelo nosso querido e fofo tecladista Andrew Fletcher. Repare como todos os elementos, do mais presente ao mais discreto, passando pela intepretação certeira de Dave Gahan e o ritmo sincopado criado por Alan Wilder, se harmonizam com tamanha perfeição que o produto final, a música, toma conta de você de forma nunca experimentada antes. Experimente o silêncio!


Não é nada fácil ser a música responsável por suceder Enjoy The Silence, mas Policy Of Truth quase chega a rivalizar com sua antecessora por conta de suas melodias grudentas e a levada seca e dançante. Policy Of Truth é uma música por si só poderosa e que possui predicados suficiente para torná-la o grande hit da história do Depeche Mode. Uma dualidade marca o fim de Violator: Uma balada muito bonita, mas com uma simplicidade “krafterkiana”, a música Blue Dress, antecede a pesada Clean, onde Dave Gahan clama que está mais limpo do que nunca. Parece até uma piada tendo em vista a situação pela qual o cantor passou poucos anos depois, quando chegou a ser declarado morto por overdose. Estas duas últimas faixas nos fazem lembrar que o Depeche Mode é uma banda de músicas sombrias e pesadas, mas que sabe trabalhar esses elementos em doses sensatas, abrindo espaço para algo mais iluminado e tocante, quando estes adjetivos se fazem necessários. Desta forma, a mente do ouvinte não se afoga ferozmente no absinto negro, nem se deixa transformar em um anjo que depende da luz para sobreviver.

Tecnicamente, Violator, o sétimo da discografia do Depeche Mode, representa o ponto onde a transformação começada em Music For The Masses enfim se concretizou. Influências de Rock alternativo se mostraram cada vez mais presentes e as construções eletrônicas se tornaram mais variadas, muito disso graças à novos métodos de produção adotados principalmente por Alan Wilder (o nerd musical do quarteto) e pela parceria com Mark “Flood” Ellis, produtor que trabalhara anteriormente com U2, New Order, Nine Inch Nails e Erasure, dentre outros nomes. Anteriormente, a banda preparava suas programações eletrônicas e já as deixava prontas antes mesmo de entrar em estúdio. Com o novo método adotado a partir de Violator, a pré-produção passou a trabalhar somente o essencial, de modo a trabalhar com maior liberdade e criatividade em estúdio o esqueleto elaborado antes. Foi assim que Enjoy The Silence, o maior hit da história do Depeche Mode, foi moldado. Originalmente, Martin Gore o compôs como uma balada quase que romântica. Alan Wilder, em seu trabalho como arranjador do grupo, transformou a música em uma peça dançante e empolgante, da forma como a conhecemos hoje.

Resultado: sucesso no mundo inteiro, sacramentando de vez o Depeche Mode como uma banda de arenas e estádios, milhões de álbuns vendidos e muitas, muitas, certificações. A ousadia musical seria ainda mais trabalhada no álbum seguinte, Songs Of Faith And Devotion (1993), onde o grupo colocaria o pé de vez no Rock Alternativo. Entretanto, esta ousadia apareceria de uma forma predominantemente mais densa e pesada. 

Há quem prefira o Depeche Mode oitentista, puramente Synthpop. Tem os que gostam bastante da fase alternativa vivida nos anos 90 e os álbuns atuais agradam por trazer elementos até mesmo de Blues (apesar das reclamações de quem ainda sente falta de Alan Wider na banda). Mas ninguém pode contestar o valor e a importância de Violator na discografia da banda. Este álbum é a esquina onde os mundos já criados pela musicalidade do Depeche Mode se encontram. Alternativo na medida certa, eletrônico para não esquecer as raízes nem perder a essência. Em resumo: perfeito para a boa música e, principalmente, para levantar os sentimentos mais escondidos, ferozes e ousados do ser humano. Ouça este álbum e viole sua timidez.



sábado, 21 de março de 2020

Signo 13: banda brasiliense lança novo single “Águas Primitivas”


A banda brasiliense Signo 13 continua a sua saga de lançamentos mensais de singles. Relembrando: o grupo formado por Felipe Rodrigues (vocais, guitarras, contrabaixo) e Rubens Cardoso (bateria) está lançando um single por mês, de setembro de 2019 até outubro de 2020, para enfim lançar o álbum completo Serpentário, que será composto dos 13 singles. O número se refere não só ao nome da banda, mas também à constelação de Ofiúco, ou Serpentário, que seria o 13º signo no Zodíaco.

O single da vez foi Águas Primitivas. A música que traz uma pegada mais radiofônica, remetendo a alguns nomes do Rock brasileiro (por que não dizer, brasiliense) oitentista, contou com a participação especial de Cisso Cerqueira na gaita. A arte de capa foi elaborada por Armando Salmito e a letra foi criada por Márcio Calixto (Vesuvia, Stenamina Boat).

Confira no player abaixo o clipe oficial de Águas Primitivas:



Da última vez em que reportamos os lançamentos do Signo 13, a banda havia acabado de lançar o segundo single dessa jornada, Abismo Céu. Portanto, disponibilizamos também nos players abaixo os demais singles lançados desde Abismo Céu e Águas Primitivas. Confira Liberdade Clandestina, Reflexo Disforme e Descontrução, Evolução.







Cubüs: duo carioca de Synthpop lança novo single, “Os Gritos Não Se Calam”


Os quase 17 anos de atividade do duo carioca Cubüs renderam a eles o posto de um dos principais representantes do Synthpop daquele estado. Para marcar este primeiro período de 2020 em sua história, o Cubüs lançou em várias plataformas digitais o single Os Gritos Não Se Calam. A música ganhou um clipe, o qual você pode conferir no player ao final desta nota.

O single representa um retorno do Cubüs às atividades, tendo em vista a pequena pausa que foi tomada após a sua turnê comemorativa de 15 anos. Os Gritos Não Se Calam foi gravado entre dezembro do ano passado e janeiro último e estará presente na coletânea Memorias De Um Continente III, organizado pelo selo Infravox Records, do Peru.

Segundo Diego de Oliveira, vocalista do duo – que conta também com Karlos Junior nos sintetizadores -, a música é uma espécie de desabafo contra a postura niilista dos governantes do país.

“’Os Gritos Não Se Calam’ foi uma forma de expurgar tudo de ruim que se passava em minha mente desde o resultado das eleições em 2018 no Brasil. O mundo vem cada vez mais sendo tomado de assalto por ideais violentos, governantes que não compreendem as demandas da população e suas transformações... Ficamos surpresos com os desejos dessa ‘seita’ tenebrosa em acabar com tudo que, para nós, é racional e justo.

Mas também é uma mensagem de esperança: Nem todos se alinham à essa corrente negativa e estamos dispostos a resistir. Músicas talvez não possam mudar o mundo, mas talvez consigam, aos poucos, mudar as pessoas que vivem nele. Arte é resistência (e também diversão).”

Musicalmente, Os Gritos Não Se Calam traz o conhecido Synthpop analógico e distorcido do Cubüs, em uma construção de arranjos que remete ao oitentismo e que também carrega em sua essência um pouco da atmosfera fria do Darkwave. O single conta com uma segunda faixa, Sexo, Drogas, Aborto & Satanismo, que nada mais é do que uma experimentação noise frenética e alucinante, que mais parece a mente atrasada da pessoa que disse a frase que carrega o título da música uns meses atrás.

Os Gritos Não Se Calam foi lançado via Paranoia Musique e está disponível nas plataformas digitais desde o dia 06 de março. No momento, o Cübus se prepara para suas primeiras apresentações de 2020 e também já está engajado no processo de gravação do esperado segundo álbum.

Confira abaixo o clipe de Os Gritos Não Se Calam:

quarta-feira, 18 de março de 2020

Resenha: As Dramatic Homage - Praxis (single, 2020)




PRAXIS - AS DRAMATIC HOMAGE (independente, 2020)

Tracklist:
01. ISRS
02. Praxis

Line-up:
Alexandre Pontes - vocais, violões, programação
Leonardo Silva - teclado
Pedro Ramos - violão

Participação:
Alexandre Carneiro - guitarra em Praxis



Texto: Bruno Rocha

Os cariocas do As Dramatic Homage estão de volta após dois anos com um novo single, Praxis. Musicalmente, este single está conectado ao anterior, Consternation (2018), como Praxis fosse uma continuação, ou um epílogo, de Consternation, tendo em vista que o novo single possui uma abordagem completamente introspectiva, quase que desprovida de distorções e até mesmo de bateria.

Quando a banda surgiu, em 1999, a proposta de Alexandre Pontes (vocais, guitarras, programação) e companhia era de praticar um misto de Black e Doom Metal, algo que foi se tornando mais complexo e variado com o passar dos anos até atingir um nível que os classifica hoje como um ato de Metal Progressivo, apesar de elementos de Metal extremo, notadamente de Doom, terem sido retidos. Esta evolução musical foi necessária a fim de acompanhar e emoldurar com precisão os questionamentos filosóficos e existenciais presentes nas letras. Os arranjos mais ricos e introspectivos servem como um canal para que os pensamentos sejam absorvidos com maior facilidade; junto a eles, as passagens pesadas e mais velozes servem para nos lembrar que a banda toca, em sua essência pétrea, Heavy Metal.

Porém, Praxis surge despido de quaisquer elementos musicais de peso ou de distorções. As duas faixas que compõem o single são acústicas e com acompanhamento somente de teclados tímidos, mas pontuais. ISRS, a faixa instrumental que abre os trabalhos, traz um clima melancólico em sua levada de violão e no timbre do teclado que o acompanha que fazem jus ao significado de seu título (Inibidor Seletivo de Recaptação de Serotonina). Para quem não conhece, “serotonina” é um neuro-transmissor que, dentre outras funções, possui atividades relacionadas à regulação do humor. O déficit de serotonina no organismo é um facilitador de desenvolvimento de doenças como a depressão.

A faixa-título traz em sua letra o conceito de “práxis”, usado em diversos campos do conhecimento para definir a sequência entre finalidades teóricas e os resultados práticos. Dentro da proposta filosófica do As Dramatic Homage, o “práxis” é tratado como um estimulante para que as pessoas saiam de seu comodismo e passem a agir para que novos e satisfatórios resultados aconteçam em suas vidas. Musicalmente, a música me parece um encontro do 40 Watt Sun com alguma banda Prog setentista, dado o andamento sofrido criado pelos violões que contrastam com a beleza calmante do refrão. Uma distorção na verdade aparece, em um curto solo de guitarra na metade, tocado pelo músico convidado Alexandre Carreiro, antes que um trecho bastante lento no violão acompanhe um teclado de timbre lúgubre. A interpretação de Alexandre Pontes nos vocais é tocante e correta, somente com a ressalva de que ele poderia se aprimorar ainda mais na pronúncia do inglês. Mas isto é algo que só importará a quem é fluente na língua, pois a interpretação do cantor e a música em si falam conseguem falar ao interior do ouvinte sem a obrigação de usar como vetor um idioma específico.

Praxis foi gravado no HCS Estúdio, no Rio de Janeiro, e teve produção do próprio Alexandre Pontes, que soube dosar com clareza e inteligência a participação de cada um dos instrumentos nas músicas de modo a transmitir com clareza ao ouvinte a mensagem das mesmas. Para ilustrar com tamanha precisão a mensagem que Praxis transmite, o artista Gustavo Sazes elaborou uma arte capaz de simplesmente congelar aquele que o contempla.

Com Praxis, o As Dramatic Homage mostra mais uma vez que é uma banda importante e diferenciada dentro do cenário nacional. Sem medo de tentar e, principalmente, de ousar, a banda nos apresenta métodos criativos não somente dentro de arranjos ou de harmonias, como também em suas letras que instigam o ouvinte a pensar e a refletir. Praxis é mais uma peça do complexo e inquieto quebra-cabeça do As Dramatic Homage. Um quebra-cabeça que, verdadeiramente, não se acaba. Ele se estende até onde a imaginação alcança, e a imagem que ele cria não segue necessariamente um padrão, mas obedece à intepretação sonora e plástica daquele que o monta.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Deepland Festival IV: confira detalhes do festival que acontecerá em São Paulo no dia 26 de setembro



Está marcado para o dia 26 de setembro, um sábado, a esperada quarta edição do Deepland Festival, um dos principais eventos e encontros de música gótica do país, realizado pela Deepland Records. A edição deste ano reunirá cinco grupos internacionais e nacionais que trarão consigo uma enorme variedade de estilos de dentro do universo gótico/alternativo.

Uma das principais atrações do Deepland Festival IV serão os alemães do Aeon Sable. Um dos nomes mais reconhecidos do Gothic Rock atualmente, o grupo liderado pelo vocalista Nino Sable e pelo guitarrista Din-Tah Aeon já tem em seu currículo passagens pelo Wave Gothik Treffen e Castle Party e uma discografia de seis álbuns de estúdio. O som do Aeon Sable é característico por trazer diversas influências que vão do esoterismo até o Black Metal.

Do México virá a banda de Pós-Punk Capitals. O duo formado por Jonathan Salazar e por Ivan Herrera traz um som empolgante e animado que mostra influências de She Wants Revenge, Human Tetris e She Past Away. Recentemente em 2019 o Capitals lançou o seu primeiro full-lenght, Año Once.

Outra atração internacional são os nossos vizinhos colombianos do Los Malkavian. Mais um representante do Pós-Punk, o som do grupo traz uma sonoridade mais distorcida e frenética, como ensinaram alguns dos pioneiros do estilo como Bauhaus e Killing Joke, e também elementos de Shoegaze. A banda formada por Alex Pela (vocais, bateria), Carolina Castaño (vocais, guitarras), Jean Pierre Guarin (contrabaixo) e Mario López (guitarras) foi fundada em 2013 na cidade de Medelin e tem em sua discografia o álbum Letargo, de 2018.

De Recife estará presente a banda Ego Eris. Uma dos nomes mais reconhecidos do Pós-Punk/Darkwave nacional, o grupo pernambucano estreou em 2018 com o álbum Memento Mori, que foi sucesso de pedidos para o mercado especializado estrangeiro segundo a gravadora Deepland Records, e já conta inclusive com experiência internacional graças a participações no festival Tumbas Eternas, no Peru, e no próprio Deepland Festival, no qual eles repetirão a dose. O Ego Eris é formado por Marc Nero (guitarras, programação), Breno Romero (vocais, programação) e Astroblack (contrabaixo, sintetizadores, programação).

Fechando o line-up do Deepland Festival IV estão os paraibanos do Electro Bromance. O duo formado por Wilame AC (vocais, sintetizadores, programação) e por Hansen Pessoa (guitarras, sintetizadores, programação, vocais) vem de João Pessoa praticando um Synthpop com elementos de Future e Darkwave bastante empolgante e que funciona perfeitamente ao vivo. O Electro Bromance foi formado em 2015, mas já conta em seu currículo parcerias com nomes reconhecidos nomes internacionais como os italianos do Ash Code, os canadenses do Decoded Feedback e os mexicanos do Infected Sound System. O mais recente lançamento do duo paraibano foi o álbum We Are Like A Time Bomb (2017, Deepland Records), que promete ser sucedido ainda em 2020 por um segundo full-lenght, do qual já foi disponibilizado o single Breaking Chains.

Além destas cinco bandas, estarão animando o público que comparecer ao Deepland Festival IV os DJ’s Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff. O Deepland Festival IV acontecerá no Fofinho Rock Club, na avenida Celso Garcia, próximo ao metrô Belém. Os ingressos do primeiro lote ainda estão sendo vendidos e custam 170 reais.


SERVIÇO
DEEPLAND FESTIVAL IV

Bandas: Aeon Sable (Ale), Capitals (Mex), Los Malkavian (Col), Ego Eris (Bra), Electro Bromance (Bra)
DJ’s: Carlinhos, Xymox, Bat, Nanda McCoy e Ricardo Wolff
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: 22:00
Local: Fofinho Rock Club. Avenida Celso Garcia, 2728 (próximo ao metrô Belém), São Paulo/SP
Ingressos: R$170,00 (primeiro lote), R$200,00 (segundo lote), R$240,00 (terceiro lote)
Venda on-line: Kingdom Rock Store, Wave Records
Venda física: Fake No More, Reversa e Fofinho Rock Club (venda física apenas para pagamentos em dinheiro)
Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/569229240522339/
Realização: Deepland Records