Os reis do Darkwave Clan Of Xymox lançaram
recentemente a nova música Lovers, acompanhada de um videoclipe. Junto
ao single lançado anteriormente, She, Lovers será uma das faixas
do novo álbum de estúdio da banda, cujo título será Spider On The Wall.
Sobre o single Lovers, o mesmo foi lançado em um EP
de cinco faixas. Além da versão original da música, fazem parte do EP três
versões remixadas por Hante., Actors e Selofan. A quinta faixa se
trata da regravação de Going Round, música lançada originalmente em 1983
no clássico EP de estreia Subsequent Pleasures. Curiosamente, está é a
terceira vez que Going Round foi lançado, sendo que a segunda fora no
álbum Hidden Faces, de 1997.
Já quanto ao álbum Spider On The Wall, espera-se que o Clan Of Xymox
anuncie maiores informações em breve. O que se sabe é que Ronny Moorings,
líder e principal compositor da banda, já está com o trabalho pronto para ser lançado,
como ele anunciou em recente entrevista ao site alemão Gothic Empire. Spider On The Wall será o décimo-sétimo álbum de estúdio lançado pela banda (contando aqui com os álbuns lançados sob o nome Xymox) e o primeiro desde Days Of Black (2017).
Enquanto o novo álbum não sai, confira no player abaixo a
nova música Lovers. O videoclipe foi dirigido e editado por Zoe Cavanagh com apoio de Ismael Diarra e de Thomas Andrew Quain. Aproveite e ouça também o primeiro single lançado
pelo Clan Of Xymox em 2020, She.
Os britânicos do Paradise Lost estão prestes a lançar
seu novo álbum de estúdio, Obsidian, o qual será o décimo-sexto full-length
de sua discografia. Para divulgar o novo álbum, a banda disponibilizou recentemente
seu segundo single, Ghosts, o qual você poderá ouvir no player mais
abaixo.
Em Ghosts, o Paradise Lost volta a mostrar com força
suas influências de Rock Gótico como não se vê há algum tempo. Sem esquecer o
peso que a banda trouxe de volta desde meados dos anos 2000, o baixo com
flanger de Stephen Edmondson, o fraseado de guitarra melancólico de Gregor
Mackintosh e os vocais graves de Nick Holmes construíram uma peça gótica que nos
remete a The Sisters Of Mercy. Aliás, sempre que têm a oportunidade, os
integrantes do Paradise Lost fazem questão de mencionar que as bandas góticas
oitentistas são algumas das principais influências na sonoridade típica da
banda.
Quando a data de lançamento de Obsidian foi
divulgada, o Paradise Lost divulgou que o novo álbum será o mais eclético lançado
pela banda nos últimos tempos, indo de músicas Doom pesadíssimas até Rock
Gótico. Cabe lembrar que ao longo de sua história que já atravessa três
décadas, os ingleses passearam por várias diferentes sonoridades com muito
louvor, o que embasa fortemente as intenções do grupo de mesclar várias delas
em um só registro.
Obsidian tem data de lançamento prevista para o dia 15
de maio pela gravadora Nuclear Blast. Paradise Lost é Nick Holmes
(vocais), Gregor Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras), Stephen
Edmondson (contrabaixo) e Valtteri Wäyrynen (bateria). Confira nos
players a seguir a nova música Ghosts e também Fall From Grace, o primeiro single
divulgado de Obsidian e que ganhou videoclipe.
Provavelmente você já deve ter dançado ao som de Tansevat,
do Molchat Doma. Vou mais além: você já deve conhecer várias músicas do
trio Pós-Punk da Bielorrússia. Se você não atende a nenhuma das duas afirmações
anteriores, você está perdendo tempo.
O Pós-Punk do lado de lá da Europa tem uma sonoridade
peculiar e facilmente reconhecível graças a simplicidade dos arranjos e o clima
nublado que elas criam que mais parecem versões musicais das imponentes
arquiteturas e construções soviéticas. Desde os pioneiros do Kino até
nomes atuais como Human Tetris, Ploho, Supernova 1006 e Buerak, o
Pós-Punk russo se mantém forte, coeso e relevante na atualidade.
Mas o Molchat Doma é um caso bastante peculiar e específico.
Primeiro que eles não são da Rússia. São de Belarus, nome oficial do país que
conhecemos como Bielorrússia. Belarus fica localizado a Oeste da Rússia e ao
Norte da Ucrânia e fazia parte até o começo dos anos 90 da União Soviética. O
segundo ponto advém de sua sonoridade. Resguardando as tradições do Pós-Punk de
seu país vizinho, o Molchat Doma consegue elaborar uma identidade musical para
si próprio mesclando elementos de Coldwave e Synthpop. Terceiro, e não menos
importante, o grupo trabalha muito bem a parte visual, que inclui logos, capas
de álbuns e figurinos dos integrantes. Não vai dizer que não reconhece aquela roupa
social preta fechada até o pescoço e aquele bigode do vocalista Egor Shkutko?
Roman Komogortsev, Egor Shkutko e Pavel Kozlov.
Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente até 2010. Naquele
ano, dois estudantes de uma escola técnica em Minsk, capital de Belarus, se
conheceram e um descobriu que o outro tocava instrumentos musicais. Estes eram Egor
Shkutko e Roman Komogortsev. Todavia, não era só o fato de ambos
serem músicos que os aproximou. Egor e Roman eram fãs de Depeche Mode e também
partilhavam um carinho por Red Hot Chili Peppers. Os gostos musicais parecidos
fizeram com que os dois começassem a tocar juntos na soturna, cinzenta, imponente
e soviética Minsk.
Ambos tocavam juntos vários estilos diferentes, que iam de
vertentes eletrônicas até Funk e passando até mesmo por Trip Hop. Em 2014 eles
se encontravam juntos na banda Net Kadrov, onde Roman era guitarrista e
tecladista e Egor era baixista. Foi durante a existência do Ned Kadrov que algumas
composições hoje tocadas pelo Molchat Doma surgiram, como Ya Ne Komunist,
Tishina I Priatki e Tecnologia. O vocalista do Net Kadrov
resolveu deixar o grupo após divergências musicais com Egor e Roman, o que
abriu caminho para que os dois seguissem com a banda de acordo com seus próprios
objetivos e ideais.
A primeira iniciativa foi mudar o nome da banda. De Net
Kadrov, o grupo passou a se chamar Molchat Doma, que significa “casas silenciosas”.
Ao invés de procurarem por um novo cantor, Egor resolveu largar o contrabaixo
para assumir o posto de vocalista. A busca por um baixista foi difícil, já que
vários músicos foram recrutados, mas todos eles abandonavam o projeto em pouco
tempo. Quando a dupla de amigos já estava desanimada ao ponto de encerrar de
vez o projeto, eis que Pavel Kozlov entra em contato se mostrando altamente
interessado na vaga. A salvação chegou e o Molchat Doma enfim toma o formato que
conhecemos hoje em 2017.
Em meio a tantos estilos musicais que a dupla Egor/Roman já
haviam testado, o Pós-Punk vingou como sonoridade definitiva do Molchat Doma.
Já foi citado neste texto que ambos eram fãs de Depeche Mode, mas Roman, principal
arranjador do grupo, também cultivava um forte apreço pelo Kino, um dos
principais nomes do Rock russo de todos os tempos e que praticava um Pós-Punk
frio e introspectivo.
O trio produziu e lançou de forma independente seu álbum de
estreia, S’Krish Nashik Domov (Dos Telhados de Nossas Casas) ainda em
2017, com nove faixas que traziam um som empoeirado, abafado, com
sintetizadores que remetiam a época de ouro do Synthpop e do New Wave,
guitarras com melodias frias cobertas de reverb, baixo hipnotizante e vocais
soturnos que pareciam ter sido gravados do fundo de um porão de algum prédio
setentista de Minsk. Um som realmente dançante e sombrio ao mesmo tempo,
sovieticamente arquitetado. O álbum chamou a atenção de Davide, o responsável
pela gravadora alemã Detriti Records. Davide entrou em contato com o
Molchat Doma através do Soundcloud, oferecendo a oportunidade de lançar S’Krish
Nashik Domov em formato de fita cassete. A oferta foi aceita pela banda e o
lançamento rapidamente se esgotou.
Mais uma oferta foi feita pelo italiano radicado na Alemanha,
Davide. Lançar o segundo álbum do Molchat Doma em vinil. Desta vez o trio
bielorrusso ficou apreensivo, pois eles nem sequer sabiam se teriam condições
de registrar um segundo álbum. Apesar da incerteza, o grupo se manteve
confiante e resolveu aceitar a oferta da gravadora alemã, o que possibilitou a
gravação de Etazhi (Pisos), lançado em 2018.
Apesar de serem músicos talentosos e criativos e de terem
uma imagem bastante chamativa, tudo isto não bastou ainda para que o Molchat
Doma se lançasse aos píncaros da glória. Um pouco de sorte também se fez
essencial para que os garotos de Belarus se tornassem a nova sensação do Pós-Punk.
Os vídeos com as canções do grupo começaram a se tornar bastante divulgados e
assistidos no YouTube. Foi através deste forte engajamento na internet que o
Molchat Doma chamou a atenção dos americanos do Drab Majesty, que
alimentou a vontade de tocar na Europa junto aos bielorrussos. O Drab Majesty tratou
de entrar em contato com seu agente de shows na Europa para falar sobre o
Molchat Doma e sobre a possibilidade de a agência também apoiá-los. O agente
foi até Berlim testemunhar pessoalmente uma apresentação do Molchat Doma, desta
feita no festival Pop-Kultur de 2019. Ao chegar lá, o que o agente presenciou
foi um trio formado por um vocalista bigodudo e altamente empolgado com danças
estranhas, um guitarrista que verdadeiramente se inebriava viajando em seus próprios
solos e um baixista que mais se parecia um músico escandinavo de Heavy Metal,
mas que dançava animadamente ao ritmo sincopado de seu baixo. Este trio tocava suas
ótimas composições de forma coesa e segura, conquistando assim todo aquele público
que, junto ao agente, testemunhavam aquele concerto. Depois foi só questão de
tempo para que o agente e os garotos de Belarus assinassem uma parceria que
permitiu ao trio rodar toda a Europa e até mesmo os Estados Unidos desde então.
Lembra da apreensão pela qual a banda passou antes de gravar
seu segundo álbum, Etazhi? Pois bem. Etazhi já foi vorazmente
devorado das lojas físicas cinco vezes. Atualmente o trabalho já está em sua
sexta prensagem, a qual provavelmente terá o mesmo destino das cinco
anteriores. Etazhi traz ainda a mesma essência fria e dançante do debut,
porém com uma melhor produção e qualidade de som graças ao aporte da gravadora
Detriti.
Não nos esqueçamos que o Molchat Doma é de Belarus, país
governado com mãos-de-ferro por Alexander Lukashenko (sim, o mesmo que disse
que o Coronavirus pode ser tratado com vodka e saunas) em mandatos consecutivos
desde 1994 e que faz questão de resguardar tradições soviéticas até hoje. Se
essas tradições se restringissem a pesada arquitetura, tudo bem. Contudo, tais
costumes vão desde práticas econômicas até repressão e censura. Para alguma
banda local poder tocar ao vivo no país, é necessário requisitar uma prévia
autorização ao regime local, que verificará o histórico, as letras e até a
imagem do grupo. Caso a autorização seja negada, representantes do regime
bielorrusso vão até o local onde a apresentação aconteceria para verificar se
realmente o show não ocorreu. O Molchat Doma já experimentou essa censura
algumas vezes, muito embora eles afirmem que pouco se preocupam com política e que
suas letras quase não abordam o assunto. Todavia, o Molchat Doma é presença
frequente na emissora local de TV Belsat, que se intitula independente e
com a missão de enaltecer a cultura bielorrussa, bem como em rádios.
O reconhecimento que falta em Belarus vem sendo ricamente
recompensado fora de lá, em toda a Europa e em todo o mundo. O Molchat Doma é atualmente
uma das principais representantes do estilo e muito deste sucesso se deve a sua
personalidade, sua empolgante, fria e única sonoridade, trabalho duro, imagem
reconhecível e, não faz mal reconhecer, uma pitada de sorte. Ora com guitarras
e com baixo na direção do Coldwave, ora nos sintetizadores que os conduzem ao
Synthpop/New Wave, o Molchat Doma se sai bastante competente em cada direção que
resolve adotar, sempre guiados pela bateria eletrônica de timbres nostálgicos e
simples. Não obstante a salada de influências, o grupo cria uma música
consistente, homogênea e empolgante. Mais que isso, o Molchat Doma é
responsável por uma atmosfera mágica e inebriante que, mesmo tendo uma coloração
cinzenta e triste tal qual os prédios de Minsk, empolga e faz alegrar qualquer fã
e ouvinte.
Ligue seu som e não permita que sua casa fique silenciosa
ante ao poder frio do Molchat Doma.
São notórios os fortes impactos causados pela pandemia de
Covid-19, doença causada pelo novo Coronavirus, em várias áreas e instâncias da
sociedade no mundo inteiro. Enquanto não existe vacina para a doença, a única
forma que temos para nos protegermos e evitarmos que o vírus se espalhe cada
vez mais é mantendo e respeitando o isolamento social, tendo em vista o quão
rápido e simples é contágio pelo vírus quando duas pessoas simplesmente se
aproximam.
Como consequência, trazendo para o lado que nos interessa,
que é a música, shows, eventos e festivais musicais têm sido cancelados ou
adiados para datas nas quais se presume que a crise já esteja controlada. Aqui
no Brasil, dois festivais importantes da cultura gótica tiveram suas edições de
2020 adiadas para o ano que vem.
A primeira foi o tradicional Woodgothic Festival, realizado
sempre na cidade mineira de São Thomé das Letras. Sua sétima edição, que seria
realizado dos dias 11 ao dia 13 de junho, foi adiada para 2021, mais precisamente
para os dias 03, 04 e 05 do mesmo mês. O line-up, que inclui a banda britânica Attrition,
a chilena Diavol Strâin e grupos brasileiros como Das Projekt, Inês
É Morta e Escarlatina Obsessiva, dentre vários outros nomes, permanece
todo mantido, assim como a escalação de DJ’s. Com o adiamento, outros nomes
podem ser anunciados pela organização do Woodgothic para se apresentarem em
2021 junto às bandas já asseguradas.
“Devido às restrições causadas pela crise do coronavírus
e consequente recessão econômica que se seguirá, a data do Festival Woodgothic
2020 será alterada para os dias 3, 4 e 5 de Junho de 2021, feriado de Corpus
Christi.
Todas as bandas e Djs seguem conosco no line up. Os
trabalhos do Festival seguem normalmente, com divulgação, venda de Ingressos,
Passagens para a Excursão Oficial SP, reservas de Hospedagens na
Pousada/Camping das Magas e demais itens no site oficial do Festival
( www.festivalwoodgothic.com ), e pedimos o apoio do
público para que MANTENHA SUAS RESERVAS, visto que o Festival ocorrerá
normalmente, e só teve sua data alterada devido às circunstâncias excepcionais:
a única alteração foi a data, e todas as reservas na Pousada/Camping Oficial,
Ingressos, Passagens da Excursão Oficial e outros itens CONTINUAM ATIVOS PARA A
NOVA DATA!!!”
Outro importante evento que precisou ser adiado por causa da pandemia de Covid-19 foi o Deepland Festival, cuja quarta edição aconteceria em
São Paulo no dia 26 de setembro próximo. O mesmo foi adiado para 2021, desta vez
para o dia 23 de janeiro. Da mesma forma que o Woodgothic, o Deepland Festival manterá
o line-up original de DJ’s e bandas, que incluem os alemães do Aeon Sable,
os mexicanos do Capitals, os colombianos do Los Malkavian e os
brasileiros Ego Eris e Electro Bromance. Sobre o adiamento, a
produção do Deepland Festival divulgou um comunicado no último dia 06 de abril:
“Nós da produção, em consulta conjunta com todas as
bandas do festival que envolve 4 países (Brasil, Alemanha, México e Colômbia)
tínhamos tomado essa decisão dia 22 do mês passado [março] e todos foram
unânimes, mas decidimos publicar hoje pois não somente nós como o clube
tínhamos uma perspectiva de realizar a edição mesmo após esse caos passar, que
na verdade nem sabemos ao certo quando isso vai ocorrer.
A data do dia 26 de setembro foi adiada para 23 de
janeiro de 2021 (também em um sábado), para que possamos iniciar o ano com
muita alegria e atravessar esse impacto econômico que todos nós brasileiros,
certamente vai nos afetar por alguns meses, mesmo pós pandemia seguida de uma
recessão.
Essa decisão de prorrogar a data por mais 4 meses, é
justamente para ajudá-lo financeiramente a se recompor e programar melhor a sua
participação no festival, assim como nós da produtora que sempre se programa 1
ano antes para cumprir com o calendário, atrações. Não poderíamos cruzar os
braços, sabendo que nosso evento reúne pessoas não somente de São Paulo, mas de
todo o Brasil.”
Assim como o Woodgothic, o Deepland Festival resguardará as garantias de quem já havia adquirido seus ingressos.
Sabemos que todas as medidas de contenção social impostas
atualmente irão trazer consequências indesejadas após o controle da crise de
Covid-19. Todavia, o isolamento é o único meio de que dispomos para que o vírus
não se espalhe tanto quanto pode e, assim, protejamos as nossas vidas e as
vidas de quem cuidamos. Que nos resguardemos neste período tão sombrio, incerto
e funesto, respeitando as orientações respaldadas pelas autoridades sanitárias. Cuide também de sua saúde mental, fazendo em casa aquilo que estiver ao seu alcance se sentir bem, como ler, assistir suas séries e ouvir suas bandas preferidas. Vários representantes do cenário gótico/underground estão fazendo lives pela internet para oferecer uma forma alternativa de contato com os seus fãs, tanto bandas como DJ's. Os acompanhe e os apoie. Sobre os DJ's, vários deles têm montado sets especiais para curtimos nesta quarentena. O blog THE ATMOSPHERE... está compartilhando alguns deles em sua página oficial do Facebook.
Cuidem-se. Assim, estaremos novamente daqui a um tempo com saúde e prontos para
festejar em nossos tão amados e respeitados festivais.
EPIPHANY - THESE DARK TRAILS (EP, independente, 2020)
Tracklist:
01. Elixir
02. By Actions And Concepts
03. Almost
04. Void
05. Denial
Line-up:
Bruno Cassoni - todos os instrumentos
Texto: Bruno Rocha
These Dark Trails é um novo projeto capitaneado pelo
músico Bruno Cassoni, que possui em seu currículo trabalhos com as
bandas Songs of Oblivion, da qual é guitarrista, Feralia, Neon, HELP e Gray
Souvenirs. O músico resolveu desafiar a si mesmo criando este projeto onde ele
é o único integrante, praticando assim o conhecido formato “one-man band”.
A proposta do These Dark Trails é tocar um Black Metal na
linha mais depressiva do estilo, como ensinado pelo Burzum e pelo Strid ainda nos
anos 90, com letras que tratam das visões do autor sobre a vida e sobre os seus
sentimentos. Junto a essas óbvias influências, o Black Metal do These Dark
Trails também deixa transparecer momentos que nos remetem ao Post Black Metal e
mesmo ao Blackgaze, muito embora o estilo preconizado pelo Alcest não emerja
tanto em meio aos arranjos criados e tocados unicamente por Bruno.
O projeto fez sua estreia recentemente com o EP Epiphany,
que é composto por cinco faixas que completam confortáveis 18 minutos de duração,
o que é perfeito para se ouvir e absorver em meio ao frenético cotidiano da
atualidade (considerando-se a normalidade afora a era Covid-19). O These Dark
Trails mostra o seu cartão de visitas com Elixir, onde uma levada
soturna conduzida por uma guitarra limpa e vocais limpos distorcidos são
sucedidos por um momento mais pesado e perturbador. By Actions And Concepts dá
continuidade ao trabalho na mesma pegada, mas incluindo em sua metade uma passagem
com sons estranhos, quase industriais.
Almost é instrumental e serve para descansar o
ouvinte da forte melancolia erguida pelas duas faixas anteriores; para tanto,
teclados com timbres etéreos, acordes na guitarra em chorus e até mesmo um solo
servem para este propósito. Void traz consigo guitarras de timbre
bastante distorcido misturadas a outra com timbre limpo, criando assim uma
atmosfera ao mesmo tempo asfixiante e confortável. Ponto aqui para o ótimo
trabalho de mixagem feito pelo próprio Bruno em seu home-studio, batizado de
Obscure Room. Um riff Doom Metal surge em Denial, faixa que encerra os
trabalhos com uma forte e inclemente carga maligna.
Cabe repetir algo que já foi dito aqui por conta de sua
importância: o trabalho de mixagem feito por Bruno é digno de ser tirado chapéu.
Não é fácil misturar timbres limpos e distorcidos de guitarras em um mesmo
arranjo e deixar ambos bem audíveis, sem que um invada demasiadamente o espaço
do outro. São detalhes como esses, além é claro do talento do músico em criar
músicas dentro do estilo proposto, que podem levar o These Dark Trails a ser um
dos principais representantes do Depressive Black Metal no Brasil daqui há um
tempo. O projeto não traz nada novo dentro do estilo, mas as músicas por ele
criadas são honestas, sinceras e muito bem trabalhadas. Isso já conta bastante
ponto para uma nova banda que queira se destacar. O EP Epiphany foi um
ótimo primeiro passo para se alcançar este objetivo, caso assim Bruno o queira.
O The Black Capes surgiu recentemente, em 2016, na milenar
Atenas. O Rock praticado pelo quarteto se encontra no limite do Gothic Rock com
o Metal, como se os arranjos típicos do Fields Of The Nephilim se misturassem
com as facetas mais comerciais do Paradise Lost, unindo melodias sombrias e
grudentas com peso.
Apesar de ser uma banda nova, o grupo já alcançou alguns objetivos
dos quais podem se orgulhar, como ter seu álbum de estreia, All These Monsters
(2017), no top 10 das paradas alternativas da Alemanha, além de já ter dividido
o palco com nomes como o já citado Paradise Lost, por exemplo. A banda, formada
por Alexander S. Wamp (vocais), Thanos Jan (guitarras), Dorian
Gates (contrabaixo) e Christos Grekas (bateria), está agora prestes
a lançar o seu segundo full-length, Lullabies For The Dead, do qual foi
extraída a música And I Wait, que ganhou videoclipe que você pode assistir no
player abaixo.
Lullabies For The Dead foi produzido por Peter
Rutcho e teve sua arte de capa elaborada pelo artista Angry Blue,
que já trabalhou com Guns n’ Roses, Iggy Pop e Faith No More, dentre vários
outros nomes conhecidos. Seu lançamento se dará no próximo dia 10 de abril
através da gravadora Dark Tunes Music Group.
Line-up (álbum):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Valdênio Solfieri - guitarras, vocais de apoio
Thiago Macedo - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine
Line-up (atual):
Daniel D.vill - vocais
Rodolfo Tietre - guitarras, vocais de apoio
Alexandre Castelo Branco - contrabaixo
Miss Phantom II - drum machine
Texto: Bruno Rocha
Rumores reportados de Campina Grande deram conta de uma
reunião numerosa e agitada em um ponto afastado do Parque Louzeiro, região de
mata da cidade. Não, não era dia de jogo entre Treze e Campinense (dois times
que sempre me trazem boas lembranças, pois meu Ferroviário derrotou ambos nas
fases finais da Série D de 2018). Muito menos, essa reunião não era de pessoas
comuns. Era uma congregação de seres sobrenaturais que se regozijavam naquele local
que, naquele momento, só pertencia a eles. Haviam lobisomens, vampiros, seres
que mais se assemelhavam a anjos caídos e valquírias. Entre todos eles, um ser em
especial se destacava. A lendária mulher dos cabelos de serpente, aquela a qual
fora violada por Poseidon e amaldiçoada por Atena milhares de anos atrás.
Cada ser tinha sua própria história antes de chegarem a esta
reunião. Contos de amor, de sedução e, acima de tudo, de desgraças sofridas, eram
pontos em comum entre cada uma de suas vidas conturbadas. Animava aquela distinta tertúlia um grupo de quatro músicos locais, especialistas em seres sobrenaturais que fizeram
por onde conquistar a confiança daquelas entidades. Esses músicos e poetas
atendiam pelo nome Noturna Régia. Seu álbum mais recente, Sobre Anjos
& Outros Contos, traz músicas cujas letras contam as histórias daquelas malditas criaturas.
Este é o primeiro álbum de estúdio do grupo paraibano de
Rock Gótico formado atualmente por Daniel D.vill (vocais), Rodolfo
Tietre (guitarras, vocais de apoio), Alexandre Castelo Branco
(contrabaixo) e a Miss Phantom II, que nada mais é do que a drum machine
usada pelo grupo, uma parente distante do Dr. Avalanche, a drum machine do The Sisters
Of Mercy. À época da gravação, a banda ainda contava com Daniel e Rodolfo da
formação atual, mais Valdênio Solfieri nas guitarras e Thiago Macedo
no contrabaixo. O Noturna Régia foi fundado em 2011 e é atualmente uma das forças
proeminentes do cenário gótico de Campina Grande, cidade que possui uma das
cenas mais movimentadas do país dentro da cultura Dark. SobreAnjos &
Outros Contos representou o ápice da história da banda em termos de
lançamentos, tendo em vista que o grupo havia lançado antes a demo Noturna
Régia (2012) e o EP Artemísia (2016). O full-length foi produzido, mixado e
masterizado por Cristiano Costa, reconhecido produtor e músico da cidade
de Campina Grande e do estado da Paraíba.
O ritual descrito brevemente nos primeiros parágrafos deste
texto tem início em Licantropo, uma música que traz uma batida
percussiva em sua bateria e guitarras não menos sincopadas, lado esse reforçado
pelo timbre pesado e pelas palhetadas abafadas. Daniel canta com uma letra bastante
inspirada e com um vernáculo riquíssimo (uma tônica em todo o álbum) sobre os
dilemas e as ações dos lobisomens. Isabel, a personagem da próxima
música, é uma vampira insaciável que não se intimida até mesmo diante de crucifixos
e de estacas. Depois da metade da música, a banda cria um espaço que instiga o
ouvinte para cantar junto o grudento refrão. Os timbres das guitarras nesta música
e o andamento lembraram a este escriba o álbum Affects, da banda cearense
Plastique Noir. É quase possível ouvir em sua mente a voz de Airton S. cantando
o refrão junto a Daniel D.vill.
Por falar em refrão grudento, se prepare, pois os “cabelos
de serpente” da Medusa, aquela que petrifica aqueles que ousam
encará-la, ficarão impregnados na sua cabeça. A música que carrega no título o
nome da górgona mais famosa é um dos grandes destaques do álbum graças ao seu
clima sombrio (reforçado pela escala de Fá Sustenido Menor, uma das mais soturnas
para os ouvidos deste que vos escreve), que remete este redator a uma cabana
isolada sob um temporal à noite, a letra e as melodias vocais. Anjos Caídos traz
uma atmosfera mais calma, mas não menos soturna. Destaque aqui para os solos de
guitarra em cada música, sempre bem encaixadas e criadas.
Um dos grandes destaques do álbum surge agora com Artemísia,
uma peça de quase oito minutos de puro êxtase sentimental, uma das melhores
composições góticas dos últimos anos. Seus arranjos reverberados e os strings convidam
o ouvinte a adentrar numa atmosfera etérea e inebriante, como uma neblina densa
em alguma clareira no outono. Aqui mais uma vez Daniel usa o recurso de subir
uma oitava em seu tom de voz próximo ao fim da música, recurso esse que enseja
um clímax à canção, como um ser que atinge o nirvana. Daniel é dono de graves
bem cantados e de barítonos marcantes. O sonho se encerra quando começa a
ameaçadora e pesada Carne Trêmula, com destaque para o trecho quando o
tom da música sobe acompanhado por um teclado em chorus, como que escurecendo a
paisagem já desolada da música, e a bateria se torna mais frenética.
A princípio senti pena da música Sonhos & Pesadelos,
pois ela, com sua pegada sentimental (como uma Artemísia acelerada) foi
ensanduichada por duas das músicas mais pesadas do álbum, a já citada Carne
Trêmula e Klaustrofobia, esta um verdadeiro Metal Industrial daqueles
ensinados pela Neue Deutsche Hërte alemã, e que conta inclusive com berros
guturais. Entretanto, muito embora a letra de Klaustrofobia faça menção
a sufocamento e agonia, Sonhos & Pesadelos tem seu valor, tal qual
uma flor que brota solitária e imponente entre massivos rochedos. O álbum se
encerra com a belíssima Valquíria, que com seu andamento lento e calmo,
conduz o ouvinte por uma viagem eterna por mares pacíficos rumo à eternidade, ou
para onde os seus mais recônditos pensamentos queiram que você vá.
A produção de Cristiano Costa deixou todos os instrumentos bem
equalizados e nítidos aos ouvidos, sabendo domar com perícia os mais diversos
timbres e efeitos usados nas guitarras, impedindo que elas duelassem com os vocais.
Após as gravações do álbum, o guitarrista Valdênio Solfieri e o baixista Thiago
Macedo deixaram o Noturna Régia. Porém, suas contribuições às músicas e a
história da banda não foram renegadas pelos integrantes permanentes. É tanto
que magnífica arte de capa do álbum traz dois ômegas entrelaçados, representando
os agora ex-integrantes.
Esta foi a trilha sonora que embalou a tertúlia sobrenatural
nas matas de Campina Grande em uma noite indeterminada. A Medusa dos Cabelos de
Serpente voltou aos seus domínios subterrâneos, os anjos caídos continuaram a vagar
sem rumo pela noite fria, escoltados pelos seres licantropos movidos pela sedutora
lua cheia. A vampira Isabel persistiu em sua busca incessante por vítimas para
saciar o insaciável enquanto as valquírias retornaram a nórdica Valhalla. Já os
músicos do Noturna Régia, estes continuam a animar as festas de sua cidade e de
seu estado. Que estes continuem transbordando seu exímio talento músico/poético
em prol da música gótica, como uma serpente que deixa escapar o excesso de
veneno por suas presas, e que continuem a nos embalar com as histórias de seus
amigos mitológicos.